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14 dezembro 2011

China é principal risco estrutural para o Brasil, diz Credit Suisse

http://economia.ig.com.br/mercados/china-e-principal-risco-para-o-brasil-diz-credit-suisse/n1597407837375.html

Em relatório que leva nome de música sobre fim do mundo, analista avalia os "mitos" do crescimento sustentado chinês e destaca os principais problemas da Europa
Olívia Alonso, iG São Paulo


A China, apesar de ser o maior comprador das exportações do Brasil, configura hoje um dos principais riscos estruturais para a economia brasileira, avalia o analista Luis Stuhberguer, da Credit Suisse Hedging Griffo. Em relatório intitulado “It´s the end of the world as we know it. And I feel fine!” (É o fim do mundo como o conhecemos. E eu me sinto bem!”, em referência à música de mesmo nome da banda REM, ele destaca os principais pontos de preocupação para o País, os problemas das economias europeias e comenta que os Estados Unidos, por sua vez, estão em recuperação.

Os principais riscos para a economia brasileira, na avaliação de Stulhberguer, estão relacionados a “mitos” da economia chinesa. Enquanto costuma-se prever que a China terá 1 bilhão de consumidores em 2030, o que significaria um gigantesco mercado consumidor não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo, ele diz que, na verdade, o crescimento demográfico está se tornando negativo no país. No mesmo sentido, enquanto se previa que o país asiático passaria por uma mudança para uma economia de consumo, com redução da poupança, o que se observa é o aumento da poupança de empresas e a continuidade da dependência do comércio internacional e do investimento.

Outro mito citado por ele é o dos investimentos em infraestrutura. Se antes era comum ouvir que os recursos chineses são bem direcionados, a realidade é que o país está construindo “elefantes brancos” e fazendo uma má alocação de recursos, diz o analista. Ele cita ainda o mito das “forças das reservas internacionais” chinesas, afirmando que o excesso de reservas é, na realidade, um sinal dos “desequilíbrios globais”. Como é um grande comprador de commodities brasileiras, qualquer sinal de deterioração das estruturas econômicas da China acaba sendo uma notícia negativa para o Brasil.

O analista também diz que há um aumento excessivo do crédito e um super investimento no setor imobiliário chinês e rebate a tese de que as ações de empresas vão se beneficiar do forte crescimento da economia, afirmando que “o retorno das ações e o crescimento do PIB não são positivamente correlacionados.”

O analista pondera, entretanto, que “apesar dos temores, [a China] ainda tem uma história positiva,” o que pode favorecer o Brasil, ainda que não seja o suficiente para eliminar os riscos. Segundo ele, é difícil imaginar que o retorno do investimento chinês seja negativo a ponto de não "ser pago". Ele diz ainda que a urbanização ainda é um fator estrutural favorável, uma vez que apenas cerca de 45% da população chinesa vive em cidades. Além disso, Stuhlberger diz que o apetite chinês por commodities deve “se manter voraz”, com o país em crescimento. Ele destaca que 47,7% da demanda global por minério de ferro – um dos principais itens exportados pelo Brasil – é da China.

Stuhlberger acrescenta ainda que a dependência brasileira da China vem aumentando e que, se não fossem os chineses, o deficit em conta corrente do Brasil seria bem maior do que os atuais 2% do PIB.

Além da China, o analista também aponta problemas internos brasileiros que configuram riscos ao País, como a falta de competitividade da indústria, o sistema de previdência insustentável e a taxa de investimento público do Brasil, que é de apenas 2,4% do PIB. Em porcentagem das receitas primárias da nação, os aportes são somente 7%, valor que coloca o Brasil na frente apenas da Hungria e da Argentina em uma lista com 27 países emergentes. Stuhlberger também cita a alta carga tributária brasileira, que chega a 34,4%, enquanto a média de outros países emergentes é de 25,1%.

Europa e EUA

Em uma breve avaliação sobre as economias europeias, o analista do CSHG diz que a impossibilidade de emitir moeda é um grande problema europeu e que a raiz da situação atual da região é o “diferencial de produtividade.” Citando dados de pesquisa do Morgan Stanley e da Haver Analytics, ele compara o custo do trabalho no setor manufatureiro em cinco países europeus. Enquanto a França tem um valor unitário de 100, a Alemanha consegue gastar apenas 85, enquanto Portugal, Itália e Espanha têm valores superiores a 120. Além disso, ele mostra que em um ranking global de crescimento da produtividade nos últimos 10 anos, os quatro últimos colocados são europeus: Itália, França, Espanha e Portugal.

O analista mostra menos preocupação com os Estados Unidos. Na visão dele, “os temores de um ‘duplo mergulho’ eram exagerados.” Ele afirma que o crescimento norte-americano está em recuperação, que a demanda do setor privado no país voltou a crescer 4% ao ano e que o mercado imobiliário “parece ter se estabilizado.” Pela primeira vez desde 2005, diz Stuhlberger, o setor habitacional poderá contribuir para o PIB dos EUA em 2012.

28 outubro 2011

Prefeitura espanhola despeja mortos dos cemitérios por calotes

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,prefeitura-espanhola-despeja-mortos-dos-cemiterios-por-calotes,90118,0.htm

Por causa da crise, autoridades de Zaragoza decidiram colar adesivos nas sepulturas inadimplentes, cobrando o pagamento das dívidas.

A prefeitura da cidade espanhola de Zaragoza lançou uma campanha para alertar familiares inadimplentes que quem não saldar dívidas com cemitérios locais terá os restos mortais de seus entes exumados.

Aproveitando a chegada do dia de Finados - que na Espanha é celebrado no dia 1º de novembro - a prefeitura colocou adesivos nas lápides advertindo que a sepultura está com pagamento vencido e que os familiares tem 15 dias para saldar suas dívidas, em geral ligadas a taxas de manutenção dos cemitérios.relacionadas a taxas .

Não pagar neste prazo significará que os restos mortais serão exumados, removidos das sepulturas e colocados em valas comuns. Mais de dois mil jazigos e nichos receberam o adesivo.

A prefeitura explicou que precisa arrecadar fundos nos tempos de crise e não tem como prorrogar mais as dívidas de quem não paga as taxas de cemitério. No total são mais de 30 mil inadimplentes na cidade, com débitos desde 1985.

'Jazigo vencido'

Segundo o aviso no Boletim Oficial, os devedores foram comunicados por cartas desde o último mês de março, mas ao haver "escassa resposta, a prefeitura se viu obrigada a expor publicamente a situação de inadimplência".

Nos adesivos colocados nas sepulturas aparecem o nome completo do defunto, as coordenadas de localização de seu jazigo no cemitério e, em letras maiúsculas vermelhas, a frase "jazigo vencido".

A mensagem também traz uma indicação para que o responsável passe pela administração onde lhe esperam para a cobrança, que é de aproximadamente R$ 250 por cada cinco anos de sepultamento.

De acordo com a nota de imprensa da prefeitura, das 500 primeiras famílias procuradas para saldar a dívida apenas 10 responderam, avisando que pretendem pagar.

Segundo o município, o processo de exumação obedece aos trâmites legais. Diante da permanência da dívida e a falta de retorno dos responsáveis, os cemitérios podem remover os corpos.

Por causa da inadimplência, os restos mortais de 90 pessoas já foram exumados e colocados em valas comuns e outros 484 estão em processo de despejo das sepulturas.

Os adesivos com os avisos de inadimplência começaram a ser colados no início de outubro, mas chamaram a atenção da imprensa e da população no fim do mês.

03 outubro 2011

Dez maiores gestores de investimentos controlam 8,3 PIBs do Brasil


Operador em frente a painel com cotações em Seul

Para especialista, volatilidade pode não ter efeito negativo sobre gestores de fundos

As dez maiores empresas gestoras de investimento do mundo administravam, ao final do ano passado, um total de US$ 17,4 trilhões, montante 20% superior ao PIB dos Estados Unidos, maior economia do mundo, e equivalente a 8,3 vezes o PIB brasileiro.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Investment & Pensions Europe (I&PE), os 400 maiores gestores de investimentos do mundo administram recursos equivalentes a US$ 53,6 trilhões, valor 30% maior que a soma dos PIBs das dez maiores economias do mundo.

Apenas a maior gestora de investimentos do mundo, a BlackRock, gerencia sozinha US$ 3,8 trilhões em ativos, soma superior ao PIB da Alemanha, a quarta maior economia do mundo.

Esses dados são uma indicação da influência que decisões tomadas por essas empresas podem ter sobre os mercados financeiros e, em última instância, sobre os países que se veem obrigados a tomar medidas voltadas a acalmar os mercados.

As empresas gestoras são responsáveis por analisar as condições de mercado e tomar decisões de investimentos para os fundos formados por seus clientes ou por outras instituições que usem seus serviços.

Investimentos e especulação

"Na maioria dos casos, gestoras estão representando os interesses dos investidores"

"É quase impossível diferenciar investimentos normais de especulação, mas em situações de grande volatilidade nos mercados, como o atual, qualquer grande movimento pode ser interpretado de uma maneira mais estridente", observa Juan Pablo Pardo-Guerra, professor do Departamento de Sociologia da London School of Economics e especialista em mercados financeiros.

Ele cita o caso do chamado "flash crash" da Bolsa de Nova York, ocorrido no dia 6 de maio do ano passado, quando uma ordem de venda de uma grande quantidade de ações por uma gestora de fundos, em meio às tensões sobre a crise na Grécia, provocou uma reação em cadeia que derrubou o índice Dow Jones em mais de 9% em poucos minutos, apenas para voltar ao seu patamar inicial poucos minutos depois.

Ele observa, no entanto, que as decisões dos grandes gestores de investimentos seguem a lógica do lucro para atender aos interesses de seus clientes, que podem ser milhares ou até milhões de pessoas ou empresas diferentes.

Liam Kennedy, editor das publicações da I&PE, usa um argumento semelhante. "Na maioria dos casos, as empresas gestoras de ativos estão representando os interesses dos investidores", comenta.

"Se um determinado fundo decide não comprar mais títulos da dívida americana, por exemplo, e seus clientes não concordam com essa decisão, eles podem levar seu dinheiro para outro lugar. Essas empresas são muito transparentes no que fazem", diz.

Ganho na crise

Dólares

Em 2009, 400 maiores gestores tiveram um aumento de 24% nos fundos sob sua administração

O levantamento da I&PE com os 400 maiores gestores de fundo do mundo mostra que entre dezembro de 2009 e dezembro do ano passado essas empresas registraram um aumento de 24% no total de ativos sobre sua administração – mesmo num período de crise, com preocupações crescentes sobre a capacidade de países europeus pagarem suas dívidas e com a capacidade de recuperação da economia mundial após a crise de 2008.

Segundo Kennedy, esse aumento representa tanto um aumento em aplicações feitas por investidores quanto o bom desempenho dos investimentos conseguido pelos gestores.

"É possível lucrar mesmo com os mercados em queda", observa Antonio Mele, professor do departamento de Finanças da London School of Economics.

"Os gestores de fundos não se apoiam nos movimentos do mercado, não dependem da estabilidade. Para eles, volatilidade é vida", diz. "Também é possível lucrar com mercados em queda", observa.

Para Mele, é possível, "em teoria", haver manipulação no mercado, com movimentos especulativos. Ele observa, porém, que se isso ocorresse seria possível identificar a fonte da especulação com facilidade. "É possível identificar de onde vem o problema, quem está comprando ou vendendo em grandes quantidades", diz.

Crise agravada

"A economia real nesta semana é a mesma que na semana passada, mas a percepção sobre o futuro mudou"

Juan Pablo Pardo-Guerra, professor da LSE

Em meio à atual crise de confiança na capacidade de países europeus honrarem suas dividas, alguns governos afetados acusam os especuladores de condená-los à crise com suas decisões de investimento.

A fuga dos investidores de títulos das dívidas desses países tem o efeito de elevar os juros pagos pelos governos para rolar seus empréstimos, o que por sua vez aumenta ainda mais o peso do serviço da dívida e eleva os questionamentos sobre a capacidade de o país continuar pagando em dia.

Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam, porém, que a crise não é criada pelo mercado.

"As ações dos grandes atores dos mercados têm um efeito e agravam a crise, por exemplo porque o crédito ficará mais restrito, o que prejudica a economia real, mas o problema foi criado pelos próprios países em primeira instância", observa Liam Kennedy.

"Lógico que eles não poderiam ter previsto a crise, mas essencialmente eles não deveriam ter tomado tanto emprestado se não podiam também manter suas finanças sob controle", afirma.

Dependência

Para Antonio Mele, os governos podem se tornar dependentes dos mercados e se verem obrigados a tomar medidas somente para atender aos interesses e exigências dos grandes investidores, mas essa dependência é de responsabilidade dos próprios governos ao decidirem recorrer aos mercados para financiá-los.

"Não é possível isolar os governos dos mercados. Nessa situação, quanto mais dependentes do mercado, mais forçados serão a atender as suas expectativas", comenta.

Juan Pablo Pardo-Guerra observa que a situação da economia global não mudou de um dia para o outro para justificar os movimentos intensos de baixa e alta nos mercados nos últimos dias, mas a percepção dos investidores sobre o futuro pode ter mudado.

Operador na Bolsa de Nova York

Analistas consideram remotas possibilidades de medidas de controle sobre os mercados

"A economia real nesta semana é a mesma que na semana passada, mas a percepção sobre o futuro mudou. E os mercados se movimentam de acordo com as expectativas dos investidores sobre o futuro, com a confiança", comenta.

Kennedy concorda. "Quando os juros dos títulos aumentam, o mercado está basicamente identificando um problema que vai ocorrer no futuro. Está dizendo que esses governos terão que pagar mais no futuro se quiserem que os investidores emprestem a eles, porque os investidores querem ser compensados pelo risco mais alto", observa.

"Acusar especuladores é algo que os políticos e os governos fazem há muito tempo, mas a crise atual é essencialmente a consequência da má administração do problema pelos líderes e a falta de confiança dos investidores de que vão receber seu dinheiro de volta", argumenta.

Controles

Apesar dos problemas identificados, porém, os analistas consideram que são remotas as possibilidades de que sejam adotadas grandes reformas para controlar o poder dos grandes atores dos mercados de manipulá-los.

"Seria quase impossível controlar isso, porque iria contra o princípio dos mercados livres, ao restringir o direito de comprar e vender livremente", observa Pardo-Guerra. "Nenhum país do mundo estaria disposto a adotar uma medida dessas."

Para ele, existe pouco interesse dos governos em enfrentar os mercados para regulamentá-los. "No ano que vem, há eleições presidenciais nos Estados Unidos, e o presidente Barack Obama precisará do apoio de Wall Street para reelegê-lo", cita ele como exemplo. "Politicamente, os governos não vão correr esse risco."

Em última instância, segundo ele, o principal mecanismo de controle a que essas empresas são submetidas é a prestação de contas que fazem aos seus acionistas e clientes.

Ele observa ainda que os governos mantêm contatos frequentes com os grandes operadores do mercado e também há consultas entre as próprias empresas para evitar turbulências catastróficas.

"Não é do interesse da comunidade financeira enfrentar uma crise imprevisível. Apesar de ser possível ganhar durante a crise, geralmente há mais perdedores do que ganhadores. Os atores do mercado preferem a previsibilidade", diz Pardo-Guerra.

As dez maiores (ativos administrados, em US$ bi)

1 BlackRock 3.817,1
2 State Street Global Advisors
2.128,7
3 Allianz Global Investors
2.128,2
4 Vanguard Group
1.867,5
5 Fidelity Investments
1.712,8
6 J.P. Morgan Asset Management
1.389,7
7 PIMCO 1.318,3
8 BNY Mellon Asset Management International
1.245,3
9 Amundi Group
979,4
10 Pramerica Investment Management
832,1

Fonte: Investment & Pensions Europe (I&PE)

13 setembro 2011

Crise na Espanha empurra imigrantes latino-americanos para o Brasil


Anelise Infante
BBC Brasil
Fila do serviço nacional para desempregados na Espanha

Espanha tem o maior índice de desemprego entre os países da União Europeia

Entre 2003 e 2007, a Espanha recebeu dezenas de milhares de imigrantes, mas a crise econômica que persiste no país está alterando o fluxo migratório. Sem emprego no presente e sem perspectivas para o futuro, os estrangeiros procuram saídas em outros lugares. E o Brasil virou meta para os latino-americanos de baixa formação.

De acordo com quatro relatórios que investigam as respostas dos imigrantes diante da crise, o Brasil aparece entre os três destinos preferidos de sul-americanos hispânicos (junto com Estados Unidos e Argentina) como opção para conseguir emprego.

Uma pesquisa da agência de empregos Randstad revelou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou decididos a trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho até 2012.

Os estudos antecipam um fluxo que já pode ter começado. Em 2010, pela primeira vez nos últimos 35 anos, a Espanha registrou uma taxa de saída de população ativa maior do que a de entrada.

No ano passado, 48 mil imigrantes chegaram e 43 mil estrangeiros retornaram aos seus países de origem, mas 90 mil espanhóis também foram morar no exterior.

O ritmo de redução é tão vertiginoso que em cinco anos o fluxo de chegada pode ser praticamente nulo. Pelas previsões da Fundação de Estudos de Economia Aplicada, se a crise se mantiver como agora, em 2014 chegariam apenas 3 mil imigrantes.

Saídas

Josep Oliver, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona e um dos autores do Anuário de Imigração da Espanha, do Ministério do Interior, disse à BBC Brasil que “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

A pesquisa Mobilidade Laboral, da Randstad, indica que a Espanha perdeu interesse para o trabalhador estrangeiro de baixa formação.

A razão é o perfil destes imigrantes, cujos currículos se limitam a ofícios relacionados a áreas que não se reativam, como serviços e construção.

O setor de construção foi precisamente o que detonou a crise de desemprego. De 2008 a 2010 quebraram mais de 200 mil empresas do ramo, que davam trabalho a 70% dos imigrantes sul-americanos, segundo dados oficiais.

Os estrangeiros entrevistados na pesquisa responderam que querem sair da Espanha, mas temem crises políticas e econômicas na América Latina e só vêem bonança financeira no Brasil, onde criticam a falta de segurança pública.

Mais ainda assim estão convencidos de que se não encontrarem emprego até 2012, o caminho é o aeroporto. Estados Unidos, Brasil ou Argentina, na ordem dos mais votados.

Alta formação

O Brasil também aparece como opção para espanhóis de alta formação.Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que os espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos seis destinos preferidos para emigrar por emprego.

O mercado brasileiro é visto como opção para 55% dos entrevistados, junto com Alemanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Argentina.

O perfil médio dos interessados em cruzar o Atlântico é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em engenharia, arquitetura, informática, medicina, biologia e investigação científica.

“Que engenheiro ou arquiteto não quer ir para o Brasil, de olho nas obras de infraestrutura? Está tudo por fazer, e agora há também recursos, referências de empresas espanholas já estabelecidas e a abertura ao (idioma) espanhol”, disse à BBC Brasil o professor de Economia da Universidade de Navarra Sandalio Gómez, autor do relatório apresentado em janeiro.

“Essas pessoas entendem que insistir aqui é uma perda de tempo. O Brasil cresce a uma velocidade que nenhum país da Europa pode se comparar”, concluiu.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística confirmam a tendência. Até janeiro de 2011, havia 1,8 milhão de espanhóis morando em outros países; 92.260 no Brasil, um aumento de 10.071 pessoas em um ano no território brasileiro.

Problemas

Mas, apesar das oportunidades, o país perde para outros destinos em vários quesitos.

Os entrevistados da pesquisa ressaltam insegurança, falta de serviços públicos de qualidade, instabilidade econômica e jurídica para quem quer criar um negócio próprio e a distância de seus lugares de origem como barreiras a levar em consideração.

O governo espanhol reforça estas conclusões. A diretora-geral do Departamento de Emigração, (que estuda as condições dos espanhóis em outros países), Pilar Pin, define como impedimentos as carências nos sistemas de seguro-desemprego, rede púbica de saúde e educação e a legislação trabalhista.

Em um relatório oficial apresentado em maio depois de uma visita a Brasília, Pin afirmou que o Brasil tem “enorme potencial com seus iminentes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, além de obras para abastecimento de energia, proteção ambiental e turismo".

Apesar disso, o relatório observa: “A legislação de implantação de empresas no Brasil é restritiva demais. Nossos trabalhadores vão com licença de obra. No final do contrato encontram muitas dificuldades para estabelecer-se por conta própria”.

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Mesmo assim, segundo o relatório, as autoridades brasileiras calculam que faltam 1,9 milhão de profissionais de alta qualificação. Uma lacuna que os espanhóis poderiam ocupar.