03 agosto 2011

Escola com Criança Esperança e Affroreggae é a pior do Rio no Ideb

Projetos sociais, frequentes visitas de presidentes, UPP e PAC não fizeram diferença na educação de Ciep do Cantagalo, em Ipanema

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro | 03/08/2011 07:00

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Foto: Raphael Gomide

Crianças brincam na área de lazer do Ciep e do Criança Esperança (à direita, em painel)

O Complexo Rubem Braga, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, abriga o Espaço Criança Esperança, da Rede Globo, o AffroReggae, o projeto Dançando para não Dançar e o Ciep Presidente João Goulart, da Secretaria Municipal de Educação. Já visitaram o local, inúmeras vezes, o prefeito Eduardo Paes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral. A primeira-dama da França, Carla Bruni já esteve no complexo, que recebe visitas diárias de turistas estrangeiros.

O conjunto de favelas Cantagalo/Pavão-Pavãozinho recebeu R$ 71 milhões em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um elevador panorâmico que virou ponto turístico e uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), instalada em 2009.

Foto: Raphael GomideAmpliar

Porta da escola municipal, no Cantagalo, a pior do Rio apesar das visitas constantes de políticos e turistas

Paradoxalmente, apesar da permanente atividade cultural, da estrutura, da projeção e da atenção política, a escola municipal de Ipanema foi a que teve pior desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as 970 avaliadas da rede municipal do Rio, 1,8 nos anos finais do Ensino Fundamental. No ano anterior, a nota havia sido 3,7. Na Prova Rio, feita em 2010, o resultado também foi ruim: 3,6, deixando a João Goulart em 683º, ainda no pior terço das escolas municipais.

Nos anos iniciais do Ideb, resultado também decepcionante: é a segunda pior nota, 3,1, entre os colégios do município; no Ide-Rio (Índice de Desenvolvimento de Educação Rio), teve a 960ª posição, com 3,4.

“O espaço aqui é bom, a única coisa que estraga é a escola. O resto é legal”, disse a aluna Rayane Santos, 13.

“Os professores não passam muito as coisas. Não me surpreende em nada essa nota. É ruim. Os alunos não prestam atenção, por isso não sabemos nada. Os professores saem da sala quando os alunos estão fazendo bagunça. Só às vezes tem dever de casa. A aula é boa, mas os alunos bagunçam. Depois da refeição, todo mundo joga tangerina, fruta, um no outro, jogam comida debaixo da mesa, pegam a colher e a fazem de catapulta para jogar arroz...”, conta Joice Santos.

Foto: Raphael Gomide

Joice Santos, que acha a escola ruim, e Robson Alves, que gosta da aula de Educação Física, no Cantagalo, em frente ao colégio

A entrada da João Goulart é uma porta de vidro, ladeada por uma bandeira do Brasil em um mastro. Dali, vêem-se uma escada com corrimão e, à direita, andaimes, carrinhos de transporte de material de obra, uma escada desmontável e tapumes – provavelmente restos de uma obra recente.

A cinco metros da porta da escola está o projeto Criança Esperança, da Rede Globo; a outros 10 metros, o projeto Dançando para não Dançar; no andar de baixo, o grupo cultural Affroreaggae. Na sexta-feira (29), um grupo de cerca de 30 estrangeiros estava no local, rotina quase diária desde a instalação do elevador.

Caroline Corrêa, 14 anos, estudou na escola João Goulart até a 3ª série, mas saiu porque “não estava aprendendo nada”. Foi para a Escola Municipal Roma, uma das mais bem colocadas no município, com Ideb de 5,4 nos anos finais, o triplo da nota do ex-colégio. “É muita diferença”, disse Caroline.

A australiana Ruth Hienna, que mora no Rio há um ano e fala bem português, visitava o espaço na sexta-feira (29), disse que a situação é curiosa.

Foto: Raphael Gomide

Caroline saiu da escola porque não aprendia; Rayane e Joice acham que tem muita 'bagunça'

“É curioso, mas nem tão surpreendente. Há muito preconceito no Brasil, muita desigualdade. O governo não está nem aí para a educação. Se a economia está bem, então está tudo ótimo. Mas educação é chave para um país. Parecem estar fazendo o mesmo que a Austrália: evitam educar os aborígenes para não perderem poder”, disse Ruth Hienna, de origem afro-aborígene.

A secretária de Educação, Cláudia Costin, afirmou ao iG que o mau resultado da João Goulart, divulgado em julho de 2010, também deixou todos no órgão “chocados”, por conta do “ambiente cultural rico” que cerca a escola.

A secretaria mudou a direção e a coordenação pedagógica da escola este ano e instituiu uma série de programas de reforço e estendeu o horário de funcionamento para sete horas diárias.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/escola+com+crianca+esperanca+e+affroreggae+e+a+pior+do+rio+no+ideb/n1597114039776.html

Futuro médico terá bônus na residência se atuar na rede pública

Proposta avaliada pelo MEC e entidades médicas é dar entre 5% e 10% na nota para quem trabalhar nas unidades de atenção básica

Priscilla Borges, iG Brasília | 02/08/2011 14:14


Os estudantes recém-formados em medicina estão prestes a ganhar um incentivo para trabalhar na rede pública antes de se especializarem. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, quer que os futuros médicos atuem entre um e dois anos nas unidades de atenção básica à saúde, como o Programa Saúde da Família, antes de prestarem provas de residência médica, programas que tornam os médicos especialistas em diferentes áreas.

Padilha apresentou, na última quinta-feira, a proposta à Comissão Nacional de Residência Médica – que reúne servidores do Ministério da Educação e representantes de entidades médicas. Em entrevista exclusiva ao iG, o ministro contou detalhes do projeto: os recém-formados que adiarem a especialização e passarem, pelo menos, um ano em unidades de saúde de atenção básica à população ganharão bônus nas provas de residência depois.

O programa concederia entre 5% e 10% de bônus nas notas das provas para quem atuar um ano na rede pública e até 20% para quem trabalhar dois anos. “Hoje, quando o candidato faz a prova de residência, se leva em conta a prova teórica, o currículo, a participação dele em congressos, os trabalhos publicados. O fato de ele ter ficado um período na atenção básica, sob a supervisão do Ministério da Saúde, poderia contar também”, afirmou Padilha.

Segundo o ministro, a proposta foi bem aceita, mas precisará ser mais discutida pela comissão. O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital Corrêa Lima, acredita que o projeto pode ser bastante positivo para formação dos futuros médicos. Para isso, ele ressalta, é preciso ajudar os recém-formados, com suporte de centros de referência e de telemedicina. “Temos de garantir proteção aos egressos das faculdades nesse momento”, diz.

A outra proposta apresentada pelo ministro é chamada de Pró-Residência. O objetivo é investir recursos do Ministério da Saúde na formação de especialistas da área médica que estão escassos no País. Segundo Padilha, um censo nacional para identificar as necessidades médicas será feito para identificar onde e quais são as áreas que precisam de profissionais. “Queremos que a expansão dessas especialidades seja pautada pelas necessidades de saúde. A partir daí, vamos investir em bolsas e reestruturação de hospitais, por exemplo”, contou.

Padilha explica que, no Brasil, ao contrário do que acontece em vários países do mundo, não é o Ministério da Saúde quem estabelece a formação médica e, sim, o Ministério da Educação. A vantagem, ele conta, é que há uma boa parceria entre as duas pastas. As diretrizes para a formação dos médicos são pautadas pelas necessidades do País, ele garante. O problema é que o Brasil precisa conhecer melhor a realidade dos programas de residência.

Falta levantamento científico

Segundo Vital, o CFM desenvolveu uma avaliação preliminar nesse sentido. Os resultados da pesquisa realizada pela entidade para identificar as condições de trabalho dos médicos brasileiros, os recursos e as regiões mais carentes do País foram apresentados ao ministro também. “Não há pesquisa metodológica e científica sobre a necessidade de médicos e especialistas nas diferentes regiões do Brasil”, afirma o vice-presidente do CFM.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, 11.881 estudantes concluíram cursos de medicina. Os 3.514 programas de residência médica credenciados pela Comissão Nacional oferecem 11.263 vagas de ingresso. A estimativa de Vital é que, todos os anos, pelo menos 4 mil candidatos não conseguem uma vaga. “Para eles, seria interessante atuar durante um ou dois anos nas áreas de atenção básica à saúde antes de tentar uma especialização”, opinou.

Para o Ministério da Saúde, a proposta é também uma garantia de solução para a falta de profissionais nos serviços básicos de saúde. Além disso, a proposta de definir áreas prioritárias ajudaria a levar residentes para o interior do País, especialmente para os Estados das regiões Norte e Nordeste.


Plano plurianual de SP reforça ensino básico

Muitas promessas. É dar tempo para ver se saem do papel.

Governo quer reforçar o currículo, ampliar o ensino médio técnico, valorizar o professor e rever o Saresp

Nos próximos quatro anos, o governo estadual pretende reforçar o currículo da educação básica, ampliar o ensino médio técnico, fazer um projeto para 1.208 escolas de maior vulnerabilidade educacional e repensar o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Também há iniciativas para melhorar políticas de educação especial e de jovens e adultos.

As informações constam no Plano Plurianual 2012-2015, ao qual a reportagem teve acesso. O documento reúne investimentos e metas que cada órgão do governo deve fazer até o mandato seguinte. O projeto, que pode sofrer alterações, será enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Assembleia Legislativa neste mês.

As metas da Secretaria Estadual de Educação para o período se dividem em cinco eixos: valorização dos profissionais da educação; gestão do currículo; gestão administrativa; infraestrutura e políticas públicas.

Para reforçar o currículo, a pasta pretende, por exemplo, manter programas como o Ler e Escrever. Também deve ocorrer a articulação das dimensões trabalho, ciência, cultura e tecnologia no currículo do ensino médio, prevista por uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE). Há o objetivo também de promover concursos públicos periódicos, em que os docentes aprovados teriam cursos de iniciação ao currículo.

Ainda nessa frente, o governo busca estruturar o tempo integral e quer a integração e o apoio das universidades para diversas ações, como a formação dos professores e a intervenção nas escolas com os piores índices de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp).

Em relação ao Saresp, o PPA prevê a criação de um banco de itens calibrados; a revisão das matrizes de referência de todas as disciplinas e propõe que a pasta pense em aumentar a periodicidade da prova, que é anual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/plano+plurianual+de+sp+reforca+ensino+basico/n1597112844084.html

Violência afetou 62% das escolas estaduais de SP em 2010

Levantamento foi feito por diretores. Meta do Estado é reduzir esse número para 52% até 2015

AE | 01/08/2011 13:09


Cerca de 62% das escolas estaduais de São Paulo registraram, durante o ano passado, situações diversas de violência dentro do ambiente escolar, de acordo com relatos dos próprios diretores. São roubos, depredações, pichações, violência contra alunos, professores e funcionários e até brigas entre estudantes. A meta do governo é reduzir esse número para 52% até 2015.






O cenário atual e a meta a ser atingida constam do novo Plano Plurianual (PPA) para o período 2012-2015, ao qual a reportagem teve acesso. O documento, que contém os objetivos e os investimentos até o próximo mandato, deveria ter sido concluído na sexta-feira, de acordo com o cronograma oficial. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deve enviar o projeto à Assembleia Legislativa neste mês.

O PPA prevê, para amenizar as situações de roubos, depredações, pichações e violência física contra alunos, professores e funcionários, além das brigas entre estudantes, um orçamento total de R$ 573.578.940 para o período 2012-2015.

O dinheiro será usado em programas que promovam parcerias entre a escola, a comunidade e a sociedade civil. Entre as iniciativas previstas estão ações interdisciplinares de prevenção e proteção nas escolas, com encontros de formação de educadores, e o programa Escola da Família, que existe desde 2003 e mantém as escolas abertas com atividades nos fins de semana.

A assessoria de imprensa do governo do Estado disse, em nota, que "o Plano Plurianual 2012-2015 está em elaboração" e "a divulgação de qualquer versão preliminar obtida em sistemas internos da administração é precipitada, certamente incompleta, e pode levar a conclusões equivocadas". Já a Secretaria de Educação afirmou, também em nota, que o índice de 62% está expresso de forma bastante abrangente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/violencia+afetou+62+das+escolas+estaduais+de+sp+em+2010/n1597111055079.html

Faculdades americanas se unem para criar redes de alta velocidade

Grande iniciativa! Com um pouco de visão dos nossos governantes, medida semelhante poderia ser utilizada em áreas centrais decadentes de nossas grandes cidades como a região entre a Barra Funda e Brás em São Paulo ou o entorno da zona portuária de Recife por exemplo.

Objetivo é atrair empresas de alta tecnologia para regiões próximas a universidades

Um colizão de 28 universidades americanas decidiu apoiar um plano para construir redes de altíssima velocidade - com serviço de internet centenas de vezes mais rápido do que aquele que é oferecido comercialmente- nas comunidades em torno das instituições participantes.

Foto: The New York TimesAmpliar

Universidade do Arizona é uma das 28 que formam coalizão por redes rápidas

O projeto, chamado GigU, foi anunciado oficialmente na quarta-feira, dia 27, e tem por objetivo atrair novas empresas de alta tecnologia em áreas como saúde, energia e telecomunicações para as regiões perto das universidades, muitas das quais ficam no Centro-Oeste ou fora das grandes cidades. Essas zonas funcionariam como pólos para a construção de uma nova geração de redes mais rápidas que poderiam tornar os Estados Unidos mais competitivos internacionalmente.

Por enquanto, o plano ainda está em andamento, com as universidades oferecendo negócios e pedindo soluções a empresas de telecomunicações, corporações e organizações sem fins lucrativos. As instituições envolvidas incluem a Universidade do Estado de Arizona, a Universidade Case Western Reserve, a Universidade Howard, a Universidade Duke, a Universidade de Michigan, a Universidade de Washington e a Universidade de Chicago.

''Nós não estamos pedindo dinheiro do governo'', disse Blair Levin, do Instituto Aspen, que está dirigindo o projeto. "Acreditamos que a abordagem correta é obter fundo para as redes no setor privado".

Através da oferta de conexões de um Gigabit de rede – velocidade suficiente para baixar filmes em alta definição em menos de um minuto – não apenas para pesquisadores científicos e engenheiros, mas para as casas e os negócios em torno das universidades, o grupo pretende criar um ecossistema digital que irá atrair novas empresas, ideias e modelos educacionais.

"Seria um celeiro criativo para a comunidade de pesquisa e também para os moradores", disse Lev Gonick, CIO da Case Western, em Cleveland.

No ano passado, a Case Western implementou um programa piloto em uma área de vários quarteirões perto do campus, disse ele. A Zona Case Connected oferece um gigabite de rede de fibra óptica para 104 casas ao lado da universidade. Em três meses de sua inauguração, disse Gonick, três startups se mudaram para o bairro.

"Acreditamos que uma pequena quantidade de investimento pode render grandes lucros para a economia americana e para a nossa sociedade", disse ele.

As instituições membro da GigU vêm principalmente da região central – de Estados como Indiana, Kentucky, Missouri, Montana e Virgínia – onde podem potencialmente ter um grande impacto sobre as comunidades de médio porte do país. As maiores universidades já têm acesso a redes de maior velocidade.

As faculdades estão se preparando para falar com grandes empresas de telecomunicações sobre maneiras de atrair novos empreendimentos para seus bairros através de uma computação super rápida. Depois, elas vão buscar propostas de negócios para a construção das redes, “não daqui a décadas, mas nos próximos anos", disse o grupo em um comunicado.

Embora os Estados Unidos tenham sido pioneiros nas redes de computadores da década de 1960 até os anos 1990, nos últimos anos o país tem ficado para trás na implantação e aperfeiçoamento da tecnologia de rede. Um estudo recente feito pelo Fórum Econômico Mundial concluiu que, embora os Estados Unidos fiquem em quinto lugar na “prontidão” de sua rede – um índice adotado para comparar o acesso dos países na era digital – ele fica em 30 na largura de banda disponível para a população.

Em 2010, antes de ingressar no Instituto Aspen, um think-tank de política (instituto de pesquisa e estratégia), Levin foi diretor de pessoal do Plano de Banda Larga Nacional da Comissão Federal de Comunicações, que visa a tornar a internet de alta velocidade disponível em todos os Estados Unidos. Depois de deixar a agência e conversar com pesquisadores de universidades de todo o país, ele passou a acreditar que os Estados Unidos precisavam encontrar uma estratégia para melhorar continuamente a qualidade de sua tecnologia de internet.

"É a diferença entre vê-la como uma corrida versus a criação de um ecossistema em constante evolução que melhore as nossas redes", disse Levin.

A comunidade de pesquisa deve ainda combater o ceticismo sobre o que alguns técnicos chamam de mentalidade "construa e eles virão". Alguns técnicos dizem que assim que redes mais rápidas sejam implementadas, novos usos vão surgir para elas que não podem ser previstos hoje. Outros argumentam que a alta resolução de vídeo é a única aplicação atual para as redes de velocidade mais alta.

"O conceito é louvável, mas precisamos saber qual é o propósito", disse Michael Kleeman, um designer de rede de computadores e estrategista de política de telecomunicações da Universidade da Califórnia, em San Diego.

* Por John Markoff

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/faculdades+americanas+se+unem+para+criar+redes+de+alta+velocidade/n1597107222757.html

Sarney diz apoiar prazo de 50 anos para fim de sigilo

Por que será que Sarney e Collor se opõem tanto à abertura de documentos do Governo??


GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA


Depois de defender sucessivas vezes o sigilo eterno sobre documentos ultrassecretos do governo, o senador José Sarney (PMDB-AP) disse nesta terça-feira ser favorável ao prazo de 50 anos para o fim do sigilo.

O presidente do Senado afirmou que apoia o projeto aprovado pela Câmara que estabelece prazo para o fim do sigilo, mas que deve ser prerrogativa de uma comissão especial determinar quando os arquivos serão abertos.

"Não existe nessa lei uma abertura total, mas uma comissão que vai classificar cada documento. Sigilo eterno não existe. Essa limitação vai a 50 anos, é um prazo razoável", afirmou.

Apesar do recuo, Sarney disse que não mudou de ideia em relação ao sigilo. "Se alguém mudou, não fui eu."

O fim do sigilo, como aprovado na Câmara --com prazo máximo de 50 anos para documentos ultrassecretos--, era a posição original da presidente Dilma Rousseff. Além de Sarney, o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) tinha manifestado oposição à proposta.

Relator do projeto no Senado, Collor ainda não apresentou seu parecer sobre a matéria.

No projeto original do Executivo encaminhado ao Congresso, havia a possibilidade de se prorrogar indefinidamente o sigilo de alguns papéis.

VOTAÇÕES

Ao apresentar um cronograma de prioridades para o Senado no segundo semestre, Sarney disse que vai defender a aprovação das propostas da reforma política que não avançaram nos primeiros meses do ano.

O peemedebista também disse que quer votar a nova lei de TVs a cabo e a reforma do Código Florestal.

Outra prioridade, segundo Sarney, é a votação da PEC (proposta de emenda constitucional) que altera o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso. A matéria deve ser analisada amanhã pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Pelo texto, a Câmara terá prazo definido para analisar as MPs, impedindo a atual sistemática das matérias chegarem ao Senado às vésperas de perderem a validade. "Estamos com a PEC para ser votada agora. Se não votarmos imediatamente, não vou mais ler as MPs. Mas só vou tomar essa providência depois de chegarmos em um acordo sobre a PEC", afirmou.

IOF incidirá no pagamento de conta com cartão de crédito



O "Diário Oficial" da União publica em sua edição desta terça-feira (2) um ato que dispõe sobre a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre operações de crédito.

Com isso, quem utilizar o cartão de crédito para quitar contas terá de pagar o IOF. A alíquota do imposto para pessoas físicas é de 3% ao ano. Para pessoa jurídica é de 1,5%.

Aumentando o imposto do cartão de crédito o governo sinaliza que quer controlar a utilização maciça de crédito --antes estimulada por uma série de medidas que incentivavam o consumo com o intuito de aquecer a economia no pós-crise internacional (2008). O governo precisava manter a demanda interna aquecida, para não depender do mercado externo _em queda e sem recursos para consumir.

Assim, o governo estimulou a tomada de crédito de vários setores, como o próprio consumidor e empresas. Agora, com a economia muito aquecida e a escalada de preços, o governo tenta diminuir a busca desse crédito, tornando mais caro, para tentar controlar a inflação que já superou o teto da meta, de 6,5%.

Essa é apenas uma das medidas adotadas para diminuir o consumo, controlar a inflação e evitar a tomada de crédito sem lastro.

MACRO

Na semana passada, o governo publicou uma MP (medida provisória) que permite aumentar a alíquota do IOF em até 25% sobre operações com derivativos, contratos feitos no mercado futuro. A medida, no entanto, só passará a vigorar a partir de outubro.

Os derivativos podem proteger as empresas de grandes perdas, mas puxam o dólar para baixo porque "apostam" na sua queda e influenciam o mercado.

Com a medida, as empresas exportadoras, por exemplo, que fizerem contratos derivativos apostando na queda do dólar apenas para cobrir o valor de suas exportações não serão atingidas. A medida tem como alvo as operações com derivativos cambiais, que possuem influência na formação da taxa de câmbio.

A nova medida provisória aumenta os poderes do governo regular as operações com dólar no mercado futuro --onde as operações financeiras são liquidadas com diferenças de semanas ou meses-- e que tem enorme influência para a formação dos preços no mercado à vista. Também aumenta a taxação de IOF incidente sobre os negócios com a moeda.

Há meses, o governo luta para reduzir o interesse estrangeiro em trazer dólares para cá e, em contrapartida, diminuir a saída de reais seja via empresas brasileiras com negócios nos exterior ou até com gastos de turistas brasileiros no exterior.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/953245-iof-incidira-no-pagamento-de-conta-com-cartao-de-credito.shtml

01 agosto 2011

Poluição dentro de casa pode ser pior que na rua em São Paulo

Ambientes internos de dez pontos da capital apresentaram partículas inaláveis em índices até 392% superiores ao recomendado pela OMS

Engana-se o paulistano que pensa que, ao entrar em casa, no escritório ou em um consultório se livra da poluição: paredes e janelas não conseguem deixar o ar saudável. Com um aparelho do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP), a reportagem visitou ambientes internos de dez pontos da capital paulista e constatou a presença de partículas inaláveis em índices até 392% superiores ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Poeira fina formada em até 80% pela queima de combustíveis, esse material particulado é um dos principais poluentes da cidade, onde a frota de veículos já supera os 7 milhões. As partículas ficam em suspensão no ar - especialmente em dias secos e frios - e circulam normalmente em ambientes internos, o que colabora para a sensação de que um piso que acabou de ser limpo, por exemplo, fique imediatamente sujo. Além disso, penetram pelo nariz e chegam ao pulmão e ao sangue, aumentando o risco de doenças.

Foto: AE

Camada de poluição é visível na cidade de São Paulo na manhã do último dia 28. O tempo seco dificulta a dispersão dos poluentes na atmosfera

O pior resultado encontrado foi na Avenida República do Líbano, em Moema, na zona sul - bem ao lado do Parque do Ibirapuera, mas perto de vias com grande circulação de veículos. Em um consultório médico, o medidor apontou 123 microgramas de partículas por metro cúbico, quase quatro vezes mais do que as 25 consideradas ideais pela OMS para medição de 24 horas - ou 392% acima do ideal.

No local, apenas uma janela entreaberta facilitava a entrada de poluentes do exterior, onde a medição mostrou ar pior - 162 microgramas. O problema se repetiu em apartamentos residenciais. Já em duas medições internas, os resultados foram do que o das vias. Caso de um escritório da própria Faculdade de Medicina da USP, mais poluído do que o ar na Avenida Doutor Arnaldo, na zona oeste.

Para o professor Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, os índices achados pelo Estado são absurdos para uma cidade como São Paulo. “Avenidas de Nova York e Boston não são tão poluídas quanto ambientes internos aqui”, afirma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/poluicao+dentro+de+casa+pode+ser+pior+que+na+rua+em+sao+paulo/n1597111129878.html