Mostrando postagens com marcador CPTM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CPTM. Mostrar todas as postagens

10 dezembro 2011

SP desengaveta projeto de trem expresso para o ABC


São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem em Santo André um pacote de R$ 6,3 bilhões em obras para a região do ABC. A principal delas será um projeto que ele próprio havia lançado em seu outro mandato no Palácio dos Bandeirantes, em fevereiro de 2006: o Expresso ABC, uma ligação rápida sobre trilhos entre a Estação da Luz e Mauá (que na ocasião foi chamada de Expresso Sudeste).

O Expresso ABC vai correr paralelo à Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). No entanto, ele terá aproximadamente 25 quilômetros de extensão, enquanto o ramal existente tem 35 km. A vantagem é que o novo ramal terá apenas seis estações (a atual tem 14). Os trens vão parar apenas nas Estações Luz, Brás, Tamanduateí, São Caetano, Santo André e Mauá.

"Nós constatamos que entre 75% e 80% dos usuários estão concentrados em seis pontos da linha da CPTM. Então vale a pena criarmos uma linha expressa até Mauá", disse o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O governo estadual calcula que as viagens entre Mauá e Luz na futura linha sejam feitas em 25 minutos - 11 a menos que na Linha 10-Turquesa. O novo ramal vai contar com dez trens e haverá ligação nas estações para que os usuários possam optar por qual ramal seguir.

A obra está estimada em R$ 1,2 bilhão e o modelo escolhido foi o de uma Parceria Público-Privada (PPP) - que foi pré-aprovada na semana passada. A previsão é de que a nova linha fique pronta em 2014, principalmente porque não há necessidade de desapropriação e obras mais complexas, como túneis ou viadutos. O possível "gargalo" será a negociação para se obter a concessão de uma área que pertence à União. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

26 novembro 2011

Obras do trem regional São Paulo-Jundiai devem ser iniciadas em 2013


O trem expresso que ligará São Paulo a Jundiaí deve fazer a viagem em 25 minutos com tarifa "competitiva" com o transporte de ônibus ou carro.

As estimativas são do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que oficializou anteontem o Expresso Jundiaí, o primeiro dos chamados trens regionais que o tucano quer transformar em uma das marcas da gestão.

Outras linhas em estudo ligarão a capital a Santos, Sorocaba, Campinas e São José dos Campos --essas duas dependem de a União viabilizar ou não o trem-bala Rio-Campinas.

O Expresso Jundiaí fará um trajeto de 45 km, a partir da estação Água Branca (zona oeste), da CPTM.

Com menos paradas, será mais rápido que a ligação ferroviária atual (a linha 7-rubi), também da CPTM, que tem 17 estações entre a Luz e Jundiaí.

O traçado, o número de estações e as cidades por onde passará ainda dependem do projeto funcional, que deverá estar concluído em setembro.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

Isso vai permitir, diz o governador, que a licitação seja aberta em novembro. As obras devem começar, no entanto, apenas no final de 2013, em razão dos estudos ambientais.

Em uma previsão "prudente", Alckmin estima que a linha opere a partir de 2015.

O custo do projeto, estimado em R$ 2 bilhões, também só será definido com a conclusão do projeto funcional.

Parte virá de uma PPP (parceria público-privada), mesma estratégia adotada em projetos como Expresso ABC.

Nenhum dos trens regionais ficará pronto antes de 2015 --o primeiro será o de Jundiaí. O segundo deverá ser o de Sorocaba, e o terceiro, o de Santos. Os três juntos deverão custar R$ 13 bilhões.

Presidente da CPTM diz que trem até o aeroporto de Cumbica só depois da Copa


A linha de trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) que vai chegar até o aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, não ajudará no serviço de transporte da capital paulista durante a Copa que será realizada no Brasil. De acordo com o presidente da companhia, Mario Bandeiras, a linha 13-Jade deverá ficar pronta só no fim de 2014.


Com custo estimado em R$ 1,2 bilhão – incluindo a aquisição de oito trens -, a linha vai fazer a ligação entre a estação Engenheiro Goulart, na zona leste, e Cumbica, passando por uma estação que será construída no parque Cecap Zezinho Magalhães.

No dia 1º de novembro, foi aberto um edital para elaboração dos projetos. Dentro de um ano será publicado o edital de construção da linha, que deverá ficar pronta em 24 meses.

Bandeira disse ainda que a linha deverá operar com dez carros de oito vagões cada um, a intervalos de seis minutos. Questionado se o ramal não fará falta durante a Copa, ele disse que, nesse caso, uma linha de trem seria insuficiente.

- O próprio aeroporto de Guarulhos já é um gargalo. Mas não é só isso. Construir uma obra dessas em menos de dois anos é inviável. Seria uma promessa falsa.



Inauguração

Mario Bandeira participou na manhã desta segunda-feira (18), ao lado do governador Geraldo Alckmin, da cerimônia de entrega das novas instalações da estação Baueri, na linha 8-Diamente.

Na ocasião, também foram entregues os primeiros três trens com salão contínuo (sem divisores). Até o fim do ano, eles já devem operar comercialmente. O governador também anunciou novas extensões nas linhas da CPTM. Além da construção da linha 13-Jade, a linha 9-Esmeralda será expandida até Varginha. As linhas 8, 7 e 11 também receberão novas estações, respectivamente Domingos de Moraes, Jaraguá e Poá.





Fonte: R7

02 novembro 2011

Ato de vandalismo prejudica circulação de trens da linha 7-Rubi

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1000416-ato-de-vandalismo-prejudica-circulacao-de-trens-da-linha-7-rubi.shtml

Ato de vandalismo prejudica circulação de trens da linha 7-Rubi
DE SÃO PAULO

A circulação de trens da linha 7-Rubi (Luz Francisco Morato) da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitano) está interrompida nesta quarta-feira entre as estações Vila Clarice e Pirituba.

Segundo a CPTM, ocorreu um ato de vandalismo no sistema de energia elétrica que alimenta os trens entre as estações.

Equipes de manutenção da companhia trabalham no reparo, mas não há previsão de normalização das operações no trecho.

A CPTM acionou a operação Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) com ônibus para transportar os usuários entre as estações Pirituba e Jaraguá.

Os passageiros também são orientados pelo serviço de som das estações e trens.

28 outubro 2011

Obras em estações de trem da Grande SP estão paradas

http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u998035.

Tatiana Santiago
do Agora

As obras de reconstrução das estações Francisco Morato e Franco da Rocha, da linha 7-rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), estão paradas desde o início do ano. O investimento previsto pelo governo estadual para as intervenções é de R$ 65 milhões.

Enquanto isso, os moradores dos dois municípios da Grande São Paulo enfrentam transtornos diariamente para usar o transporte público.

Em Franco da Rocha, as obras começaram em maio de 2010, mas foram interrompidas no início deste ano.

Hoje, não se vê operários trabalhando na estrutura que abrigará as novas plataformas.

Sem as obras, os passageiros têm de cruzar a linha do trem e dividem espaço em plataformas cheias.

Resposta

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) informa que continua trabalhando para a reconstrução das estações Francisco Morato e Franco da Rocha.

A companhia afirma que, no momento, analisa com o consórcio contratado para execução de obras algumas alterações realizadas nos projetos originais, que precisam de novas soluções técnicas. Assim que as análises forem concluídas, os trabalhos recomeçarão, informou a CPTM.

Em Franco da Rocha, a CPTM diz que vai analisar as intervenções do projeto. A companhia também afirma que áreas no entorno da estação são de propriedade da União, e que precisa da liberação desses terrenos para continuar a obra.

A SPU (Secretaria do Patrimônio da União) informou que será assinada hoje a cessão da área à prefeitura. Os prazos para entrega das estações serão revistos.

21 outubro 2011

Sistema metroferroviário esvaziará Itaquerão em 30 min


Agência Estado

0 comentário(s)


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse hoje que o sistema metroferroviário da capital paulista será capaz de, a partir de 2013, esvaziar o futuro Estádio do Corinthians, o Itaquerão, em dias de partidas, em 30 minutos. Segundo ele, essa vazão será possível devido à implementação do sistema Controle de Trens Baseado em Comunicação (CBTC, em inglês), que regula a distância entre trens.

No Metrô, as composições passarão a ter um intervalo de 85 segundos, 20% a menos do que os atuais 103 segundos. Nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), esse intervalo passará de 5 minutos para 3 minutos em 2013. As mudanças resultarão, segundo o tucano, em um aumento de 89 mil passageiros/hora para 120 mil passageiros/hora nos dois sistemas de transportes.

"Se todo mundo no estádio tomasse trem ou metrô, ele estaria vazio em 30 minutos", afirmou o governador, após entregar três novos trens para a frota da Linha 3 - Vermelha, na Estação Corinthians - Itaquera do Metrô. "É raro no mundo uma situação dessa", ressaltou. O tucano informou ainda que, até o final de 2012, o governo estadual entregará, ao todo, 98 novos trens, e que todos os grandes investimentos estaduais em transporte serão voltados para o modal metroferroviário. "Todos os investimentos vultosos vão para o transporte metroviário, que é de alta capacidade, qualidade e rapidez", afirmou.

Ele explicou que a velocidade média dos ônibus na cidade de São Paulo é de 15 km/h, enquanto a do Metrô, mesmo com as paradas, é de 38 km/h. O tucano ainda afirmou que está em estudo a implementação de um trem expresso em Itaquera para os dias de jogos.

29 setembro 2011

Boa notícia: parece que o ferroanel de São Paulo vai sair do papel


Boa notícia: parece que o ferroanel de São Paulo vai sair do papel

Na semana passada, a imprensa noticiou que, finalmente, o governo federal e o governo do estado de São Paulo chegaram a um acordo sobre a construção do ferroanel, um arco ferroviário que contornará São Paulo, retirando o tráfego dos pesados trens de carga dos trilhos que cortam a região central da capital e de outros municípios da região metropolitana.

Uma das questões que travou o projeto durante anos foi a disputa geopolítica, entre as duas esferas de governo, com relação ao trecho do ferroanel que seria construído primeiro: o trecho norte, que levará mais carga ao porto do Rio de Janeiro, ou o trecho sul, que escoará carga ao porto de Santos.

As demais polêmicas dizem respeito às soluções de engenharia para o tramo norte (uma das possibilidades era a construção de um túnel dentro de São Paulo, mas hoje está definido que o traçado será paralelo ao do rodoanel norte) e à participação da MRS Logística (concessionária de transporte de carga que usa os trilhos da região metropolitana, compartilhando-os com a CPTM) no empreendimento. Inicialmente, a empresa não demonstrou interesse no negócio, mas depois considerou a possibilidade de participar.

O entendimento do governo estadual e da União, hoje, é de que as obras devem começar pelo trecho norte, que terá 60km. De acordo com matéria doEstadão, “o traçado previsto para a linha deve sair de Itaquaquecetuba, na zona leste da Grande São Paulo, passar por Guarulhos, beirando a Serra da Cantareira, chegar em Perus, na zona norte paulistana, e seguir até Jundiaí”. A previsão é de que as obras sejam concluídas até 2014.

Hoje, os trilhos da CPTM são compartilhados entre o transporte de passageiros e o de cargas. Com a construção do ferroanel, espera-se melhorar tanto o transporte coletivo na Grande São Paulo, já que os trens da CPTM serão exclusivamente de passageiros, quanto o transporte de cargas, que hoje é lento e de alto custo.

Para se ter uma ideia, 97% dos 2,5 milhões de contêineres que chegam anualmente ao Porto de Santos são transportados por caminhão. Com a construção do ferroanel, espera-se que 5 mil caminhões saiam das ruas por dia e que, por ano, o volume de carga transportada por trilhos chegue a 1,5 milhão.

28 setembro 2011

Finalmente o trem da CPTM chegará até o aeroporto de Guarulhos

por raquelrolnik

No final do mês passado, a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo anunciou que estenderá o trem da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos) até Guarulhos, incluindo o aeroporto de Cumbica. Finalmente uma decisão sensata sobre o assunto, infelizmente com pouca repercussão na mídia.

O novo trem sairá do Brás e chegará a Cumbica em 23 minutos. As obras deverão ficar prontas até 2014. Por muito tempo o governo do Estado hesitou em levar a rede da CPTM até o aeroporto de Guarulhos.

A ideia inicial era que o trem da CPTM chegasse apenas até a região do Cecap Zezinho Magalhães e que um outro trem – o chamado expresso aeroporto – fizesse a ligação até Cumbica, com um serviço diferenciado, mais confortável, saindo da estação da Luz direto para o aeroporto.

O projeto seria feito através de uma PPP (parceria público-privada) e teria uma tarifa bem salgada, na época estimada em torno de R$ 35,00, bem mais cara que os R$ 2,90 do trem da CPTM. Com esse valor, portanto, o expresso aeroporto não atenderia em absoluto nem a população de Guarulhos nem mesmo os trabalhadores do aeroporto que se deslocam diariamente entre as duas cidades.

Com o anúncio do projeto do trem-bala pelo governo federal, que também faria uma ligação direta entre São Paulo e Cumbica, partindo da estação da Luz, a ideia do expresso aeroporto ficou inviabilizada e foi engavetada. O fato é que, até agora, a própria viabilidade do trem-bala permanece incerta.

Mas o mais importante é que tenhamos o trem comum para a cidade de Guarulhos, que tem mais de 1 milhão de habitantes, e o aeroporto de Cumbica, onde trabalham mais de 28 mil pessoas, inserindo a cidade no sistema de transporte coletivo de massas, já que os trens estão ligados à rede de metrô.

O desafio agora é lutar para que os trens da CPTM – que hoje funcionam com intervalos de 6 minutos, superlotados e lentos – alcancem um melhor padrão de qualidade e conforto sem que para isso seja preciso inventar um negócio milionário. Alguns trechos que já passaram por reformas mostram que é possível melhorar o desempenho e o conforto dos trens dessa rede.

Leia mais sobre este assunto na Folha Online.

15 setembro 2011

Tunelmania

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joseluizportella/975353-tunelmania.shtml

São Paulo não precisa de mais R$ 3,5 bilhões em túneis. Precisa de metrô. Quanto mais metrô, melhor.

Matéria de Tiago Dantas, no Estadão desta segunda-feira [ http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,kassab-planeja-gastar-r-35-bi-em-tuneis,771303,0.htm ] , dá conta de que a Prefeitura pretende investir R$ 3,5 bilhões de reais na construção de cinco túneis.

Óbvio que sempre haverá necessidade de pequenas passagens subterrâneas, aqui ou ali. Contudo, isso deve ser a exceção e evitado o quanto possível. Alocar R$ 3,5 bilhões, como está anunciado, não faz sentido.

Nenhuma cidade do mundo, nos últimos 25 anos, resolveu seus problemas de trânsito com aumento do sistema viário nem com intervenções desse tipo, pois eles funcionam como incentivo ao uso do transporte individual. Após uma melhoria inicial breve, as vias são rapidamente ocupadas por veículos novos, que entram aos borbotões em circulação, ou pelo estoque de carros que estão nas garagens e rodam de acordo com o trânsito. Melhorou, eles ocupam o espaço.

O túnel da av. Roberto Marinho é um exemplo. Visitei o local com cuidado e concluí que ele vai resolver o problema da av. Bandeirantes por breve e escasso período.O túnel prioriza o carro ao invés de corredores de ônibus.

Quanto ao Metrô e à CPTM, mesmo quando chegarem juntos a 450 km de trilhos com qualidade,precisarão, veementemente, da integração com um grande sistema de corredores de ônibus.

Os corredores são essenciais. Transporte é sinergia. E o sistema exige hierarquia: primeiro, o transporte de alta capacidade sobre trilhos; depois, o de média capacidade, o ônibus.
São Paulo tem cerca de 130 km de corredores de ônibus. Como parte deles não possui ultrapassagem, isso diminui em muito a eficácia desses viários.

Precisamos de mais 300 km de corredores de ônibus. Junto com os 450 km de trilhos, teríamos uma cidade com ótima mobilidade. Seria uma virada fenomenal na qualidade de vida do paulistano.

Além de corredores novos, necessitamos de mudança nos atuais trajetos dos ônibus, que foi postergada. Eles não estão respeitando as novas linhas de metrô e a modernização da CPTM.

Vivemos o "quanto melhor, pior". Quanto mais aumenta ou melhora a qualidade do transporte sobre trilhos, mais gente reduz o tempo de viagem nos ônibus e entra no sistema, que fica cada vez mais lotado. Por isso, mesmo nas linhas onde houve melhorias e prolongamentos, a sensação é de piora na lotação.

Enquanto os ônibus não mudarem seus trajetos e se adaptarem ao novo traçado dos trilhos, a situação vai piorar, em termos de lotação.

O dinheiro a ser gasto em túneis seria mais bem aproveitado se fosse investido em corredores de ônibus e na criação de uma infraestrutura cicloviária, cacifando a bicicleta como meio de transporte. Hoje, existem cerca de 350 mil viagens de bicicleta/dia; 70% por motivo de trabalho.
Um quilômetro de metrô subterrâneo custa cerca de 500 milhões de reais, incluindo obra civil, sistemas e material rodante. Metrô de superfície ou monotrilho, entre R$ 130 e 160 milhões.

Os R$ 3,5 bilhões que a Prefeitura vai gastar em túneis, para não diminuir a superlotação das vias, dariam para construir 300 km de corredores e ainda sobraria dinheiro para implantar ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas. São Paulo seria outra cidade.

Portanto, o anúncio de construção de cinco túneis tem dois méritos: mostrar que se inverterem a prioridade, a cidade de São Paulo poderá ter uma mobilidade fantástica; e que para isso não falta dinheiro.

Falta querer.


José Luiz Portella Pereira, 58, é engenheiro civil especializado em gerenciamento de projetos, orçamento público, transportes e tráfego. Foi secretário-executivo dos Ministérios do Esporte e dos Transportes, secretário estadual dos Transportes Metropolitanos e de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo e presidente da Fundação de Assistência ao Estudante. Formulou e implantou o Programa Alfabetização Solidária e implantou o 1º Programa Universidade Solidária. Escreve às quintas-feiras na Folha.com.

18 agosto 2011

Em latas de sardinha

CARTA CAPITAL:

Rodrigo Martins

Nos últimos quatro anos, o governo paulista deixou de investir mais de 3,6 bilhões de reais na expansão do metrô. Por Rodrigo Martins. Foto: Leonardo Soares/AE

Não é por falta de dinheiro que o plano de expansão do Metrô paulistano caminha a passos de tartaruga, com uma média de 1,6 quilômetro por ano desde que o PSDB assumiu o controle do estado, em 1995. Nos últimos anos, o governo aplicou bem menos recursos na ampliação da malha metroviária que aquele autorizado pelo orçamento. Entre 2008 e 2010, estavam previstos 9,58 bilhões de reais, mas só foram gastos 5,95 bilhões, 37% menos que a verba disponível. Apenas no primeiro semestre deste ano, segundo o Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), estavam liberados gastos superiores a 3 bilhões de reais. O governo empenhou 1,2 bilhão, mas não liquidou nem pagou qualquer despesa. Em outras palavras, nada teria sido repassado ao Metrô nos seis primeiros meses de 2011.

No ano passado, o descompasso entre o investimento previsto no orçamento e o gasto efetivo na ampliação da rede e na recapacitação e modernização das linhas existentes foi significativo. O governo podia aplicar até 4 bilhões de reais em investimentos na rede metroviária. Desembolsou 1,7 bilhão, 42,5% do previsto. Somente para a expansão das linhas foi gasto 1,06 bilhão de reais, metade do valor aplicado no ano anterior, segundo o balanço financeiro do próprio Metrô.

“É muita propaganda e pouca ação”, afirma o deputado estadual Enio Tatto, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa. “Por onde passa, o governador Geraldo Alckmin promete uma nova estação de metrô. Se vai à Zona Sul, diz que o metrô vai chegar a Taboão da Serra. Se visita Guarulhos, afirma que o metrô será interligado ao aeroporto de Cumbica. Mas o que vemos é o descumprimento de todas as metas fixadas pelo governo para a ampliação das linhas.”

Para embasar a crítica, o parlamentar destaca uma série de projetos traçados nos planos plurianuais do governo paulista que não saíram do papel ou foram parcialmente concluídos. Alckmin prometeu iniciar a primeira fase da Linha 4 – Amarela em 2006, mas só começou o projeto em 2008. Pelo plano de expansão de José Serra, a linha deveria estar em operação desde 2010, mas, atualmente, apenas quatro das seis estações previstas foram inauguradas, e funcionam em fase experimental. Serra prometeu ainda inaugurar mais duas estações da Linha 5 – Lilás até o fim de 2010, mas nenhuma delas foi entregue até hoje.

Por meio de uma nota, o Metrô de São Paulo informa que o seu orçamento para 2011 é de 4,8 bilhões de reais. Desse total, 1,5 bilhão é proveniente do Tesouro do estado, e 300 milhões foram contingenciados no início da atual administração. O restante seria de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras. A companhia esclarece que o orçamento foi revisado para baixo. E o Metrô contará com 2,4 bilhões de reais para 2011. Desse total, 600 milhões foram gastos até junho, diferentemente do que mostra o Sigeo, que identificou o empenho de 1,2 bilhão, mas não revelou qualquer despesa paga. Além disso, a assessoria de imprensa da Secretaria dos Transportes Metropolitanos diz que os gastos não são lineares e podem se concentrar em determinados meses do ano.

Quantos aos recursos de 2010, o Metrô confirma o descompasso entre o previsto no orçamento, 4 bilhões de reais, e o gasto efetivo, 1,7 bilhão. Mas a companhia atribui a discrepância a “uma série de fatores que prejudicaram o andamento das obras”, como a demora nas desapropriações, a remoção não prevista de uma adutora no trajeto da Linha 5 – Lilás e uma denúncia de fraude na licitação da segunda fase dessa mesma linha, que atrasou em sete meses o cronograma das obras. A extensão da Linha 2 – Verde também teria sofrido atrasos em razão de entraves no licenciamento ambiental e a Linha 17 – Ouro (monotrilho) devido a uma ação movida por moradores na Vila Inah.

“Essa justificativa seria até plausível se fosse um fato extraordinário, que só tivesse ocorrido naquele ano. Mas a verdade é que o governo do estado promete mundos e fundos e nunca cumpre o cronograma das obras”, afirma Tatto. “Nos últimos quatro anos, mais de 3,6 bilhões de reais deixaram de ser investidos na expansão do metrô.”

De acordo com José Geraldo Baião, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô, os investimentos minguaram entre a década de 1980 e meados da década de 1990. “Isso ocorreu no País inteiro em razão das crises econômicas e o consequente endividamento dos estados e municípios. São Paulo só conseguiu equacionar sua dívida e se credenciar para receber empréstimos de instituições financeiras como o Banco Mundial em 2005. A partir de então, começou a ter recursos para expandir a rede”, afirma. “Os atrasos em virtude do licenciamento ambiental e das desapropriações ocorrem em qualquer obra pública, e também emperram as obras do PAC do governo federal. O importante é manter um estoque razoável de recursos disponível para tocar as obras e ter um bom planejamento de longo prazo, que leve em conta o crescimento dos municípios e a integração dos diferentes modais, como ônibus, metrô e trens de superfície. Esse é o aspecto em que os governos costumam pecar mais, porque as cidades crescem desordenadamente para as periferias, gerando novas demandas.”

É quase unanimidade entre os especialistas que o metrô paulista precisaria ter ao menos 200 quilômetros de extensão para atender satisfatoriamente os 20 milhões de habitantes da região metropolitana. Esse é o tamanho do metrô da Cidade do México, que começou a ser construído na mesma época, nos anos 1970. Mas, no atual ritmo de expansão, com média de 1,6 quilômetro por ano, o metrô da capital paulista pode demorar 80 anos para chegar a esse patamar. Com um agravante: o elevado crescimento da demanda verificado nos últimos anos.

Desde que o Bilhete Único passou a ser aceito, permitindo aos usuários de ônibus complementar o trajeto pela malha metroviária a custos reduzidos, a demanda pelo transporte sob trilhos aumentou 42%. O número de passageiros transportados diariamente passou de 2,6 milhões, no fim de 2005, para os atuais 3,7 milhões. Parte desse crescimento se deve também às integrações gratuitas com as linhas de trem de superfície da CPTM, que percorrem 20 dos 39 municípios da região. Consequência: o metrô de São Paulo é considerado o mais lotado do mundo, segundo a Community of Metros (CoMet), que congrega as 12 maiores redes metroviárias do planeta. A estrutura paulista tem 11 passageiros por metro quadrado, enquanto o recomendável para garantir o mínimo de conforto seria de apenas 6 usuários no mesmo espaço.

http://www.cartacapital.com.br/politica/em-latas-de-sardinha