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21 março 2012

O papelão de Serra

Um dos meus prazeres profissionais é saber que aquele documento que eu pedi para o José Serra assinar, durante sabatina da Folha, comprometendo-se a cumprir seu mandato, virou um tema de discussão sobre a cidade de São Paulo. Um documento que ele agora chama de papelzinho --o que considero um papelão, por desrespeitar a palavra empenhada e o valor de uma promessa.

Prazer porque meu objetivo era ajudar o paulistano a pensar de forma mais elevada sobre sua cidade --elevada e civilizada--, não permitindo que fizessem daqui um trampolim político. A democracia de verdade começa na cidade e, mais ainda, nos bairros. Não em Brasília.

MATÉRIA COMPLETA:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/1064910-o-papelao-de-serra.shtml

20 março 2012

Serra afirma que promessa quebrada era um 'papelzinho'

Pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra minimizou ontem o fato de ter deixado o cargo de prefeito em 2006 mesmo tendo assinado um documento no qual se comprometia a cumprir todo o seu mandato.

"Não era nada oficial", disse, apenas "um papelzinho".

Serra assinou o documento se comprometendo a permanecer à frente da Prefeitura de São Paulo por todo o seu mandato no dia 14 de setembro de 2004, em sabatina promovida pela Folha, diante de uma plateia de 300 pessoas.

Na ocasião, disse que preferia não assinar --"minha palavra basta"--, mas queria estancar as especulações.

Dois anos depois, em 2006, deixou a prefeitura para disputar o governo do Estado.

MATÉRIA COMPLETA:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1064386-serra-afirma-que-promessa-quebrada-era-um-papelzinho.shtml

28 dezembro 2011

Quem fez a encomenda?


Diga-me quem publicas e te direi com quem andas. Esse ditado impopular conta muito da história da imprensa brasileira. Principalmente às vésperas de eleições. Ah, as pesquisas de intenção de voto... O Grupo Bandeirantes de Comunicação encomendou uma ao Ibope sobre as eleições municipais de 2012 na capital paulista. Deu Serra na cabeça. Ufa! Um alento de fim de ano após o escracho de pesquisas negativas e um livro-bomba na cabeça.

Estaria tudo na normalidade das pesquisas (sic) não fosse um abuso da Band: numa lista com 11 nomes, ela excluiu o nome do candidato Celso Russomanno. Simplesmente o político que lidera a pesquisa DataFolha em quatro de cinco cenários possíveis. Leia aqui.


MATÉRIA COMPLETA:

06 novembro 2011

PSDB revê ideais para tentar voltar ao poder em 2015


VERA MAGALHÃES

Há mais de oito anos fora da Presidência, o PSDB inicia amanhã as discussões para tentar quebrar a hegemonia do PT e voltar ao poder.

O pontapé será dado no seminário "A Nova Agenda", promovido pelo ITV (Instituto Teotonio Vilela).

Embora a tentativa seja de renovar o ideário tucano, o evento terá uma cara de reencontro, ao reunir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e alguns dos chamados "pais do Real", um time de economistas e acadêmicos que atuou no plano de estabilização da moeda.

A coordenação do seminário coube aos economistas Elena Landau e Edmar Bacha, ambos egressos do chamado "grupo da PUC-RJ", que deu as cartas na política econômica nos anos FHC.

O evento também terá participações de outros expoentes da era tucana, como os ex-presidentes do Banco Central Persio Arida, Armínio Fraga e Gustavo Franco, que atuam no mercado financeiro.

Para tentar aliar o resgate do legado de FHC a novas propostas, o partido chamou também nomes com atuação nas áreas sociais.

Segundo o presidente do ITV, o ex-senador Tasso Jereissati, a ideia do seminário é ser o embrião da revisão programática do partido.

"A agenda que se tem hoje é a que o partido formulou e implementou há quase 20 anos. Depois disso não se pensou mais o país. O PT se apropriou da nossa agenda e não avançou", disse à Folha.

O ex-senador faz um mea culpa pelo fato de o PSDB não ter defendido o que foi feito por FHC, sobretudo na economia. "Existe um erro que é entregar as campanhas políticas a marqueteiros".

Até sexta-feira a cúpula do PSDB não contava com a presença do ex-presidenciável José Serra. Preterido para o comando do ITV, Serra trava, desde então, embates por espaço na legenda. Aliados disseram que o seminário foi montado para alavancar a pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência.

18 agosto 2011

Em latas de sardinha

CARTA CAPITAL:

Rodrigo Martins

Nos últimos quatro anos, o governo paulista deixou de investir mais de 3,6 bilhões de reais na expansão do metrô. Por Rodrigo Martins. Foto: Leonardo Soares/AE

Não é por falta de dinheiro que o plano de expansão do Metrô paulistano caminha a passos de tartaruga, com uma média de 1,6 quilômetro por ano desde que o PSDB assumiu o controle do estado, em 1995. Nos últimos anos, o governo aplicou bem menos recursos na ampliação da malha metroviária que aquele autorizado pelo orçamento. Entre 2008 e 2010, estavam previstos 9,58 bilhões de reais, mas só foram gastos 5,95 bilhões, 37% menos que a verba disponível. Apenas no primeiro semestre deste ano, segundo o Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), estavam liberados gastos superiores a 3 bilhões de reais. O governo empenhou 1,2 bilhão, mas não liquidou nem pagou qualquer despesa. Em outras palavras, nada teria sido repassado ao Metrô nos seis primeiros meses de 2011.

No ano passado, o descompasso entre o investimento previsto no orçamento e o gasto efetivo na ampliação da rede e na recapacitação e modernização das linhas existentes foi significativo. O governo podia aplicar até 4 bilhões de reais em investimentos na rede metroviária. Desembolsou 1,7 bilhão, 42,5% do previsto. Somente para a expansão das linhas foi gasto 1,06 bilhão de reais, metade do valor aplicado no ano anterior, segundo o balanço financeiro do próprio Metrô.

“É muita propaganda e pouca ação”, afirma o deputado estadual Enio Tatto, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa. “Por onde passa, o governador Geraldo Alckmin promete uma nova estação de metrô. Se vai à Zona Sul, diz que o metrô vai chegar a Taboão da Serra. Se visita Guarulhos, afirma que o metrô será interligado ao aeroporto de Cumbica. Mas o que vemos é o descumprimento de todas as metas fixadas pelo governo para a ampliação das linhas.”

Para embasar a crítica, o parlamentar destaca uma série de projetos traçados nos planos plurianuais do governo paulista que não saíram do papel ou foram parcialmente concluídos. Alckmin prometeu iniciar a primeira fase da Linha 4 – Amarela em 2006, mas só começou o projeto em 2008. Pelo plano de expansão de José Serra, a linha deveria estar em operação desde 2010, mas, atualmente, apenas quatro das seis estações previstas foram inauguradas, e funcionam em fase experimental. Serra prometeu ainda inaugurar mais duas estações da Linha 5 – Lilás até o fim de 2010, mas nenhuma delas foi entregue até hoje.

Por meio de uma nota, o Metrô de São Paulo informa que o seu orçamento para 2011 é de 4,8 bilhões de reais. Desse total, 1,5 bilhão é proveniente do Tesouro do estado, e 300 milhões foram contingenciados no início da atual administração. O restante seria de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras. A companhia esclarece que o orçamento foi revisado para baixo. E o Metrô contará com 2,4 bilhões de reais para 2011. Desse total, 600 milhões foram gastos até junho, diferentemente do que mostra o Sigeo, que identificou o empenho de 1,2 bilhão, mas não revelou qualquer despesa paga. Além disso, a assessoria de imprensa da Secretaria dos Transportes Metropolitanos diz que os gastos não são lineares e podem se concentrar em determinados meses do ano.

Quantos aos recursos de 2010, o Metrô confirma o descompasso entre o previsto no orçamento, 4 bilhões de reais, e o gasto efetivo, 1,7 bilhão. Mas a companhia atribui a discrepância a “uma série de fatores que prejudicaram o andamento das obras”, como a demora nas desapropriações, a remoção não prevista de uma adutora no trajeto da Linha 5 – Lilás e uma denúncia de fraude na licitação da segunda fase dessa mesma linha, que atrasou em sete meses o cronograma das obras. A extensão da Linha 2 – Verde também teria sofrido atrasos em razão de entraves no licenciamento ambiental e a Linha 17 – Ouro (monotrilho) devido a uma ação movida por moradores na Vila Inah.

“Essa justificativa seria até plausível se fosse um fato extraordinário, que só tivesse ocorrido naquele ano. Mas a verdade é que o governo do estado promete mundos e fundos e nunca cumpre o cronograma das obras”, afirma Tatto. “Nos últimos quatro anos, mais de 3,6 bilhões de reais deixaram de ser investidos na expansão do metrô.”

De acordo com José Geraldo Baião, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô, os investimentos minguaram entre a década de 1980 e meados da década de 1990. “Isso ocorreu no País inteiro em razão das crises econômicas e o consequente endividamento dos estados e municípios. São Paulo só conseguiu equacionar sua dívida e se credenciar para receber empréstimos de instituições financeiras como o Banco Mundial em 2005. A partir de então, começou a ter recursos para expandir a rede”, afirma. “Os atrasos em virtude do licenciamento ambiental e das desapropriações ocorrem em qualquer obra pública, e também emperram as obras do PAC do governo federal. O importante é manter um estoque razoável de recursos disponível para tocar as obras e ter um bom planejamento de longo prazo, que leve em conta o crescimento dos municípios e a integração dos diferentes modais, como ônibus, metrô e trens de superfície. Esse é o aspecto em que os governos costumam pecar mais, porque as cidades crescem desordenadamente para as periferias, gerando novas demandas.”

É quase unanimidade entre os especialistas que o metrô paulista precisaria ter ao menos 200 quilômetros de extensão para atender satisfatoriamente os 20 milhões de habitantes da região metropolitana. Esse é o tamanho do metrô da Cidade do México, que começou a ser construído na mesma época, nos anos 1970. Mas, no atual ritmo de expansão, com média de 1,6 quilômetro por ano, o metrô da capital paulista pode demorar 80 anos para chegar a esse patamar. Com um agravante: o elevado crescimento da demanda verificado nos últimos anos.

Desde que o Bilhete Único passou a ser aceito, permitindo aos usuários de ônibus complementar o trajeto pela malha metroviária a custos reduzidos, a demanda pelo transporte sob trilhos aumentou 42%. O número de passageiros transportados diariamente passou de 2,6 milhões, no fim de 2005, para os atuais 3,7 milhões. Parte desse crescimento se deve também às integrações gratuitas com as linhas de trem de superfície da CPTM, que percorrem 20 dos 39 municípios da região. Consequência: o metrô de São Paulo é considerado o mais lotado do mundo, segundo a Community of Metros (CoMet), que congrega as 12 maiores redes metroviárias do planeta. A estrutura paulista tem 11 passageiros por metro quadrado, enquanto o recomendável para garantir o mínimo de conforto seria de apenas 6 usuários no mesmo espaço.

http://www.cartacapital.com.br/politica/em-latas-de-sardinha

16 julho 2011

Com 37 presos a mais ao dia, SP ganha novos Carandirus

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DE SÃO PAULO

Dados do governo de SP mostram que, a cada dia, cem pessoas deixam as prisões paulistas, enquanto outras 137 são encarceradas, informa a reportagem de André Caramante, publicada da edição deste sábado da Folha.

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

O saldo de 37 presos a mais por dia não só vem agravando a superlotação das cadeias como já criou na capital um "novo Carandiru" --em referência à Casa de Detenção de São Paulo, no bairro do Carandiru, desativada em setembro de 2002 e considerada por anos a maior prisão da América Latina.

O complexo penitenciário de Pinheiros, ou "cadeião de Pinheiros", na zona oeste da capital, dispõe de apenas 2.056 vagas e abriga atualmente cerca de 5.200 detentos.

Hortolândia, na região de Campinas, viu surgir o chamado "Carandiru Caipira". Na cidade do interior, as duas penitenciárias e os dois CDPs têm 6.100 detentos num espaço para 2.610.

Para o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, o aumento da população carcerária é reflexo de combate eficaz aos criminosos.


Editoria de Arte/Folhapress

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/944581-com-37-presos-a-mais-ao-dia-sp-ganha-novos-carandirus.shtml

11 julho 2011

Custo da ampliação da Marginal do Tietê já é 75% maior do que o previsto

E o pior é que o trânsito na Marginal continua uma porcaria!
A História novamente se repete. Investir em transporte individual em demérito do transporte coletivo dá nisso: desperdício!


Gastos chegaram a R$ 1,75 bilhão, com mais R$ 200 milhões para ponte estaiada e outras obras; em 2008, estimativa era de R$ 1 bi

10 de julho de 2011 | 21h 35

Paulo Saldana e Rodrigo BurgarelliO Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Apesar de as novas pistas da Marginal do Tietê terem sido abertas há quase um ano e meio, as obras de ampliação continuam consumindo dinheiro dos cofres públicos. Uma nova atualização no valor do convênio firmado entre Prefeitura de São Paulo e governo do Estado colocou mais R$ 200 milhões na obra no fim de junho. O custo da Nova Marginal chega a R$ 1,75 bilhão – 75% acima do estimado no primeiro orçamento, de 2008.

No total, seria possível construir 300 escolas ou 7 hospitais de 200 leitos cada com os R$ 750 milhões extras que já foram gastos com a avenida. O aumento de custos é resultado da inclusão de serviços que não estavam previstos pela Desenvolvimento Rodoviário S. A. (Dersa), empresa responsável pela obra.

Em fevereiro deste ano, só faltava terminar a ponte estaiada do Complexo Bandeiras, que vai facilitar a entrada dos veículos na Avenida do Estado a partir da Marginal – prevista no projeto inicial, em 2008.

A nova injeção de recursos não será dirigida apenas para a nova ponte. Segundo a Dersa, os R$ 200 milhões são necessários para obras secundárias, como travessias subterrâneas para passagens de cabos para iluminação, complementos de barreiras de concreto e o alargamento da pista local para implantação da 4.ª faixa entre as Pontes do Limão e Casa Verde. Esta última ainda não foi concluída, e não foi informado prazo para o término dos trabalhos. A Dersa não revelou a lista completa de ajustes ainda por fazer.

Já a ponte estaiada, prometida para dezembro de 2010, teve sua inauguração postergada para junho deste ano e, agora, a promessa é que ela seja aberta parcialmente ao tráfego até o final de julho. O custo total da estrutura foi de R$ 85 milhões, sem incluir a iluminação e a alça de acesso ao Bom Retiro, na região central, que não será inaugurada este ano.

As novas lâmpadas para a ponte também estão incluídas na atualização do convênio entre Prefeitura e Dersa feita no mês passado. Com a inauguração da ponte, cerca de 20 mil veículos por dia que vêm da Avenida do Estado poderão entrar diretamente nas pistas central e local da Marginal do Tietê no sentido Castelo Branco. Atualmente, é necessário virar à direita na continuação da Avenida Tiradentes, atravessar a Marginal, contornar a Praça Campo de Bagatelle e seguir pela Avenida Olavo Fontoura, que passa ao lado do Sambódromo do Anhembi.

Explicações

Os convênios são instrumentos jurídicos que viabilizam o repasse de recursos para a execução da obra. No caso da Marginal, o primeiro foi assinado em 25 de fevereiro de 2008, no valor de R$ 1 bilhão, quando se deu o pontapé inicial para os trabalhos. Progressivamente, novas atualizações foram feitas para que a Dersa pagasse os serviços considerados necessários para a continuação da obra.

Em relação aos motivos dos aumentos, a empresa afirmou que, como o projeto de engenharia e o licenciamento ambiental foram concluídos após a assinatura do convênio, somente com a finalização desses trabalhos é que foi possível obter uma “estimativa mais realista sobre o custo do empreendimento”. Outra justificativa para os aditamentos foi a inflação, já que o convênio não possui cláusulas para reajuste automático da correção monetária.

A empresa disse também que há a possibilidade de não usar todo o valor das atualizações, mas não informou quanto dos R$ 200 milhões será usado ou economizado.

Viomundo

29 junho 2011

Wikileaks: No governo, Serra pediu ajuda aos EUA contra PCC

Novos documentos coletados pelo Wikileaks foram divulgados pela agência A Pública na madrugada desta quarta-feira (29). Segundo o material veiculado, o ex-governador de São Paulo José Serra teria pedido ajuda aos Estados Unidos para lidar com "facção criminosa", que vinha promovendo ataques terroristas nas redes de metrô e trens.

Assim que assumiu o governo do Estado, em janeiro de 2007, Serra, segundo os documentos do Wikileaks, procurou o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com os ataques, à época atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda conforme o material coletado, Serra demonstrou muita preocupação com o desenvolvimento do PCC nas cadeias paulistas.

O encontro foi o primeiro de uma série em que Serra buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, sem comunicar ao governo federal, conforme apontam os relatórios enviados à época pela representação diplomática a Washington, e divulgados agora pela agência A Pública, em parceria com o grupo Wikileaks.

Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes dos Estados Unidos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17:

"Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse o Estado 'precisava mais de tecnologia do que de dinheiro' para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas", relata Pública/Wikileaks.

Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época.

Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba explodiu dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em 2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.

O documento diplomático dizia: "Membros do governo (de São Paulo) acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser o responsável pelos episódios recentes".

Ainda conforme o relatório, o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos Estados Unidos e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público de Nova York e Washington.

Também participaram desse primeiro encontro o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, o secretário de Transportes, Mauro Arce, o coordenador de segurança do Sistema de Transportes Metropolitanos, coronel Marco Antonio Moisés, o diretor de operações do Metrô Conrado Garcia, os assessores Helena Gasparian e José Roberto de Andrade.

"Grande fanfarra" no metrô
As conversas sobre as possíveis parcerias entre o governo de São Paulo e os Estados Unidos na segurança da rede de metrô e trens metropolitanos continuaram na semana seguinte, quando Portella se reuniu com o cônsul-geral em São Paulo, o adido do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Departament of Homeland Security - DHS) no Brasil e o responsável por assuntos políticos do consulado. O relatório gerado dia 24 de janeiro de 2007 a respeito do encontro na semana anterior diz que o projeto da linha amarela foi lançado em meio à "grande fanfarra".

Portella falou sobre os episódios anteriores de bombas e ameaças no metrô e "respondeu a uma série de questões preparadas pelo adido do DHS sobre a estrutura da rede". O então secretário disse também que depois de reforçadas as inspeções, por causa das ameaças de bomba, mais pacotes suspeitos foram encontrados, e que mesmo "um saco de bananas ou de roupa suja" têm de ser examinados, o que provocava atrasos e paralisações no metrô.

Nesta ocasião, novamente o PCC é mencionado: "Autoridades acreditam que a organização de crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser responsável pelos ataques e relatam a prisão de um membro do PCC responsável pelo assassinato de um juiz em 2002".

No final, Portella designou, então, o coronel da Polícia Militar José Roberto Martins e o diretor de Segurança do Metrô Conrado Grava de Souza para dar continuidade à parceria proposta.

Itamaraty
Nos meses seguintes, Serra voltou a se encontrar com representantes dos Estados Unidos e insistir em parcerias para lidar com o PCC, como relata Pública/Wikileaks:

- Em 6 e 7 de fevereiro, Serra conversou com o subsecretário de Estado dos EUA para Negócios Políticos, Nicholas Burns. De acordo com relatório de 1º de março de 2007, falou no encontro sobre a "enorme influência" que a organização tem no sistema prisional no Estado e pediu ajuda, incluindo tecnologia para "grampear telefones". Diante da sugestão de novas parcerias, o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltaram que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, "é às vezes sensível quanto a esses assuntos".

O relatório afirma que "o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado". Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.

Os documentos, classificados como "sensíveis" pelo consulado, são parte de um conjunto de 2.500 relatórios ainda inéditos e serão apresentados em reportagens ao longo desta semana.

02 maio 2011

Serra em busca de público e temas novos

O ex-presidenciável e ex-governador de São Paulo José Serra profere palestra na noite desta segunda-feira no Colégio Santa Cruz, uma das mais prestigiadas escolas particulares da capital paulista.

O tema do debate é a reforma política, e Serra deve insistir na mudança de regras para escolha de vereadores. A proposta, que já defendeu e na qual pretende insistir, é criar distritos em cidades com mais de 200 mil habitantes e usar esse critério para a escolha de vereadores.

Aliados do ex-governador defendem que ele deve priorizar aparições públicas como essa _falando a um público jovem e expressando ideiais novas e específicas em temas genéricos, como a reforma política.

Serra tem evitado se manifestar sobre a crise no PSDB e na oposição, agravada com a debandada de seis vereadores e de outros tucanos históricos, como o ex-deputado Walter Feldman.

Em entrevista a Eleonora de Lucena na Folha desta segunda, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, 76, disse estranhar o silêncio de Serra sobre o assunto e opinou que o partido corre risco de se transformar em "legenda maldita" pela falta de um líder capaz de unir todos os grupos e conduzir o partido de volta ao poder.

Escrito por Vera Magalhaes às 09h27

http://presidente40.folha.blog.uol.com.br/

16 abril 2011

Tucanos precisam de mudança de geração e discurso para sobreviver, diz 'Economist'

José Serra

Derrota de Serra em eleição presidencial foi a terceira seguida do PSDB

O PSDB precisa resolver suas disputas internas e descobrir um novo discurso que o diferencie mais do PT se quiser se manter como a principal força de oposição e reconquistar um dia a Presidência do Brasil, afirma artigo publicado na edição desta semana da revista britânica The Economist.

“(O PSDB) ainda é o maior partido de oposição do Brasil, mas nas últimas três eleições perdeu assentos de maneira constante em ambas as casas do Congresso”, comenta o artigo.

A revista observa que a próxima eleição presidencial ocorre apenas em 2014, mas que “já há três grandes bicos brigando sobre quem deveria ser o candidato”.

“Muitos acreditam que o partido se dividirá ao menos se conseguir se unir suavemente atrás de um deles”, afirma a revista, citando o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo José Serra, o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves.

A revista comenta que simpatizantes de Serra, candidato presidencial derrotado em 2002 e 2010, e de Alckmin, derrotado em 2006, observam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) só foi eleito em sua quarta tentativa. A publicação afirma que o PT “construiu uma organização poderosa enquanto estava na oposição, mas o PSDB, em contraste, está se enfraquecendo”.

O artigo comenta que o PSDB sempre foi visto como um partido de tecnocratas brilhantes, que construíram sua carreira na oposição a ditadura militar entre 1964 e 1985, mas que não vem conseguindo apresentar rostos novos.

A revista afirma ainda que nas últimas eleições jovens brasileiros votaram em peso na ex-ministra de Lula Marina Silva, do PV, e que o PSDB está sob ameaça também de perder o apoio dos eleitores da classe média, entre os quais a popularidade da presidente Dilma Rousseff parece ser ainda maior do que a de Lula.

Programa

Para a revista, além da falta de uma liderança clara, os tucanos vêm sofrendo com uma falta de um programa diferenciado.

“Quando Lula tomou posse, adotou as políticas econômicas tucanas. Agora há pouca distância ideológica entre o PT, cujas bases estão no movimento trabalhista, e o PSDB”, afirma o artigo.

A revista observa que, durante o governo Lula, o PSDB tentava se vender como “o partido da boa administração”, mas que esse discurso é mais difícil agora contra Dilma, cuja imagem é a de uma boa administradora.

Até mesmo na questão das privatizações, promovidas durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e criticadas pelos petistas, já não há tantas diferenças, observa a Economist, já que Dilma já afirmou que pretende abrir os aeroportos a investimentos privados.

Para a revista, os tucanos têm agora de enfrentar o dilema de se manter no campo do centro-esquerda e esperar que a maré se volte contra o PT por conta de algum eventual escândalo ou mudanças no panorama econômico ou mover-se à direita para ocupar um campo político quase vazio atualmente na política brasileira.

O artigo sugere um possível caminho para o partido: adotar o discurso da redução da carga tributária.

Para a revista, apesar da crença de que os eleitores brasileiros preferem os gastos públicos em programas sociais, como o Bolsa Família, a cortes de impostos, pesquisas mostrariam que os brasileiros, incluindo os mais pobres, estariam começando a tomar consciência de que pagam muitos impostos.


Tucanos precisam de mudança de geração e discurso para sobreviver, diz 'Economist'

José Serra

Derrota de Serra em eleição presidencial foi a terceira seguida do PSDB

O PSDB precisa resolver suas disputas internas e descobrir um novo discurso que o diferencie mais do PT se quiser se manter como a principal força de oposição e reconquistar um dia a Presidência do Brasil, afirma artigo publicado na edição desta semana da revista britânica The Economist.

“(O PSDB) ainda é o maior partido de oposição do Brasil, mas nas últimas três eleições perdeu assentos de maneira constante em ambas as casas do Congresso”, comenta o artigo.

A revista observa que a próxima eleição presidencial ocorre apenas em 2014, mas que “já há três grandes bicos brigando sobre quem deveria ser o candidato”.

“Muitos acreditam que o partido se dividirá ao menos se conseguir se unir suavemente atrás de um deles”, afirma a revista, citando o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo José Serra, o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves.

A revista comenta que simpatizantes de Serra, candidato presidencial derrotado em 2002 e 2010, e de Alckmin, derrotado em 2006, observam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) só foi eleito em sua quarta tentativa. A publicação afirma que o PT “construiu uma organização poderosa enquanto estava na oposição, mas o PSDB, em contraste, está se enfraquecendo”.

O artigo comenta que o PSDB sempre foi visto como um partido de tecnocratas brilhantes, que construíram sua carreira na oposição a ditadura militar entre 1964 e 1985, mas que não vem conseguindo apresentar rostos novos.

A revista afirma ainda que nas últimas eleições jovens brasileiros votaram em peso na ex-ministra de Lula Marina Silva, do PV, e que o PSDB está sob ameaça também de perder o apoio dos eleitores da classe média, entre os quais a popularidade da presidente Dilma Rousseff parece ser ainda maior do que a de Lula.

Programa

Para a revista, além da falta de uma liderança clara, os tucanos vêm sofrendo com uma falta de um programa diferenciado.

“Quando Lula tomou posse, adotou as políticas econômicas tucanas. Agora há pouca distância ideológica entre o PT, cujas bases estão no movimento trabalhista, e o PSDB”, afirma o artigo.

A revista observa que, durante o governo Lula, o PSDB tentava se vender como “o partido da boa administração”, mas que esse discurso é mais difícil agora contra Dilma, cuja imagem é a de uma boa administradora.

Até mesmo na questão das privatizações, promovidas durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e criticadas pelos petistas, já não há tantas diferenças, observa a Economist, já que Dilma já afirmou que pretende abrir os aeroportos a investimentos privados.

Para a revista, os tucanos têm agora de enfrentar o dilema de se manter no campo do centro-esquerda e esperar que a maré se volte contra o PT por conta de algum eventual escândalo ou mudanças no panorama econômico ou mover-se à direita para ocupar um campo político quase vazio atualmente na política brasileira.

O artigo sugere um possível caminho para o partido: adotar o discurso da redução da carga tributária.

Para a revista, apesar da crença de que os eleitores brasileiros preferem os gastos públicos em programas sociais, como o Bolsa Família, a cortes de impostos, pesquisas mostrariam que os brasileiros, incluindo os mais pobres, estariam começando a tomar consciência de que pagam muitos impostos.


Após cem dias de Dilma no poder, oposição ainda busca discurso

Rafael Spuldar
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

No Senado, Aécio Neves faz discurso com críticas ao governo Dilma

Mais de cinco meses depois de ser derrotada nas urnas por Dilma Rousseff, que completa agora seus primeiros cem dias na Presidência, a oposição ainda demonstra dificuldades para encontrar um discurso e solucionar as suas divisões internas

"A oposição precisa ter uma estratégia comum, que ela agora não tem. Como ela não pode vencer votações, a saída é criar alguns constrangimentos para o governo e jogar para a plateia", diz o doutor em Ciência Política pela UFMG Carlos Ranulfo Melo.

Na eleição de outubro de 2010, os partidos de oposição viram suas bancadas se reduzirem tanto na Câmara dos Deputados como no Senado, ficando com apenas cerca de um terço das cadeiras em ambas as casas.

Já em seu primeiro grande teste político, em fevereiro, a base de apoio ao governo Dilma conseguiu impor, com votações expressivas, a aprovação do salário mínimo de R$ 545, tanto na Câmara como no Senado.

Na última quarta-feira, o senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) – apontado por analistas como uma das principais lideranças da oposição após a disputa eleitoral de 2010 – fez um discurso de cinco horas em plenário, criticando o governo Dilma.

No Senado, assistindo ao discurso, estava o ex-governador paulista e candidato derrotado do PSDB à Presidência, José Serra, citado por cientistas políticos como principal rival de Aécio Neves no PSDB na corrida ao Planalto em 2014.

"No PSDB, existem muitas lideranças disputando a hegemonia do partido, e elas se conflagram. Com isso, não se estabelece uma pauta comum", afirma o cientista político e professor da FGV Cláudio Couto.

"Serra tem a disputa com Aécio pela candidatura presidencial, mas também existe uma disputa em São Paulo entre ele e (o governador Geraldo) Alckmin, que voltou a ganhar importância", acrescenta Couto.

Kassab

Outro exemplo da divisão dos partidos opositores a Dilma foi a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de se desfiliar do DEM e fundar o Partido Social Democrático (PSD).

O novo partido já ganhou a adesão de outros integrantes do DEM, como o ex-candidato a vice-presidente Índio da Costa, a senadora Kátia Abreu (TO) e o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

Para Cláudio Couto, o PSD surge como um partido sem ideologia clara e disposto a não participar da oposição, o que seria exemplo tanto de uma crise ideológica da oposição como de uma divisão dos partidos. "O PSDB não se une, e o DEM se esfacela", afirma.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias, nega que a saída de Kassab do DEM represente uma divisão dos partidos de oposição. O senador afirma que a relevância política deste fato ainda é desconhecida.

"Kassab não tem luz própria ainda, não tem visibilidade nacional", disse o senador à BBC Brasil. "(O PSD) não será um partido de conteúdo programático, não creio que seja capaz de empolgar alguém."

Em termos de propostas, Carlos Ranulfo Melo vê uma homogeneidade entre governo e oposição. O analista credita isso, em parte, a uma "crise ideológica da direita", que teve, segundo ele, seu espaço reduzido no cenário político.

"PSDB e PT disputam o centro do sistema partidário, disputam o mesmo lugar, separados apenas por algumas nuances: enquanto o PT é mais social, o PSDB aposta na eficiência."

"Lula roubou um pouco daquilo que seria o nicho preferencial da oposição, quando optou por manter a mesma política econômica de Fernando Henrique Cardoso", diz Cláudio Couto. "Sem este nicho específico, a oposição fica em uma 'sinuca de bico'."

Comunicação e desgaste

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), vê na comunicação o grande problema da oposição. Para ele, é preciso que os políticos parem de "falar em códigos" e busquem o contato direto com a população.

"O eleitor está esperando de nós algo que seja mais palpável, que ele se sinta representado por nós nas ansiedades do dia-a-dia", afirmou Caiado à BBC Brasil.

Além disso, o deputado defende que a oposição construa uma militância forte, a exemplo do que fez o PT durante a sua trajetória quando estava fora do poder.

Por sua vez, Alvaro Dias aposta no desgaste dos três mandatos consecutivos do PT para que a oposição reconquiste o espaço perdido.

"Pode acontecer um cansaço natural, uma fadiga natural de quem está no poder já há oito anos, e que ficará mais quatro", afirma Dias.

"O modelo é realmente complicado de administrar, porque (a base de apoio de Dilma) é uma composição heterogênea e muito ampla. Certamente turbulências virão", diz o senador.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/04/110407_dilma_oposicao_rp.shtml

Após cem dias de Dilma no poder, oposição ainda busca discurso

Rafael Spuldar
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

No Senado, Aécio Neves faz discurso com críticas ao governo Dilma

Mais de cinco meses depois de ser derrotada nas urnas por Dilma Rousseff, que completa agora seus primeiros cem dias na Presidência, a oposição ainda demonstra dificuldades para encontrar um discurso e solucionar as suas divisões internas

"A oposição precisa ter uma estratégia comum, que ela agora não tem. Como ela não pode vencer votações, a saída é criar alguns constrangimentos para o governo e jogar para a plateia", diz o doutor em Ciência Política pela UFMG Carlos Ranulfo Melo.

Na eleição de outubro de 2010, os partidos de oposição viram suas bancadas se reduzirem tanto na Câmara dos Deputados como no Senado, ficando com apenas cerca de um terço das cadeiras em ambas as casas.

Já em seu primeiro grande teste político, em fevereiro, a base de apoio ao governo Dilma conseguiu impor, com votações expressivas, a aprovação do salário mínimo de R$ 545, tanto na Câmara como no Senado.

Na última quarta-feira, o senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) – apontado por analistas como uma das principais lideranças da oposição após a disputa eleitoral de 2010 – fez um discurso de cinco horas em plenário, criticando o governo Dilma.

No Senado, assistindo ao discurso, estava o ex-governador paulista e candidato derrotado do PSDB à Presidência, José Serra, citado por cientistas políticos como principal rival de Aécio Neves no PSDB na corrida ao Planalto em 2014.

"No PSDB, existem muitas lideranças disputando a hegemonia do partido, e elas se conflagram. Com isso, não se estabelece uma pauta comum", afirma o cientista político e professor da FGV Cláudio Couto.

"Serra tem a disputa com Aécio pela candidatura presidencial, mas também existe uma disputa em São Paulo entre ele e (o governador Geraldo) Alckmin, que voltou a ganhar importância", acrescenta Couto.

Kassab

Outro exemplo da divisão dos partidos opositores a Dilma foi a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de se desfiliar do DEM e fundar o Partido Social Democrático (PSD).

O novo partido já ganhou a adesão de outros integrantes do DEM, como o ex-candidato a vice-presidente Índio da Costa, a senadora Kátia Abreu (TO) e o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.

Para Cláudio Couto, o PSD surge como um partido sem ideologia clara e disposto a não participar da oposição, o que seria exemplo tanto de uma crise ideológica da oposição como de uma divisão dos partidos. "O PSDB não se une, e o DEM se esfacela", afirma.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias, nega que a saída de Kassab do DEM represente uma divisão dos partidos de oposição. O senador afirma que a relevância política deste fato ainda é desconhecida.

"Kassab não tem luz própria ainda, não tem visibilidade nacional", disse o senador à BBC Brasil. "(O PSD) não será um partido de conteúdo programático, não creio que seja capaz de empolgar alguém."

Em termos de propostas, Carlos Ranulfo Melo vê uma homogeneidade entre governo e oposição. O analista credita isso, em parte, a uma "crise ideológica da direita", que teve, segundo ele, seu espaço reduzido no cenário político.

"PSDB e PT disputam o centro do sistema partidário, disputam o mesmo lugar, separados apenas por algumas nuances: enquanto o PT é mais social, o PSDB aposta na eficiência."

"Lula roubou um pouco daquilo que seria o nicho preferencial da oposição, quando optou por manter a mesma política econômica de Fernando Henrique Cardoso", diz Cláudio Couto. "Sem este nicho específico, a oposição fica em uma 'sinuca de bico'."

Comunicação e desgaste

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), vê na comunicação o grande problema da oposição. Para ele, é preciso que os políticos parem de "falar em códigos" e busquem o contato direto com a população.

"O eleitor está esperando de nós algo que seja mais palpável, que ele se sinta representado por nós nas ansiedades do dia-a-dia", afirmou Caiado à BBC Brasil.

Além disso, o deputado defende que a oposição construa uma militância forte, a exemplo do que fez o PT durante a sua trajetória quando estava fora do poder.

Por sua vez, Alvaro Dias aposta no desgaste dos três mandatos consecutivos do PT para que a oposição reconquiste o espaço perdido.

"Pode acontecer um cansaço natural, uma fadiga natural de quem está no poder já há oito anos, e que ficará mais quatro", afirma Dias.

"O modelo é realmente complicado de administrar, porque (a base de apoio de Dilma) é uma composição heterogênea e muito ampla. Certamente turbulências virão", diz o senador.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/04/110407_dilma_oposicao_rp.shtml

07 abril 2011

Reportagem da revista britânica diz que, sem um líder definido e atravessando uma crise de identidade, o PSDB corre o risco de rachar se não repensar

Agência Brasil

José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin

Da esquerda para a direita, Serra, Aécio e Alckmin: enquanto nenhum tucano fala mais alto, indefinição compromete estabilidade do PSDB, segundo a Economist

São Paulo - O início de uma das reportagens da edição revista britânica The Economist que chega às bancas nesta quinta-feira (7) lembra um documentário sobre a vida animal. "Os tucanos, segundo os brasileiros dizem, simplesmente não conseguem ficar juntos: aqueles bicos grandes ficam no caminho." Longe de ser uma piada infame, o parágrafo remete a duas crises que ameaçam o PSDB, atual partido protagonista da oposição no Brasil.

Uma delas é a crise de relacionamento entre seus membros mais influentes, a qual compromete a estabilidade do partido. A outra é uma crise de identidade. Longe de mostrar uma postura definida, segundo a revista, o partido tucano precisa mudar seu discurso atual e rever seus focos caso queira continuar sendo relevante na política nacional. Sem isso, corre o risco de se perder pelo caminho rumo às eleições presidenciais de 2014.

Os motivos da primeira crise, de acordo com a Economist, têm nome e sobrenome. José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Todos continuam sendo vistos como potenciais candidatos à presidência daqui a quatro anos - mesmo José Serra, considerado por muitos como fora do páreo depois da derrota para Dilma Rousseff no ano passado.

Enquanto o PSDB não define seu nome forte para a disputa de 2014, muitos temem que o partido rache se não se apressar a escolher entre um dos três. "Alckmin está tentando empurrar Serra para a candidatura à prefeitura de São Paulo em 2012. O atual prefeito, Gilberto Kassab, um amigo, está criando um novo partido que, segundo alguns pensam, poderia acomodar José Serra caso o PSDB não se curve à sua vontade. Se for deixado de lado novamente, Aécio Neves também poderia sair. Com ele, iriam as melhores chances do partido conquistar a presidência", diz o texto.

19 setembro 2010

Serra tem "prazer do trapaceiro"

São Paulo, domingo, 19 de setembro de 2010





ESTÁ NA CARA

Serra tem "prazer do trapaceiro"

DAVID MATSUMOTO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Esta semana analisei o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, através de um vídeo que ele gravou para Dilma Rousseff no Dia da Independência.
Ele parece bastante intenso, provavelmente bravo e amargo com a campanha eleitoral. Diversas vezes, tensiona as pálpebras e abaixa suas sobrancelhas não apenas para intensificar o que está falando, mas também para mostrar sua irritação.
Dado o conteúdo do discurso, me pareceu que suas expressões eram apropriadas. Quando ele menciona "nosso adversário", ele passa uma grande repugnância, o que parece demonstrar bem a intensidade de seu sentimento sobre a questão.
Lula também dá um rápido microssorriso para dizer que os "brasileiros saberão repelir" a campanha rival. Foi um sorriso de convicção. Fiquei com uma forte impressão de seus sentimentos, fortes e honestos. O segundo vídeo que analisei trouxe o candidato do PSDB, José Serra. Mais uma vez não fiquei com uma boa impressão do que vi.
Por exemplo, quando ele fala que está "indignado" com o escândalo do sigilo fiscal violado de seu genro, ele está sorrindo. Eu não vejo muita indignação. Suas expressões faciais eram muito inconsistentes com o que ele estava falando.
Ele dá o mesmo microssorriso quando fala que os crimes não são contra ele pessoalmente e sim contra o próprio Brasil. Quando diz que o PT debocha das vítimas, percebi outro microssorriso. Serra amplifica seu discurso de forma apropriada com gestos e expressões faciais, mas sem emoção. Parece que estava tentando muito convencer o espectador de sua sinceridade, mas, com esses exemplos que eu citei, suas expressões foram totalmente inconsistentes com sua fala.
Penso que esses podem ser exemplos do que chamamos de "dupers delight", algo como "prazer dos trapaceiros", nos quais uma pessoa que não é totalmente franca está curtindo em não ser totalmente franca.

Em depoimento a FERNANDA EZABELLA, em Los Angeles

DAVID MATSUMOTO é professor de psicologia da Universidade de San Francisco (EUA) e fundador da Huminell, empresa de serviços para análises de comportamento não-verbal.