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24 fevereiro 2012

Pacote de R$ 1,8 bi prevê mais 8 km de Marginal do Pinheiros na zona sul

E o transporte público mesmo?! R$ 1,8 bilhões acho que é mais do que custou toda a Linha 4 do Metrô, mas isso parece não ser mais importante do que abrir mais uma frente para a especulação imobiliária...

SÃO PAULO - A margem direita da Marginal do Pinheiros, sentido zona sul, vai ganhar 8 quilômetros de pista na região de Interlagos. O prolongamento faz parte do novo plano viário apresentado pela Prefeitura para desafogar o trânsito local. Com investimento previsto em R$ 1,8 bilhão, o projeto lista ainda outras nove intervenções em vias próximas, como as Avenidas Guarapiranga, Cachoeirinha e M’Boi Mirim, em um prazo de quatro anos.

A extensão começa na Avenida Guido Caloi, na altura da Ponte Transamérica. Para esse ponto, estão programadas três novas faixas de tráfego, além de uma ciclovia com 3 metros de largura até a Ponte Vitorino Goulart da Silva, já nas proximidades do Autódromo de Interlagos. O conjunto ainda prevê uma nova ponte sobre o rio e outra sobre um dos canais da Represa do Guarapiranga.

MATÉRIA COMPLETA:

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,pacote-de-r-18-bi-preve-mais-8-km-de-marginal-do-pinheiros-na-zona-sul,839679,0.htm

16 dezembro 2011

Com novos ramais e ligações, governo do Estado quer ''Metroanel'' até 2030

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,com-novos-ramais-e-ligacoes-governo-do-estado-quer-metroanel-ate-2030,772382,0.htm


Trecho da zona norte faria rede ficar parecida com a de Londres; até 2020, meta é passar dos atuais 70 km de trilhos para 184 km


Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo

Hoje com 62 estações, o Metrô de São Paulo quer chegar até 2020 com mais que o dobro de paradas, exatas 161. A rede, historicamente criticada por não dar conta de uma megalópole de 11 milhões de moradores, passaria então de atuais 70,6 km para 184,2 km de extensão, quase o mesmo índice de cidades como Tóquio e Cidade do México. Os novos ramais subterrâneos e os trechos de superfície que estão sendo planejados pelo governo estadual farão com que a Região Metropolitana ganhe até um "Metroanel" em 2030, ligando os ramais e criando um mapa metroferroviário muito parecido com o das grandes metrópoles mundiais.

Os projetos estão no plano estratégico de investimentos do Metrô, obtido pelo Estado, chamado pelos técnicos de "Expansão 2020". Esse estudo detalha todas as novas linhas já programadas, os ramais em estudo e a integração com outros meios de transporte. Até o fim de 2014, último ano da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), R$ 27,4 bilhões serão investidos nas Linhas 5-Lilás, 15-Branca, 17-Ouro, 4-Amarela e 18-Bronze. Além delas, o governo estadual já enviou para a Assembleia Legislativa o detalhamento para a construção de duas novas linhas, a 20-Rosa (que vai ligar a Lapa, na zona oeste, ao bairro de Moema, na zona sul) e a chamada 19-Celeste (que ultrapassará os limites entre municípios e ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul, a Guarulhos).

Para além desse período, o Metrô já conta com estudos preliminares para a construção de diversos novos ramais e trechos, como a Linha 23-Preta, que pretende ligar o Pari, no centro, a São Miguel Paulista, na zona leste, e a Linha 21-Roxa, da Vila Prudente, na zona leste, a Cachoeirinha, na zona norte. Se todos os planos saírem do papel, São Paulo passaria a ter 76 pontos de conexão para os passageiros, contra apenas dez atuais. Há também planos para a criação da Linha 16, chamada de Arco Norte, que ajudaria a criar um ramal circular para ligar boa parte da rede metroferroviária.

"Seria uma espécie de Circle Line (linha circular), como a que existe em Londres, fazendo um círculo e unindo todas as outras linhas", diz o arquiteto e urbanista Alberto Epifani, gerente de Planejamento e Integração de Transportes Metropolitanos do Metrô. "A ideia é que a rede abarque realmente a Região Metropolitana. Pelos nossos estudos atuais, esses seriam os melhores investimentos a serem feitos no metrô."

Prioridades. De acordo com Epifani, os projetos até 2015 estão garantidos do jeito que estão detalhados no estudo "Expansão 2020". Para os outras linhas, novas projeções de demanda serão feitas no ano que vem, o que pode alterar detalhes e prioridades. "Não vai mudar muito o que está sendo planejado até 2020 e 2030, o que vai mudar é aumentar a prioridade de uma linha ou outra", explica. "Ainda vamos aferir as nossas pesquisas de origem e destino para saber a necessidade dos usuários. Se muda a economia, pode cair o custo de deslocamento, o que muda também a nossa projeção. Mas a intenção, o ideal para a Região Metropolitana, seria isso que está no estudo da expansão."

O Metrô também aponta em seu plano de investimentos os novos prazos de entrega dos trechos que estão atualmente em construção - isso se nenhuma ação judicial ou acidente atrasar o cronograma. Em 2013, o governo estadual espera entregar a Linha 5-Lilás até a Estação Adolfo Pinheiro e a expansão da Linha 2-Verde (conhecida como Linha 15-Branca) da Vila Prudente até a Estação Oratório.

Para 2014, essa mesma Linha 15-Branca chegará até São Mateus e o monotrilho da Linha 17-Ouro vai ligar o Morumbi a Congonhas. Já para 2015, a Linha Lilás será estendida até a Chácara Klabin e a Linha 18-Bronze vai levar da Estação Tamanduateí até o Paço Municipal de São Bernardo do Campo. "A não ser que aconteça algo fora do nosso planejamento, esses ramais estão garantidos", diz Epifani.

A gestão Alckmin também quer encaminhar o início da construção da Linha 6-Laranja, que vai da Estação São Joaquim, já existente na Linha 1-Azul, a uma futura estação em Brasilândia, na zona norte. No estudo do Metrô, já há a intenção de ampliá-la até a Rodovia dos Bandeirantes e à Cidade Líder, na zona leste.



Comentário [muito pertinente, por sinal] da notícia encontrada em um BLOG:

http://desfazendonos.wordpress.com/2011/09/16/metroanel/

Metrô do Rio quer operar nova linha em SP

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,metro-do-rio-quer-operar-nova-linha-em-sp,788252,0.htm

PPP faria a Linha 20-Rosa (Lapa-Moema) sair antes do previsto, com obras em 2014

Bruno Ribeiro - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - A Invepar, empresa que controla as duas linhas de metrô do Rio, procurou o governo do Estado para propor uma Parceria Público-Privada (PPP) para a construção da futura Linha 20-Rosa, que vai da Lapa, na zona oeste, a Moema, na zona sul, passando pela região da Avenida Brigadeiro Faria Lima. Com isso, a linha, estimada para receber 600 mil passageiros por dia, poderá sair antes do tempo previsto e deve ter as obras iniciadas em 2014.

A Invepar é formada por fundos de pensão (de funcionários do Banco do Brasil, da Petrobrás e outros) e pela construtora OAS. Ela enviou uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) à Secretaria de Transportes Metropolitanos na semana passada. O documento está sendo avaliado pela Secretaria de Estado da Gestão Pública.

O MIP, entretanto, não é uma garantia de que a Linha 20-Rosa terá sotaque carioca. Segundo a regra das PPPs do Estado, o Metrô terá de informar o mercado sobre a proposta, por meio de um edital que deve ser publicado na semana que vem, e esperar por propostas de outros grupos.

O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, avalia que o processo de análise das propostas - tanto da Invepar quanto de eventuais outros interessados - só deve estar concluído em março de 2013. Depois, o vencedor terá de obter as licenças ambientais e fazer, com o Estado, as desapropriações necessárias para a construção da futura linha.

A Invepar diz pouco sobre seus interesses na linha. Em nota, o gerente de Comunicação da empresa, Gabriel Nogueira, diz apenas que "a Invepar acredita que o transporte metroferroviário é essencial para o crescimento ordenado das grandes cidades e o desenvolvimento do Brasil".

10 dezembro 2011

SP desengaveta projeto de trem expresso para o ABC


São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem em Santo André um pacote de R$ 6,3 bilhões em obras para a região do ABC. A principal delas será um projeto que ele próprio havia lançado em seu outro mandato no Palácio dos Bandeirantes, em fevereiro de 2006: o Expresso ABC, uma ligação rápida sobre trilhos entre a Estação da Luz e Mauá (que na ocasião foi chamada de Expresso Sudeste).

O Expresso ABC vai correr paralelo à Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). No entanto, ele terá aproximadamente 25 quilômetros de extensão, enquanto o ramal existente tem 35 km. A vantagem é que o novo ramal terá apenas seis estações (a atual tem 14). Os trens vão parar apenas nas Estações Luz, Brás, Tamanduateí, São Caetano, Santo André e Mauá.

"Nós constatamos que entre 75% e 80% dos usuários estão concentrados em seis pontos da linha da CPTM. Então vale a pena criarmos uma linha expressa até Mauá", disse o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. O governo estadual calcula que as viagens entre Mauá e Luz na futura linha sejam feitas em 25 minutos - 11 a menos que na Linha 10-Turquesa. O novo ramal vai contar com dez trens e haverá ligação nas estações para que os usuários possam optar por qual ramal seguir.

A obra está estimada em R$ 1,2 bilhão e o modelo escolhido foi o de uma Parceria Público-Privada (PPP) - que foi pré-aprovada na semana passada. A previsão é de que a nova linha fique pronta em 2014, principalmente porque não há necessidade de desapropriação e obras mais complexas, como túneis ou viadutos. O possível "gargalo" será a negociação para se obter a concessão de uma área que pertence à União. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

26 novembro 2011

Obras do trem regional São Paulo-Jundiai devem ser iniciadas em 2013


O trem expresso que ligará São Paulo a Jundiaí deve fazer a viagem em 25 minutos com tarifa "competitiva" com o transporte de ônibus ou carro.

As estimativas são do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que oficializou anteontem o Expresso Jundiaí, o primeiro dos chamados trens regionais que o tucano quer transformar em uma das marcas da gestão.

Outras linhas em estudo ligarão a capital a Santos, Sorocaba, Campinas e São José dos Campos --essas duas dependem de a União viabilizar ou não o trem-bala Rio-Campinas.

O Expresso Jundiaí fará um trajeto de 45 km, a partir da estação Água Branca (zona oeste), da CPTM.

Com menos paradas, será mais rápido que a ligação ferroviária atual (a linha 7-rubi), também da CPTM, que tem 17 estações entre a Luz e Jundiaí.

O traçado, o número de estações e as cidades por onde passará ainda dependem do projeto funcional, que deverá estar concluído em setembro.

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress

Isso vai permitir, diz o governador, que a licitação seja aberta em novembro. As obras devem começar, no entanto, apenas no final de 2013, em razão dos estudos ambientais.

Em uma previsão "prudente", Alckmin estima que a linha opere a partir de 2015.

O custo do projeto, estimado em R$ 2 bilhões, também só será definido com a conclusão do projeto funcional.

Parte virá de uma PPP (parceria público-privada), mesma estratégia adotada em projetos como Expresso ABC.

Nenhum dos trens regionais ficará pronto antes de 2015 --o primeiro será o de Jundiaí. O segundo deverá ser o de Sorocaba, e o terceiro, o de Santos. Os três juntos deverão custar R$ 13 bilhões.

23 novembro 2011

Após polêmica em Higienópolis, obras da linha Laranja devem começar no segundo semestre de 2012


Trilhos vão ligar estação São Joaquim, da linha 1-Azul, à futura estação Brasilândia


Atenção "gente diferenciada", ano que vem o metrô vai passar pela Angélica!
Gabriel Mestieri, do R7

Com as obras previstas para começarem no segundo semestre de 2012, a linha 6-Laranja do Metrô deverá ligar a já existente estação São Joaquim, da linha 1-Azul, à futura estação Brasilândia, na zona norte da capital paulista.

De acordo com o Metrô, a linha será construída por meio de uma parceria público-privada e tem os custos estimados em R$ 10,1 bilhões. A expectativa inicial de demanda para a linha 6 é de 640 mil passageiros por dia. Quinze estações devem compor o trecho Brasilândia – São Joaquim, que terá 13,5 km de extensão. O governo do Estado ainda não divulga oficialmente, mas há previsões de que a linha terá estações próximas à praça 14 Bis, no bairro do Bixiga, à PUC (Pontifícia Universidade Católica), em Perdizes, e ao Sesc Pompeia.


Entre as estações Perdizes e Bixiga, o projeto de uma estação em Higienópolis gerou polêmica em maio deste ano. Inicialmente, o Metrô afirmou que havia a proposta de a estação ser construída na avenida Angélica, o que gerou protesto de moradores do local, que alegam não ser necessária uma nova estação na área já que existem outras próximas (Santa Cecília e Marechal Deodoro, da linha 3-Vermelha).

A questão se tornou um embate entre os moradores do local e trabalhadores e defensores da nova estação, que acusavam os primeiros de serem contra por temerem uma “popularização do bairro”. Posteriormente, o Metrô afirmou que, “por motivos técnicos”, a nova estação deve ficar mais próxima ao estádio do Pacaembu, mas até o momento não há uma definição exata de sua localização.

Há ainda estudos preliminares para que a linha seja estendida até o Jardim Anália Franco e a Cidade Líder, na zona leste, e à rodovia dos Bandeirantes, na zona norte.

Linha Branca

Outra linha cujo projeto ainda está em fase preliminar, a 15-Branca prevê a ligação entre a Vila Prudente (linha 2-Verde) à rodovia Presidente Dutra, próximo à cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo.

A linha deve ter 13,5 km de extensão divididos em 13 estações, fazendo integração com a linha 3-Vermelha na estação Penha e com a linha 12-Safira, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na futura estação Tiquatira.

A demanda prevista para a linha em 2020 é de cerca de 1,7 milhão de passageiros por dia Os investimentos necessários são estimados em R$ 7,8 bilhões. As obras devem começar em 2013.

Já a linha 18-Bronze deverá ligar o ABC à capital paulista por meio de monotrilho. Os estudos ainda estão em fase preliminar, mas preveem que os moradores de Santo André, São Bernardo e São Caetano tenham acesso ao sistema metro-ferroviário paulistano pela estação Tamanduateí (linha 2-Verde do Metrô e linha 10-Turquesa da CPTM).

A linha deve ter 18 estações num percurso de 20 km, com demanda prevista para 2020 de 375 mil usuários por dia e investimento estimado em R$ 4,1 bilhões.


Metrô de São Paulo tem poucas conexões entre linhas, diz estudo


Análise comparou transporte paulista com o de cidades como Londres e Paris

João Varella, do R7


Um estudo feito pelo arquiteto e especialista em transporte de alta capacidade Marcos Kiyoto constatou que o atual desenho do transporte sobre trilhos (metrô e trem) de São Paulo não privilegia as conexões. A pesquisa foi apresentada, no início de março, durante evento realizado pela Rede Nossa São Paulo (movimento não governamental de políticas públicas).

Na análise, o arquiteto comparou o atual sistema de trilhos de São Paulo com os existentes em Londres (Inglaterra), Paris (França) e Cidade do México (México). Kiyoto constatou que a rede de São Paulo é a que possuo o pior número de conexões por linha.

Atualmente, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos) juntos têm 16 conexões para 12 linhas, o que dá uma média de 1,3 conexão por linha. No estudo, as conexões das estações Ana Rosa e Paraíso - onde as linhas 1-Azul e 2-Verde se cruzam - foram contabilizadas como uma só, já que ambas fazem a mesma ligação. Já na capital inglesa, a média é de 3,4 conexões por linha; em Paris, de 3,2; e na Cidade do México, de 2,1.

No estudo, o arquiteto informa que é considerado péssimo quando o sistema de transporte sobre trilhos tem uma relação conexão/linha abaixo de um. O nível do transporte é médio quando a relação fica entre um e dois, e adequado quando fica acima de dois.

Kiyoto explica que Londres e Paris são tidas como exemplos de cidades que possuem bons metrôs. Cidade do México é tradicionalmente usada em comparações com São Paulo por causa das características socioeconômicas similares entre as duas cidades, além do fato de ambas terem iniciado a construção da rede metroviária na mesma época.

Superlotação

Para Marcos Kiyoto, a consequência direta do baixo índice de conexão nas linhas do Metrô e CPTM é a superlotação. Segundo ele, o governo leva em conta - como fator para minimizar o número de passageiros nos vagões - apenas velocidade e intervalo dos trens, mas a capilaridade da rede também é uma característica importante.

– Um exemplo claro disso é a linha Vermelha. É uma boa linha, mas, como há poucas opções para o deslocamento leste-oeste, ela fica cheia.

O arquiteto Fábio Pontes concorda com Kiyoto, e ressalta que mais conexões significam "mais opções para o usuário".


Mesmo que o atual plano de desenvolvimento da rede do Metrô seja cumprido pelo governo, ao final do trabalho, a "capilaridade" do sistema ainda continuaria sendo avaliada como média: seria de 1,6 conexão por linha.


Embora concorde com a análise de Kiyoto, Moreno Zaidan Garcia, arquiteto e urbanista do escritório 23sul, diz acreditar que o mais importante para o transporte é ter uma "quilometragem mínima".

– Mesmo tendo um desenho bom, a gente precisa de uma quantidade mínima de Metrô porque sem essa extensão total você não consegue fazer muitas conexões.

Garcia conta que "o ideal" hoje para São Paulo seria ter cerca de 200 km de trilhos de Metrô e, daqui a 20 anos, construir mais 80 km.

Outras comparações

O arquiteto Fábio Pontes também fez comparações do sistema sobre trilhos de São Paulo com o existente em outros lugares do mundo. Ele fez a relação entre a quilometragem da rede com o total de passageiros e chegou aos seguintes números:

CidadeExtensão do metrô (em km)Habitantes / km de Metrô
São Paulo

69

315

Hong Kong

174

41

Londres

408

19

Nova York

368

52

Paris

214

55


Outro lado

A reportagem do R7 entrou em contato várias vezes com a assessoria do Metrô, mas a empresa informou que não iria se manifestar sobre o assunto. Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que as "obras que estavam em andamento na gestão passada continuam sendo executadas".

"As demais linhas da expansão dos transportes metropolitanos, como a linha 6 - Laranja (Brasilândia - São Joaquim), o monotrilho Linha 17 - Ouro (Jabaquara - Congonhas - Paraisópolis) e a Linha 15 - Branca (Vila Prudente - Tiquatira) também estão nos planos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos", diz o texto.

Ritmo de crescimento do Metrô dobra, mas não soluciona problema do transporte em SP


Expansão ocorreu nos últimos cinco anos em relação à média histórica de aumento

Gabriel Mestieri, do R7

monotrilho vila prudente
Obras do monotrilho que, segundo promessa do governo de SP, ligará estação Vila Prudente a São Mateus



O ritmo de expansão do Metrô de São Paulo cresceu 50% nos últimos cinco anos em relação à média histórica. O aumento ocorreu após o índice diminuir década a década desde a inauguração do primeiro trecho da companhia, em 1974. Ainda assim, o crescimento que o transporte sobre trilhos vem registrando desde 2007 está longe de garantir uma malha compatível com o tamanho e a população da cidade de São Paulo, dizem especialistas ouvidos pelo R7.

Entre a inauguração do metrô, em 1974, e 1984, 24,7 km de linhas passaram a operar, uma média de construção de 2,47 km por ano. Na década seguinte, entretanto, o ritmo diminuiu: foram 18,7 km de novas linhas entre 1984 e 1994, média de 1,87 km por ano. Apesar de a demanda por transporte aumentar e o trânsito na cidade se tornar cada vez mais caótico, o ritmo de ampliação da malha seguiu em queda entre 1994 e 2004. Foram apenas 1,42 km de metrô por ano no período.


Na média histórica, foi construído 1,88 km de metrô por ano, de 1974 a 2006. Nos últimos cinco anos, essa média aumentou para 2,82 km por ano (crescimento no ritmo de expansão de 50%) com a inauguração da linha 4-Amarela, e de novas estações na linha 2-Verde.

Promessas

Em setembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que, até o final do seu governo (2014), terá entregue 30 km de novas linhas de metrô e deixará outros 95 km em construção, incluindo monotrilho (um trem mais estreito que roda por cima da terra em vias elevadas). O diretor-presidente do Metrô, Sergio Avelleda, diz que a companhia receberá investimentos de R$ 30 bilhões nos próximos quatro anos.

Entre as principais promessas do Metrô para os próximos anos estão o prolongamento da linha 2-Verde, entre a Vila Prudente e o Hospital Cidade Tiradentes, por meio de monotrilho; a inauguração de novas estações da linha 4-Amarela e sua expansão até a Vila Sônia; a inauguração de 11 novas estações da linha 5-Lilás, entre Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin; e a criação da linha 17-Ouro, ligando Jabaquara ao estádio do Morumbi, também por meio de monotrilho.


Se concluídas no prazo, essas obras devem deixar São Paulo com uma malha metroviária 54,3 km maior até 2016. Isso representaria um aumento anual cinco vezes maior que o da média histórica até 2006 e três vezes maior que o verificado nos últimos cinco anos.

Crescimento insuficiente

Entretanto, de acordo com especialistas ouvidos pelo R7, mesmo esse ritmo inédito de expansão, caso se concretize, não vai proporcionar a São Paulo, em curto ou médio prazo, uma malha de metrô adequada. Além disso, dizem eles, esse crescimento até 2016 tem que ser relativizado por se basear, sobretudo, em linhas de monotrilho, que têm capacidade de transporte menor do que o metrô.

Para o consultor de engenharia de tráfego Horácio Figueira, mestre em engenharia de transportes pela USP (Universidade de São Paulo), é uma ilusão achar que o metrô pode resolver o problema do trânsito na capital paulista.

- A conclusão é cruel. É caro, é demorado, não dá para esperar ficar pronto para essa encarnação. Talvez daqui a cem anos vamos ter um transporte de trilhos adequado, mas aí talvez a gente nem vá mais precisar de nada disso. Não podemos nem devemos nos iludir que Metrô e CPTM vão resolver o problema de mobilidade.

Doutor em engenharia de transportes também pela USP, Cláudio Barbieri da Cunha reforça a afirmação feita por Figueira de que o ritmo de expansão atual não é suficiente. Ele diz ainda que não dá para colocar o monotrilho ao lado de metrô quando se fala na expansão da rede.

- Quando a gente fala em monotrilho, a gente está falando de sistema de transporte ferroviário, mas não é exatamente um metrô. Investimento é menor, capacidade é menor, complexidade é menor. Tem regiões que a demanda é tão alta que isso nem vai dar conta.


Em 11 anos, governo de SP faz sete planos de Metrô, mas só constrói "uma linha e meia"


A matéria é antiga, mas tem dados interessantes.

Entre 1999 e 2010, foram inauguradas apenas a linha Lilás e parte da linha Amarela


Em 11 anos, o governo de São Paulo planejou quase cinco vezes mais do que construiu trilhos de metrô. De 1999 até o final de 2010, ao menos sete grandes planos de expansão do transporte público foram elaborados e, na maioria dos casos, divulgados pelo Estado com alarde. Cada um desses projetos trazia alterações no traçado das linhas do plano anunciado anteriormente. Nesse tempo todo, porém, apenas a linha 5-Lilás (em 2002) e parte da linha 4-Amarela (em março de 2010) foram inauguradas pelo Metrô de São Paulo.

O primeiro grande planejamento visando o transporte sobre trilhos foi publicado em 1999 com o nome de Pitu (Plano Integrado de Transportes Urbanos) 2020. Ele foi a base de três planos do Metrô: Rede Densa, que concentrava um número maior de linhas cortando o centro da cidade; Rede Aberta, em que mais trilhos cortavam as periferias da capital paulista; e uma espécie de meio termo entre esses dois projetos. Seguindo projeções estatísticas, os técnicos do governo concluíram que o Rede Aberta seria o plano que melhor atenderias às necessidades da população, apesar de ser o mais caro. Em dezembro de 2010, o R7noticiou que, para cumprir o Rede Aberta até 2020, o governo teria que aumentar em 11 vezes seu ritmo de construção.

Em 2006, foi a vez do Pitu 2025, que apesar de ter sido apresentado como uma revisão do Pitu 2020, diminuiu as metas da extensão total do Metrô e passou a considerar com base o planejamento do Rede Densa (com mais trilhos concentrados na região central da cidade de São Paulo). Para o arquiteto Fábio Pontes, o Pitu 2025 foi "completamente diferente do Pitu 2020".

Ao mesmo tempo em que o Pitu 2025 era elaborado pela STM (Secretaria de Transportes Metropolitanos), o Metrô planejava, à parte, sua Rede Essencial. Na época, houve disputa entre os técnicos dos dois órgãos, de acordo com apuração do R7. A Rede Essencial se baseava em outros planos prévios: o Pitu 2020, a Rede Azul e a Rede Distributiva - esses dois últimos nunca chegaram a ser publicados. A principal característica da Rede Essencial era o enfoque às estações em pontos de congestionamento e a integração do Metrô com as linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Pouco tempo depois, foi a vez do Plano de Expansão, que engavetou todos os projetores anteriores. A principal característica desse plano foi a elaboração do atual trajeto de ampliação da linha 2-Verde. Ele foi seguido pelo Expansão SP, que passou a considerar monotrilhos e deu ênfase à linha 6-Laranja, a chamada "linha universitária".

"Uma linha e meia"

Nesse meio tempo, apenas uma linha nova foi inaugurada, a 5-Lilás, com apenas uma conexão com as outras linhas do sistema do Metrô; e parte da linha 4-Amarela, com apenas duas estações em funcionamento (Paulista e Faria Lima) e em fase de testes. Fora isso, a linha 2-Verde foi expandida até a Vila Prudente, mas também está em fase de testes, com horário reduzido em relação ao resto do sistema.

Para Pontes, o problema do não cumprimento e reformulação sucessiva dos planos é que eles são "para inglês ver". O especialista diz acreditar que as metas do Expansão SP também não serão alcançadas.

– Eles [os planos] simplesmente são prometidos, mas não são cumpridos.

Levantamento feito pelo arquiteto e urbanista do escritório 23sul Moreno Zaidan Garcia mostra que o Metrô inaugurou, em média, 2,6 km de obras entre os anos de 2002 e 2011. Nível bem abaixo daquele verificado em cidades como Seul, Nova Delhi e Madri, cujas médias em período similar ficaram entre 16,7 km e 31,5 km.

Para o arquiteto e consultor na área de transportes de alta capacidade Marcos Kyioto, a sobreposição de planos é um demonstrativo da descontinuidade das políticas públicas e da falta de prioridade dada ao Metrô.

– Os planos estão mudando mais rápido do que as linhas estão sendo construídas.

Mercado imobiliário

Os especialistas são unânimes em dizer que a ampliação da malha do Metrô atual é importante não só para a melhoria dos transportes em São Paulo, mas até para a da moradia. Garcia afirma que se as estações de Metrô fossem mais comuns, a especulação imobiliária seria menor, e um terreno próximo a uma estação não seria tão valorizado como é hoje.

Ainda de acordo com Garcia, outro benefício seria a distribuição do trabalho em mais polos.

– Dificilmente o centro de São Paulo vai deixar de ser o maior polo de atração de pessoas. Não creio que um dia chegaremos a um empate em 50% de gente indo e 50% de gente vindo do centro. Mas essa distribuição poderia ser de 40%-60%, por exemplo, em vez dos 90%-10% atuais.

Outro lado

A reportagem do R7 entrou em contato diversas vezes com o Metrô de São Paulo, mas a assessoria da instituição não quis se manifestar sobre o assunto.

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que as "obras que estavam em andamento na gestão passada continuam sendo executadas" [...] As demais linhas da expansão dos transportes metropolitanos, como a linha 6-Laranja (Brasilândia - São Joaquim), o monotrilho linha 17-Ouro (Jabaquara - Congonhas - Paraisópolis) e a linha 15-Branca (Vila Prudente - Tiquatira) também estão nos planos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos".