24 novembro 2011
China anuncia manobras navais após aumento de tensão com EUA
O Ministério da Defesa da China anunciou nesta quinta-feira a realização de exercícios militares navais em águas do Oceano Pacífico nos próximos dias, após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgar no último dia 16 o aumento da presença militar americana na Austrália, o que irritou as autoridades de Pequim.
Em um breve comunicado, o ministério chinês esclareceu que os exercícios anunciados serão manobras de rotina, "não dirigidas contra nenhum país ou alvo em particular", mas os analistas destacam a coincidência temporal dessas ações com as crescentes tensões da China com os Estados Unidos.
O Ministério da Defesa chinês não especificou o local exato das manobras, nem quantos navios participarão. A emissora de televisão japonesa NHK informou que seis navios da Marinha chinesa, entre eles um destróier antimísseis, foram detectados perto das ilhas de Okinawa, em direção ao Pacífico.
"Pequim está muito descontente por ver os EUA envolvidos nas disputas territoriais no Mar da China Meridional, desafiando nossa soberania territorial em aliança com o Vietnã e Filipinas", comentou ao jornal South China Morning Post o analista chinês em assuntos militares Ni Lexiong, após o anúncio das manobras.
Na semana passada, Obama realizou uma longa viagem pelo Pacífico, que incluiu sua participação em duas cúpulas - a da Apec, no Havaí, e a da Ásia Oriental, em Bali -, onde aproveitou para dizer que as missões americanas seriam uma prioridade na política de defesa do Pentágono (Departamento de Defesa americano).
Na Austrália, uma das escalas da viagem, Obama anunciou que 2,5 mil marines (fuzileiros navais) americanos seriam destacados ao norte do país para ampliar a presença estratégica dos EUA no Pacífico ocidental. O anúncio motivou críticas da China, que classificou a medida como inoportuna, num momento em que, segundo Pequim, todos os países devem trabalhar juntos para sair da crise econômica.
O Mar da China Meridional, principal foco de tensões na região, abriga as ilhas Spratly e Paracel, reivindicadas pela China e outros países da área, junto ao que se acredita ser uma das maiores reservas mundiais de petróleo, ainda não exploradas.
Filipinas e Vietnã, outros dois países que reivindicam parte desses arquipélagos, acusaram a China neste ano de aumentar as hostilidades na região.
A China acusa os EUA de manterem uma "mentalidade da Guerra Fria" e pede às partes em conflito no Mar da China Meridional que negociem diretamente com Pequim, sem internacionalizar a questão, o que não impediu que o assunto fosse levado por Obama à mesa multilateral de Bali na semana passada, na Cúpula da Ásia Oriental.
O ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, se reuniu nesta quarta-feira com a subsecretária de Estado americana, Wendy Sherman, a quem pediu que os dois países "devolvam as relações bilaterais ao caminho correto". "China e EUA devem respeitar mutuamente seus respectivos interesses e lidar adequadamente com assuntos sensíveis", destacou.
18 novembro 2011
China alerta contra interferência externa em disputa marítima
Comentário foi uma advertência velada aos Estados Unidos e outros países para que não se intrometam na questão
REUTERS
NUSA DUA, INDONÉSIA - O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse nesta sexta-feira, 18, que "forças de fora" não têm desculpa para se envolver em uma complexa disputa entre países do Sudeste da Ásia por direitos no Mar do Sul da China. O comentário foi uma advertência velada aos Estados Unidos e outros países para que não se intrometam na questão.
Remoe Gacad/ReutersWen Jiabao e presidente da Indonésia durante encontro de países asiáticos
No entanto, Wen também abaixou o tom durante uma cúpula de líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático, no resort de Bali, na Indonésia, a oferecer empréstimos e linhas de crédito no valor de 10 bilhões de dólares a países vizinhos e dizer que a China somente quer ter amigos na região.
A China reivindica uma ampla porção do Mar do Sul da China, importante como rota de navegação e rico em petróleo e gás. A questão vem elevando a tensão na região nos últimos meses.
Vietnã, Filipinas, Taiwan, Malásia e Brunei também buscam direitos sobre partes do mar e, com o apoio dos EUA e do Japão, vêm pressionando a China para uma solução na disputa.
06 novembro 2011
'Brasil deve assumir responsabilidades'
Para diretor de centro de estudos da União Europeia, Assad precisa ser impedido de seguir 'massacrando' seu povo
Num mundo "pós-ocidental", em que os Estados Unidos e a Europa perdem poder, o Brasil, como potência emergente, precisa assumir suas responsabilidades em relação à segurança internacional. O fato de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ter extrapolado seu mandato na Líbia, sobretudo no momento da captura de Muamar Kadafi em Sirte, não deve servir de motivo para não pressionar Bashar Assad a parar de massacrar o povo sírio.
Veja também: Ouça a entrevista com Álvaro de Vasconcelos
A análise é do português Álvaro de Vasconcelos, diretor do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia. Em entrevista ao Estado, Vasconcelos adverte: "Assad pensa que tem certo apoio da Rússia e da China, e o Brasil e a Índia não têm uma posição clara."
O sr. acha que a Otan emerge da experiência na Líbia com um novo papel no mundo?
Não. Esse já não é um mundo ocidental, mas pós-ocidental, em que as questões da segurança e da economia dependem não só das decisões dos EUA e da União Europeia, mas da China, da Índia, do Brasil. Não teria havido a operação na Líbia se o Conselho de Segurança da ONU não tivesse aprovado uma resolução que a permitia. A Rússia e a China não a vetaram com base no princípio da responsabilidade de proteger. A Otan não vai poder substituir o consenso mundial. Se o problema militar e de segurança for na América do Sul ou na Ásia, não me parece que a Otan tenha qualquer papel a desempenhar.
Com a emergência da Rússia, China e Brasil, o mundo torna-se menos intervencionista?
Menos intervencionismo como aquele que vimos no Iraque, eu diria ‘ainda bem’. Ainda bem que hoje é preciso um consenso mais vasto, e os EUA não estão na posição, nem têm a intenção, com o presidente Obama, de ter um intervencionismo militar que não seja legitimado pelas Nações Unidas.
Outro problema é o da responsabilidade de proteger. Amanhã poderemos ter uma situação como a de Ruanda ou dos Bálcãs, ou o que se passou na Líbia quando as tropas de Kadafi estavam às portas de Benghazi. Nessa altura, China, Índia e Brasil vão ter de assumir responsabilidades.
Não me parece que a Europa e os EUA devam ser polícia do mundo. Mas acho que todos os países do mundo têm obrigação de prevenir o genocídio e de proteger os cidadãos ameaçados por um crime contra a humanidade. No passado, o Brasil, a Índia e a China podiam dizer: ‘Isso é responsabilidade dos americanos e dos europeus.’ Ou então: ‘Eles estão num intervencionismo militar com o qual não concordamos.’
E em muitos casos, como no do Iraque, tinham absoluta razão. Mas no futuro vão ter de pensar bem quais são as responsabilidades que vão querer assumir na segurança internacional. No mundo pós-ocidental, a segurança internacional não vai mais depender nem será garantida pela Europa e pelos EUA. Vai ter se de ser garantida pelas nações com mais peso na ordem internacional. Evidentemente isso põe a questão da reforma do Conselho de Segurança, pois não há participação sem representação.
E no caso da Síria?
Antes de chegar à Síria gostaria de fazer um comentário sobre a Líbia. Houve uma resolução clara, com base no princípio da responsabilidade de proteger, que fazia todo o sentido quando os tanques de Kadafi estavam às portas de Benghazi. Mas a Otan depois atuou por vezes de forma desproporcional. Sobretudo a última operação militar contra Sirte, onde Kadafi estava refugiado, foi além do que o princípio da responsabilidade de proteger exigia.
Isso cria dificuldades hoje para um consenso internacional para agir na Síria. É evidente que é necessário conter os massacres na Síria, que seja dito claramente a Assad que a comunidade internacional não aceita que ele continue a matar o próprio povo, que se manifesta pacificamente exigindo a democracia, os direitos do homem, a liberdade.
Mas China, Rússia, Índia e Brasil não se mostram muito entusiastas numa resolução do Conselho de Segurança que aumente a pressão sobre Assad, com medo que se repita a história da Líbia. É necessário que o Brasil, a Índia, a China, a Rússia, com a Europa, os EUA e os países da Liga Árabe - que tem posições cada vez mais duras em relação ao regime sírio --pensem o que podem fazer para travar os massacres na Síria sem que isso signifique recorrer a uma operação militar, em relação à qual não há consenso internacional agora, e que no caso da Síria poderia ser extremamente contraproducente.
As consequências da intervenção militar seriam mais graves que as da não intervenção. Mas se pode, por exemplo, criar uma zona de proteção para refugiados na fronteira com a Turquia e aumentar a pressão sobre a Síria com uma resolução clara, pois Assad pensa que tem apoio da Rússia e da China, e o Brasil e a Índia não têm uma posição clara.
04 novembro 2011
Megaferrovia sob o mar pretende conectar Rússia aos EUA
Construção sem precedentes passaria sob os 105 km das águas gélidas do Estreito de Bering
BBC Brasil
China rejeita acusações de roubo de dados dos Estados Unidos
Apontar agressores sem investigação é 'irresponsável e antiprofissional', afirma chancelaria
04 de novembro de 2011 9h 49
Reuters
PEQUIM - A China qualificou nesta sexta-feira, 4, como "irresponsável" uma acusação americana de que o governo chinês estaria usando a espionagem digital para roubar lucrativos segredos comerciais e tecnológicos dos Estados Unidos.
Um relatório de inteligência do Escritório do Executivo Nacional de Contra-Inteligência do governo americano, enviado na quinta-feira ao Congresso, acusou a China e a Rússia de cometerem espionagem, e disse que isso pode custar milhões de dólares.
Mas Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, rejeitou a acusação e reiterou a disposição de Pequim em cooperar. "Os ataques online são notáveis por ultrapassarem as fronteiras nacionais e serem anônimos. Identificar os agressores sem realizar uma investigação abrangente e fazer inferências sobre os agressores é ao mesmo tempo antiprofissional e irresponsável", afirmou. "Espero que a comunidade internacional possa abandonar o preconceito e se empenhar com a China para manter a segurança online", acrescentou Hong.
O relatório dos EUA admitia a dificuldade em determinar exatamente quem comete os ataques digitais. Empresas norte-americanas têm relatado invasões em suas redes oriundas da China, mas a inteligência dos EUA não foi capaz de confirmar isso.
04 outubro 2011
China expressa "firme rejeição" a projeto americano sobre iuane
http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201110040543_EFE_80292421
Noticia
O governo chinês expressou nesta terça-feira sua "firme rejeição" ao início do debate de um projeto de lei no Senado dos Estados Unidos que abre a possibilidade a sanções comerciais contra a China por manter o iuane abaixo de seu valor real, em prejuízo das exportações americanas.
Nesta segunda-feira, o Senado americano aceitou debater o projeto, que conta com o respaldo de republicanos e democratas, e deve votá-lo e aprová-lo ainda nesta semana.
Segundo o porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, o debate sobre a suposta manipulação da moeda chinesa "viola seriamente as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)". "Além disso, prejudica as relações comerciais entre China e EUA", afirmou Ma em comunicado.
A China pede aos senadores americanos que protejam a cooperação comercial entre os dois países em benefício mútuo e evitem pressioná-la com leis americanas, acrescentou o porta-voz.
O governo de Barack Obama, assim como o de seu antecessor, George W. Bush, ainda que avalie que o iuane está subvalorizado, não adotou sanções unilaterais contra a China por isso, já que teme consequências de uma guerra comercial.
A votação no Senado coincidiu com a visita a Pequim do subsecretário do Tesouro americano, Lael Brainard, para transmitir aos líderes chineses, segundo um comunicado oficial, que o iuane segue subvalorizado mesmo depois de ter avançado 10% desde junho do ano passado.
Em junho de 2010, Pequim anunciou que permitiria uma maior flutuação de sua divisa, mas os EUA consideram que o iuane segue artificialmente desvalorizado em benefício das exportações chinesas. Em 2010, os EUA registraram um déficit comercial com a China de US$ 273 bilhões.
17 agosto 2011
Fabricantes de cigarro processam EUA por anúncios em embalagens
Um novo conjunto de advertências contra os perigos do fumo para a saúde, que devem ser colocadas nas embalagens de cigarros, causou revolta entre gigantes do tabaco nos Estados Unidos.
A Food and Drug Administration, agência governamental americana que regula medicamentos e alimentos, divulgou recentemente as novas imagens e mensagens, que devem ser adotadas por todas as empresas até setembro de 2012.
É a primeira vez em que elas terão imagens de advertência. Os anúncios devem ocupar a metade das partes da frente e de trás da embalagem.
Na última terça-feira, as empresas RJ Reynolds Tobacco, Lorillard Tobacco, Commonwealth Brands, Liggett Group e Santa Fe Natural Tobacco anunciaram um processo contra o governo americano por causa da nova regra.
Segundo as empresas, as advertências com imagens irão forçá-las a deixar os consumidores "deprimidos, desencorajados e com medo de comprar o produto".
"O governo pode pedir advertências que sejam diretas, mas não pode pedir que um pacote de cigarros sirva como um mini outdoor para sua campanha anti-fumo" disse o advogado Floyd Abrams, que representa as empresas, em um comunicado.
No mês de junho, a secretária de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Kathleen Sebelius, disse que as novas advertências podem impedir que jovens comecem a fumar e dar a adultos um novo incentivo para deixar o cigarro.
"O presidente Obama quer que as mortes relacionadas ao tabaco sejam parte do passado da nação, e não do nosso futuro', disse.
Estima-se que o consumo de tabaco seja responsável por 443 mil mortes nos EUA a cada ano.
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03 agosto 2011
Faculdades americanas se unem para criar redes de alta velocidade
Universidade do Arizona é uma das 28 que formam coalizão por redes rápidas
O projeto, chamado GigU, foi anunciado oficialmente na quarta-feira, dia 27, e tem por objetivo atrair novas empresas de alta tecnologia em áreas como saúde, energia e telecomunicações para as regiões perto das universidades, muitas das quais ficam no Centro-Oeste ou fora das grandes cidades. Essas zonas funcionariam como pólos para a construção de uma nova geração de redes mais rápidas que poderiam tornar os Estados Unidos mais competitivos internacionalmente.
Por enquanto, o plano ainda está em andamento, com as universidades oferecendo negócios e pedindo soluções a empresas de telecomunicações, corporações e organizações sem fins lucrativos. As instituições envolvidas incluem a Universidade do Estado de Arizona, a Universidade Case Western Reserve, a Universidade Howard, a Universidade Duke, a Universidade de Michigan, a Universidade de Washington e a Universidade de Chicago.
''Nós não estamos pedindo dinheiro do governo'', disse Blair Levin, do Instituto Aspen, que está dirigindo o projeto. "Acreditamos que a abordagem correta é obter fundo para as redes no setor privado".
Através da oferta de conexões de um Gigabit de rede – velocidade suficiente para baixar filmes em alta definição em menos de um minuto – não apenas para pesquisadores científicos e engenheiros, mas para as casas e os negócios em torno das universidades, o grupo pretende criar um ecossistema digital que irá atrair novas empresas, ideias e modelos educacionais.
"Seria um celeiro criativo para a comunidade de pesquisa e também para os moradores", disse Lev Gonick, CIO da Case Western, em Cleveland.
No ano passado, a Case Western implementou um programa piloto em uma área de vários quarteirões perto do campus, disse ele. A Zona Case Connected oferece um gigabite de rede de fibra óptica para 104 casas ao lado da universidade. Em três meses de sua inauguração, disse Gonick, três startups se mudaram para o bairro.
"Acreditamos que uma pequena quantidade de investimento pode render grandes lucros para a economia americana e para a nossa sociedade", disse ele.
Leia mais sobre universidades nos EUA:
As instituições membro da GigU vêm principalmente da região central – de Estados como Indiana, Kentucky, Missouri, Montana e Virgínia – onde podem potencialmente ter um grande impacto sobre as comunidades de médio porte do país. As maiores universidades já têm acesso a redes de maior velocidade.
As faculdades estão se preparando para falar com grandes empresas de telecomunicações sobre maneiras de atrair novos empreendimentos para seus bairros através de uma computação super rápida. Depois, elas vão buscar propostas de negócios para a construção das redes, “não daqui a décadas, mas nos próximos anos", disse o grupo em um comunicado.
Embora os Estados Unidos tenham sido pioneiros nas redes de computadores da década de 1960 até os anos 1990, nos últimos anos o país tem ficado para trás na implantação e aperfeiçoamento da tecnologia de rede. Um estudo recente feito pelo Fórum Econômico Mundial concluiu que, embora os Estados Unidos fiquem em quinto lugar na “prontidão” de sua rede – um índice adotado para comparar o acesso dos países na era digital – ele fica em 30 na largura de banda disponível para a população.
Em 2010, antes de ingressar no Instituto Aspen, um think-tank de política (instituto de pesquisa e estratégia), Levin foi diretor de pessoal do Plano de Banda Larga Nacional da Comissão Federal de Comunicações, que visa a tornar a internet de alta velocidade disponível em todos os Estados Unidos. Depois de deixar a agência e conversar com pesquisadores de universidades de todo o país, ele passou a acreditar que os Estados Unidos precisavam encontrar uma estratégia para melhorar continuamente a qualidade de sua tecnologia de internet.
"É a diferença entre vê-la como uma corrida versus a criação de um ecossistema em constante evolução que melhore as nossas redes", disse Levin.
A comunidade de pesquisa deve ainda combater o ceticismo sobre o que alguns técnicos chamam de mentalidade "construa e eles virão". Alguns técnicos dizem que assim que redes mais rápidas sejam implementadas, novos usos vão surgir para elas que não podem ser previstos hoje. Outros argumentam que a alta resolução de vídeo é a única aplicação atual para as redes de velocidade mais alta.
"O conceito é louvável, mas precisamos saber qual é o propósito", disse Michael Kleeman, um designer de rede de computadores e estrategista de política de telecomunicações da Universidade da Califórnia, em San Diego.
* Por John Markoff
05 abril 2011
Série revela ação dos EUA no golpe de 64
Wilson Tosta / RIO - O Estado de S.Paulo
Gravações inéditas de conversas dos presidentes dos EUA John Kennedy (1961-1963) e Lyndon Johnson (1963-1969) com o embaixador no Brasil Lincoln Gordon sobre o presidente João Goulart e o golpe de 64 - que fez 47 anos na semana passada- destacam-se na série O Dia que Durou 21 Anos, que a TV Brasil começou a exibir ontem e que vai até amanhã, às 22h.
Obtidos nas bibliotecas americanas dedicadas aos dois mandatários da Casa Branca nos anos 60, os registros mostram indícios de que a participação americana na movimentação militar foi maior do que se supunha. Até a possível ação de aviões militares americanos para apoiar conspiradores brasileiros na luta que os EUA esperavam demorada e sangrenta - e que não aconteceu - foi preparada.
"Apoio aéreo pode ser fornecido imediatamente se houver campo de pouso no Recife ou outro lugar no Nordeste do Brasil capaz de receber aviões de grande porte", diz, em uma gravação, o secretário de Estado Dean Rusk. A movimentação seria parte da Operação Brother Sam, o deslocamento, em apoio ao golpe, de uma frota naval americana para a costa brasileira.
O diretor da série, Camilo Tavares, da produtora Pequi Filmes, explica que o trabalho é uma versão "pequena e resumida" do documentário que deverá estar nos cinemas em dois meses. A pesquisa foi feita por uma equipe capitaneada por seu pai, o jornalista Flávio Tavares, e incluiu, além das gravações da John Kennedy Library e da Lyndon Johnson Library, liberadas após 40 anos, documentos da Central Intelligence Agency (CIA) e da Casa Branca.
Os três episódios são construídos em torno da figura de Gordon. Ele aparece, em abril de 62, em conversa com Kennedy, que pergunta: "Você acha que Goulart, se tivesse poder, agiria?" Gordon responde: "Acho que faria algo como Perón". O presidente retruca: "Um ditador". "Um ditador pessoal e populista", completa Gordon. "Acho que não posso fazer nada com ele ali", diz Kennedy. "Acho que pode", fala o diplomata. Adiante, Gordon diz: "O fundamental é organizar forças políticas e militares para reduzir seu poder e, num caso extremo, afastá-lo."