04 janeiro 2012
China adota medidas para conter 'invasão cultural' do Ocidente
Em um artigo publicado na revista Seeking the Truth ("Buscando a verdade"), Hu Jintao afirma que as chamadas "forças hostis internacionais estão intensificando seus golpes estratégicos de ocidentalizar a China e separar o país".
Para o líder político, "os campos ideológicos e culturais são o foco da infiltração de longo prazo deles". O pronunciamento é consoante com a reforma cultural aprovada por unanimidade em outubro passado pelos membros do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), durante seu 17º Congresso Anual.
Dentre as medidas citadas no plano de reforma estão a revitalização da indústria cultural do país por meio de investimentos, a expansão dos Institutos Confúcio no exterior e o controle da entrada de manifestações culturais ocidentais.
"A força da indústria cultural do país não é proporcional a sua influência internacional", alegou Hu Jintao no texto. "A cultura ocidental é forte, enquanto ainda nos mostramos fracos", acrescentou.
Ecos da revolução
Como uma das primeiras publicações legais de 2012 acerca da reforma, a Administração Estatal para Rádio, Filme e Televisão (Sarft, na sigla em inglês) anunciou no dia 1º o fim de 2/3 dos programas de entretenimento veiculados pela televisão chinesa em canais fechados.
As atrações vetadas, programas de namoro, concurso de calouros e talk shows, emulam programas ocidentais. Antes mesmo da reforma, em setembro do ano passado, o programa Super Girl, um show de calouros que contava com o voto dos telespectadores, foi cancelado. Na época, muitos acreditaram que as autoridades não viam com bons olhos o tímido exercício de democracia de escolher os vencedores.
A atração existia desde 2004 e chegou a ter uma audiência de 400 milhões de pessoas. Desde que posta em prática, a nova diretriz cultural já cortou 88 horas de programação de entretenimento da televisão a cabo - de 126 horas para 38 horas semanais.
Conforme a agência oficial de notícias, Xinhua, a Sarft comandou as emissoras a substituírem a programação "de mau gosto" por atrações que "promovam virtudes tradicionais e valores socialistas".
Para os críticos, as palavras reacendem os fantasmas da Revolução Cultural, política iniciada em 1966 por Mao Tsé-tung e que tirou 70 milhões de vidas durante os dez anos em que vigorou.
Durante a Revolução Cultural, aos chineses só se permitia estudar os trabalhos marxistas e os de Mao Tsé-tung, publicados no Livro Vermelho. Intelectuais e cidadãos da classe alta eram mandados para o campo de trabalho forçado.
Han Han, o mais famoso blogueiro do país, publicou no final de 2011 um post em que criticava as determinações da reforma cultural. Sob o título "Da liberdade", o escritor avaliou que, "mais do que impulsionar economicamente a indústria cultural chinesa, a reforma promoverá apenas artistas e ações que estejam de acordo com os ideais do Partido Comunista, aumentando a censura no país".
MATÉRIA COMPLETA:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5542579-EI8143,00-China+adota+medidas+para+conter+invasao+cultural+do+Ocidente.html
Bilionário chinês pode ter morrido por comer gato envenenado
A acusação foi feita pelo irmão de Long Liyuan, segundo o jornal China Daily. O presidente de uma empresa de reflorestamento passou mal após comer em um restaurante da cidade de Gaozhou, onde teria se servido de uma refeição à base de carne de gato.
Dois amigo de Long que o acompanharam ao restaurante também passaram mal e um deles chegou a ser internado na UTI, mas agora passa bem. O resultado da autópsia deve sair em um mês, segundo a polícia. O dono do restaurante chegou a ser preso por "vender comida sem condições sanitárias.
O irmão de Long disse acreditar que ele foi envenenado. Segundo a família, o empresário tinha inimigos nos negócios que poderiam querer o bilionário morto. De acordo com a reportagem do China Daily, o empresário teria investido pesadamente na empresa especializada em reflorestamento.
MATÉRIA COMPLETA:
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5542589-EI8143,00-Bilionario+chines+pode+ter+morrido+por+comer+gato+envenenado.html
26 dezembro 2011
China testa ferrovia que pode alcançar velocidades superiores a 500 km/h
A construtora de ferrovias chinesa CSR começou os primeiras testes de um trem que poderá alcançar velocidades superiores a 500 km/h, o que o transformará em um dos mais rápidos do mundo, informou a agência oficial "Xinhua".
O trem experimental, com seis vagões e o mais novo da série de trens bala chineses CHR, tem uma potência de 22.800 quilowatts, mais do dobro dos que atualmente cobrem a linha de alta velocidade entre Pequim e Xangai, destacaram os engenheiros.
Ding Sansan, engenheiro chefe da companhia, detalhou que o modelo do novo trem é inspirado em uma espada antiga chinesa, e que a carroceria plástica do veículo será reforçada com fibra de carbono.
A China é um dos países que mais está desenvolvendo a alta velocidade ferroviária, até o ponto de já ter a maior rede mundial (9.600 quilômetros) em apenas quatro anos desde a abertura da primeira linha deste tipo.
Trem será um dos mais rápidos do mundo
14 dezembro 2011
China é principal risco estrutural para o Brasil, diz Credit Suisse
Em relatório que leva nome de música sobre fim do mundo, analista avalia os "mitos" do crescimento sustentado chinês e destaca os principais problemas da Europa
Olívia Alonso, iG São Paulo
A China, apesar de ser o maior comprador das exportações do Brasil, configura hoje um dos principais riscos estruturais para a economia brasileira, avalia o analista Luis Stuhberguer, da Credit Suisse Hedging Griffo. Em relatório intitulado “It´s the end of the world as we know it. And I feel fine!” (É o fim do mundo como o conhecemos. E eu me sinto bem!”, em referência à música de mesmo nome da banda REM, ele destaca os principais pontos de preocupação para o País, os problemas das economias europeias e comenta que os Estados Unidos, por sua vez, estão em recuperação.
Os principais riscos para a economia brasileira, na avaliação de Stulhberguer, estão relacionados a “mitos” da economia chinesa. Enquanto costuma-se prever que a China terá 1 bilhão de consumidores em 2030, o que significaria um gigantesco mercado consumidor não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo, ele diz que, na verdade, o crescimento demográfico está se tornando negativo no país. No mesmo sentido, enquanto se previa que o país asiático passaria por uma mudança para uma economia de consumo, com redução da poupança, o que se observa é o aumento da poupança de empresas e a continuidade da dependência do comércio internacional e do investimento.
Outro mito citado por ele é o dos investimentos em infraestrutura. Se antes era comum ouvir que os recursos chineses são bem direcionados, a realidade é que o país está construindo “elefantes brancos” e fazendo uma má alocação de recursos, diz o analista. Ele cita ainda o mito das “forças das reservas internacionais” chinesas, afirmando que o excesso de reservas é, na realidade, um sinal dos “desequilíbrios globais”. Como é um grande comprador de commodities brasileiras, qualquer sinal de deterioração das estruturas econômicas da China acaba sendo uma notícia negativa para o Brasil.
O analista também diz que há um aumento excessivo do crédito e um super investimento no setor imobiliário chinês e rebate a tese de que as ações de empresas vão se beneficiar do forte crescimento da economia, afirmando que “o retorno das ações e o crescimento do PIB não são positivamente correlacionados.”
O analista pondera, entretanto, que “apesar dos temores, [a China] ainda tem uma história positiva,” o que pode favorecer o Brasil, ainda que não seja o suficiente para eliminar os riscos. Segundo ele, é difícil imaginar que o retorno do investimento chinês seja negativo a ponto de não "ser pago". Ele diz ainda que a urbanização ainda é um fator estrutural favorável, uma vez que apenas cerca de 45% da população chinesa vive em cidades. Além disso, Stuhlberger diz que o apetite chinês por commodities deve “se manter voraz”, com o país em crescimento. Ele destaca que 47,7% da demanda global por minério de ferro – um dos principais itens exportados pelo Brasil – é da China.
Stuhlberger acrescenta ainda que a dependência brasileira da China vem aumentando e que, se não fossem os chineses, o deficit em conta corrente do Brasil seria bem maior do que os atuais 2% do PIB.
Além da China, o analista também aponta problemas internos brasileiros que configuram riscos ao País, como a falta de competitividade da indústria, o sistema de previdência insustentável e a taxa de investimento público do Brasil, que é de apenas 2,4% do PIB. Em porcentagem das receitas primárias da nação, os aportes são somente 7%, valor que coloca o Brasil na frente apenas da Hungria e da Argentina em uma lista com 27 países emergentes. Stuhlberger também cita a alta carga tributária brasileira, que chega a 34,4%, enquanto a média de outros países emergentes é de 25,1%.
Europa e EUA
Em uma breve avaliação sobre as economias europeias, o analista do CSHG diz que a impossibilidade de emitir moeda é um grande problema europeu e que a raiz da situação atual da região é o “diferencial de produtividade.” Citando dados de pesquisa do Morgan Stanley e da Haver Analytics, ele compara o custo do trabalho no setor manufatureiro em cinco países europeus. Enquanto a França tem um valor unitário de 100, a Alemanha consegue gastar apenas 85, enquanto Portugal, Itália e Espanha têm valores superiores a 120. Além disso, ele mostra que em um ranking global de crescimento da produtividade nos últimos 10 anos, os quatro últimos colocados são europeus: Itália, França, Espanha e Portugal.
O analista mostra menos preocupação com os Estados Unidos. Na visão dele, “os temores de um ‘duplo mergulho’ eram exagerados.” Ele afirma que o crescimento norte-americano está em recuperação, que a demanda do setor privado no país voltou a crescer 4% ao ano e que o mercado imobiliário “parece ter se estabilizado.” Pela primeira vez desde 2005, diz Stuhlberger, o setor habitacional poderá contribuir para o PIB dos EUA em 2012.
09 dezembro 2011
China terá 3% de sua demanda proveniente de energia eólica até 2015
Segundo dados da Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora por ano
Orlando Sierra/AFP
Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts
São Paulo - o jornal "Shanghai Daily" informou que três por cento da eletricidade anual daChina virá de energia eólica, em 2015. Se conseguir, o país dobrará sua grande capacidade em produzir energia proveniente do vento.
De acordo com o vice-presidente da Comissão, Shi Yubo, o setor eólico da China gerou 58,3 bilhões de quilowatts/hora entre janeiro e outubro de 2011. O valor representa quase 1,5% da eletricidade utilizada no país nesse período.
Entre 2005 e 2009 o mercado eólico da China multiplicou por dois sua capacidade e em 2010 acrescentou mais 18,9 gigavolts de capacidade. Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts.
Um estudo recente da ONU mostrou que a China investiu 49 bilhões de dólares em energia limpa.
Foi o maior investimento sustentável do setor em 2010. Na ocasião, a diretora do relatório, Anne Miroux, afirmou que a China esta se esforçando muito, porém um de seus grandes problemas são as centrais térmicas que utilizam carvão.
24 novembro 2011
China anuncia manobras navais após aumento de tensão com EUA
O Ministério da Defesa da China anunciou nesta quinta-feira a realização de exercícios militares navais em águas do Oceano Pacífico nos próximos dias, após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgar no último dia 16 o aumento da presença militar americana na Austrália, o que irritou as autoridades de Pequim.
Em um breve comunicado, o ministério chinês esclareceu que os exercícios anunciados serão manobras de rotina, "não dirigidas contra nenhum país ou alvo em particular", mas os analistas destacam a coincidência temporal dessas ações com as crescentes tensões da China com os Estados Unidos.
O Ministério da Defesa chinês não especificou o local exato das manobras, nem quantos navios participarão. A emissora de televisão japonesa NHK informou que seis navios da Marinha chinesa, entre eles um destróier antimísseis, foram detectados perto das ilhas de Okinawa, em direção ao Pacífico.
"Pequim está muito descontente por ver os EUA envolvidos nas disputas territoriais no Mar da China Meridional, desafiando nossa soberania territorial em aliança com o Vietnã e Filipinas", comentou ao jornal South China Morning Post o analista chinês em assuntos militares Ni Lexiong, após o anúncio das manobras.
Na semana passada, Obama realizou uma longa viagem pelo Pacífico, que incluiu sua participação em duas cúpulas - a da Apec, no Havaí, e a da Ásia Oriental, em Bali -, onde aproveitou para dizer que as missões americanas seriam uma prioridade na política de defesa do Pentágono (Departamento de Defesa americano).
Na Austrália, uma das escalas da viagem, Obama anunciou que 2,5 mil marines (fuzileiros navais) americanos seriam destacados ao norte do país para ampliar a presença estratégica dos EUA no Pacífico ocidental. O anúncio motivou críticas da China, que classificou a medida como inoportuna, num momento em que, segundo Pequim, todos os países devem trabalhar juntos para sair da crise econômica.
O Mar da China Meridional, principal foco de tensões na região, abriga as ilhas Spratly e Paracel, reivindicadas pela China e outros países da área, junto ao que se acredita ser uma das maiores reservas mundiais de petróleo, ainda não exploradas.
Filipinas e Vietnã, outros dois países que reivindicam parte desses arquipélagos, acusaram a China neste ano de aumentar as hostilidades na região.
A China acusa os EUA de manterem uma "mentalidade da Guerra Fria" e pede às partes em conflito no Mar da China Meridional que negociem diretamente com Pequim, sem internacionalizar a questão, o que não impediu que o assunto fosse levado por Obama à mesa multilateral de Bali na semana passada, na Cúpula da Ásia Oriental.
O ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, se reuniu nesta quarta-feira com a subsecretária de Estado americana, Wendy Sherman, a quem pediu que os dois países "devolvam as relações bilaterais ao caminho correto". "China e EUA devem respeitar mutuamente seus respectivos interesses e lidar adequadamente com assuntos sensíveis", destacou.
23 novembro 2011
Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas
BBC
O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.
O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas.
Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contra-mão, desmatando mais do que é reflorestado.
O levantamento, denominado "Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados", verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.
Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.
Fundo do poço
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics. "Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente", disse Veríssimo à BBC Brasil.
"Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta", afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%. O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%. "O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos", afirma Veríssimo. A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.
Curva ascendente
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural. Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior. O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo. Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental "Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos", disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária). "E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário."
18 novembro 2011
China alerta contra interferência externa em disputa marítima
Comentário foi uma advertência velada aos Estados Unidos e outros países para que não se intrometam na questão
REUTERS
NUSA DUA, INDONÉSIA - O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse nesta sexta-feira, 18, que "forças de fora" não têm desculpa para se envolver em uma complexa disputa entre países do Sudeste da Ásia por direitos no Mar do Sul da China. O comentário foi uma advertência velada aos Estados Unidos e outros países para que não se intrometam na questão.
Remoe Gacad/ReutersWen Jiabao e presidente da Indonésia durante encontro de países asiáticos
No entanto, Wen também abaixou o tom durante uma cúpula de líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático, no resort de Bali, na Indonésia, a oferecer empréstimos e linhas de crédito no valor de 10 bilhões de dólares a países vizinhos e dizer que a China somente quer ter amigos na região.
A China reivindica uma ampla porção do Mar do Sul da China, importante como rota de navegação e rico em petróleo e gás. A questão vem elevando a tensão na região nos últimos meses.
Vietnã, Filipinas, Taiwan, Malásia e Brunei também buscam direitos sobre partes do mar e, com o apoio dos EUA e do Japão, vêm pressionando a China para uma solução na disputa.
10 novembro 2011
Sangue no arroz
O sangue é uma mercadoria valiosa, mas que não tem preço. Em muitos países, e no Brasil também, ele não pode ser vendido ou comprado. Quem necessita de sangue e seus derivados depende da boa vontade de doadores voluntários.
Ao longo das últimas décadas, cientistas têm conseguido produzir alguns dos componentes do sangue fora do corpo humano. Fatores de coagulação, utilizados por hemofílicos, já são produzidos por células mantidas em laboratórios. Agora, um grupo de cientistas chineses desenvolveu um método capaz de produzir o principal componente do sangue humano, a albumina, de modo seguro e a um custo muito baixo. Para isso, recrutaram a ajuda do arroz.
A albumina é uma proteína importante. Ela ajuda a manter o sangue nas veias, evitando a migração dos líquidos para os tecidos. Transporta esteroides, hormônios (como os da tireoide) e ácidos graxos. Purificada, ela é usada para tratar queimaduras, hemorragias e doenças, como algumas formas de cirrose hepática. Além disso, a albumina faz parte da composição de diversas vacinas e é utilizada no processo de produção de muitos remédios biológicos.
O mundo consome 500 toneladas de albumina humana por ano. Grande parte dessa montanha de albumina é isolada de bolsas de sangue que não são usadas em transfusões. O sangue doado é processado em grandes fábricas, que separam os diversos componentes. Além da dificuldade de obter a matéria-prima, é muito difícil garantir que a albumina humana não esteja contaminada com vírus como o da hepatite C ou o HIV, causador da aids.
A segurança do produto depende da seleção dos doadores e de métodos sofisticados e caros de purificação. Em 2006, foi descoberto que o aparecimento de um grande número de casos de aids em uma vila no centro da China foi causado por um lote de albumina derivado de amostras de sangue coletadas de maneira ilegal. E logo após o surgimento da aids, um grande número de pessoas foi infectado pelo vírus da aids na França por causa de amostras de sangue contaminadas. A hepatite C ainda hoje se espalha por meio de sangue e derivados contaminados com o vírus.
Com o objetivo de produzir albumina humana em grande escala, livre de qualquer vírus humano, um grupo de pesquisadores chineses inseriu o gene da albumina humana no genoma do arroz. A tecnologia é semelhante à utilizada para produzir a soja resistente aos herbicidas. Para garantir que a albumina humana produzida no arroz se acumulasse nos grãos, os cientistas inseriram com o gene humano segmentos de DNA que fazem com que a albumina seja produzida nas células que formam o grão e seja acumulada no seu interior.
Pureza. Nessa nova linhagem de arroz, 10% de toda a proteína solúvel presente nos grãos é albumina humana. Produzida a linhagem e cultivado o arroz, os chineses desenvolveram um método para purificar a albumina. O resultado final é uma albumina humana com mais de 99% de pureza, livre de qualquer patógeno humano. A albumina produzida em arroz foi amplamente testada e até agora tudo indica que ela é idêntica à isolada do sangue humano.
Esse processo é capaz de produzir 2,75 gramas de albumina por quilo de arroz. Uma plantação de aproximadamente 20 mil hectares desse arroz transgênico seria capaz de produzir as 500 toneladas de albumina humana consumidas por ano. Como hoje são plantados 80 milhões de hectares de arroz todos os anos, a área dedicada à produção de albumina seria insignificante, menos de 0,03% do total.
Se por um lado essa nova tecnologia pode salvar muitas vidas, esse novo produto biotecnológico vai criar polêmica. Será necessário garantir que esse arroz transgênico não se misture ao arroz comestível. Da mesma forma que o arroz dourado (capaz de prevenir a cegueira causada pela falta de vitamina A) ainda enfrenta problemas para ser produzido em larga escala, é de se esperar que o arroz com albumina provoque muita resistência.
Mas o fato é que a tecnologia agora está disponível. Vai caber aos chineses decidir se querem utilizá-la. Nas últimas décadas, a China vem liderando o desenvolvimento e a utilização de plantas geneticamente modificadas. Não se espante se, nos próximos anos, uma grande parte da albumina humana consumida no planeta for produzida em plantações de arroz chinesas.
Mais informações: Large-scale Production of Functional Human Serum Albumin From Transgenic Rice Seeds. Proc. Nat. Acad. SCI., USA DOI 10.1073/PNAS.1109736108, 2011
06 novembro 2011
'Brasil deve assumir responsabilidades'
Para diretor de centro de estudos da União Europeia, Assad precisa ser impedido de seguir 'massacrando' seu povo
Num mundo "pós-ocidental", em que os Estados Unidos e a Europa perdem poder, o Brasil, como potência emergente, precisa assumir suas responsabilidades em relação à segurança internacional. O fato de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ter extrapolado seu mandato na Líbia, sobretudo no momento da captura de Muamar Kadafi em Sirte, não deve servir de motivo para não pressionar Bashar Assad a parar de massacrar o povo sírio.
Veja também: Ouça a entrevista com Álvaro de Vasconcelos
A análise é do português Álvaro de Vasconcelos, diretor do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia. Em entrevista ao Estado, Vasconcelos adverte: "Assad pensa que tem certo apoio da Rússia e da China, e o Brasil e a Índia não têm uma posição clara."
O sr. acha que a Otan emerge da experiência na Líbia com um novo papel no mundo?
Não. Esse já não é um mundo ocidental, mas pós-ocidental, em que as questões da segurança e da economia dependem não só das decisões dos EUA e da União Europeia, mas da China, da Índia, do Brasil. Não teria havido a operação na Líbia se o Conselho de Segurança da ONU não tivesse aprovado uma resolução que a permitia. A Rússia e a China não a vetaram com base no princípio da responsabilidade de proteger. A Otan não vai poder substituir o consenso mundial. Se o problema militar e de segurança for na América do Sul ou na Ásia, não me parece que a Otan tenha qualquer papel a desempenhar.
Com a emergência da Rússia, China e Brasil, o mundo torna-se menos intervencionista?
Menos intervencionismo como aquele que vimos no Iraque, eu diria ‘ainda bem’. Ainda bem que hoje é preciso um consenso mais vasto, e os EUA não estão na posição, nem têm a intenção, com o presidente Obama, de ter um intervencionismo militar que não seja legitimado pelas Nações Unidas.
Outro problema é o da responsabilidade de proteger. Amanhã poderemos ter uma situação como a de Ruanda ou dos Bálcãs, ou o que se passou na Líbia quando as tropas de Kadafi estavam às portas de Benghazi. Nessa altura, China, Índia e Brasil vão ter de assumir responsabilidades.
Não me parece que a Europa e os EUA devam ser polícia do mundo. Mas acho que todos os países do mundo têm obrigação de prevenir o genocídio e de proteger os cidadãos ameaçados por um crime contra a humanidade. No passado, o Brasil, a Índia e a China podiam dizer: ‘Isso é responsabilidade dos americanos e dos europeus.’ Ou então: ‘Eles estão num intervencionismo militar com o qual não concordamos.’
E em muitos casos, como no do Iraque, tinham absoluta razão. Mas no futuro vão ter de pensar bem quais são as responsabilidades que vão querer assumir na segurança internacional. No mundo pós-ocidental, a segurança internacional não vai mais depender nem será garantida pela Europa e pelos EUA. Vai ter se de ser garantida pelas nações com mais peso na ordem internacional. Evidentemente isso põe a questão da reforma do Conselho de Segurança, pois não há participação sem representação.
E no caso da Síria?
Antes de chegar à Síria gostaria de fazer um comentário sobre a Líbia. Houve uma resolução clara, com base no princípio da responsabilidade de proteger, que fazia todo o sentido quando os tanques de Kadafi estavam às portas de Benghazi. Mas a Otan depois atuou por vezes de forma desproporcional. Sobretudo a última operação militar contra Sirte, onde Kadafi estava refugiado, foi além do que o princípio da responsabilidade de proteger exigia.
Isso cria dificuldades hoje para um consenso internacional para agir na Síria. É evidente que é necessário conter os massacres na Síria, que seja dito claramente a Assad que a comunidade internacional não aceita que ele continue a matar o próprio povo, que se manifesta pacificamente exigindo a democracia, os direitos do homem, a liberdade.
Mas China, Rússia, Índia e Brasil não se mostram muito entusiastas numa resolução do Conselho de Segurança que aumente a pressão sobre Assad, com medo que se repita a história da Líbia. É necessário que o Brasil, a Índia, a China, a Rússia, com a Europa, os EUA e os países da Liga Árabe - que tem posições cada vez mais duras em relação ao regime sírio --pensem o que podem fazer para travar os massacres na Síria sem que isso signifique recorrer a uma operação militar, em relação à qual não há consenso internacional agora, e que no caso da Síria poderia ser extremamente contraproducente.
As consequências da intervenção militar seriam mais graves que as da não intervenção. Mas se pode, por exemplo, criar uma zona de proteção para refugiados na fronteira com a Turquia e aumentar a pressão sobre a Síria com uma resolução clara, pois Assad pensa que tem apoio da Rússia e da China, e o Brasil e a Índia não têm uma posição clara.
04 novembro 2011
China rejeita acusações de roubo de dados dos Estados Unidos
Apontar agressores sem investigação é 'irresponsável e antiprofissional', afirma chancelaria
04 de novembro de 2011 9h 49
Reuters
PEQUIM - A China qualificou nesta sexta-feira, 4, como "irresponsável" uma acusação americana de que o governo chinês estaria usando a espionagem digital para roubar lucrativos segredos comerciais e tecnológicos dos Estados Unidos.
Um relatório de inteligência do Escritório do Executivo Nacional de Contra-Inteligência do governo americano, enviado na quinta-feira ao Congresso, acusou a China e a Rússia de cometerem espionagem, e disse que isso pode custar milhões de dólares.
Mas Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, rejeitou a acusação e reiterou a disposição de Pequim em cooperar. "Os ataques online são notáveis por ultrapassarem as fronteiras nacionais e serem anônimos. Identificar os agressores sem realizar uma investigação abrangente e fazer inferências sobre os agressores é ao mesmo tempo antiprofissional e irresponsável", afirmou. "Espero que a comunidade internacional possa abandonar o preconceito e se empenhar com a China para manter a segurança online", acrescentou Hong.
O relatório dos EUA admitia a dificuldade em determinar exatamente quem comete os ataques digitais. Empresas norte-americanas têm relatado invasões em suas redes oriundas da China, mas a inteligência dos EUA não foi capaz de confirmar isso.
25 outubro 2011
Jornal chinês alerta para 'som de canhões' em disputa marítima
China, Taiwan e quatro nações do Sudeste Asiático brigam pelas ilhas Spratly e outros atóis
REUTERS
PEQUIM - Um dos jornais mais populares da China advertiu nesta terça-feira, 25, que as nações envolvidas em disputas territoriais no Mar da China Meridional devem "se preparar mentalmente para o som de canhões" se permanecerem em conflito com Pequim.
Diego Azubel/EFEChina afirma ter soberania indiscutível sobre os mares ao sul e sobre as ilhas da região
O Global Times é publicado pelo Diário do Povo, do Partido Comunista chinês, mas ao contrário deste não é uma plataforma para políticas oficiais e tende a assumir um tom nacionalista que agrada aos leitores.
Em um editorial publicado nas edições em chinês e inglês, o Times acusou países como Vietnã e Filipinas de se aproveitarem da "postura diplomática moderada" da China para forçar suas agendas próprias.
"Atualmente, a postura da China é a de que deve, primeiro, passar pelos canais gerais de negociação com outros países para resolver as disputas marítimas. Mas se a situação ficar feia, alguma ação militar é necessária", escreveu.
"Se esses países não querem mudar suas maneiras com a China, terão de se preparar mentalmente para o som de canhões. Precisamos estar prontos para isso, já que pode ser o único caminho para que as disputas marítimas sejam resolvidas".
China, Taiwan e quatro nações do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas e o Vietnã, têm reivindicações conflitantes sobre as ilhas Spratly e outros atóis no Mar da China Meridional, uma área onde se estima existir ricos depósitos de petróleo e gás. É também uma região rica em pesca.
Os países que reivindicam território marítimo vêm tentando amenizar a tensão depois de uma série de disputas este ano, inclusive quando barcos de patrulha chineses ameaçaram atacar um navio de pesquisa contratado pelas Filipinas em março.
Ao ser questionada sobre os comentários do jornal, a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu, disse que o governo estava comprometido com uma política pacífica em relação ao mar.
"A mídia da China tem o direito de dizer o que quiser, mas esperamos que eles desempenhem um papel construtivo e apresentem uma mensagem verdadeira", disse ela em entrevista coletiva.
A China, que afirma ter soberania indiscutível sobre os mares ao sul e sobre as ilhas da região, rejeitou uma arbitragem internacional das reivindicações e propôs um desenvolvimento conjunto dos recursos.
O Global Times disse que outros governos praticamente ignoraram o pedido da China "de colocar de lado as diferenças e trabalhar em interesses comuns". "Não existe nenhum método conhecido para resolver estas questões de forma pacífica," escreveu o jornal.
"A realidade é que cada país acredita que tem tudo para forçar a China a se curvar. A China quer manter a calma, mas esse é um papel isolado. A China terá que se ajustar a esta realidade."
04 outubro 2011
China expressa "firme rejeição" a projeto americano sobre iuane
http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201110040543_EFE_80292421
Noticia
O governo chinês expressou nesta terça-feira sua "firme rejeição" ao início do debate de um projeto de lei no Senado dos Estados Unidos que abre a possibilidade a sanções comerciais contra a China por manter o iuane abaixo de seu valor real, em prejuízo das exportações americanas.
Nesta segunda-feira, o Senado americano aceitou debater o projeto, que conta com o respaldo de republicanos e democratas, e deve votá-lo e aprová-lo ainda nesta semana.
Segundo o porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, o debate sobre a suposta manipulação da moeda chinesa "viola seriamente as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)". "Além disso, prejudica as relações comerciais entre China e EUA", afirmou Ma em comunicado.
A China pede aos senadores americanos que protejam a cooperação comercial entre os dois países em benefício mútuo e evitem pressioná-la com leis americanas, acrescentou o porta-voz.
O governo de Barack Obama, assim como o de seu antecessor, George W. Bush, ainda que avalie que o iuane está subvalorizado, não adotou sanções unilaterais contra a China por isso, já que teme consequências de uma guerra comercial.
A votação no Senado coincidiu com a visita a Pequim do subsecretário do Tesouro americano, Lael Brainard, para transmitir aos líderes chineses, segundo um comunicado oficial, que o iuane segue subvalorizado mesmo depois de ter avançado 10% desde junho do ano passado.
Em junho de 2010, Pequim anunciou que permitiria uma maior flutuação de sua divisa, mas os EUA consideram que o iuane segue artificialmente desvalorizado em benefício das exportações chinesas. Em 2010, os EUA registraram um déficit comercial com a China de US$ 273 bilhões.
08 setembro 2011
Chineses e árabes procuram terrenos férteis para produzir no País
http://economia.ig.com.br/empresas/agronegocio/chineses+e+arabes+procuram+terrenos+ferteis+para+produzir+no+pais/n1597198882620.html
Danilo Fariello, iG Brasília 08/09/2011 05:59
Entre 2002 e 2008, 86% dos terrenos estrangeiros adquiridos no Brasil estavam concentrados em apenas 12 países, sendo que os maiores eram Países Baixos, Estados Unidos e França.
Mas, nos últimos três anos, a China e os demais países árabes foram os que mais mostraram interesse por terras nacionais, conforme apurou o iG.
Na Arábia Saudita, por exemplo, foi criado um fundo soberano (recursos do próprio país) com capital inicial de US$ 8 bilhões justamente para promover o desenvolvimento agropecuário em outros países.
Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os Estados preferidos pelos estrangeiros ao comprar terras no Brasil são, pela ordem, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Investimentos sem desenvolvimento
O Incra já apontou que os investimentos estrangeiros diretos para agropecuária no Brasil são um “estímulo da produção agrícola primária no curto prazo, sem impacto sobre o longo prazo”, segundo apresentação interna ao qual o iG teve acesso.
Esse efeito levaria, ainda, a uma “concentração agroindustrial e redução do valor da produção agrícola brasileira, além do direcionamento para produtos voltados à exportação”. Além disso, esses investimentos não oferecem “mudança significativa no conjunto de indicadores que mostrem uma melhora no desenvolvimento econômico no meio rural brasileiro”, segundo o Incra.
Ocorre que o próprio Incra não tem informação precisa de quantas são as terras em posse de estrangeiros ou quem sejam eles. Segundo o Instituto, hoje pelo menos 4,5 milhões de hectares do Brasil estão nas mãos de estrangeiros em 34 mil diferentes propriedades.
Mas esse número não inclui as empresas nacionais de controle internacional, que não eram consideradas nos últimos anos para registro.
O coordenador-geral agrário do Incra, Mauro Sérgio dos Santos, afirmou em depoimento na Câmara dos Deputados no mês passado que “milhares e milhares” de propriedades estão nessa situação, ou seja, são de posse de estrangeiros, mas não há como haver certeza sem que se confira as escrituras e seus proprietários nos cartórios.
01 setembro 2011
China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém
Linha férrea ajudará a escoar soja do Mato Grosso para a Ásia e trará importados para o centro-sul do País
Danilo Fariello, iG Brasília | 31/08/2011 05:58
Chega neste sábado a Cuiabá, capital de Mato Grosso, uma comitiva de engenheiros, geólogos e economistas da companhia estatal China National Machinery Corporation (CMC). Eles querem levantar informações em campo para, após esse reconhecimento, instalar uma nova ferrovia entre Cuiabá (MT) a Santarém (PA). A obra, uma continuação da Ferronorte, tem valor estimado em R$ 10 bilhões.
Uma intenção do grupo chinês é construir a linha férrea para tornar mais ágil e eficiente o escoamento da soja - entre outros produtos - de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, no norte do Mato Grosso. Hoje esse trajeto é feito pela rodovia BR-163, que passa pelas mesmas cidades.
De Santarém, a produção parte de navio direto para a China, explica o secretário-extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes de Mato Grosso, Francisco Vuolo.
Outra intenção dos chineses seria também usar a ferrovia como um canal de acesso mais barato para trazer importados aos mercados do Centro-Sul do país. Compõem a comitiva chinesa também funcionários da agência de promoção de exportações e investimentos do país, a Asian Trade & Investments (ATI).
Linha de 2 mil quilômetros
De acordo com Vuolo, a obra terá uma extensão de quase 2 mil quilômetros, o que, pelo custo médio das últimas ferrovias feitas no Brasil, poderia ter um orçamento estimado em até R$ 10 bilhões. Mas o valor vai variar muito conforme o estudo do relevo, que será feito pelos chineses durante a viagem – a construção de pontes ou túneis encarece muito a obra.
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Esse trecho da Ferronorte, entre outros, era concedido à América Latina Logística (ALL) até o ano passado, mas a concessão foi devolvida ao governo federal por falta de interesse da companhia. Por isso, já existem estudos preliminares para a instalação do empreendimento.
Segundo Vuolo, os chineses da CMC poderão vir a construir esse ramal da Ferronorte em forma de Parceria Público-Privada (PPP) ou algum outro modelo de concessão. A estatal, que já assinou protocolo de intenções para fazer a obra, possui mais de 90 mil quilômetros de ferrovias já instalados na China e em outros países, diz Vuolo.
Vuolo explica que, inicialmente, os chineses tendem a construir a ferrovia nas proximidades da BR-163, porque a construção nesses arredores – a chamada “faixa de domínio” – ofereceria maior facilidade para conseguir licenças ambientais.
Governo deve ser chamado a dar apoio
A expedição foi acertada pelo governador do Estado, Silval Barbosa, em viagem à China no início deste ano. Até cem pessoas – entre elas 14 chineses – vão sair de Cuiabá no sábado para uma viagem de três dias. Entre os passageiros, estarão também profissionais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O projeto da ferrovia não está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a princípio, poderia ser um projeto 100% privado. No entanto, espera-se que os chineses queiram apoio financeiro do governo brasileiro para instalar a ferrovia, como ocorre no caso da fábrica da Foxconn, no Estado de São Paulo.
Futuramente, o governo do Estado de Mato Grosso espera que a ferrovia criada pelos chineses também possa se conectar à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) em Sorriso (MT) e que o ramal da Ferronorte ainda concedido, que vai de Rondonópolis (MT) a Cuiabá, seja concluído. Essas duas linhas se conectam à ferrovia Norte-Sul, que corta o País e, em breve, chegará aos portos mais relevantes do Brasil.