29 fevereiro 2012
Da cadeia, 'homem da motosserra' ameaça Judiciário
Manuscritas e postadas no dia 23 de novembro de 2011 numa agência dos Correios em Rio Branco (AC), foram enviadas por Sedex à desembargadora Eva Evangelista, do Tribunal de Justiça do Acre, e à procuradora de Justiça Vanda Milani Nogueira, ex-cunhada de Hildebrando. Aos 60 anos, o homem que na década de 90 liderou o “esquadrão da morte” mostra-se ressentido e disposto a vingar-se de quem, segundo ele, o teria abandonado.
MATÉRIA COMPLETA:
http://br.noticias.yahoo.com/cadeia-homem-motosserra-amea%C3%A7a-judici%C3%A1rio-110800391.html
15 dezembro 2011
Cinco municípios do Nordeste estão entre os dez mais violentos do Brasil
Mapa da Violência 2012 mostra que Simões Filho, na Bahia, tem a maior taxa de homicídios do País
Fernanda Simas, iG São Paulo
Dos dez municípios com maior taxa de homicídios nos últimos três anos no Brasil, metade está no Nordeste, sendo que três deles estão na Bahia. O município em primeiro lugar, de acordo com o Mapa da Violência 2012, publicado nesta quarta-feira, é Simões Filho (BA).
Cidade com pouco mais de 116 mil habitantes, Simões Filho está a 22 quilômetros da capital, Salvador, e sua área territorial é de 192,16 km². A quinta economia do Estado, tem uma taxa de homicídios é de 146,4 casos por 100 mil habitantes.
Em terceiro lugar está Marabá, no Pará, com quase 217 mil habitantes e uma taxa de 120,5 casos a cada 100 mil habitantes. Caso o plebiscito realizado nesse Estado no último domingo tivesse sido aprovado, a cidade seria a capital do novo estado Carajás, que teria 1,5 milhões de habitantes.
Maceió, em Alagoas, está na 9ª posição com uma taxa de 103,8. É a única capital presente entre os 10 municípios com maior taxa de homicídios. Maceió tem 928 mil habitantes e uma área de 503 km².
Veja abaixo a relação dos 50 municípios mais violentos do País:
Município Habitantes Taxa de homicídio
1 - Simões Filho (BA) 116.348 146,4
2 - Campina Grande do Sul (PR) 37.707 130,0
3 - Marabá (PA) 216.808 120,5
4 - Guaíra (PR) 30.149 112,8
5 - Porto Seguro (BA) 123.695 108,3
6 - Ananindeua (PA) 483.730 108,1
7 - Coronel Sapucaia (MS) 14.240 107,7
8 - Itabuna (BA) 208.456 103,9
9 - Maceió (AL) 928.446 103,8
10 - Itapissuma (PE) 23.898 101,8
11 - Arapiraca (AL) 211.227 101,5
12 - Ilha de Itamaracá (PE) 20.148 100,9
13 - Goianésia do Pará (PA) 29.510 100,5
14 - Lauro de Freitas (BA) 158.233 100,5
15 - Eunápolis (BA) 99.195 100,5
16 - Serra (ES) 403.247 99,9
17 - Itupiranga (PA) 46.776 96,2
18 - Tailândia (PA) 74.439 94,5
19 - Piraquara (PR) 89.610 90,8
20 - Pilar (AL) 32.926 87,1
21 - Rondon do Pará (PA) 47.019 85,1
22 - Juquitiba (SP) 28.914 83,0
23 - Ariquemes (RO) 87.467 82,7
24 - Tucumã (PA) 30.591 81,7
25 - Marituba (PA) 103.496 81,5
26 - Cariacica (ES) 355.508 80,8
27 - Bom Jesus do Tocantins (PA) 14.429 78,5
28 - Cabo de Santo Agostinho (PE) 177.506 77,7
29 - Tucuruí (PA) 95.572 77,4
30 - Nova Ipixuna (PA) 14.727 77,0
31 - Messias (AL) 15.615 76,9
32 - Pedro Canário (ES) 23.995 76,4
33 - Buritis (RO) 33.131 75,5
34 - Paragominas (PA) 96.649 75,2
35 - Teixeira de Freitas (BA) 131.100 75,0
36 - Linhares (ES) 136.104 74,2
37 - Ourilândia do Norte (PA) 24.265 74,2
38 - Almirante Tamandaré (PR) 99.972 74,0
39 - Novo Progresso (PA) 23.484 73,8
40 - Marechal Deodoro (AL) 46.271 73,5
41 - São Sebastião (AL) 31.966 73,0
42 - São Mateus (ES) 104.842 72,5
43 - Recife (PE) 1.543.842 71,7
44 - Guaratuba (PR) 32.205 71,4
45 - João Pessoa (PB) 708.299 71,2
46 - Armação dos Búzios (RJ) 27.631 71,2
47 - Cujubim (RO) 14.988 71,2
48 - Teotônio Vilela (AL) 41.325 71,0
49 - São Geraldo do Araguaia (PA) 25.439 70,8
50 - Dias d’Ávila (BA) 61.520 70,4
23 novembro 2011
Foco de UPPs do Rio deveria ser área comandada por milícias, dizem analistas
As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) já implantadas pelas forças de segurança do Rio de Janeiro devem ajudar a diminuir a violência nas localidades abrangidas, mas estão longe de por um fim ao tráfico --além de não contemplarem a região com as maiores taxas de homicídio e de presença de milícias da capital fluminense: a zona oeste.
A avaliação foi feita por pesquisadores em violência de duas das maiores universidades do Rio, a Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e a Federal (UFRJ).
Para o pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Uerj, Inácio Cano, as 19 UPPs já instaladas pelo governo nas zonas norte (onde estão 11 delas) e sul auxiliarão no combate à violência, ainda que, avaliou, “o tráfico vá continuar nas áreas pacificadas”.
“As UPPs seriam muito válidas em áreas realmente violentas, como zona oeste e Baixada Fluminense, onde os níveis de violência são mais altos que as regiões que receberam as unidades. Para tipos de criminalidade mais baixos, a UPP não compensa”, destacou.
Na avaliação de Cano, outra meta que precisa ser buscada pelo Estado é a “redução da letalidade policial no conjunto”. “Nossa realidade não é só a Rocinha, mas uma velha realidade”, resumiu.
"Tráfico por delivery, com agenda"
O coordenador do departamento de Sociologia da UFRJ, Michel Misse, também apontou a necessidade de UPPs na zona oeste, onde, segundo ele, o apelo turístico é menos forte que a zona norte –ali está, por exemplo, o estádio do Maracanã –e na zona sul, áreas mais visadas para as Olimpíadas de 2016 e a Copa de 2014.
“Há que se combater as milícias na zona oeste, muito mais sérias e mais perigosas para o Estado de Direito do que os cinturões que se fecharam com as unidades das duas regiões. A taxa de homicídios é muito maior na zona oeste, e onde os agentes públicos atuando em milícias também são em volume sabidamente maior”, apontou.
Misse salienta que o problema não é de solução rápida --“é algo que se consolidou em 30 anos”, observou.
“O que se quer com as UPPs atuais é impedir que traficantes controlem as comunidades por meio de armas, mas o tráfico vai continuar de outra maneira –não sei se tão visível, mas com agenda e delivery, que é o que já acontece”, disse.
Na opinião do estudioso, um meio mais efetivo de as UPPs já implantadas surtirem efeito a médio e longo prazos é pela aproximação entre policiais e comunidade. “Tem que ser uma polícia que se aproxime dos moradores, que ganhe o respeito deles. É isso que vai garantir que se faça um trabalho nessas áreas; uma polícia que os defenda, não que os ataque –mas, para isso, não pode ceder à corrupção e tem que ser aliada de políticas para a juventude”, concluiu.
As próximas UPPs estudadas pelo Estado deverão ser implantadas na Maré e em Manguinhos, ambas localizadas na zona norte do Rio.
Ocupações na Rocinha: 1988 x 2011
Os dois pesquisadores também analisaram a última ocupação da Rocinha em comparação com a de 1988. Naquela, a ação contra o tráfico resultou em uma forte ação armada da polícia e na morte do principal traficante da comunidade, Robson da Silva, o Buzunga.
Na época, a polícia ocupou a favela perto das 4h do dia 1º de junho, em 155 homens e armas pesadas, helicópteros e cães. Menos de 50 pessoas foram presas, boa parte liberada no mesmo dia. As drogas apreendidas somaram pouco mais de 20 kg de maconha e menos de 100 papelotes de cocaína, além de armas.
Além da morte de Buzunga, a operação em 1988 ainda prendeu de Eliseu de Freitas, conhecido como Cabo Eliseu, ex-PM acusado de servir como segurança dos traficantes.
Na ocupação atual, para instalação da 19ª UPP da cidade, o então chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, foi preso dias antes da ação policial ao tentar fugir da favela dentro do porta-malas de um Corolla preto. Na operação, que aconteceu também nas favelas vizinhas do Vidigal e da Chácara do Céu, não houve tiros e mais de 120 armas --a maior parte, fuzis --foram apreendidas, assim como mais de 350 kg de drogas, 23 mil munições, 148 explosivos e 510 carregadores.
“A política em 1988 era fortemente repressiva; a ideia do então governador Moreira Franco era acabar com a violência em seis meses. E não só não acabou, como ainda as taxas de homicídio chegaram aos níveis mais altos”, disse Michel Misse, da UFRJ. “Agora, o que se quer é impedir que traficantes controlem, através das armas, o território, e há um projeto que busca a integração com uma política social –desde 1999 a preocupação vem nesse sentido”, afirmou.
Para Inácio Cano, da UERJ, a operação atual teve "planejamento". “Ainda que na ação em Antares tenha havido quatro mortes, na ocupação da Rocinha não houve nada do tipo; houve planejamento. Ainda assim, como o tráfico continua mesmo nas áreas pacificadas, o desafio é reduzir a letalidade policial. Porque o inimigo não é tão poderoso assim”.
20 novembro 2011
Governo de SP ignora protestos e espalha presídios
De ações na Justiça para embargar obras a prefeitos sendo informados pelo Diário Oficial do Estado sobre construção de unidades penitenciárias em suas cidades. Em meio a protestos dos municípios, a expansão do sistema carcerário está a pleno vapor rumo à região noroeste do Estado de São Paulo, onde está programada a construção de nove das 11 novas unidades prisionais que devem ser entregues até o fim de 2012 pela Secretaria de Administração Penitenciária.
Nos últimos dois anos, cinco novas unidades já ficaram prontas. A expectativa é de que todas as 49 previstas no plano de expansão do sistema penitenciário sejam finalizadas até 2014, apesar dos protestos. No total, serão 39 mil novas vagas, mas ainda insuficientes para resolver o déficit no sistema prisional, da ordem de mais de 70 mil vagas.
"O ritmo do crescimento de presos demandaria um novo presídio por mês. A demora na construção decorre principalmente das exigências ambientais e das resistências políticas. Assim como ninguém quer uma feira na rua de casa, é difícil aceitar um presídio na cidade onde mora", diz o secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes.
Algumas regiões terão concentração de unidades. Das nove previstas até o ano que vem para a região noroeste, quatro estão sendo instaladas em um raio de 70 quilômetros de distância de Ribeirão Preto, que já tem quatro unidades. Pontal e Taiuva ganharão novos CDPs, enquanto Guariba receberá uma penitenciária feminina e Jardinópolis, um Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Serra Azul, também vizinha de Ribeirão, já tem três prisões.
Para os prefeitos da região, a chegada das novas unidades significa custos sociais mais elevados e ameaças de aumento desmedido na procura pelos serviços públicos. Eles reclamam de ter de esperar até hoje a recompensa que o governo prometeu dar em contrapartida à instalação dos presídios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
08 novembro 2011
Imprensa é agredida por invasores de reitoria na USP
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,imprensa-e-agredida-por-invasores-de-reitoria-na-usp,795822,0.htm
Jornalistas foram vítimas de chutes, tapas e pedradas durante um empurra-empurra
08 de novembro de 2011 1h 40
Pedro Rocha e Ricardo Valota, do estadão.com.br
SÃO PAULO - No final da noite desta segunda-feira, 7, alguns dos estudantes que mantêm a ocupação da reitoria da USP agrediram os profissionais da imprensa que acompanham a invasão do prédio, ocorrida na madrugada do último dia 2.
Uma pedra foi arremessada contra a câmera do cinegrafista Marcos Vinícius, do SBT, e atingiu de raspão a cabeça de Fábio Fernandes, cinegrafista da TV Record. Ainda no empurra-empurra, o cinegrafista Alexandre Borba, também da TV Record, teve a alça da câmera puxada, causando a queda do equipamento.
O fotógrafo Cristiano Novaes, da agência CPN, foi agredido a chutes e teve a máquina tomada pelos vândalos, que resolveram devolvê-la posteriormente ao repórter fotográfico. A confusão teve início durante uma discussão entre os jornalistas e os invasores do prédio. Um dos alunos abordou a repórter Maria Paula, do SBT, e deu várias tapas contra o microfone da jornalista.
Assim que a poeira abaixou um pouco, um dos estudantes, que se identificou como "Eduardo", disse que repudiava a atitude dos agressores e que aquilo não representava o posicionamento do movimento em relação à imprensa. Em nota divulgada no início da madrugada desta terça-feira, 8, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que "a presença da PM não garante a segurança na universidade".
No comunicado, o DCE também afirma: "Não é de hoje que temos propostas para um outro plano de segurança dos campi da USP: aumento da circulação de pessoas e integração da universidade com a sociedade (contra a "catracalização"), maior iluminação, aumento dos ônibus circulares, uma Guarda Universitária preventiva, gerenciada pela comunidade, com treinamento voltado para os Direitos Humanos e aumento do seu efetivo, principalmente feminino".
Os estudantes, segundo ainda nota do DCE, devem realizar um ato às 12 horas desta terça-feira, 8, em frente à reitoria, quando será protocolado um ofício pedindo a revogação imediata do convênio USP/PM e a implantação de medidas de curto e médio prazos de segurança nos campi. No mesmo ofício, será requisitada a presença do reitor João Grandino Rodas na audiência pública convocada pelo DCE para o dia 16, quando devem ser debatidas as medidas de segurança tomadas pela reitoria e as propostas do movimento estudantil.
05 novembro 2011
Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes
EU ACUSO
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova sub-sequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada.
A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”.
Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”.
Deixe o aluno “construir seu conhecimento.”
Não vamos avaliar o aluno.
Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso...
com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens revoltado com suas notas baixas...
cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor.
Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei.
Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público.
A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto,
que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições,
freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estarem;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever,
tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como NÃO ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não podem aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima.
Uma eterna vítima.
O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida.
Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós.
Que a sua morte não seja em vão.
É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.
25 outubro 2011
Estudo vincula a violência juvenil ao abuso no consumo de refrigerantes
Por Por Richard Ingham
Cientistas anunciaram esta terça-feira, nos Estados Unidos, a descoberta de uma associação surpreendente, mesmo em termos estatísticos, entre a violência juvenil e a quantidade de refrigerante que os adolescentes tomam.
Alunos do ensino médio da região metropolitana de Boston que consumiram mais de cinco latas de refrigerante normal por semana demonstraram uma propensão a desenvolver um comportamento agressivo entre 9% e 15% maior em comparação com colegas que ingeriram menor quantidade.
"O que descobrimos foi a existência de uma forte relação entre quantos refrigerantes estes jovens consumiam e seu comportamento violento, não só com relação aos colegas, mas também em relacionamentos afetivos, com irmãos", afirmou David Hemenway, professor da Escola de Saúde Pública de Harvard.
"Foi chocante para nós perceber como esta relação era clara", disse em entrevista à AFP.
Mas ele ressaltou que apenas trabalhos futuros poderão confirmar ou descartar se um consumo maior de refrigerante não dietético causaria um comportamento violento.
O novo estudo se baseou nas respostas a questionários preenchidos por 1.878 estudantes de escolas públicas com idades entre 14 e 18 anos, na região metropolitana de Boston, onde Hemenway afirmou que as taxas de criminalidade eram muito maiores do que nos subúrbios com níveis de renda maiores.
A esmagadora maioria dos respondentes era hispânica, afro-americana ou miscigenada. Havia poucos asiáticos ou brancos.
Entre as perguntas estava a quantidade de latas de 355 mililitros de refrigerante não dietético que os adolescentes beberam nos sete dias anteriores.
Eles também foram questionados se ingeriram álcool ou fumaram, transportavam alguma arma ou foram violentos com colegas, familiares e parceiros afetivos.
Segundo Hemenway, as respostas evidenciaram uma relação causa-efeito, na qual quanto maior o consumo de refrigerante, maior a tendência de se apresentar um comportamento violento.
Entre aqueles que ingeriram uma ou duas latas de refrigerante por semana, 23% transportavam arma de fogo ou faca; 15% praticaram atos violentos contra o parceiro; e 35% agiram de forma violenta com os colegas.
Na outra ponta da tabela, entre aqueles que ingeriram 14 latas por semana, 43% transportavam arma de fogo ou faca; 27% agiram com violência com relação ao parceiro; e mais de 58% praticaram atos violentos com os colegas.
De modo geral, os adolescentes que mais consumiram refrigerantes foram de 9% a 15% mais propensos a demonstrar um comportamento agressivo em comparação com aqueles que consumiam menos.
Esta é uma magnitude similar ao vínculo encontrado em uma pesquisa anterior com o álcool e o tabaco.
Hemenway afirmou que o estudo incluiu duas questões relativas aos registros familiares das crianças, inclusive se o adolescente fez refeições em família nos dias anteriores.
Como só tinha a intenção de ser uma pesquisa preliminar, o questionário não consultou o tipo de refrigerante que os adolescentes beberam, afirmou.
"Este é um dos primeiros estudos a examinar" a questão, disse Hemenway.
"Nós não sabemos porque (existe esta forte associação). Pode haver algum efeito causal, mas também é certamente plausível que seja apenas um marcador para outros problemas - o de que crianças que são violentas independente do motivo tendem a fumar mais, a ingerir mais álcool e talvez a beber mais refrigerantes. Simplesmente, não sabenis", disse.
"Queremos examinar isso com mais cuidado nos estudos subsequentes", acrescentou.
Outros estudos estabeleceram um vínculo entre o consumo elevado de açúcar e falta de socialização ou comportamento irritável e antissocial.
Algumas pesquisas chegaram a apontar a falta de micronutrientes como fonte de agressão, mas este trabalho ainda está em estágio inicial.
O estudo foi publicado na revista britânica Injury Prevention.
..
06 outubro 2011
Concurso premia crianças com armas na Somália
Uma estação de rádio na Somália controlada pelo grupo extremista islâmico Al-Shabab premiou com armas crianças que participavam de um concurso de declamação do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
A competição da rádio Andulus também avaliou conhecimentos gerais.
Notícias relacionadasSituação na Somália está se deteriorando, adverte ONUTodas partes em guerra na Somália têm culpa por desastre, diz entidadeFome na Somália pode atingir 750 mil pessoas, diz ONU
Tópicos relacionadosáfricaO grupo que venceu a competição recebeu um fuzil AK-47 e o equivalente a US$ 700 (cerca de R$ 1.240). O segundo colocado recebeu um AK-47 e US$ 500 e terceiro, duas granadas de mão e US$ 400.
O grupo Al-Shabab, que teria ligações com a Al-Qaeda, controla grande parte do sul e do centro da Somália. Recentemente o grupo saiu da capital Mogadiscío, onde o fraco governo apoiado pela ONU está no comando.
Granadas
Quatro crianças, de idades entre 10 e 17 anos, foram escolhidas para representar cada distrito na competição realizada durante o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que terminou em agosto.
"Os jovens devem usar uma mão para educação e com a outra segurar uma arma para defender o Islã", disse o comandante do Al-Shabab Mukhtar Robow aos vencedores da competição em Elasha, cerca de 20 km da capital.
Os vencedores também receberam livros religiosos.
Mohamed Moalimu, repórter da BBC em Mogadíscio, disse que o concurso vem ocorrendo há três anos. Em edições anteriores, a primeira colocação era premiada com um lançador de granadas.
A Somália atravessa uma severa seca e muitas áreas controladas pelo grupo sofrem com fome.
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Granadas
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Mohamed Moalimu, repórter da BBC em Mogadíscio, disse que o concurso vem ocorrendo há três anos. Em edições anteriores, a primeira colocação era premiada com um lançador de granadas.
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15 setembro 2011
A. Latina é a região com maior índice de violência, informa o Pnud
Cidade do México, 14 set (EFE).- A América Latina se tornou a região mais violenta do mundo, com uma média de 23 assassinatos por ano para cada 100 mil habitantes, informou nesta quarta-feira o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Durante a participação em um fórum sobre segurança regional, o diretor regional do Pnud, Heraldo Muñoz, afirmou que, apesar de a América Latina ter 9% da população mundial, é o local onde acontecem 27% dos homicídios registrados em todo o planeta.
O índice, segundo dados, representa entre 70 mil e 90 mil homicídios por ano. "O número é ainda mais alarmante se olharmos por sub-regiões, como a América Central, com 44 homicídios para cada 100 mil habitantes", argumentou Muñoz, que acrescentou que "hoje há mais mortos que durante o auge da guerra civil em vários países centro-americanos".
De acordo com o Pnud, em 2010 foram registrados 71 homicídios em El Salvador para cada 100 mil pessoas e 52 na Guatemala, números muito acima de outras regiões. Lesoto e África do Sul, por exemplo, têm médias de 36 homicídios para cada 100 mil habitantes, de acordo com números do Escritório da ONU contra Drogas e Crime correspondentes a 2008, o último ano disponível.
Muñoz participou do Fórum de Segurança Regional, Cidadã e Desenvolvimento, no qual também esteve presente a administradora geral do Pnud, Helen Clark, e o secretário de interior mexicano, Francisco Blake.
Helen convocou os governos latino-americanos a trabalharem em programas integrais que fortaleçam o combate contra a violência e o crime organizado.
Ela acrescentou também que os países da América Latina destinaram recursos entre 5% e 40% de seu produto interno bruto (PIB) para fazer frente à insegurança.
Mas também advertiu que esses países "não podem destinar somente recursos para combater a criminalidade deixando de lado os programas de desenvolvimento". Por isso, a administradora geral se dedicou em criar planos integrais de cooperação regional nesse sentido.
Blake, por sua vez, disse que no México a taxa anual de homicídios é de 14 para cada 100 mil pessoas.
03 agosto 2011
Violência afetou 62% das escolas estaduais de SP em 2010
Levantamento foi feito por diretores. Meta do Estado é reduzir esse número para 52% até 2015
AE | 01/08/2011 13:09
Cerca de 62% das escolas estaduais de São Paulo registraram, durante o ano passado, situações diversas de violência dentro do ambiente escolar, de acordo com relatos dos próprios diretores. São roubos, depredações, pichações, violência contra alunos, professores e funcionários e até brigas entre estudantes. A meta do governo é reduzir esse número para 52% até 2015.
O cenário atual e a meta a ser atingida constam do novo Plano Plurianual (PPA) para o período 2012-2015, ao qual a reportagem teve acesso. O documento, que contém os objetivos e os investimentos até o próximo mandato, deveria ter sido concluído na sexta-feira, de acordo com o cronograma oficial. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deve enviar o projeto à Assembleia Legislativa neste mês.
O PPA prevê, para amenizar as situações de roubos, depredações, pichações e violência física contra alunos, professores e funcionários, além das brigas entre estudantes, um orçamento total de R$ 573.578.940 para o período 2012-2015.
O dinheiro será usado em programas que promovam parcerias entre a escola, a comunidade e a sociedade civil. Entre as iniciativas previstas estão ações interdisciplinares de prevenção e proteção nas escolas, com encontros de formação de educadores, e o programa Escola da Família, que existe desde 2003 e mantém as escolas abertas com atividades nos fins de semana.
A assessoria de imprensa do governo do Estado disse, em nota, que "o Plano Plurianual 2012-2015 está em elaboração" e "a divulgação de qualquer versão preliminar obtida em sistemas internos da administração é precipitada, certamente incompleta, e pode levar a conclusões equivocadas". Já a Secretaria de Educação afirmou, também em nota, que o índice de 62% está expresso de forma bastante abrangente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
29 julho 2011
Morador do Alemão deu um chute no peito de militar, diz denúncia
Suspeitos usaram enxada, tijolo e até blocos de cimento para atacar tropas do Exército
Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro | 29/07/2011 12:48
Segundo um levantamento feito pelo iG no site do Superior Tribunal Militar (STM), ao menos 49 pessoas foram denunciadas pela Procuradoria Militar pelos crimes de desacato, desobediência, resistência ou ameaça aos integrantes da Força de Pacificação do Exército, crimes previstos no Código de Processo Penal Militar (CPPM).
No dia 8 de junho, uma patrulha do 37º Batalhão de Infantaria Leve abordou quatro suspeitos de tráfico de drogas em um bar. Um dos revistados se negou a colocar as mãos na parede, puxou do bolso o telefone celular e a carteira de identidade. Disse que era trabalhador e que iria chamar o seu advogado. Os militares pediram para que ele desligasse o aparelho.
O morador chamou outras pessoas para ajudá-lo. Segundo a denúncia, quando era levado para dentro da viatura, o suspeito deu um chute no peito de um dos militares e subiu no teto do carro do Exército. A tropa, então, teve que intervir. Um spray de pimenta foi usado e um tiro de bala de borracha foi disparado e atingiu o homem na perna. Ele acabou recebendo voz de prisão.
No dia 18 de maio, um morador desacatou militares na Praça São Lucas, na Vila Cruzeiro. Consta na denúncia que a tropa ordenou que ele parasse. No entanto, o mesmo reagiu e pegou uma enxada para agredir os integrantes do Exército.
Um dos militares, então, acionou sua arma com munição não letal. De acordo com a denúncia, o morador largou a enxada, pegou dois blocos de cimento e atirou um deles na direção da tropa, atingindo um militar. Foi dada voz de prisão ao suspeito que, mesmo assim, teria dado chutes nos integrantes do Exército e ainda tentou tomar um fuzil.
Tentativa de atropelamento
No dia 15 de janeiro, militares patrulhavam a Estrada Vicente de Carvalho, perto da casa de shows Olimpo, quando foram desacatados por transeuntes que, segundo consta em denúncia da Procuradoria da Justiça Militar, estavam obstruindo a passagem da viatura.
A tropa insistiu para que eles deixassem o local, mas os suspeitos se recusaram. Além de terem xingado os militares, um deles ameaçou arremessar um tijolo nos integrantes do Exército. Um militar, então, reagiu e atirou spray de pimenta para contê-lo.
Em outro caso ocorrido no dia 22 de abril e que resultou em denúncia, os militares faziam patrulhamento na esquina das ruas Joaquim de Queirós com Bulhufa, no Alemão, e pediram para que um motociclista parasse. Ele estava com duas pessoas na garupa. Consta nos autos que ele furou o bloqueio e jogou a motocicleta na direção de um militar na tentativa de atropelá-lo.
O suspeito foi perseguido e acabou derrapando com a moto. Foi detido e autuado por constrangimento ilegal e desafio para duelo.
Militar foi agarrado e jogado no chão
No dia 19 de junho, na Rua Aristóteles Ferreira, na comunidade Nova Brasília, no Alemão, militares pediram para que um morador parasse para ser revistado. Consta na denúncia que ele se negou e gritou: "Vocês não têm direito, vocês não mandam em mim".
A tropa tentou imobilizá-lo, mas o morador reagiu. Os autos revelam que, ao receber voz de prisão, ele empurrou um militar. Quando era colocado dentro da viatura, o suspeito agarrou um integrante do Exército, o derrubou no chão e tentou fugir. Os militares tiveram que usar spray de pimenta e munições não-letais para contê-lo.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/morador+do+alemao+deu+um+chute+no+peito+de+militar+diz+denuncia/n1597107034886.html
16 julho 2011
Com 37 presos a mais ao dia, SP ganha novos Carandirus
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DE SÃO PAULO
Dados do governo de SP mostram que, a cada dia, cem pessoas deixam as prisões paulistas, enquanto outras 137 são encarceradas, informa a reportagem de André Caramante, publicada da edição deste sábado da Folha.
A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
O saldo de 37 presos a mais por dia não só vem agravando a superlotação das cadeias como já criou na capital um "novo Carandiru" --em referência à Casa de Detenção de São Paulo, no bairro do Carandiru, desativada em setembro de 2002 e considerada por anos a maior prisão da América Latina.
O complexo penitenciário de Pinheiros, ou "cadeião de Pinheiros", na zona oeste da capital, dispõe de apenas 2.056 vagas e abriga atualmente cerca de 5.200 detentos.
Hortolândia, na região de Campinas, viu surgir o chamado "Carandiru Caipira". Na cidade do interior, as duas penitenciárias e os dois CDPs têm 6.100 detentos num espaço para 2.610.
Para o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, o aumento da população carcerária é reflexo de combate eficaz aos criminosos.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/944581-com-37-presos-a-mais-ao-dia-sp-ganha-novos-carandirus.shtml
26 junho 2011
E a UPP salarial?
Ocupar morro só não basta: uma política efetiva de segurança pública exige que se melhore o ordenado dos policiais
O governo do Rio de Janeiro comemorou nessa semana uma vitória: a ocupação de outra "área conflagrada", o Morro da Mangueira. É a 18ª operação de tomada de terreno, expulsão de traficantes armados e início da pacificação, que deve ter seguimento com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A falta de reação dos traficantes mostrou que ninguém mais duvida da força do Estado para esse tipo de ação, pelo menos desde a invasão do Complexo do Alemão, em novembro. Aproximadamente 700 homens - policiais civis e militares, além de fuzileiros navais - participaram. Diferentemente dos outros casos, desta vez a invasão foi uma guerra anunciada e talvez por isso tenha ocorrido sem vítimas. Segundo a imprensa, a população a recebeu bem.
A ideia por trás dessas operações é fruto de um raciocínio impecável: tomar os espaços que são ocupados pelas organizações do tráfico e devolvê-los ao controle do Estado. Acabar com a demonstração de força de criminosos que exibem armas e exercem poder de vida e morte sobre a população. O controle do tráfico virou objetivo secundário, a ser alcançado depois da retomada do terreno.
Tudo isso é muito bom, mas as UPPs, por mais bem-sucedidas que sejam, sozinhas não constituem uma política de segurança. Na prática são uma maneira de enfrentar organizações criminosas que optaram pela dominação do território. Não há como utilizar a mesma estratégia para controlar o crime do dia a dia. Para isso o governo tem de investir em outras ações, começando pela melhora do policiamento e da investigação, o que demanda mudanças profundas. Um bom começo seria melhorar a situação do policial, não só através de equipamentos e treinamento, muitas vezes financiados pela União, mas também melhorando salários, o que significa mais investimento do Estado. Não existe mais espaço para atitudes como a de um ex-governador paulista que respondeu a policiais que reivindicavam aumento com uma frase antológica: "Vocês têm carteirinha e revólver, pra que precisam de salário?"
Apesar dos novos tempos, a ideia de que segurança depende de recursos não vingou completamente. Prova disso é a redução de quase 25% nos gastos com segurança no Estado do Rio entre os anos de 2008 e 2009, revelado no anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O reflexo disso aparece na pesquisa publicada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), que revelou que, apesar de receberem gratificação da prefeitura do Rio, quase 60% dos PMs que trabalham nas UPPs consideram o salário ruim. Sendo assim, não é difícil presumir que outros policiais militares, que ganham menos ainda, estejam mais insatisfeitos. Problemas salariais sempre têm potencial para arruinar uma política pública, mas neste caso específico existe um agravante, que é a disparidade dentro da mesma instituição.
Um soldado destacado para uma UPP ganha R$ 500 a mais que seu colega que patrulha as ruas. E no caso do Bope (Batalhão de Operações Especiais) a gratificação é de R$ 1.500. Isso faz com que um cabo dessa unidade especial ganhe o mesmo que um tenente lotado em outro batalhão.
Na verdade essas gratificações fazem com que existam três polícias militares diferentes no Rio de Janeiro. A mais numerosa é formada por policiais antigos e atende a maioria dos cariocas; outra é constituída pelos jovens recém-saídos da academia que integram as UPPs; e a terceira é composta por aquele punhado de policiais que conseguiu lugar no Bope. No médio prazo, a situação tende a criar divisões e ressentimentos que persistem mesmo depois de restabelecida a igualdade. Outra consequência é criar disputa pelas unidades que pagam mais, inclusive através de favoritismo e apadrinhamento.
Mas nem só de salários vive o serviço público, principalmente o aparelho de segurança. O controle da qualidade do serviço prestado, bem como da idoneidade dos servidores, é parte essencial. Na prática são poucas as experiências bem-sucedidas no Brasil, não apenas no Rio, de controle efetivo desses dois aspectos. Não existe consenso sobre como aferir a qualidade do serviço prestado e a idoneidade nunca foi cobrada como deveria. Durante décadas as polícias foram deixadas muito à vontade, sem obrigação de prestar contas pelo seu trabalho. O importante para o policial médio sempre foi manter as aparências e mostrar serviço quando exigido.
Com a entrada do País na era da informação isso mudou. O governo do Rio tem de levar em conta que a elaboração de uma política pública de segurança implica em ações integradas, que demandam a criação de metas claras, monitoramento do cotidiano, melhoria no policiamento e na investigação e controle do aparelho policial, impedindo seu desmembramento em grupelhos rivais.
GUARACY MINGARDI É DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA USP E MEMBRO DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICAhttp://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,e-a-upp-salarial,737118,0.htm
12 junho 2011
Após UPPs, traficantes cariocas tentam reorganizar territórios no Rio
Grupo ligado à favela da Rocinha invade redutos inimigos para que criminosos expulsos de áreas pacificadas possam se abrigar
Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro | 12/06/2011 07:00
PM ocupa o morro do Juramento após tentativa de invasão de traficantes
Nos dois anos anteriores, os traficantes da maior facção criminosa do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho (CV), promoveram uma série de ataques a favelas inimigas em razão da ocupação por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) das comunidades que dominavam.
Neste ano, a situação se repete, mas desta vez com os bandidos ligados aos Amigos dos Amigos (ADA), grupo que controla a favela da Rocinha, na zona sul do Rio.
Com seus redutos ocupados por UPPs, os traficantes da ADA já tentaram invadir pelo menos cinco localidades nos últimos três meses: o Conjunto Habitacional Fumacê, em Realengo, na zona oeste, Juramento, Para-Pedro, Saçu e Vila do Pinheiro (Complexo da Maré), na zona norte. Em um dos ataques, ocorrido no dia 29, seis pessoas morreram na Para-Pedro, no bairro de Colégio. Conheça os grupos criminosos que disputam o controle de favelas no Rio.
Comunidades controladas pela ADA começaram a ser pacificadas no final do ano passado. Desde então, foram ocupados redutos importantes do grupo, como os morros do São Carlos, do Zinco, Coroa e do Querosene, na região central, e dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte.
A pacificação levou os bandidos a migrarem para outras favelas do mesmo grupo. Os principais destinos foram os morros da Pedreira e do Dezoito, na zona norte, e a Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste, além da própria Rocinha.
"Os bandidos que eram de favelas da UPPs vieram todos para cá. A favela da Quitanda, que era fraca, hoje deve ter uns 80 fuzis. Na Pedreira, devem ter uns 150 fuzis", disse o delegado Aldari Vianna, da 39ª Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações sobre o crime no Complexo da Pedreira.
Apesar da migração, os traficantes da ADA buscam novos redutos para se estabelecerem e passaram a atacar outras favelas, principalmente aquelas que já pertenceram a facção e foram perdidas.
Nos dois anos anteriores, o Comando Vermelho teve várias favelas pacificadas, como a Cidade de Deus, na zona oeste, e os morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul.
A maioria dos bandidos do CV se escondeu nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte, e a facção atacou várias favelas rivais para dar abrigo aos traficantes que saíram de locais ocupados por UPPs". Guerras com muitas mortes ocorreram nos morros da Serrinha, em Madureira, e no Juramento, em Vicente de Carvalho, que foram os principais alvos do grupo na ocasião.
As invasões
A última tentativa de invasão por parte da ADA ocorreu essa semana. Segundo o Serviço Reservado do batalhão da PM de Irajá (41º BPM), bandidos do morro da Pedreira atacaram o morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, controlado pelo CV. Houve intenso tiroteio mas, de acordo com PMs, a favela não foi tomada.
Policiais militares revistam morador durante operação no Morro da Pedreira
Antes, a Pára-Pedro já tinha sido alvo da ADA. A favela foi perdida para os rivais TCP (Terceiro Comando Puro) em 2007. Na época, era controlada pelo traficante conhecido como Bamba. O bandido ganhou a liberdade recentemente e se refugiou na Pedreira.
No último dia 29, com a ajuda dos traficantes da Pedreira e de bandidos que deixaram favelas com UPPs, Bamba invadiu a Pára-Pedro. No tiroteio, quatro integrantes do grupo invasor e dois da quadrilha atacada morreram. A invasão não foi consumada.
Nos dias seguintes à invasão, a PM ocupou a Pedreira e houve vários confrontos. Pelo menos sete traficantes foram mortos.
No início de maio, os traficantes Playboy e Puma, que comandam a Pedreira, com ajuda de criminosos do São Carlos, Dezoito e da Rocinha, invadiram as favelas Vila do João e Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré. Até 2009, essas áreas eram dominadas pela ADA e foram perdidas para o TCP.
A base para a invasão, que não se consumou, foi o Complexo do Caju, na zona portuária. No ataque, um morador que estava dentro de uma escola morreu atingido por uma bala perdida. Outros quatro inocentes foram atingidos. Dois bandidos morreram.
Migração
Na zona oeste, o comandante do 14º BPM (Bangu), tenente-coronel Djalma Beltrami, recebeu informações de que traficantes do São Carlos e dos Macacos migraram para a Vila Vintém, em Padre Miguel. Segundo ele, a vinda dos bandidos teria refletido num aumento no número de roubos nas proximidades da comunidade.
O oficial não descartou a hipótese de os "refugiados" terem ajudado os bandidos da Vintém na tentativa de invasão ao conjunto habitacional Fumacê, em Realengo, na mesma região, no início de abril. Na ocasião, cinco pessoas foram mortas, entre elas uma mulher. Os invasores, no entanto, não conseguiram dominar a favela.
Em março, dias antes da invasão ao Fumacê, a Polícia Civil apreendeu duas metralhadoras ponto 50 (armas antiaéreas) na Vintém. Segundo policiais que participaram da apreensão, as armas teriam vindo do São Carlos.
Outro ataque da ADA foi na comunidade do Saçu, em Quintino, na zona norte, controlada por uma milícia. No início de maio, a localidade foi invadida por bandidos do morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte, liderados pelo traficante Alexandre Bandeira de Mello, o Piolho, que contou com a ajuda de criminosos do morro dos Macacos.
A PM está atenta para outro confronto que pode ocorrer. Na última semana de maio, a corporação recebeu denúncias de que os traficantes do morro do Urubu, em Pilares, na zona norte, ligados à ADA, tentariam invadir o morro do Engenho da Rainha, do CV. Segundo o comandante do 3º BPM (Méier, zona norte), tenente-coronel Ruy França, o ataque não aconteceu mas existe o alerta.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/apos+upps+traficantes+cariocas+tentam+reorganizar+territorios/n1597022635483.html
25 maio 2011
José Padilha e roteirista de "Gran Torino" preparam filme sobre crime em fronteiras latino-americanas
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José Padilha participa do Festival de Berlim com "Tropa de Elite 2", que está na Mostra Panorama. O primeiro "Tropa de Elite" conquistou o Urso de Ouro em 2008 (11/02/2011)
O diretor José Padilha, responsável pelos filmes "Tropa de Elite", vai se juntar ao roteirista de "Gran Torino", Nick Schenk, para seu próximo projeto.
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2011/05/25/jose-padilha-e-roteirista-de-gran-torino-preparam-filme-sobre-crime-em-fronteiras-latino-americanas.jhtm
09 maio 2011
Estudo inclui corrupção policial entre motivos de ataques do PCC
São elas: a corrupção policial contra membros do grupo, a falta de integração dos aparatos repressivos do Estado e a transferência que uniu 765 chefes do PCC, às vésperas do Dia das Mães de 2006, numa prisão de Presidente Venceslau (620 km de SP).
Os dados constam do estudo "São Paulo Sob Achaque", contundente raio-x elaborado durante quatro anos e oito meses sobre a onda de ataques da facção. O documento será divulgado nesta segunda-feira, com versões em português e inglês.
O estudo de quase 250 páginas foi produzido pela ONG de defesa de direitos humanos Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, uma das mais importantes dos EUA.
Os responsáveis por "São Paulo Sob Achaque" pesquisaram centenas de documentos, muitos deles sigilosos, processos criminais sobre as mortes ocorridas em maio de 2006 e entrevistaram a maior parte das autoridades envolvidas no episódio.
NEGOCIAÇÃO
A extorsão de R$ 300 mil que, segundo a Promotoria, foi praticada em março de 2005 pelos policiais civis Augusto Peña e José Roberto de Araújo contra Rodrigo Olivatto de Morais, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, tido pela polícia paulista como chefe do PCC, é o principal caso de corrupção policial que influenciou os ataques de maio, segundo o documento.
Os dois policiais chegaram a ser presos. Hoje estão soltos. Eles negam as acusações.
O documento também aponta que, em 14 de maio de 2006, dois dias após os primeiros atentados, o Estado enviou uma comissão a um presídio para negociar com os chefes do PCC o fim dos ataques. O fato sempre foi negado pelo governo.
"O maio de 2006 não foi puramente uma manifestação da violência, precisamos ter a visão do todo e como esse todo contribuiu para a eclosão daquele momento", diz Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global. "Passados cinco anos, nossa pesquisa indica que não foram construídos mecanismos eficazes, consistentes de superação e de enfrentamento para essa situação", completa ela.
MORTES
Ao esmiuçar os 493 homicídios ocorridos no Estado de 12 a 20 de maio de 2006, o estudo viu "indícios da participação de policiais em 122 execuções", além de discrepância na elucidação desses casos em relação aos que vitimaram 43 agentes públicos.
Por conta disso, "São Paulo Sob Achaque" propõe a federalização da investigação.
19 abril 2011
Escolas públicas no Brasil já são fechadas com grades e cadeados
Especialistas defendem medidas que vão além do aumento da segurança nas instituições de ensino
Agência Brasil | 18/04/2011 15:19
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Compartilhar: Brasília - Representantes de diversas instituições ligadas à educação infantil avaliaram que o combate à violência nas escolas requer medidas que vão além do aumento da segurança nas instituições de ensino. Para especialistas, umas das medidas seria a integração da comunidade à rotina escolar. O debate sobre o tema ocorreu nesta segunda-feira (18), na Comissão de Direitos Humanos do Senado. A reunião já estava agendada quando ocorreu, há quase duas semanas, o assassinato de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (RJ).
“Não consigo enxergar que se combata a violência trancando mais ainda as escolas. Isso não resolve. O melhor caminho é o contrário: a comunidade se integrar ao processo escolar”, afirmou o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) Antônio de Lisboa Vale.
Ele destacou que não existe qualquer “solução milagrosa” para esse problema. Entretanto, afirmou que de imediato é importante que os dirigentes escolares estimulem o uso de seus espaços pela comunidade para a promoção de ações de lazer e cultura. Outro ponto destacado pelo representante da CNTE foi a necessidade de qualificação dos profissionais que atuam na segurança das escolas para lidar com a violência estudantil.
Uma das diretoras do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF) Rosilene Correa ressaltou que a violência na escola não será resolvida sem que o Estado entenda “de uma vez por todas” que destinar mais recursos para a educação não é gasto, mas investimento. “Nós, da nossa geração, temos que pedir desculpas às crianças e adolescentes de hoje por não termos sabido entregar uma escola pública melhor.”
Outro ponto destacado por Rosilene Correa é que os professores são preparados para o ensino pedagógicos, mas não têm preparo para lidar com a violência escolar. Ela afirmou que, caso o agravamento da violência entre estudantes continue se agravando, os professores terão que inserir em suas grades de preparação para o ensino a qualificação no combate à violência.
Já o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, informou que a entidade terá uma reunião, amanhã (19), com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para propor a realização em todo o país de uma “caravana pela paz nas escolas”. Ele julgou inconcebível qualquer tipo de estigma e preconceito entre os estudantes.
Ele ressaltou a necessidade urgente de os gestores estimularem ações de valorização e respeito à diversidade. Segundo o presidente da Ubes, o desrespeito às individualidades mais a desagregação dos valores familiares são os principais causadores de vários tipos de violência escolar, especialmente do bullying.
Também convidado para a audiência pública, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo, julgou fundamental e urgente a instalação de ambulatórios psiquiátricos nas escolas para o atendimento imediato a estudantes e profissionais da educação que apresentem atitudes potenciais para o desencadeamento de ações violentas. Para tanto, ele ressaltou a necessidade de uma qualificação dos professores.
“Um ato extremo como o de Realengo poderia ser evitado se o professor fosse treinado para detectar os primeiros sintomas e ter para onde mandar esse aluno. Existem atos prévios, como o forte interesse por assuntos ligados à violência, evidências de planejamento de atitudes violentas e a discussão com colegas do se que pretende fazer, que não podem ser desconsiderados”, afirmou o presidente da ABP.
Outra questão levantada pelo psiquiatra foi a generalização da violência estudantil como se fosse bullying. Segundo ele, existem doenças psiquiátricas como o Transtorno do Déficit da Atenção (TDA) e o distúrbio bipolar que podem levar o estudante ou o profissional de educação a condutas antissociais, por vezes violentas. Antônio Geraldo acrescentou que muitas vezes, esses transtornos acarretam no uso de drogas e de álcool.
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/integracao+escolacomunidade+e+fundamental+para+conter+violencia/n1300082477463.html
18 abril 2011
ESTATUTO DO DESARMAMENTO
Oportunismo político Medo e paranóia Por Alberto Dines em 18/4/2011 | |
| O senador José Sarney exibiu a sua obsolescência ao propor logo após a matança em Realengo a realização de um plebiscito para aprovar a proibição do comércio de armas de fogo. Demagogia barata, oportunismo governista, comodismo típico do parlamentar mais interessado em produzir novas leis do que em fiscalizar o cumprimento das antigas. Sarney detesta Hugo Chávez – é um dos seus raros atributos – mas acabou adotando-o como modelo ao propor nova consulta popular sobre um tema que já fora levado ao escrutínio da sociedade, com resultados lamentáveis. Queria "passar a limpo" o referendo de 2005 (que lamentavelmente não aprovou a interdição do comércio de armas de fogo) sem perceber que uma rigorosa fiscalização sobre o Estatuto do Desarmamento (aprovado em seguida) evitaria ou reduziria drasticamente os 50 mil fuzilamentos/ano que enlutam nossa sociedade. Nova moléstia A chacina do Realengo exige menos demagogia e mais eficácia. Exige, sobretudo, uma atitude mais humanitária para desativar o nível de violência. Impedido de comprar os dois revólveres, recarregadores e a farta munição que utilizou, Wellington de Oliveira poderia cometer crimes ainda mais bárbaros. Sofria de distúrbios mentais, seu comportamento antissocial já chamara a atenção de familiares e professores tanto que iniciara um tratamento, logo descontinuado. Este é o ponto que escapa a legisladores robotizados como Sarney. Sem a ajuda terapêutica aquele estranho adolescente tornou-se um doente mental. Tratado, facilmente perderia os medos e se integraria à sociedade. Maltratado, converteu-se num marginal. Não era um idiota, ao contrário: articulado, escrevia razoavelmente (melhor até que muitos acadêmicos), seu interesse por questões subjetivas e espirituais, devidamente amparado, poderia levá-lo para caminhos opostos. Estava desempregado por opção e em função da própria patologia, não sabia integrar-se, conviver. O autorretrato em vídeo exibido pela televisão na quarta-feira (13/4) nos oferece a aberrante imagem de um monstro moral. O doente abandonado e jamais medicado estava em estado terminal: aquela falsa mansidão era o sintoma mais evidente de uma brutal desorganização psíquica. Aparentava tranqüilidade, estava tomado pelo pânico. Só o dedo no gatilho poderia acalmá-lo. A fantasia de vítima foi o recurso encontrado para legitimar o ódio contra si mesmo. Por isso inventou uma "causa" para morrer. Por isso, apresentou-se para si e para o mundo como um heróico guerrilheiro que se infiltra no território inimigo e procura interagir com o adversário (este é o vocabulário da demência e não de um suposto fanatismo religioso). O bullying que teria sofrido na escola é invenção posterior, recente, estratagema oportunista, construção da própria enfermidade. Como o hipocondríaco que inventa doenças, nosso serial-killer inventou uma nova moléstia. Para vingar-se das gozações das meninas bastaria ser feliz. Não tentou, não conseguiria. Para ser cumprido Alma em frangalhos, fragmentada pela fragmentação da internet, um ser digitalizado, recortado e colado com as migalhas do mundo pontocom. Com as duas mães sequer teve oportunidade de conceber o chamado "romance familiar" que, geralmente, costura e estrutura uma família. Wellington Oliveira não é filho da miséria ou da fome, é filho de uma sociedade que não sabe lidar com a doença, não sabe diagnosticá-la, tratá-la e, muito menos, curá-la. Qualquer um pode contaminar-se com a Aids, basta descuidar-se. O psicopata não mora ao lado (título de um best-seller), a psicopatia está em cada ser humano, facilmente acionável em situações-limite, estresse, ameaças. E solidão. O Estatuto do Desarmamento está aí para ser aperfeiçoado e rigorosamente cumprido. É um instrumento fundamental para a nação perder o medo e, em seguida, isolar a paranóia. | |
ESTATUTO DO DESARMAMENTO
Oportunismo político Medo e paranóia Por Alberto Dines em 18/4/2011 | |
| O senador José Sarney exibiu a sua obsolescência ao propor logo após a matança em Realengo a realização de um plebiscito para aprovar a proibição do comércio de armas de fogo. Demagogia barata, oportunismo governista, comodismo típico do parlamentar mais interessado em produzir novas leis do que em fiscalizar o cumprimento das antigas. Sarney detesta Hugo Chávez – é um dos seus raros atributos – mas acabou adotando-o como modelo ao propor nova consulta popular sobre um tema que já fora levado ao escrutínio da sociedade, com resultados lamentáveis. Queria "passar a limpo" o referendo de 2005 (que lamentavelmente não aprovou a interdição do comércio de armas de fogo) sem perceber que uma rigorosa fiscalização sobre o Estatuto do Desarmamento (aprovado em seguida) evitaria ou reduziria drasticamente os 50 mil fuzilamentos/ano que enlutam nossa sociedade. Nova moléstia A chacina do Realengo exige menos demagogia e mais eficácia. Exige, sobretudo, uma atitude mais humanitária para desativar o nível de violência. Impedido de comprar os dois revólveres, recarregadores e a farta munição que utilizou, Wellington de Oliveira poderia cometer crimes ainda mais bárbaros. Sofria de distúrbios mentais, seu comportamento antissocial já chamara a atenção de familiares e professores tanto que iniciara um tratamento, logo descontinuado. Este é o ponto que escapa a legisladores robotizados como Sarney. Sem a ajuda terapêutica aquele estranho adolescente tornou-se um doente mental. Tratado, facilmente perderia os medos e se integraria à sociedade. Maltratado, converteu-se num marginal. Não era um idiota, ao contrário: articulado, escrevia razoavelmente (melhor até que muitos acadêmicos), seu interesse por questões subjetivas e espirituais, devidamente amparado, poderia levá-lo para caminhos opostos. Estava desempregado por opção e em função da própria patologia, não sabia integrar-se, conviver. O autorretrato em vídeo exibido pela televisão na quarta-feira (13/4) nos oferece a aberrante imagem de um monstro moral. O doente abandonado e jamais medicado estava em estado terminal: aquela falsa mansidão era o sintoma mais evidente de uma brutal desorganização psíquica. Aparentava tranqüilidade, estava tomado pelo pânico. Só o dedo no gatilho poderia acalmá-lo. A fantasia de vítima foi o recurso encontrado para legitimar o ódio contra si mesmo. Por isso inventou uma "causa" para morrer. Por isso, apresentou-se para si e para o mundo como um heróico guerrilheiro que se infiltra no território inimigo e procura interagir com o adversário (este é o vocabulário da demência e não de um suposto fanatismo religioso). O bullying que teria sofrido na escola é invenção posterior, recente, estratagema oportunista, construção da própria enfermidade. Como o hipocondríaco que inventa doenças, nosso serial-killer inventou uma nova moléstia. Para vingar-se das gozações das meninas bastaria ser feliz. Não tentou, não conseguiria. Para ser cumprido Alma em frangalhos, fragmentada pela fragmentação da internet, um ser digitalizado, recortado e colado com as migalhas do mundo pontocom. Com as duas mães sequer teve oportunidade de conceber o chamado "romance familiar" que, geralmente, costura e estrutura uma família. Wellington Oliveira não é filho da miséria ou da fome, é filho de uma sociedade que não sabe lidar com a doença, não sabe diagnosticá-la, tratá-la e, muito menos, curá-la. Qualquer um pode contaminar-se com a Aids, basta descuidar-se. O psicopata não mora ao lado (título de um best-seller), a psicopatia está em cada ser humano, facilmente acionável em situações-limite, estresse, ameaças. E solidão. O Estatuto do Desarmamento está aí para ser aperfeiçoado e rigorosamente cumprido. É um instrumento fundamental para a nação perder o medo e, em seguida, isolar a paranóia. | |