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17 fevereiro 2012

Para 'Economist', Dilma aos poucos toma caminho próprio e deixa marca

A presidente Dilma Rousseff se distancia de seu antecessor, imprime estilo próprio ao governo e pode estar preparando uma agenda ambiciosa, afirma a tradicional revista "The Economist", em edição que chegou às bancas na noite de quinta-feira (16).

Sob o título "Sendo ela mesma", o texto destaca que, sem gestos bruscos, a presidente vem emergindo da sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "predecessor e patrono", "para remodelar o estado brasileiro a seu próprio jeito".

Com uma ilustração que mostra a presidente Dilma Rousseff dirigindo um ônibus que entra em uma rua chamada Dilma’s Way (Caminho de Dilma), com membros de seu gabinete sendo arremessados para fora do veículo e o ex-presidente observando um Lula um tanto intrigado, a "The Economist" destaca os princípios firmes, o perfil mais técnico, a lealdade a aliados e o toque feminino como traços principais do atual governo brasileiro.

MATÉRIA COMPLETA:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2012/02/17/para-economist-dilma-aos-poucos-toma-caminho-proprio-e-deixa-marca.jhtm

28 outubro 2011

BC pode ter trocado meta de inflação por crescimento, diz 'Economist'

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,bc-pode-ter-trocado-meta-de-inflacao-por-crescimento-diz-economist,90113,0.htm

Segundo revista, cortes sucessivos em taxas de juros podem estar sinalizando mudança de prioridade no mandato de órgão.

Os recentes e seguidos cortes na taxa de juros no Brasil podem estar sinalizando uma mudança nas prioridades do governo e a perda de independência do Banco Central, segundo a revista britânica The Economist.



Na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira, a revista ressalta o papel que o Banco Central vinha tendo no combate à inflação no país, que "em boa parte do século passado era tão importante na vida dos brasileiros como o futebol".


A revista conta que o país conseguiu controlar a inflação a partir do Plano Real em 1994 e quando, em 1999, o Banco Central "ganhou independência operacional para fixar taxas de juros de acordo com a meta da inflação".


Mas os recentes cortes na taxa Selic (agora em 12%), que contrariam o curso normalmente adotado pelo banco, de manter as taxas altas para conter a inflação, causaram surpresa e lavaram a revista a questionar se o banco teria perdido sua independência e mudado de meta, trocando o combate à inflação pelo estímulo ao crescimento.


"Estaria o governo da presidente Dilma Rousseff, no poder desde janeiro, dando prioridade a outras metas, como sustentar o crescimento e prevenir a sobrevalorização da moeda, em vez de manter a inflação baixa?", diz a revista.


A Economist cita os argumentos do banco justificando o último corte nos juros, de que o salto da inflação é resultado do crescimento acelerado do último ano e da alta das tarifas de ônibus e do etanol.


Menciona também a versão do governo de que a desaceleração da economia mundial e a provável queda no preço das commodities deverá puxar a inflação para baixo, abrindo espaço para a queda nos juros.


"Os críticos do governo, porém, argumentam que ao começar a cortar (os juros) tão cedo e de forma tão agressiva, enquanto a inflação ainda está três pontos acima da meta, o banco mina sua credibilidade duramente conquistada. Como resultado, as expectativas de inflação para os anos seguintes têm aumentado".


A revista lembra que outros bancos centrais, como o Fed americano, têm mandato com o objetivo duplo de combater a inflação e também promover o crescimento.


"Mas quando o assunto é inflação, o Brasil ainda é como um 'alcoólatra em recuperação', que depende da ajuda do Banco Central para se manter na linha".

14 outubro 2011

Para 'Economist', USP é exemplo único na América Latina


Texto:

selo

Em tempos de rápida expansão econômica e alta demanda por profissionais, as universidades da América Latina ainda usam técnicas de ensino inadequadas, são mal geridas e com baixa produção científica, segundo artigo desta semana da revista britânica The Economist.

Foto: Marcos Santos/USPAmpliar

Universidade de São Paulo (USP) lidera ranking que utiliza critérios regionais de avaliação

A grande exceção, de acordo com a revista britânica, é a Universidade de São Paulo (USP), que se destaca em determinados campos de pesquisa e consegue atrair financiamento privado.

A Economist cita a divulgação, nesta semana, do primeiro ranking de universidades latino-americanas da consultoria Quacquarelli Symonds, no qual a USP aparece em primeiro lugar.

Menciona, ainda, o reconhecido ranking global Times Higher Education, no qual a USP, em 178º lugar, é a única latino-americana entre as 200 primeiras.

Para a revista, a ascenção da USP em tais listas é consequência do crescente financiamento privado, da colaboração com outras instituições internacionais e o reconhecimento de qualidade.

A Economist lembra que USP está se tornando referência mundial em medicina tropical, parasitologia e biocombustíveis.

Ouvido pela revista, o especialista em educação do Banco Mundial, Jamil Salmi, diz que tais rankings ajudam a quebrar o tradicional isolamento da academia latino-americana.

Ele cita ainda que o isolamento atinge os alunos, já que "os bons estudantes são recrutados para ensinar

Universidade consegue atrair financiamento privado e colabora com outras instituições internacionais, aponta revista britânica


Em suas próprias universidades, ao invés de serem encorajados a sair e expandir seus horizontes", diz.

O artigo levanta a questão do financiamento exclusivamente estatal das universidades públicas, onde "os estudantes não pagam nada, os funcionários não podem ser demitidos e o currículo é antiquado e politizado".

Para a Economist, nenhum país da região encontrou qualquer fórmula satisfatória para financiar suas universidades públicas, citando os atuais protestos enfrentados pelo governo do Chile, onde tais instituições são pagas.

A expansão indiscriminada de vagas na Venezuela, com "instituições despreparadas", onde "300 alunos (estudam) em salas que deveriam ser para 15", é criticada pela revista.

O semanário diz também que a demanda por cursos universitários fez explodir o número de instituições privadas de baixa qualidade.

Citado pela revista, o consultor mexicano Francisco Marmolejo diz que isso acaba criando um sistema "onde centenas de milhares de estudantes conseguem um diploma totalmente inútil".

17 setembro 2011

Modelo lulista de crescimento pode estar chegando ao limite, diz 'FT'


O modelo de crescimento econômico brasileiro estabelecido no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) pode estar chegando ao seu limite, segundo adverte reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

"Mesmo com o Lulismo sendo enaltecido pela América Latina como uma possível solução para os problemas centenários de desigualdade e crescimento atrofiado no continente, há temores de que ele está chegando ao seu limite no Brasil", afirma o jornal.

O 'lulismo' é definido pela reportagem como o modelo que combinou a concessão de benefícios sociais, aumentos salariais generosos, fácil acesso ao crédito e a manutenção de uma economia estável. "É um modelo ao qual se atribui a retirada de 33 milhões da pobreza durante seus oito anos de governo", diz a reportagem.

O jornal observa que, assim como a China e a Índia, o Brasil cresceu na última década para se tornar uma importante força global, mas assim como os dois países asiáticos, "também mostra sinais de superaquecimento".

A reportagem lista sinais de alerta levantados por analistas, como o risco de uma bolha de crédito, a baixa taxa de investimentos, o fortalecimento do real ou a forte dependência da exportação de commodities a cotações elevadas, mas comenta que há também "vozes mais otimistas que rejeitam tais previsões".

Sucesso inquestionável

Para o jornal, "ninguém questiona o sucesso de Lula", que também contou com a sorte durante seu governo para entregar o país crescendo a 7,5% à sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.

A reportagem comenta, porém, que "Lula também entregou a Dilma uma economia fragilizada por desequilíbrios", como o crescimento acelerado das importações, financiadas pelo fluxo de divisas gerado pela venda de commodities ao exterior a preços inflados.

Outro problema apontado é o risco de inflação, controlado por meio do aumento das taxas de juros, que por sua vez ajudam a pressionar pela valorização da moeda brasileira, reduzindo a competitividade da indústria nacional.

O jornal observa que "parte da inflação vem do crescimento rápido do crédito, particularmente empréstimos ao consumidor" e comenta que há análises divergentes sobre o risco do estouro de uma bolha de crédito no Brasil.

Segundo a reportagem, economistas sugerem que para compensar a perda de ímpeto do crescimento do crédito ao consumidor, o Brasil "deve aumentar os investimentos em infraestrutura e em educação para aliviar os gargalos em logística e aumentar a produtividade".

Apesar da previsão de investimentos da ordem de bilhões de dólares em infraestrutura por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o jornal diz que "os progressos até agora têm sido lentos".

A reportagem comenta ainda que a melhor maneira de financiar os investimentos é aumentando a eficiência do setor público, que se expandiu durante os dois governos Lula para chegar a um tamanho equivalente ao verificado nas economias avançadas, mas sem o mesmo nível de produtividade.

A necessidade de reformas no sistema de previdência e nas leis trabalhistas, porém, parecem pouco prováveis, segundo o jornal, por causa das dificuldades políticas em controlar uma coalizão governista com dez partidos.

'Milagre intacto'

Apesar de todos os sinais de alerta, o jornal observa que "o milagre econômico brasileiro parece intacto por ora".

"Espera-se um crescimento a respeitáveis 4% neste ano, igualando a média durante os governos de Lula", comenta o jornal.

Para a reportagem, com a perspectiva de receber a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil "raramente teve uma chance melhor de se livrar do clichê de ser 'o país do futuro que será sempre o país do futuro'".

"Mas o governo de Dilma terá antes que mostrar como planeja aumentar o investimento e ao mesmo tempo reduzir a dependência da economia dos preços voláteis das commodities e de consumidores sobrecarregados", diz.

'Economist' vê envolvimento 'nebuloso' de governo em fusões no Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110707_economist_fusao_cade_pai.shtml

As negociações da tentativa de fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour expõem a fragilidade da políticas antitruste no Brasil e o envolvimento "nebuloso" do Estado no processo de aquisições no país, diz e revista britânica The Economist na sua edição desta semana.

A publicação ressalta que, se o negócio for concretizado, a nova varejista teria 27% do mercado nacional em seu segmento.

"Dado o risco de tamanha concentração, não surpreende que o resultado do negócio dependa do governo. Mas o veredicto da fusão virá do BNDES (que inicialmente prometeu aportar R$ 3,9 bilhões ao negócio) – cujo presidente, Luciano Coutinho, agora diz que só apoiará o negócio se o Casino (que se opõe à fusão) se reconciliar -, em vez de vir do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica", diz a reportagem.

Para a Economist, o Cade tem seu poder limitado por "regras que o impedem de agir até que o negócio seja finalizado. Só aí (o órgão) pode impor condições ou mesmo ordenar que fusões sejam desmembradas se considerá-las anticompetitivas. Mas aí já é tarde demais".

A reportagem cita outros desafios do Cade, como as negociações envolvendo Nestlé e Garoto e Sadia e Perdigão – casos que até hoje se desenrolam na Justiça. E diz também que muitas fusões realizadas no Brasil resultam em um "nebuloso" envolvimento do Estado, que muitas vezes aporta capital às negociações.

"Uma lei que exigiria a aprovação prévia do Cade para negócios que pudessem lesar os consumidores foi apresentada no Congresso em 2005, mas não progrediu", prossegue o texto.

A conclusão da Economist é que o PT, como partido governista, estaria mais interessado em "criar campeões nacionais do que em fomentar a competição" empresarial.

"O desfecho da batalha (que envolve Pão de Açúcar, o Carrefour e o grupo rival francês Casino) pode depender de diversos fatores estratégicos, legais ou políticos. O bem-estar dos consumidores, porém, não está entre esses (fatores)", opina a revista.

A reportagem desta quinta-feira tem um tom distinto do defendido na edição da semana passada, quando a Economist apontou que a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil, se concretizada, teria a vantagem de trazer novas "habilidades" ao país e "talvez ajudasse o novo empreendimento a entrar em outros mercados".

16 abril 2011

Tucanos precisam de mudança de geração e discurso para sobreviver, diz 'Economist'

José Serra

Derrota de Serra em eleição presidencial foi a terceira seguida do PSDB

O PSDB precisa resolver suas disputas internas e descobrir um novo discurso que o diferencie mais do PT se quiser se manter como a principal força de oposição e reconquistar um dia a Presidência do Brasil, afirma artigo publicado na edição desta semana da revista britânica The Economist.

“(O PSDB) ainda é o maior partido de oposição do Brasil, mas nas últimas três eleições perdeu assentos de maneira constante em ambas as casas do Congresso”, comenta o artigo.

A revista observa que a próxima eleição presidencial ocorre apenas em 2014, mas que “já há três grandes bicos brigando sobre quem deveria ser o candidato”.

“Muitos acreditam que o partido se dividirá ao menos se conseguir se unir suavemente atrás de um deles”, afirma a revista, citando o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo José Serra, o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves.

A revista comenta que simpatizantes de Serra, candidato presidencial derrotado em 2002 e 2010, e de Alckmin, derrotado em 2006, observam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) só foi eleito em sua quarta tentativa. A publicação afirma que o PT “construiu uma organização poderosa enquanto estava na oposição, mas o PSDB, em contraste, está se enfraquecendo”.

O artigo comenta que o PSDB sempre foi visto como um partido de tecnocratas brilhantes, que construíram sua carreira na oposição a ditadura militar entre 1964 e 1985, mas que não vem conseguindo apresentar rostos novos.

A revista afirma ainda que nas últimas eleições jovens brasileiros votaram em peso na ex-ministra de Lula Marina Silva, do PV, e que o PSDB está sob ameaça também de perder o apoio dos eleitores da classe média, entre os quais a popularidade da presidente Dilma Rousseff parece ser ainda maior do que a de Lula.

Programa

Para a revista, além da falta de uma liderança clara, os tucanos vêm sofrendo com uma falta de um programa diferenciado.

“Quando Lula tomou posse, adotou as políticas econômicas tucanas. Agora há pouca distância ideológica entre o PT, cujas bases estão no movimento trabalhista, e o PSDB”, afirma o artigo.

A revista observa que, durante o governo Lula, o PSDB tentava se vender como “o partido da boa administração”, mas que esse discurso é mais difícil agora contra Dilma, cuja imagem é a de uma boa administradora.

Até mesmo na questão das privatizações, promovidas durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e criticadas pelos petistas, já não há tantas diferenças, observa a Economist, já que Dilma já afirmou que pretende abrir os aeroportos a investimentos privados.

Para a revista, os tucanos têm agora de enfrentar o dilema de se manter no campo do centro-esquerda e esperar que a maré se volte contra o PT por conta de algum eventual escândalo ou mudanças no panorama econômico ou mover-se à direita para ocupar um campo político quase vazio atualmente na política brasileira.

O artigo sugere um possível caminho para o partido: adotar o discurso da redução da carga tributária.

Para a revista, apesar da crença de que os eleitores brasileiros preferem os gastos públicos em programas sociais, como o Bolsa Família, a cortes de impostos, pesquisas mostrariam que os brasileiros, incluindo os mais pobres, estariam começando a tomar consciência de que pagam muitos impostos.


Tucanos precisam de mudança de geração e discurso para sobreviver, diz 'Economist'

José Serra

Derrota de Serra em eleição presidencial foi a terceira seguida do PSDB

O PSDB precisa resolver suas disputas internas e descobrir um novo discurso que o diferencie mais do PT se quiser se manter como a principal força de oposição e reconquistar um dia a Presidência do Brasil, afirma artigo publicado na edição desta semana da revista britânica The Economist.

“(O PSDB) ainda é o maior partido de oposição do Brasil, mas nas últimas três eleições perdeu assentos de maneira constante em ambas as casas do Congresso”, comenta o artigo.

A revista observa que a próxima eleição presidencial ocorre apenas em 2014, mas que “já há três grandes bicos brigando sobre quem deveria ser o candidato”.

“Muitos acreditam que o partido se dividirá ao menos se conseguir se unir suavemente atrás de um deles”, afirma a revista, citando o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo José Serra, o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves.

A revista comenta que simpatizantes de Serra, candidato presidencial derrotado em 2002 e 2010, e de Alckmin, derrotado em 2006, observam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) só foi eleito em sua quarta tentativa. A publicação afirma que o PT “construiu uma organização poderosa enquanto estava na oposição, mas o PSDB, em contraste, está se enfraquecendo”.

O artigo comenta que o PSDB sempre foi visto como um partido de tecnocratas brilhantes, que construíram sua carreira na oposição a ditadura militar entre 1964 e 1985, mas que não vem conseguindo apresentar rostos novos.

A revista afirma ainda que nas últimas eleições jovens brasileiros votaram em peso na ex-ministra de Lula Marina Silva, do PV, e que o PSDB está sob ameaça também de perder o apoio dos eleitores da classe média, entre os quais a popularidade da presidente Dilma Rousseff parece ser ainda maior do que a de Lula.

Programa

Para a revista, além da falta de uma liderança clara, os tucanos vêm sofrendo com uma falta de um programa diferenciado.

“Quando Lula tomou posse, adotou as políticas econômicas tucanas. Agora há pouca distância ideológica entre o PT, cujas bases estão no movimento trabalhista, e o PSDB”, afirma o artigo.

A revista observa que, durante o governo Lula, o PSDB tentava se vender como “o partido da boa administração”, mas que esse discurso é mais difícil agora contra Dilma, cuja imagem é a de uma boa administradora.

Até mesmo na questão das privatizações, promovidas durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e criticadas pelos petistas, já não há tantas diferenças, observa a Economist, já que Dilma já afirmou que pretende abrir os aeroportos a investimentos privados.

Para a revista, os tucanos têm agora de enfrentar o dilema de se manter no campo do centro-esquerda e esperar que a maré se volte contra o PT por conta de algum eventual escândalo ou mudanças no panorama econômico ou mover-se à direita para ocupar um campo político quase vazio atualmente na política brasileira.

O artigo sugere um possível caminho para o partido: adotar o discurso da redução da carga tributária.

Para a revista, apesar da crença de que os eleitores brasileiros preferem os gastos públicos em programas sociais, como o Bolsa Família, a cortes de impostos, pesquisas mostrariam que os brasileiros, incluindo os mais pobres, estariam começando a tomar consciência de que pagam muitos impostos.


15 abril 2011

'Economist' alerta para eventual desaceleração em economias emergentes

Trem-bala na China

FMI prevê taxas de crescimento para a China acima de 9% até 2016

Ainda que venham se beneficiando de uma situação econômica favorável, as grandes economias emergentes, como China, Brasil e Índia, devem ficar alertas para uma possível desaceleração brusca, segundo uma reportagem publicada nesta quinta-feira pela revista britânica The Economist.

“A crise econômica pode ter sido severa para o mundo rico, mas para as economias emergentes ela foi quase um triunfo. (...) Se projeções de crescimento futuro para as economias emergentes parecem auspiciosas, porém, a história aconselha cautela”, diz a revista.

De acordo com a Economist, uma economia emergente tem a vantagem de poder usar ideias e tecnologias bem-sucedidas de países ricos para crescer. No entanto, quando atinge um nível de desenvolvimento próximo ao das economias avançadas, “precisa começar a inovar por conta própria”.

A revista diz que, então, o crescimento econômico pode desacelerar, como ocorreu na Europa Ocidental e nos Tigres Asiáticos, ou sofrer uma queda brusca, como na América Latina nos anos 1990. Como as economias emergentes têm sido o motor do crescimento global, afirma a Economist, resta saber quando o limite delas será alcançado.

A publicação cita um estudo em que pesquisadores da Universidade da California, do Banco de Desenvolvimento Asiático e da Universidade da Coreia examinaram dados econômicos desde 1957 numa tentativa de identificar potenciais sinais alarmantes.

“O que surge é uma estimativa de um limiar crítico: em média, a desaceleração do crescimento ocorre quando o PIB per capita atinge cerca de US$ 16.740 em paridade do poder de compra. A taxa média de crescimento então cai de 5,6% ao ano para 2,1%.”

O veloz crescimento da China, diz a revista, indica que ela deverá alcançar o limiar em 2015, “bem antes de Brasil e Índia”.

“Dada a longa lista de fatores de ricso da economia chinesa – incluindo uma população mais velha, baixos níveis de consumo e uma moeda substancialmente subvalorizada – os autores sugerem que as chances de uma desaceleração são maiores do que 70%.”

A Economist pondera: diz que o FMI prevê taxas de crescimento para a China acima de 9% até 2016 e que uma desaceleração para entre 7% e 8% não soa assustadora.

“Mas experiências passadas indicam que desacelerações são frequentemente acompanhadas por crises”, diz a revista, que aconselha “reformas estruturais para ajudar a amortecer os efeitos de uma desaceleração”.

“Seria sensato para a China buscar essas reformas durante os anos gordos, e não nos magros que, eventualmente, virão”.

07 abril 2011

Reportagem da revista britânica diz que, sem um líder definido e atravessando uma crise de identidade, o PSDB corre o risco de rachar se não repensar

Agência Brasil

José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin

Da esquerda para a direita, Serra, Aécio e Alckmin: enquanto nenhum tucano fala mais alto, indefinição compromete estabilidade do PSDB, segundo a Economist

São Paulo - O início de uma das reportagens da edição revista britânica The Economist que chega às bancas nesta quinta-feira (7) lembra um documentário sobre a vida animal. "Os tucanos, segundo os brasileiros dizem, simplesmente não conseguem ficar juntos: aqueles bicos grandes ficam no caminho." Longe de ser uma piada infame, o parágrafo remete a duas crises que ameaçam o PSDB, atual partido protagonista da oposição no Brasil.

Uma delas é a crise de relacionamento entre seus membros mais influentes, a qual compromete a estabilidade do partido. A outra é uma crise de identidade. Longe de mostrar uma postura definida, segundo a revista, o partido tucano precisa mudar seu discurso atual e rever seus focos caso queira continuar sendo relevante na política nacional. Sem isso, corre o risco de se perder pelo caminho rumo às eleições presidenciais de 2014.

Os motivos da primeira crise, de acordo com a Economist, têm nome e sobrenome. José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Todos continuam sendo vistos como potenciais candidatos à presidência daqui a quatro anos - mesmo José Serra, considerado por muitos como fora do páreo depois da derrota para Dilma Rousseff no ano passado.

Enquanto o PSDB não define seu nome forte para a disputa de 2014, muitos temem que o partido rache se não se apressar a escolher entre um dos três. "Alckmin está tentando empurrar Serra para a candidatura à prefeitura de São Paulo em 2012. O atual prefeito, Gilberto Kassab, um amigo, está criando um novo partido que, segundo alguns pensam, poderia acomodar José Serra caso o PSDB não se curve à sua vontade. Se for deixado de lado novamente, Aécio Neves também poderia sair. Com ele, iriam as melhores chances do partido conquistar a presidência", diz o texto.