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11 março 2012

MP prepara ações contra militares por crimes da ditadura

O Ministério Público Federal está intensificando esforços para a instalação de processos que levem à responsabilização de pessoas envolvidas com os chamados crimes permanentes - sequestro e ocultação de cadáver - praticados por agentes do Estado nos anos da ditadura militar.

Em São Paulo, procuradores federais estão prestes a ajuizar as primeiras ações nesses casos, mais conhecidos como 'desaparecimentos'. Eles defendem a ideia de que os possíveis autores de crimes permanentes não foram abrangidos pela Lei da Anistia, que cobre um período limitado de tempo, entre 1961 e 1979.

De maneira discreta, sem declarações públicas, os procuradores federais em São Paulo concentram as atenções em quatro casos, entre eles os de Edgard de Aquino Duarte e Aluízio Palhano Ferreira. O objetivo é reunir o máximo de provas para ajuizar ações contra os eventuais responsáveis pelos crimes.

MATÉRIA COMPLETA:

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/mp-prepara-a%C3%A7%C3%B5es-contra-militares-por-crimes-da-ditadura

10 março 2012

PTB de Jefferson quer ficha limpa para eleitor

Partido presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, réu no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o PTB deve discutir em breve a implantação da 'ficha limpa' para seus filiados, ideia dele, e também até para o eleitor, proposta do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), procurador da Câmara. Pela ideia, ninguém que tivesse condenação na Justiça por órgão colegiado poderia filiar-se ao partido. E a proposta de Marquezelli iria mais além: não poderia nem votar. As propostas serão levadas à executiva nacional. Jefferson, porém, quer cautela. "Vamos fazer primeiro a ficha limpa interna, e depois discutir a outra, quando Marquezelli apresentar", diz o presidente do partido.

http://congressoemfoco.uol.com.br/ptb-quer-exigir-ficha-limpa-tambem-do-eleitor.html

29 fevereiro 2012

Da cadeia, 'homem da motosserra' ameaça Judiciário

Preso há 12 anos e condenado a mais de 110 anos de prisão, o ex-deputado federal e ex-coronel da Polícia Militar Hildebrando Pascoal - o “homem da motosserra” - driblou a vigilância da penitenciária de segurança máxima do Acre e enviou duas cartas de ameaça e extorsão a autoridades do Judiciário local. Ele exige dinheiro e afirma ter fatos a revelar aos Conselhos Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP), conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo no domingo, na coluna Direto de Brasília, de João Bosco Rabello. As cartas integram um inquérito sigiloso em tramitação no Ministério Público do Acre.

Manuscritas e postadas no dia 23 de novembro de 2011 numa agência dos Correios em Rio Branco (AC), foram enviadas por Sedex à desembargadora Eva Evangelista, do Tribunal de Justiça do Acre, e à procuradora de Justiça Vanda Milani Nogueira, ex-cunhada de Hildebrando. Aos 60 anos, o homem que na década de 90 liderou o “esquadrão da morte” mostra-se ressentido e disposto a vingar-se de quem, segundo ele, o teria abandonado.

MATÉRIA COMPLETA:
http://br.noticias.yahoo.com/cadeia-homem-motosserra-amea%C3%A7a-judici%C3%A1rio-110800391.html

15 dezembro 2011

'Dificilmente teremos prescrição de penas do mensalão', diz procurador

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1021352-dificilmente-teremos-prescricao-de-penas-do-mensalao-diz-procurador.shtml

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse acreditar que não haverá prescrições de penas no caso do mensalão.

Gurgel se disse um "otimista" em relação à previsão inicial de julgamento no primeiro semestre do ano que vem, o que, segundo o procurador, evitaria prescrições inclusive para as penas menores.

Mensalão terá prescrição de penas, diz Lewandowski
Leia a íntegra da entrevista à Folha e ao UOL

"Eu acho que o julgamento ainda pode acontecer no primeiro semestre do ano que vem. E se isso acontecer, dificilmente teremos a prescrição, mesmo no caso em concreto."

A prescrição concreta é medida de acordo com a sentença definitiva dada pelo tribunal. No caso de formação de quadrilha, por exemplo, se for aplicada a pena mínima de um ano, a prescrição ocorre quatro anos depois do recebimento da denúncia. A denúncia do mensalão foi recebida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2007.

Gurgel também defendeu a opção de manter todos os réus no processo que tramita no STF, inclusive aqueles sem prerrogativa de foro, o que acabou deixando o processo mais lento.

"Há casos em que as condutas estão entrelaçadas de tal forma que não há como fragmentar processos. Além disso, o ministro Joaquim Barbosa [relator] deu a tramitação mais rápida possível, considerando números de réus e complexidade do feito."

Em entrevista ao programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido no estúdio do Grupo Folha em Brasília pelo jornalista Fernando Rodrigues, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski disse que réus do mensalão terão algumas de suas penas prescritas antes do fim do julgamento.

O processo do mensalão no STF tem 38 réus. O ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, ainda deve terminar seu relatório. Quando isso ocorrer, Lewandowski deverá revisar o processo. Só então poderá ser marcado o julgamento pelo plenário do STF.

"Terei que fazer um voto paralelo ao voto do ministro Joaquim. São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero. Tenho que ler volume por volume porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas", disse Lewandoski.

'Dificilmente teremos prescrição de penas do mensalão', diz procurador

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1021352-dificilmente-teremos-prescricao-de-penas-do-mensalao-diz-procurador.shtml

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse acreditar que não haverá prescrições de penas no caso do mensalão.

Gurgel se disse um "otimista" em relação à previsão inicial de julgamento no primeiro semestre do ano que vem, o que, segundo o procurador, evitaria prescrições inclusive para as penas menores.

Mensalão terá prescrição de penas, diz Lewandowski
Leia a íntegra da entrevista à Folha e ao UOL

"Eu acho que o julgamento ainda pode acontecer no primeiro semestre do ano que vem. E se isso acontecer, dificilmente teremos a prescrição, mesmo no caso em concreto."

A prescrição concreta é medida de acordo com a sentença definitiva dada pelo tribunal. No caso de formação de quadrilha, por exemplo, se for aplicada a pena mínima de um ano, a prescrição ocorre quatro anos depois do recebimento da denúncia. A denúncia do mensalão foi recebida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2007.

Gurgel também defendeu a opção de manter todos os réus no processo que tramita no STF, inclusive aqueles sem prerrogativa de foro, o que acabou deixando o processo mais lento.

"Há casos em que as condutas estão entrelaçadas de tal forma que não há como fragmentar processos. Além disso, o ministro Joaquim Barbosa [relator] deu a tramitação mais rápida possível, considerando números de réus e complexidade do feito."

Em entrevista ao programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido no estúdio do Grupo Folha em Brasília pelo jornalista Fernando Rodrigues, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski disse que réus do mensalão terão algumas de suas penas prescritas antes do fim do julgamento.

O processo do mensalão no STF tem 38 réus. O ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, ainda deve terminar seu relatório. Quando isso ocorrer, Lewandowski deverá revisar o processo. Só então poderá ser marcado o julgamento pelo plenário do STF.

"Terei que fazer um voto paralelo ao voto do ministro Joaquim. São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero. Tenho que ler volume por volume porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas", disse Lewandoski.

08 dezembro 2011

Procurador em MS propõe presídio só para corruptos

Imagine uma prisão destinada só para corruptos. Eles teriam suas fotos expostas permanentemente num mural, na entrada do presídio, e receberiam aulas de ética, moralidade e honestidade.

Parece exercício de ficção, mas o procurador da República Ramiro Rockenbach, do Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul, propôs ontem ação civil pública que pede a criação do primeiro presídio federal só para corruptos do Brasil, exatamente nesses moldes.

No texto da ação, o procurador diz que o país ocupa apenas a 73ª posição no ranking de nações menos corruptas, segundo pesquisa com 182 países feita pela organização Transparência Internacional neste ano.

Alpino

Rockenbach diz ainda que, hoje, 1.400 pessoas cumprem pena por delitos relacionados à corrupção no país.

"Se todos os corruptos do Brasil fossem postos na cadeia, precisaria construir pelo menos um [presídio] por Estado", afirma o procurador.

Segundo Rockenbach, o presídio teria caráter "simbólico", para que os políticos entendam "que a Justiça não está de brincadeira".

"E não é só ficar lá por dois, três dias. Ele pode ter sua foto eternizada [em galeria dos presos condenados] como um corrupto desta nação. Para aprender que o dinheiro do povo não é para ficar fazendo esse tipo de safadeza."

A ação civil pública, protocolada ontem na Justiça Federal de MS, menciona escândalos como o mensalão, as denúncias contra o ex-governador do DF José Roberto Arruda (sem partido) e a recente queda de seis ministros da presidente Dilma Rousseff.

O valor proposto para a obra, que seria erguida em MS, é de R$ 12 milhões.

O Ministério da Justiça ainda não foi notificado sobre a ação. O órgão informou que o quinto presídio federal, a ser construído no ano que vem em Brasília, terá uma ala apenas para autoridades.

11 novembro 2011

FFLCH faz moção por furto de objetos de funcionários em invasão

Entre os pertences que sumiram estão pen drive e panetones; \"Panetones eram comida\", diz diretor do DCE


O Conselho Técnico Administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas publicou uma moção de solidariedade a funcionários do prédio administrativo da FFLCH que tiveram objetos furtados durante a invasão de alunos no dia 27. O protesto ocorreu em protesto contra a prisão de estudantes da USP pegos pela PM com maconha.

“Os professores lamentam profundamente que objetos pessoais tenham sido furtados e que os funcionários tenham experimentado o sentimento de frustação e impotência diante de tamanha violência”, diz a nota.

Na semana passada, vistoria feita por representantes da FFLCH constatou que o prédio invadido estava em condições adequadas e declarou que não haveria necessidade de “qualquer tipo de represália ou punição política”.

Nos dias que se seguiram, no entanto, houve reclamações dos funcionários sobre objetos pessoais que desapareceram. Além dos panetones de uma funcionária que vendia o produto no local de trabalho, sumiu o pen drive com fotos da família de outro trabalhador do prédio e um cobertor.

O primeiro anuário da FFLCH, que chegou a ser dado como desaparecido, já foi reencontrado. A diretora da FFLCH, Sandra Nitrini, disse que a moção é acima de tudo uma “demonstração de afeto” aos funcionários. “Eles se sentiram invadidos e ficaram chocados com o ato, principalmente os funcionários da copa. Foram pequenas perdas, mas com alto valor sentimental”, disse.

O diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), João Victor de Oliveira, afirmou que a grande quantidade de pessoas que passou pelo prédio acabou dificultando o controle da invasão. Sobre o panetone, ele afirmou que se tratava de alimentação. “Os panetones eram comida”, explica.

05 novembro 2011

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes

Enviado por e-mail por Lina:


EU ACUSO

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova sub-sequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada.

A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”.

Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”.

Deixe o aluno “construir seu conhecimento.”

Não vamos avaliar o aluno.

Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso...

com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens revoltado com suas notas baixas...

cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor.

Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei.

Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público.

A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto,

que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições,

freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estarem;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever,

tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como NÃO ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não podem aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima.

Uma eterna vítima.

O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida.

Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós.

Que a sua morte não seja em vão.

É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

03 novembro 2011

Entre mangues, polícia de Pernambuco caça piratas de rios

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/pe/entre-mangues-policia-de-pernambuco-caca-piratas-de-rios/n1597352206945.html

Barco com 50 turistas foi roubado no sul do Estado. Antes, crime era mais comum no Amazonas e Pará

Daniel Aderaldo, iG Ceará


Foto: Reprodução/Google MapsAmpliar

Mapa mostra a distância de 25 quilômetros entre Sirinhaém e Tamandaré

Cerca de 50 turistas, entre brasileiros e estrangeiros, foram assaltados na tarde da última quarta-feira (2) em Sirinhaém (a 78 quilômetros de Recife), no sul de Pernambuco, durante um passeio de catamarã – um tipo de barco com dois cascos. A polícia procura por quatro suspeitos. Ninguém ainda foi preso. Este é mais um caso de pirataria em rios do Brasil. Até então, boa parte dos casos estava concentrada no Amazonas e no Pará.

Piratas do Brasil: Pará quer criar força especial para combater pirataria nos rios

A embarcação partiu da Praia de Carneiros, no município de Tamandaré, e navegava pelo rio Formoso em direção à praia de Guadalupe. Segundo informações da Delegacia Municipal de Sirinhaém, no meio do caminho o catamarã foi interceptado por quatro homens armados a bordo de um barco menor.

Segundo a polícia, o bando fez o barqueiro de refém e levou dinheiro e objetos de valor, como câmeras fotográficas e celulares. Em seguida, eles fugiram de barco até a praia de Carneiros e continuaram em um veículo roubado e abandonado depois em uma estrada da região. Os turistas ficaram no barco atracado por pouco mais de uma hora até serem resgatados pela polícia, acionada por meio de uma denúncia.

O comissário de polícia de Sirinhaém, Charles César, informou à reportagem do iG que até o início da tarde desta quinta-feira (3) ninguém havia sido preso e que as diligências estão sendo feitas em conjunto pelas delegacias de Sirianhaém, Tamandaré e Rio Formoso. De acordo com ele, a região onde se concentram as buscas é de mangue, o que dificulta o trabalho dos policiais, já que esse tipo de terreno é argiloso, atrapalha a caminhada, diminui o campo visual e não permite o tráfego de veículos.

Conforme a polícia, os turistas estavam hospedados em hotéis de Porto de Galinhas, localizado no município de Ipojuca, distante 50 quilômetros da capital Recife, que está ao Norte e a 50 quilômetros de Tamandaré, ao Sul.

30 outubro 2011

Hacker exige resgate para 'liberar' e-mail de jornalista e diz: 'é melhor do que roubar'

É o cúmulo da cara-de-pau


Atualizado em 26 de outubro, 2011 - 07:31 (Brasília) 09:31 GMT
Rowenna Davis Foto: BBC

Davis diz ter se sentido impotente ao ter sua conta de e-mail invadida

Um hacker que invadiu o e-mail de uma jornalista britânica pediu um resgate para devolver o acesso à conta e, quando confrontado, alegou "não ter escolha" e disse que era bem melhor fazer isso do que roubá-la nas ruas.

Rowenna Davis percebeu que havia um problema quando começou a receber uma enxurrada de telefonemas de amigos e conhecidos durante uma reunião de trabalho.

Cerca de 5 mil contatos de sua lista de e-mails receberam uma mensagem da conta de Davis dizendo que ela havia sido roubada com uma arma na cabeça em Madri e que precisava de dinheiro urgentemente, já que tinha ficado sem seu telefone celular e seus cartões de crédito.

Enquanto alguns amigos mandaram mensagens dizendo que um hacker havia entrado na conta da jornalista, outros com menos experiência na internet ligaram querendo saber como mandar o dinheiro.

Troca de mensagens

Frustrada, Rowenna Davis decidiu abrir uma nova conta de e-mail e mandar uma mensagem para o endereço do Gmail que havia sido invadido.

Mensagem Foto: BBC

Jornalista trocou mensagens com hacker

Na mensagem, dirigida "àqueles que invadiram meu e-mail", ela dizia não poder trabalhar sem os contatos armazenados naquela conta e questionava a ética do hacker.

"Fiquei realmente surpresa quando, menos de 10 minutos depois, aparece essa resposta na nova conta de e-mail e é de mim mesma, do meu endereço. Alguém está sentado lá, dentro da minha conta, esperando para me responder. E essa pessoa dizia apenas: eu te dou seus contatos de volta por 500 libras (R$ 1,4 mil)", disse Davis à BBC.

Na mensagem seguinte, Davis afirmou não ter o dinheiro, questionou que garantias ela teria mesmo se pagasse o "resgate" e confrontou o hacker, perguntando se ele se sentia mal por fazer aquilo.

A resposta dizia: "Claro que não me sinto ótimo, mas não tenho escolha. É bem melhor que roubar você nas ruas. Eu dou minha palavra. Se você mandar o dinheiro, eu vou devolver o acesso à sua conta com todos os seus e-mails e contatos intactos."

Google

Tentando solucionar o problema, Davis entrou em contato com a empresa Google, dona do Gmail, mas não conseguiu ajuda.

"Não havia nenhum número de telefone para este tipo de problema, eu tive a ligação desconectada duas vezes e o escritório da Google se recusou a resolver meu problema, mesmo quando disse que era jornalista e que iria escrever sobre o caso. Isso é que me impressionou, porque a Google e o Gmail fazem muito dinheiro com a ideia de que eles são o lado humano da rede", afirmou Davis.

Computador Foto: BBC

Especialistas recomendam cuidado ao usar computador em lugares públicos

O caso acabou sendo resolvido através do amigo de um amigo que trabalhava na Google.

"Na verdade, quando eles resolveram sentar e mudar a senha, foi bem rápido."

Um porta-voz da Google respondeu com a seguinte declaração:

"Na Google, levamos segurança online a sério. Estamos sempre desenvolvendo tecnologias para ajudar a proteger nossos usuários."

Programa espião

Segundo especialistas, histórias como a de Rowenna Davis são cada vez mais comuns na internet.

"O jeito mais fácil é conseguir a sua senha, e há várias maneiras de se fazer isso. Às vezes, simplesmente olhando por cima do seu ombro quando você usa o computador em um café, no trem ou em lugares públicos. Eles também podem tentar adivinhar a senha através de informações pessoais em redes sociais, descobrindo seus passatempos, nomes de pessoas da família, de bichos de estimação, e além disso eles podem tentar meios técnicos, enviando mensagens que dizem 'a sua conta de e-mail será fechada, digite suas informações para evitar isso'", diz Tony Dyhouse, especialista em computação.

"No pior caso, eles podem colocar um spyware no seu computador (tecnologia que pode capturar tudo o que é digitado no teclado) que procura o momento em que você digita a senha e manda a informação para o criminoso."

Após conseguir de volta o acesso a seu e-mail, Davis recebeu mais uma mensagem do hacker.

"Vejo que você conseguiu acesso à sua conta novamente. Desculpe o incômodo."

22 setembro 2011

Reditário Cassol anuncia projeto que restringe benefícios concedidos a presidiários

http://www.senado.gov.br/noticias/reditario-cassol-anuncia-projeto-que-restringe-beneficios-concedidos-a-presidiarios.aspx

O senador Reditário Cassol (PP-RO) comunicou em Plenário, nesta quarta-feira (21), a apresentação de projeto de sua autoria que restringe benefícios concedidos a condenados a penas privativas de liberdade (PLS 542/11).

A proposição - que altera o Código Penal, a Lei de Execução Penal, a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei 8.213/91 - determina o fim de "de benesses e prêmios" contidos na legislação penal, como o aumento dos prazos para a progressão de regime; o fim da remição da pena pelo trabalho ou pelo estudo; a perda do direito de saída temporária para os condenados a crimes hediondos ou equiparados; o aumento do prazo de validade da condenação penal para efeito de reincidência (de cinco para dez anos); e aumento dos prazos para obtenção do livramento condicional.

Segundo ele, há "tantos benefícios" na legislação penal brasileira, que os criminosos, quando cumprem a pena e são libertados, "em dois ou três dias" acabam voltando para não perder as "mordomias" da cadeia.

Na justificativa da matéria, Reditário Cassol manifesta sua preocupação com o crescimento da violência no país, especialmente nas cidades do interior.

"Grandes avanços na contenção da violência estão sendo contrabalançados e mesmo anulados por fortes crescimentos em outras áreas, num movimento rumo às cidades do interior.", diz o parlamentar em sua justificativa.

29 julho 2011

Morador do Alemão deu um chute no peito de militar, diz denúncia

O lado B das UPPs...

Suspeitos usaram enxada, tijolo e até blocos de cimento para atacar tropas do Exército

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro | 29/07/2011 12:48

As denúncias feitas pelo Ministério Público Militar contra moradores dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, revelam que eles também chegaram a agredir fisicamente as tropas da Força de Pacificação e usaram objetos como enxada, tijolo e até blocos de cimento para atacar as tropas do Exército.

Segundo um levantamento feito pelo iG no site do Superior Tribunal Militar (STM), ao menos 49 pessoas foram denunciadas pela Procuradoria Militar pelos crimes de desacato, desobediência, resistência ou ameaça aos integrantes da Força de Pacificação do Exército, crimes previstos no Código de Processo Penal Militar (CPPM).

No dia 8 de junho, uma patrulha do 37º Batalhão de Infantaria Leve abordou quatro suspeitos de tráfico de drogas em um bar. Um dos revistados se negou a colocar as mãos na parede, puxou do bolso o telefone celular e a carteira de identidade. Disse que era trabalhador e que iria chamar o seu advogado. Os militares pediram para que ele desligasse o aparelho.

O morador chamou outras pessoas para ajudá-lo. Segundo a denúncia, quando era levado para dentro da viatura, o suspeito deu um chute no peito de um dos militares e subiu no teto do carro do Exército. A tropa, então, teve que intervir. Um spray de pimenta foi usado e um tiro de bala de borracha foi disparado e atingiu o homem na perna. Ele acabou recebendo voz de prisão.

No dia 18 de maio, um morador desacatou militares na Praça São Lucas, na Vila Cruzeiro. Consta na denúncia que a tropa ordenou que ele parasse. No entanto, o mesmo reagiu e pegou uma enxada para agredir os integrantes do Exército.

Um dos militares, então, acionou sua arma com munição não letal. De acordo com a denúncia, o morador largou a enxada, pegou dois blocos de cimento e atirou um deles na direção da tropa, atingindo um militar. Foi dada voz de prisão ao suspeito que, mesmo assim, teria dado chutes nos integrantes do Exército e ainda tentou tomar um fuzil.

Tentativa de atropelamento

No dia 15 de janeiro, militares patrulhavam a Estrada Vicente de Carvalho, perto da casa de shows Olimpo, quando foram desacatados por transeuntes que, segundo consta em denúncia da Procuradoria da Justiça Militar, estavam obstruindo a passagem da viatura.

A tropa insistiu para que eles deixassem o local, mas os suspeitos se recusaram. Além de terem xingado os militares, um deles ameaçou arremessar um tijolo nos integrantes do Exército. Um militar, então, reagiu e atirou spray de pimenta para contê-lo.

Em outro caso ocorrido no dia 22 de abril e que resultou em denúncia, os militares faziam patrulhamento na esquina das ruas Joaquim de Queirós com Bulhufa, no Alemão, e pediram para que um motociclista parasse. Ele estava com duas pessoas na garupa. Consta nos autos que ele furou o bloqueio e jogou a motocicleta na direção de um militar na tentativa de atropelá-lo.

O suspeito foi perseguido e acabou derrapando com a moto. Foi detido e autuado por constrangimento ilegal e desafio para duelo.

Militar foi agarrado e jogado no chão

No dia 19 de junho, na Rua Aristóteles Ferreira, na comunidade Nova Brasília, no Alemão, militares pediram para que um morador parasse para ser revistado. Consta na denúncia que ele se negou e gritou: "Vocês não têm direito, vocês não mandam em mim".

A tropa tentou imobilizá-lo, mas o morador reagiu. Os autos revelam que, ao receber voz de prisão, ele empurrou um militar. Quando era colocado dentro da viatura, o suspeito agarrou um integrante do Exército, o derrubou no chão e tentou fugir. Os militares tiveram que usar spray de pimenta e munições não-letais para contê-lo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/morador+do+alemao+deu+um+chute+no+peito+de+militar+diz+denuncia/n1597107034886.html

16 julho 2011

Com 37 presos a mais ao dia, SP ganha novos Carandirus

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DE SÃO PAULO

Dados do governo de SP mostram que, a cada dia, cem pessoas deixam as prisões paulistas, enquanto outras 137 são encarceradas, informa a reportagem de André Caramante, publicada da edição deste sábado da Folha.

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

O saldo de 37 presos a mais por dia não só vem agravando a superlotação das cadeias como já criou na capital um "novo Carandiru" --em referência à Casa de Detenção de São Paulo, no bairro do Carandiru, desativada em setembro de 2002 e considerada por anos a maior prisão da América Latina.

O complexo penitenciário de Pinheiros, ou "cadeião de Pinheiros", na zona oeste da capital, dispõe de apenas 2.056 vagas e abriga atualmente cerca de 5.200 detentos.

Hortolândia, na região de Campinas, viu surgir o chamado "Carandiru Caipira". Na cidade do interior, as duas penitenciárias e os dois CDPs têm 6.100 detentos num espaço para 2.610.

Para o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, o aumento da população carcerária é reflexo de combate eficaz aos criminosos.


Editoria de Arte/Folhapress

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/944581-com-37-presos-a-mais-ao-dia-sp-ganha-novos-carandirus.shtml

29 junho 2011

Wikileaks: No governo, Serra pediu ajuda aos EUA contra PCC

Novos documentos coletados pelo Wikileaks foram divulgados pela agência A Pública na madrugada desta quarta-feira (29). Segundo o material veiculado, o ex-governador de São Paulo José Serra teria pedido ajuda aos Estados Unidos para lidar com "facção criminosa", que vinha promovendo ataques terroristas nas redes de metrô e trens.

Assim que assumiu o governo do Estado, em janeiro de 2007, Serra, segundo os documentos do Wikileaks, procurou o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com os ataques, à época atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda conforme o material coletado, Serra demonstrou muita preocupação com o desenvolvimento do PCC nas cadeias paulistas.

O encontro foi o primeiro de uma série em que Serra buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, sem comunicar ao governo federal, conforme apontam os relatórios enviados à época pela representação diplomática a Washington, e divulgados agora pela agência A Pública, em parceria com o grupo Wikileaks.

Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes dos Estados Unidos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17:

"Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse o Estado 'precisava mais de tecnologia do que de dinheiro' para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas", relata Pública/Wikileaks.

Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época.

Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba explodiu dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em 2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.

O documento diplomático dizia: "Membros do governo (de São Paulo) acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser o responsável pelos episódios recentes".

Ainda conforme o relatório, o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos Estados Unidos e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público de Nova York e Washington.

Também participaram desse primeiro encontro o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, o secretário de Transportes, Mauro Arce, o coordenador de segurança do Sistema de Transportes Metropolitanos, coronel Marco Antonio Moisés, o diretor de operações do Metrô Conrado Garcia, os assessores Helena Gasparian e José Roberto de Andrade.

"Grande fanfarra" no metrô
As conversas sobre as possíveis parcerias entre o governo de São Paulo e os Estados Unidos na segurança da rede de metrô e trens metropolitanos continuaram na semana seguinte, quando Portella se reuniu com o cônsul-geral em São Paulo, o adido do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Departament of Homeland Security - DHS) no Brasil e o responsável por assuntos políticos do consulado. O relatório gerado dia 24 de janeiro de 2007 a respeito do encontro na semana anterior diz que o projeto da linha amarela foi lançado em meio à "grande fanfarra".

Portella falou sobre os episódios anteriores de bombas e ameaças no metrô e "respondeu a uma série de questões preparadas pelo adido do DHS sobre a estrutura da rede". O então secretário disse também que depois de reforçadas as inspeções, por causa das ameaças de bomba, mais pacotes suspeitos foram encontrados, e que mesmo "um saco de bananas ou de roupa suja" têm de ser examinados, o que provocava atrasos e paralisações no metrô.

Nesta ocasião, novamente o PCC é mencionado: "Autoridades acreditam que a organização de crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser responsável pelos ataques e relatam a prisão de um membro do PCC responsável pelo assassinato de um juiz em 2002".

No final, Portella designou, então, o coronel da Polícia Militar José Roberto Martins e o diretor de Segurança do Metrô Conrado Grava de Souza para dar continuidade à parceria proposta.

Itamaraty
Nos meses seguintes, Serra voltou a se encontrar com representantes dos Estados Unidos e insistir em parcerias para lidar com o PCC, como relata Pública/Wikileaks:

- Em 6 e 7 de fevereiro, Serra conversou com o subsecretário de Estado dos EUA para Negócios Políticos, Nicholas Burns. De acordo com relatório de 1º de março de 2007, falou no encontro sobre a "enorme influência" que a organização tem no sistema prisional no Estado e pediu ajuda, incluindo tecnologia para "grampear telefones". Diante da sugestão de novas parcerias, o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltaram que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, "é às vezes sensível quanto a esses assuntos".

O relatório afirma que "o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado". Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.

Os documentos, classificados como "sensíveis" pelo consulado, são parte de um conjunto de 2.500 relatórios ainda inéditos e serão apresentados em reportagens ao longo desta semana.

26 junho 2011

E a UPP salarial?

Ocupar morro só não basta: uma política efetiva de segurança pública exige que se melhore o ordenado dos policiais

26 de junho de 2011 | 0h 24
Guaracy Mingardi - O Estado de S.Paulo

O governo do Rio de Janeiro comemorou nessa semana uma vitória: a ocupação de outra "área conflagrada", o Morro da Mangueira. É a 18ª operação de tomada de terreno, expulsão de traficantes armados e início da pacificação, que deve ter seguimento com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A falta de reação dos traficantes mostrou que ninguém mais duvida da força do Estado para esse tipo de ação, pelo menos desde a invasão do Complexo do Alemão, em novembro. Aproximadamente 700 homens - policiais civis e militares, além de fuzileiros navais - participaram. Diferentemente dos outros casos, desta vez a invasão foi uma guerra anunciada e talvez por isso tenha ocorrido sem vítimas. Segundo a imprensa, a população a recebeu bem.

A ideia por trás dessas operações é fruto de um raciocínio impecável: tomar os espaços que são ocupados pelas organizações do tráfico e devolvê-los ao controle do Estado. Acabar com a demonstração de força de criminosos que exibem armas e exercem poder de vida e morte sobre a população. O controle do tráfico virou objetivo secundário, a ser alcançado depois da retomada do terreno.

Tudo isso é muito bom, mas as UPPs, por mais bem-sucedidas que sejam, sozinhas não constituem uma política de segurança. Na prática são uma maneira de enfrentar organizações criminosas que optaram pela dominação do território. Não há como utilizar a mesma estratégia para controlar o crime do dia a dia. Para isso o governo tem de investir em outras ações, começando pela melhora do policiamento e da investigação, o que demanda mudanças profundas. Um bom começo seria melhorar a situação do policial, não só através de equipamentos e treinamento, muitas vezes financiados pela União, mas também melhorando salários, o que significa mais investimento do Estado. Não existe mais espaço para atitudes como a de um ex-governador paulista que respondeu a policiais que reivindicavam aumento com uma frase antológica: "Vocês têm carteirinha e revólver, pra que precisam de salário?"

Apesar dos novos tempos, a ideia de que segurança depende de recursos não vingou completamente. Prova disso é a redução de quase 25% nos gastos com segurança no Estado do Rio entre os anos de 2008 e 2009, revelado no anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O reflexo disso aparece na pesquisa publicada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), que revelou que, apesar de receberem gratificação da prefeitura do Rio, quase 60% dos PMs que trabalham nas UPPs consideram o salário ruim. Sendo assim, não é difícil presumir que outros policiais militares, que ganham menos ainda, estejam mais insatisfeitos. Problemas salariais sempre têm potencial para arruinar uma política pública, mas neste caso específico existe um agravante, que é a disparidade dentro da mesma instituição.

Um soldado destacado para uma UPP ganha R$ 500 a mais que seu colega que patrulha as ruas. E no caso do Bope (Batalhão de Operações Especiais) a gratificação é de R$ 1.500. Isso faz com que um cabo dessa unidade especial ganhe o mesmo que um tenente lotado em outro batalhão.

Na verdade essas gratificações fazem com que existam três polícias militares diferentes no Rio de Janeiro. A mais numerosa é formada por policiais antigos e atende a maioria dos cariocas; outra é constituída pelos jovens recém-saídos da academia que integram as UPPs; e a terceira é composta por aquele punhado de policiais que conseguiu lugar no Bope. No médio prazo, a situação tende a criar divisões e ressentimentos que persistem mesmo depois de restabelecida a igualdade. Outra consequência é criar disputa pelas unidades que pagam mais, inclusive através de favoritismo e apadrinhamento.

Mas nem só de salários vive o serviço público, principalmente o aparelho de segurança. O controle da qualidade do serviço prestado, bem como da idoneidade dos servidores, é parte essencial. Na prática são poucas as experiências bem-sucedidas no Brasil, não apenas no Rio, de controle efetivo desses dois aspectos. Não existe consenso sobre como aferir a qualidade do serviço prestado e a idoneidade nunca foi cobrada como deveria. Durante décadas as polícias foram deixadas muito à vontade, sem obrigação de prestar contas pelo seu trabalho. O importante para o policial médio sempre foi manter as aparências e mostrar serviço quando exigido.

Com a entrada do País na era da informação isso mudou. O governo do Rio tem de levar em conta que a elaboração de uma política pública de segurança implica em ações integradas, que demandam a criação de metas claras, monitoramento do cotidiano, melhoria no policiamento e na investigação e controle do aparelho policial, impedindo seu desmembramento em grupelhos rivais.

GUARACY MINGARDI É DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA USP E MEMBRO DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,e-a-upp-salarial,737118,0.htm

12 junho 2011

Após UPPs, traficantes cariocas tentam reorganizar territórios no Rio

Grupo ligado à favela da Rocinha invade redutos inimigos para que criminosos expulsos de áreas pacificadas possam se abrigar

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro | 12/06/2011 07:00


Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

PM ocupa o morro do Juramento após tentativa de invasão de traficantes

Nos dois anos anteriores, os traficantes da maior facção criminosa do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho (CV), promoveram uma série de ataques a favelas inimigas em razão da ocupação por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) das comunidades que dominavam.

Neste ano, a situação se repete, mas desta vez com os bandidos ligados aos Amigos dos Amigos (ADA), grupo que controla a favela da Rocinha, na zona sul do Rio.

Com seus redutos ocupados por UPPs, os traficantes da ADA já tentaram invadir pelo menos cinco localidades nos últimos três meses: o Conjunto Habitacional Fumacê, em Realengo, na zona oeste, Juramento, Para-Pedro, Saçu e Vila do Pinheiro (Complexo da Maré), na zona norte. Em um dos ataques, ocorrido no dia 29, seis pessoas morreram na Para-Pedro, no bairro de Colégio. Conheça os grupos criminosos que disputam o controle de favelas no Rio.

Comunidades controladas pela ADA começaram a ser pacificadas no final do ano passado. Desde então, foram ocupados redutos importantes do grupo, como os morros do São Carlos, do Zinco, Coroa e do Querosene, na região central, e dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte.

A pacificação levou os bandidos a migrarem para outras favelas do mesmo grupo. Os principais destinos foram os morros da Pedreira e do Dezoito, na zona norte, e a Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste, além da própria Rocinha.

"Os bandidos que eram de favelas da UPPs vieram todos para cá. A favela da Quitanda, que era fraca, hoje deve ter uns 80 fuzis. Na Pedreira, devem ter uns 150 fuzis", disse o delegado Aldari Vianna, da 39ª Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações sobre o crime no Complexo da Pedreira.

Apesar da migração, os traficantes da ADA buscam novos redutos para se estabelecerem e passaram a atacar outras favelas, principalmente aquelas que já pertenceram a facção e foram perdidas.

Nos dois anos anteriores, o Comando Vermelho teve várias favelas pacificadas, como a Cidade de Deus, na zona oeste, e os morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul.

A maioria dos bandidos do CV se escondeu nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte, e a facção atacou várias favelas rivais para dar abrigo aos traficantes que saíram de locais ocupados por UPPs". Guerras com muitas mortes ocorreram nos morros da Serrinha, em Madureira, e no Juramento, em Vicente de Carvalho, que foram os principais alvos do grupo na ocasião.

As invasões

A última tentativa de invasão por parte da ADA ocorreu essa semana. Segundo o Serviço Reservado do batalhão da PM de Irajá (41º BPM), bandidos do morro da Pedreira atacaram o morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, controlado pelo CV. Houve intenso tiroteio mas, de acordo com PMs, a favela não foi tomada.

Foto: Agência O Globo

Policiais militares revistam morador durante operação no Morro da Pedreira

Antes, a Pára-Pedro já tinha sido alvo da ADA. A favela foi perdida para os rivais TCP (Terceiro Comando Puro) em 2007. Na época, era controlada pelo traficante conhecido como Bamba. O bandido ganhou a liberdade recentemente e se refugiou na Pedreira.

No último dia 29, com a ajuda dos traficantes da Pedreira e de bandidos que deixaram favelas com UPPs, Bamba invadiu a Pára-Pedro. No tiroteio, quatro integrantes do grupo invasor e dois da quadrilha atacada morreram. A invasão não foi consumada.

Nos dias seguintes à invasão, a PM ocupou a Pedreira e houve vários confrontos. Pelo menos sete traficantes foram mortos.

No início de maio, os traficantes Playboy e Puma, que comandam a Pedreira, com ajuda de criminosos do São Carlos, Dezoito e da Rocinha, invadiram as favelas Vila do João e Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré. Até 2009, essas áreas eram dominadas pela ADA e foram perdidas para o TCP.

A base para a invasão, que não se consumou, foi o Complexo do Caju, na zona portuária. No ataque, um morador que estava dentro de uma escola morreu atingido por uma bala perdida. Outros quatro inocentes foram atingidos. Dois bandidos morreram.

Migração

Na zona oeste, o comandante do 14º BPM (Bangu), tenente-coronel Djalma Beltrami, recebeu informações de que traficantes do São Carlos e dos Macacos migraram para a Vila Vintém, em Padre Miguel. Segundo ele, a vinda dos bandidos teria refletido num aumento no número de roubos nas proximidades da comunidade.

O oficial não descartou a hipótese de os "refugiados" terem ajudado os bandidos da Vintém na tentativa de invasão ao conjunto habitacional Fumacê, em Realengo, na mesma região, no início de abril. Na ocasião, cinco pessoas foram mortas, entre elas uma mulher. Os invasores, no entanto, não conseguiram dominar a favela.

Em março, dias antes da invasão ao Fumacê, a Polícia Civil apreendeu duas metralhadoras ponto 50 (armas antiaéreas) na Vintém. Segundo policiais que participaram da apreensão, as armas teriam vindo do São Carlos.

Outro ataque da ADA foi na comunidade do Saçu, em Quintino, na zona norte, controlada por uma milícia. No início de maio, a localidade foi invadida por bandidos do morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte, liderados pelo traficante Alexandre Bandeira de Mello, o Piolho, que contou com a ajuda de criminosos do morro dos Macacos.

A PM está atenta para outro confronto que pode ocorrer. Na última semana de maio, a corporação recebeu denúncias de que os traficantes do morro do Urubu, em Pilares, na zona norte, ligados à ADA, tentariam invadir o morro do Engenho da Rainha, do CV. Segundo o comandante do 3º BPM (Méier, zona norte), tenente-coronel Ruy França, o ataque não aconteceu mas existe o alerta.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/apos+upps+traficantes+cariocas+tentam+reorganizar+territorios/n1597022635483.html

25 maio 2011

José Padilha e roteirista de "Gran Torino" preparam filme sobre crime em fronteiras latino-americanas


  • José Padilha participa do Festival de Berlim com Tropa de Elite 2, que está na Mostra Panorama. O primeiro Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro em 2008 (11/02/2011)

    José Padilha participa do Festival de Berlim com "Tropa de Elite 2", que está na Mostra Panorama. O primeiro "Tropa de Elite" conquistou o Urso de Ouro em 2008 (11/02/2011)

O diretor José Padilha, responsável pelos filmes "Tropa de Elite", vai se juntar ao roteirista de "Gran Torino", Nick Schenk, para seu próximo projeto.

Atualmente trabalhando no remake de "Robocop", Padilha vai dirigir em seguida "Tri-Border", filme em inglês que deve explorar as organizações criminosas entre as fronteiras de Brasil, Paraguai e Argentina, sob a ótica de um agente norte-americano da Força Administrativa de Narcóticos.
Em entrevistra ao site Hollywood Reporter, o diretor diz considerar a história de "Tri-Border" mais internacional do que a de "Tropa de Elite". "É uma realidade diferente, em um ambiente totalmente diferente: a fronteira entre os três países, onde é possível encontrar tipos distintos operando", afirma.
O roteiro deve ficar pronto até agosto de 2011.

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2011/05/25/jose-padilha-e-roteirista-de-gran-torino-preparam-filme-sobre-crime-em-fronteiras-latino-americanas.jhtm

09 maio 2011

Estudo inclui corrupção policial entre motivos de ataques do PCC

Cinco anos após a onda de ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que pararam São Paulo, o maior estudo desde então aponta as três principais causas para as ações.

São elas: a corrupção policial contra membros do grupo, a falta de integração dos aparatos repressivos do Estado e a transferência que uniu 765 chefes do PCC, às vésperas do Dia das Mães de 2006, numa prisão de Presidente Venceslau (620 km de SP).

Os dados constam do estudo "São Paulo Sob Achaque", contundente raio-x elaborado durante quatro anos e oito meses sobre a onda de ataques da facção. O documento será divulgado nesta segunda-feira, com versões em português e inglês.

O estudo de quase 250 páginas foi produzido pela ONG de defesa de direitos humanos Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, uma das mais importantes dos EUA.

Os responsáveis por "São Paulo Sob Achaque" pesquisaram centenas de documentos, muitos deles sigilosos, processos criminais sobre as mortes ocorridas em maio de 2006 e entrevistaram a maior parte das autoridades envolvidas no episódio.

NEGOCIAÇÃO

A extorsão de R$ 300 mil que, segundo a Promotoria, foi praticada em março de 2005 pelos policiais civis Augusto Peña e José Roberto de Araújo contra Rodrigo Olivatto de Morais, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, tido pela polícia paulista como chefe do PCC, é o principal caso de corrupção policial que influenciou os ataques de maio, segundo o documento.

Os dois policiais chegaram a ser presos. Hoje estão soltos. Eles negam as acusações.

O documento também aponta que, em 14 de maio de 2006, dois dias após os primeiros atentados, o Estado enviou uma comissão a um presídio para negociar com os chefes do PCC o fim dos ataques. O fato sempre foi negado pelo governo.

"O maio de 2006 não foi puramente uma manifestação da violência, precisamos ter a visão do todo e como esse todo contribuiu para a eclosão daquele momento", diz Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global. "Passados cinco anos, nossa pesquisa indica que não foram construídos mecanismos eficazes, consistentes de superação e de enfrentamento para essa situação", completa ela.

MORTES

Ao esmiuçar os 493 homicídios ocorridos no Estado de 12 a 20 de maio de 2006, o estudo viu "indícios da participação de policiais em 122 execuções", além de discrepância na elucidação desses casos em relação aos que vitimaram 43 agentes públicos.

Por conta disso, "São Paulo Sob Achaque" propõe a federalização da investigação.