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18 janeiro 2012

GM desdenha possibilidade de mídia ignorar naming right do Campeonato Paulista

Montadora aposta no futebol para lançar uma nova linha de carros no Brasil; foco principal deverá ser no Cobalt
Equipe Universidade do Futebol
A GM adquiriu o naming right de três campeonatos estaduais para este ano. Os torneios de Goiás, Paraná e São Paulo ganharam o complemento Chevrolet em suas denominações oficiais. No entanto, a maior emissora do país, a Rede Globo, não costuma respeitar os nomes de empresas que compram tal propriedade, o que não tem sido encarado como um problema para o patrocinador.

Para o gerente de marketing da GM, Rodrigo Rumi, esse é um fato que não preocupa a empresa porque Rede Globo e Bandeirantes são parceiras da Chevrolet e haverá outras ativações fora o chamado title sponsor. Perguntado se os canais iriam dizer o nome da empresa, o executivo admitiu: “É difícil acordar com as emissoras esse tipo de coisa”.

O caso da Rede Globo é notório. Nesta Copa São Paulo de Futebol Júnior, por exemplo, a emissora não hesitou em chamar o time Red Bull Brasil de RBB, assim como já fazia com a equipe de Fórmula 1 da mesma empresa.

A prática da Globo foi discutida até na renovação dos contratos de direitos de televisão dos clubes, que pediram mudança na política da emissora. A preocupação estava na desvalorização dos direitos de nomes das novas arenas; times como Corinthians, Grêmio e Palmeiras esperam pagar parte de suas obras com a propriedade. A cúpula do canal carioca faz um estudo interno para adotar a medida.

Para a Chevrolet, a Bandeirantes representa um empecilho menor. Além de a emissora ser mais flexível com a questão, a empresa já fechou uma cota de futebol no canal, o que deve abrir caminho para a citação do nome oficial do Campeonato Paulista.

MATÉRIA COMPLETA:
http://universidadedofutebol.com.br/2012/01/2,16005,GM+DESDENHA+POSSIBILIDADE+DE+MIDIA+IGNORAR+NAMING+RIGHT+DO+CAMPEONATO+PAULISTA.aspx

Globo faz estudo para adotar naming right de estádios

"Está nos contratos que nós nos comprometemos a estudar como compatibilizar esse tipo de negociação com a política comercial da emissora", revelou executivo
Equipe Universidade do Futebol
Tema recorrente no debate sobre comportamento da mídia em relação ao esporte, o veto da Globo ao uso de naming rights de estádios em transmissões esportivas vai deixar de existir. A emissora incluiu em contratos fechados com as equipes no ano passado uma cláusula em que admite citar parceiros comerciais das arenas, e atualmente conduz um estudo interno para decidir como fazer isso.

Em novembro deste ano, o Grêmio divulgou estimativa de faturar R$ 100 milhões em um contrato de dez anos pelos naming rights da arena que o clube está construindo. A diretoria tricolor tem usado a anuência da Globo como trunfo nas negociações.

O faturamento com naming rights também é o principal alicerce do projeto comercial do novo estádio do Corinthians, que está sendo construído em Itaquera. O aparato deve receber a abertura da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, e o clube alvinegro, segundo a "Folha de S.Paulo", já recusou uma proposta de R$ 220 milhões pelo nome do local.

O otimismo das equipes em relação ao potencial comercial dos estádios está diretamente ligado aos novos contratos com a Globo. Os vínculos foram assinados neste ano, depois do processo de implosão do Clube dos 13, e têm validade até 2015.

MATÉRIA COMPLETA:
http://universidadedofutebol.com.br/2011/12/2,15893,GLOBO+FAZ+ESTUDO+PARA+ADOTAR+NAMING+RIGHT+DE+ESTADIOS.aspx

28 novembro 2011

A mídia e o vazamento de petróleo

REDE GLOBO & CHEVRON

Por Fábio de Oliveira Ribeiro em 22/11/2011 na edição 669


O vazamento de petróleo na plataforma da Chevron no litoral do Rio de Janeiro ganhou lentamente da mídia televisada. Quando do vazamento da BP nos EUA a cobertura televisiva foi imediata. No caso da Rede Globo aquele incidente da BP foi coberto de maneira intensa, diária e em tempo real através de seu correspondente nos EUA. Desta vez, entretanto, as redes de TV brasileiras foram a reboque dos jornais e provedores de internet.

Se não estou enganado, o Jornal da Band começou a noticiar o vazamento em 17/11/2011. Em 18/11/2011, o Jornal da Band retomou a questão de maneira mais detalhada e mostrou como a Chevron tenta minimizar a amplitude do vazamento, lamentou a falta de rapidez das autoridades e o valor ínfimo da multa que pode ser aplicado à infratora (segundo a Band, a multa pode equivale a pouco mais de 50 minutos de arrecadação da Chevron no mundo).

Mas o que mais chamou a atenção nesta edição do Jornal da Band foi a referência que seu âncora fez ao estranho relacionamento entre a Chevron e uma certa rede de TV que foi a única convidada para uma entrevista coletiva e a única escolhida para sobrevoar a mancha de petróleo dentro de um helicóptero da empresa. É evidente que Ricardo Boechat estava se referindo a Rede Globo, que tem sido privilegiada pela Chevron. O por que disto é ignorado.

As regras da Constituição

A Chevron é uma empresa privada, mas como não é nacional sua atuação no Brasil submete-se a regras especiais, como o art. 172, da CF/88:

“Art. 172 A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e regulará a remessa de lucros.”

Em se tratando de uma empresa petrolífera, está também sujeita à regra do art. 176 também da CF/88:

“Art. 176 As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.

§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere ocaput deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no país, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas.”

O tratamento dado ao petróleo tem regra própria inscrita na CF/88:

“Art. 177. Constituem monopólio da União:

I – a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;

II-..........................

III-.........................

IV-........................

V-.........................

§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei.”

Privilégios na cobertura

A Chevron foi autorizada a explorar aquele campo de petróleo. Mas em razão de sua atividade e das limitações constitucionais e legais, a Chevron tem obrigações para com o Brasil e os brasileiros. Não me parece que possa escolher que rede de TV vai fazer a cobertura do desastre ambiental a que deu causa.

A Rede Globo, por um outro lado, também tem obrigações para com o Brasil e os brasileiros. Afinal, a empresa é privada mas consoante o art. 223, da CF/88, explora uma banda de transmissão pública:

“Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.”

Quando recebeu o convite exclusivo da Chevron para sobrevoar a mancha de petróleo no mar, a Rede Globo deveria declinar. Afinal, o desastre afeta o Brasil e os brasileiros e não me parece que uma rede de TV (que utiliza banda pública de transmissão de imagens e sons mediante autorização estatal) possa exigir ou deva aceitar privilégios na cobertura de um desastre desta magnitude.

Relações especiais?

Em 18/11/2011, o Jornal Nacional levou as imagens da catástrofe. Os jornalistas da Rede Globo sobrevoaram a mancha de petróleo no helicóptero da Chevron e entrevistaram um norte-americano que trabalha para a empresa. Portanto, ficou evidente que a Rede Globo aceitou sem reservas o privilégio que lhe concedido pela Chevron e, desta forma, confirmou as suspeitas levantadas pouco antes pelo Ricardo Boechat no Jornal da Band. Qual é a relação perigosa entre a Rede Globo e a Chevron que nem uma nem outra quer revelar?

O Jornal da Band de 18/11/2011 enfatizou que o petróleo continua vazando e que mancha de petróleo vai aumentar. No Jornal Nacional do mesmo dia foi dito que o vazamento foi quase estancado e que a mancha está diminuindo. A contradição na cobertura global é evidente. Afinal, se o petróleo continua vazando, a mancha tende a aumentar e não a diminuir. O Jornal Nacional fez esta concessão lógica à Chevron em retribuição ao privilégio que recebeu da companhia?

O Jornal Nacional noticiou o protesto do Greenpeace em frente a sede da Chevron com imagens. Mas não fez qualquer referência à atitude da companhia logo depois que o protesto acabou. Entretanto, as imagens da limpeza da calçada da sede da Chevron pelos seus funcionários também estão na internethttp://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2011/11/18/chevron-mostra-eficiencia-para-limpar-mancha-de-oleo-na-calcada/. Mais uma concessão da Rede Globo à Chevron em razão das relações especiais entre ambas?

***

[Fábio de Oliveira Ribeiro é advogado, Osasco, SP]

13 setembro 2011

Diretor do Corinthians defende volta do mata-mata: "é mais rentável e democrático"

Não é por nada não, mas eu também prefiro!

Carlos Padeiro e Ricardo Perrone
Em São Paulo
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/09/13/diretor-do-corinthians-defende-volta-do-mata-mata-e-mais-rentavel-e-democratico.htm


"Quem tem que ter a iniciativa é o Corinthians. É uma bandeira nitidamente nossa", diz Rosenberg, sobre campanha pela volta do mata-mata
“Como economista, eu não sei como se discute isso. Está tão provado que mata-mata é muito mais rentável e democrático do que pontos corridos”. A opinião é do diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, economista renomado no mercado e nome forte na gestão do presidente Andrés Sanchez (responsável pelo projeto de construção do estádio em Itaquera).

Segundo Rosenberg, o clube de Parque São Jorge deveria assumir a dianteira na campanha pela volta do mata-mata, forma de disputa que foi descartada desde 2003 no Brasileirão.

“Uma modalidade adotada por todos os esportes americanos não pode ser economicamente errada, mas esse é um assunto que você não consegue discutir aqui [no Brasil]. Não é um assunto que empolga os clubes, e quem tem que ter a iniciativa é o Corinthians, é uma bandeira nitidamente nossa”, declarou o cartola, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

“Quem é do bem é a favor dos pontos corridos, quem é do mal é a favor do mata-mata. Essa dicotomia é a coisa mais absurda do mundo”, acrescentou.

Ao ser questionado se a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do certame nacional, poderia ser contrária à volta ao sistema de partidas eliminatórias na fase final, Rosenberg respondeu: “A Globo quer ativar as receitas dela. É óbvio que o valor do patrocínio no mata-mata é muito maior. O Corinthians vai ganhar muito mais dinheiro da Globo se for mata-mata do que nos pontos corridos.”

Na opinião do diretor de marketing do time paulista, a criação de uma liga para defender os interesses dos clubes poderia contribuir para a mudança no regulamento do Brasileiro.

“A liga é quase um desdobramento natural porque, apesar de tudo isso que falam do Ricardo Teixeira, a verdade é que a CBF tem uma postura liberal em relação aos clubes muito maior que as federações estaduais. A intervenção da CBF é muito menor, não arrecada junto aos clubes, algo inédito no mundo. Então fica um espaço para o setor privado se organizar de uma forma mais operacional, para garantir que você tire o máximo que futebol brasileiro pode te dar”, apontou. Ele, inclusive, defende o nome de Andrés Sanchez para presidir a liga de clubes.

18 agosto 2011

A resposta de Ricardo Teixeira à Globo

Por Vera Passos

Da Folha.com

CBF ameaça divulgar gravações contra diretor da Globo

RICARDO FELTRIN
EDITOR E COLUNISTA DO F5

Não vai ficar barato para a Globo sua repentina decisão de noticiar os escândalos envolvendo a CBF, Ricardo Teixeira e a Fifa. Agora surgiram indícios (ou insinuações) de que a entidade máxima do futebol brasileiro tem gravações de diálogos que comprometeriam Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes. Essas gravações não autorizadas foram feitas a partir de ligações telefônicas ou na própria sede da CBF. Elas revelariam quando e como a Globo manipulou o horário de partidas de times e da seleção, para atender a seus próprios interesses...

Márcio Neves/Gremio.net

T de Vingança

Teixeira também teria gravações mostrando como Pinto (foto ao lado) e seus comandados globais agiram nos últimos anos, quando tinham acesso livre à CBF. Fonte desta coluna, que pede anonimato, informa que as gravações teriam diálogos permeados de arrogância, prepotência e desprezo completo de Campos Pinto e seus subordinados pela concorrência. Inclusive uma das gravações mostraria emissários da Globo usando termos chulos contra Record e até contra a Band, que hoje é parceira da Globo no futebol.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-resposta-de-ricardo-teixeira-a-globo?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Prato pelando
A ameaça de levar as gravações a público teria por finalidade não só vingar Teixeira do que ele considera "traição", por parte da Globo, mas também colocar a emissora numa situação delicada junto à imprensa, a parceiros e anunciantes do esporte. Algo do tipo: "eu morro, mas você vai morrer! Morrer comigo! Bwahahaha! Bwahahahahahahahannn...". Tá bom, é só um jeito de dizer. Teixeira não dá risada como vilão de desenho... Vou continuar, agora sério...

Bombardeio
Campos Pinto está sob ataque de outro 'front', além do da CBF. Desafetos do diretor dentro da Globo ainda o culpam pelo fato de a emissora ter perdido a transmissão das Olimpíadas de Londres 2012 para a Record. Para esses executivos, a "soberba" do executivo o impediu de avaliar a situação corretamente. Ele subestimou a concorrente, afirmam.

16 agosto 2011

Corinthians e Flamengo ampliarão distância financeira

16/08/2011 - 07h15


Pegar a tabela do Brasileiro e ver Corinthians e Flamengo na ponta de cima, como acontece hoje, pode se tornar algo bem mais comum nas próximas temporadas. Pelo menos, dinheiro não vai faltar para que isso aconteça.

O novo contrato de TV (2012-2015) com a Globo aumentou a receita de todos os clubes, mas Corinthians e Flamengo, que já recebiam valores superiores aos outros, distanciaram-se mais ainda.

A diferença das quantias pagas às duas equipes para seus adversários, na maioria dos casos, chega a dobrar.

Para se ter uma ideia, em 2011, pelo atual contrato, o Corinthians receberá cerca de R$ 41 milhões, e o São Paulo, perto de R$ 36 milhões.

No próximo ano, quando o novo contrato passará a valer, entrarão nos cofres do Parque São Jorge ao menos R$ 100 milhões. E, no do clube Morumbi, R$ 85 milhões.

A diferença entre as receitas de TV dos dois clubes, que era de R$ 5 milhões, triplicou, passando para R$ 15 milhões.

Rafael Andrade/Folhapress
Lance do jogo entre Flamengo e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro
Lance do jogo entre Flamengo e Corinthians pelo Campeonato Brasileiro

"É natural que isso aconteça. Pensa quanto pode ser cobrado de um patrocinador em um jogo do Corinthians ou em um jogo de outro clube. Se eu fosse dirigente de outro clube, talvez reclamaria. Mas, como sou do Corinthians, acho justo", afirma Roberto de Andrade, diretor de futebol do clube alvinegro.

"Se investíamos 20% da receita de TV no futebol, poderemos continuar com esse percentual, ou até aumentar, e teremos mais jogadores de qualidade", projeta ele.

Já contando com o aumento de receitas, o Corinthians chegou fazer proposta de R$ 90 milhões para ter Tevez.

"R$ 85 milhões é uma projeção pessimista do São Paulo. E R$ 100 milhões para o Corinthians é otimista", rebate Adalberto Baptista, diretor de futebol do São Paulo.

Ele considera que a receita que seu clube terá com pay--per-view, que é variável, pode reduzir esse abismo.

Na comparação com o Palmeiras, o isolamento do Corinthians é maior. Entrarão no caixa do Parque Antarctica, neste ano, R$ 34 milhões. E, pelo próximo acordo, R$ 82 milhões --diferença de R$ 18 milhões para o arquirrival.

No Rio, o abismo do Flamengo para os rivais tem cenário ainda mais gritante. Para o Vasco, a diferença de receitas de direitos de TV, que hoje é de R$ R$ 13 milhões, chegará a R$ 25 milhões.

"A gente vale quanto pesa. Minha marca vale mais, então eu ganho mais", argumenta o vice-presidente do Flamengo, Hélio Ferraz.

O Fluminense verá também o Flamengo mais distante. Serão R$ 43 milhões de diferença de receitas. Pelo contrato vigente, ela é de aproximadamente R$ 20 milhões.

Editoria de Arte/Folhapress

03 agosto 2011

Escola com Criança Esperança e Affroreggae é a pior do Rio no Ideb

Projetos sociais, frequentes visitas de presidentes, UPP e PAC não fizeram diferença na educação de Ciep do Cantagalo, em Ipanema

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro | 03/08/2011 07:00

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Foto: Raphael Gomide

Crianças brincam na área de lazer do Ciep e do Criança Esperança (à direita, em painel)

O Complexo Rubem Braga, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, abriga o Espaço Criança Esperança, da Rede Globo, o AffroReggae, o projeto Dançando para não Dançar e o Ciep Presidente João Goulart, da Secretaria Municipal de Educação. Já visitaram o local, inúmeras vezes, o prefeito Eduardo Paes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral. A primeira-dama da França, Carla Bruni já esteve no complexo, que recebe visitas diárias de turistas estrangeiros.

O conjunto de favelas Cantagalo/Pavão-Pavãozinho recebeu R$ 71 milhões em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um elevador panorâmico que virou ponto turístico e uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), instalada em 2009.

Foto: Raphael GomideAmpliar

Porta da escola municipal, no Cantagalo, a pior do Rio apesar das visitas constantes de políticos e turistas

Paradoxalmente, apesar da permanente atividade cultural, da estrutura, da projeção e da atenção política, a escola municipal de Ipanema foi a que teve pior desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as 970 avaliadas da rede municipal do Rio, 1,8 nos anos finais do Ensino Fundamental. No ano anterior, a nota havia sido 3,7. Na Prova Rio, feita em 2010, o resultado também foi ruim: 3,6, deixando a João Goulart em 683º, ainda no pior terço das escolas municipais.

Nos anos iniciais do Ideb, resultado também decepcionante: é a segunda pior nota, 3,1, entre os colégios do município; no Ide-Rio (Índice de Desenvolvimento de Educação Rio), teve a 960ª posição, com 3,4.

“O espaço aqui é bom, a única coisa que estraga é a escola. O resto é legal”, disse a aluna Rayane Santos, 13.

“Os professores não passam muito as coisas. Não me surpreende em nada essa nota. É ruim. Os alunos não prestam atenção, por isso não sabemos nada. Os professores saem da sala quando os alunos estão fazendo bagunça. Só às vezes tem dever de casa. A aula é boa, mas os alunos bagunçam. Depois da refeição, todo mundo joga tangerina, fruta, um no outro, jogam comida debaixo da mesa, pegam a colher e a fazem de catapulta para jogar arroz...”, conta Joice Santos.

Foto: Raphael Gomide

Joice Santos, que acha a escola ruim, e Robson Alves, que gosta da aula de Educação Física, no Cantagalo, em frente ao colégio

A entrada da João Goulart é uma porta de vidro, ladeada por uma bandeira do Brasil em um mastro. Dali, vêem-se uma escada com corrimão e, à direita, andaimes, carrinhos de transporte de material de obra, uma escada desmontável e tapumes – provavelmente restos de uma obra recente.

A cinco metros da porta da escola está o projeto Criança Esperança, da Rede Globo; a outros 10 metros, o projeto Dançando para não Dançar; no andar de baixo, o grupo cultural Affroreaggae. Na sexta-feira (29), um grupo de cerca de 30 estrangeiros estava no local, rotina quase diária desde a instalação do elevador.

Caroline Corrêa, 14 anos, estudou na escola João Goulart até a 3ª série, mas saiu porque “não estava aprendendo nada”. Foi para a Escola Municipal Roma, uma das mais bem colocadas no município, com Ideb de 5,4 nos anos finais, o triplo da nota do ex-colégio. “É muita diferença”, disse Caroline.

A australiana Ruth Hienna, que mora no Rio há um ano e fala bem português, visitava o espaço na sexta-feira (29), disse que a situação é curiosa.

Foto: Raphael Gomide

Caroline saiu da escola porque não aprendia; Rayane e Joice acham que tem muita 'bagunça'

“É curioso, mas nem tão surpreendente. Há muito preconceito no Brasil, muita desigualdade. O governo não está nem aí para a educação. Se a economia está bem, então está tudo ótimo. Mas educação é chave para um país. Parecem estar fazendo o mesmo que a Austrália: evitam educar os aborígenes para não perderem poder”, disse Ruth Hienna, de origem afro-aborígene.

A secretária de Educação, Cláudia Costin, afirmou ao iG que o mau resultado da João Goulart, divulgado em julho de 2010, também deixou todos no órgão “chocados”, por conta do “ambiente cultural rico” que cerca a escola.

A secretaria mudou a direção e a coordenação pedagógica da escola este ano e instituiu uma série de programas de reforço e estendeu o horário de funcionamento para sete horas diárias.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/escola+com+crianca+esperanca+e+affroreggae+e+a+pior+do+rio+no+ideb/n1597114039776.html

05 abril 2011

CONFLITOS EM OBRAS DO PAC

CONFLITOS EM OBRAS DO PAC
As cochiladas da mídia

Por Mauro Malin em 5/4/2011

"O que antecipamos dificilmente ocorre; o que menos esperamos geralmente acontece." A sentença é antiga. Foi cunhada por Benjamin Disraeli no século 19. Aplica-se à surpresa com que o governo e a mídia receberam a explosão no canteiro de obras de Jirau, Rondônia, em meados de março, seguida por paralisações e manifestações de descontentamento em diferentes obras do PAC. Certo? Errado.

A surpresa é menos isso do que uma propensão a não enxergar problemas desagradáveis.

Tenha-se como premissa que o jornalismo brasileiro, nas condições atuais, depende muito do governo. Não em sentido diretamente financeiro, no caso dos veículos mais independentes, mas em matéria de conteúdo noticioso.

Essa constatação é antiga e nem se pode dizer que tenha sido muito diferente em tempos idos, embora se possa eleger a ditadura como marco referencial do aumento de dependência, devido à censura. Como encher páginas e páginas, ou horas e horas, sem publicar o que era oficialmente permitido?

O governo fica mais perto

A dificuldade hoje tem a ver com o famoso modelo de negócios, ou, menos pomposamente, com a dificuldade de financiar mais e melhor a apuração jornalística (que dispõe de mais tempo; não se questiona a qualidade profissional dos repórteres).

"Cobrir" governos é mais barato, por certo. Basta pensar na logística dessa operação, no caso mais oneroso um deslocamento entre a redação e o respectivo palácio, ou prédio de ministério ou secretaria (estadual ou municipal). O custeio cai vertiginosamente quando basta o telefone. E mais ainda quando se usa o correio eletrônico, amortizado o custo inicial do computador e conexos.

Além disso, é possível reproduzir sem peso na consciência o declaratório oficial, ao passo que é impossível ter certeza do que ocorre em um lugar qualquer, próximo ou remoto, sem enviar a reportagem para lá. A menos que se disponha de um testemunho dotado de completa credibilidade.

Cegueira difícil de explicar

Tudo isso para dizer que governo e mídia cochilaram, no caso de Jirau. De Jirau e, principalmente, de uma miríade de obras do PAC, cuja importância simbólica e política – para não dizer econômica – é realçada pela designação de "mãe do PAC" com que a então ministra e logo candidata Dilma Rousseff foi exaltada diante da nação, em 2010.

Não é que a mídia tenha racionado reportagens sobre canteiros de obras novos e antigos. Ao longo de 2010 foram feitas muitas matérias sobre reclamações trabalhistas, por exemplo na obra de Santo Antônio, no mesmo Rio Madeira em que se situa Jirau.

Por que, então, meios importantes, como a TV Globo, o Estado de S.Paulo e o Valor Econômico falaram inicialmente em "vandalismo" (haja vandalismo para destruir em pouco tempo 70 alojamentos, 43 ônibus e 15 carros)? (A Folha de S.Paulo usou a palavra "revolta" e o Globo, "rebelião". Não ecoaram a manifestação oficial da construtora Camargo Corrêa.)

Por que o governo levou um susto, se o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou no dia 29/3 que "de fato, em Jirau, a decisão da empresa de antecipar a entrega da obra provocou maior concentração de trabalhadores" e, por isso, ele havia ponderado que "era o caso de rever o contingente para diminuir a tensão"?

A longa sombra do escravismo

Por que, sobretudo, até agora não se fez uma reportagem que mostre como esses episódios atestadores do atraso brasileiro têm em comum serem banhados pela longa sombra do escravismo? Não se seguem padrões, não do século 21, mas da segunda metade do século 20, seja em obras grandes, médias, pequenas – as que mais provocam mortes de operários. O regime seguido pelas empresas ou empreiteiros é o da passagem do século 19 para o século 20.

José Eulálio, presidente do sindicato dos trabalhadores do Porto do Açu, obra de uma empresa de Eike Batista no litoral fluminense que passou por paralisação, disse ao Estadão: "As condições de trabalho aqui também são horríveis. Há muitos acidentes que são subnotificados".

Grandes canteiros, obras distantes? Nada disso. O desprezo pela segurança e pela vida está ali mesmo na esquina, como mostram as fotos abaixo, onde operários sem capacete, em "cadeirinhas" artesanais, repintam a fachada de um prédio nos limites dos Jardins com o Paraíso, em São Paulo.

Financiamento da política

Por que será? É preciso esconder as mazelas sociais de um país que se tornou "emergente", ocupa novo papel no cenário internacional, serve de exemplo em matéria de disciplina monetária e programas de assistência social, deu ao mundo um líder democrático com carisma incomparável?

É, pode ser. Mas também se pode cogitar de um certo torpor, de um certo desconforto, desinteresse, falta de elã, como se dizia antigamente, por parte do governo, para falar de aspectos menos brilhantes de empresas que são as grandes financiadoras da atividade política, agora que as privatizações reduziram o estoque de estatais disponíveis para oferecer – como foi mesmo que Delúbio Soares se expressou? – "recursos não contabilizados".

E, como pretendemos demonstrar acima, se o governo não apita, em muitos casos a mídia não atina.

30 março 2011

Cade exige explicações de Globo e C13 sobre negociação

O presidente da entidade também apresentou os clubes avalistas da entidade, que romperam o compromisso com o Clube dos 13 para acertar com a  Globo .. Foto: Fernando Borges/Terra

Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, terá de esclarecer situação das negociações
Foto: Fernando Borges/Terra

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Seguindo parecer do procurador-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (ProCade), Gilvandro Araújo, o órgão antitruste aprovou nesta quarta-feira pedido de esclarecimentos ao Clube dos Treze e à Rede Globo sobre os contratos que vêm sendo celebrados para a transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro de 2012, 2013 e 2014.

O colegiado exige explicações sobre os contratos que a Globo vem fechando individualmente com cada clube e argumentos que embasem a iniciativa do Clube dos 13 de suspender a licitação sobre as transmissões do Brasileiro em Internet, celular e TV paga. Assim que notificados, Globo e C13 terão dez dias para prestar esclarecimentos, sob pena de multa.

Ao analisar supostos privilégios concedidos à Rede Globo na transmissão de jogos de futebol do Campeonato Brasileiro, o Cade havia verificado a existência de uma cláusula de preferência junto ao Clube dos 13, limando as demais emissoras da possibilidade de também disputar os contratos para a transmissão de partidas do Brasileirão. O órgão antitruste entendeu, então, que a cláusula deveria ser suspensa, e os direitos de transmissão deveriam ser licitados conforme a mídia - TV, TV paga, internet e celular - e não mais em bloco.

Após o acordo no Cade, temendo um eventual fim da parceria com a Rede Globo, os principais times de futebol, entre eles Corinthians, Flamengo, Fluminense, Santos e Cruzeiro, anunciaram a saída do Clube dos 13 e a opção por negociar individualmente a transmissão de suas partidas.

"No caso, é importante intimar a Rede Globo para apresentar informações sobre as considerações do Clube dos 13, esclarecendo, também, acerca da existência dos contratos bilaterais celebrados individualmente com algumas agremiações, até mesmo para que o Cade possa verificar se tal estratégia não implica violação ao escopo do TCC (termo de compromisso de cessação) - reitere-se, que consiste no estabelecimento de regras para negociação conjunta ou coletiva de direitos de transmissão", diz trecho do parecer.

"O Clube dos Treze deve esclarecer em que estágio encontram-se as negociações para cessão dos direitos de transmissão para as temporadas 2012, 2013 e 2014", completa o documento.

O presidente do Cade, Fernando Furlan, já havia afirmado que o órgão antitruste poderia ter se voltar a arbitrar problemas envolvendo a transmissão de jogos de futebol caso as equipes optassem por negociar - ainda que em caráter individual - preferencialmente com alguma emissora de TV.

Entenda o caso

Em 2010, o Cade entrou em acordo com o Clube dos 13 e proibiu que a Rede Globo, atual detentora, tivesse privilégio de cobrir a maior oferta pelos direitos do Brasileiro. Para cumprir o pedido, a entidade dos clubes criou uma série de regras para a licitação dos Brasileiros do triênio 2012-14, mas alguns times ficaram temerosos em perder a parceria com a emissora de maior audiência do Brasil.

O Corinthians, de Andrés Sanchez, foi o primeiro a reclamar do processo e anunciou que iria negociar de forma separada, além de requisitar a saída do Clube dos 13. Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Grêmio, Coritiba, Santos e Cruzeiro deixaram a concorrência em seguida.

Insatisfeita também com o processo, a Rede Globo optou por deixar a licitação e negociar com os times de forma separada. A Record, principal concorrente da emissora carioca na disputa, também deixou a concorrência no dia da licitação.

A desistência da TV paulista foi anunciada em nota oficial emitida momentos antes do anúncio do vencedor da licitação. No documento, a emissora alegou que a concorrência dividiu a entidade e que alguns clubes "indicam que têm acordos pré-acertados com outra emissora".

Assim, avisou que "não aceita participar de um jogo com cartas marcadas". Com isso, a RedeTV! tornou-se a única emissora que restou no processo, realizado em 11 de março, e foi a vencedora com uma oferta de R$ 516 milhões por ano, totalizando R$ 1,548 bi por três anos.

O triunfo da RedeTV! não significou a derrota da Rede Globo, que passou a negociar diretamente com os clubes. Desde então, 14 agremiações acertaram com a emissora do Rio: Bahia, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Vasco, Vitória, Santos, Sport, Palmeiras, Botafogo, Fluminense e Portuguesa.

Os seguidos acertos com a Rede Globo motivaram o adiamento por parte do Clubes dos 13 da abertura dos envelopes com os vencedores das licitações de direitos de transmissão de TV a cabo e pay-per-view, marcados para 23 de março, e internet e celular, que seria realizada no dia seguinte.

No dia 23 de março, a entidade anunciou que assinou oficialmente o contrato com a RedeTV! para o triênio, como tentativa de manter clubes dissidentes no acerto, e acionou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que acompanhe o imbróglio.