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09 dezembro 2011

Cientistas descobrem forma simples e barata de capturar energia solar


Sistema converte em média 36% da energia solar incidente em eletricidade - que é maior do que o máximo teórico que poderia ser alcançado por células fotovoltaicas comuns

Divulgação

Energia solar

Segundo os pesquisadores, a geometria - precisamente projetada do material fotônico, preferencialmente emite luz em uma direção e comprimento de onda que é ideal para a conversão fotovoltaica

São Paulo - Cientistas norte-americanos descobriram uma nova maneira de concentrar o calor do sol sem o uso de espelhos. A novidade deve permitir uma forma mais simples e barata de aproveitar a energia solar usando sistemas compactos.

O dispositivo criado foi descrito em um relatório na revista Nanoscale Research Letters, por Peter Bermel e outros pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Um dos métodos tradicionais de aproveitamento da energia solar envolve o uso de células fotovoltaicas (PV), materiais que captam a luz solar e a transformam em eletricidade.

Outros métodos térmicos solares usam uma matriz de espelhos para focar e concentrar a luz solar, o suficiente para ferver a água e executar uma turbina a vapor para gerar eletricidade.

Uma terceira abordagem menos comum é a utilização de dispositivos chamados termofotovoltaicos (TPV, sigla em inglês). Que são dispositivos no estado sólido, que geram eletricidade diretamente a partir do calor emitido pelo sol ou qualquer outra fonte de calor radiante, como combustível.

O princípio básico de seu funcionamento é semelhante ao das células fotovoltaicas tradicionais com a diferença que o calor radiante não é absorvido diretamente pelo material fotovoltaico, mas sim por um absorvente seletivo na sua camada superior, fazendo com que emitam luz, que é então convertida em eletricidade pela célula fotovoltaica.

Bermel explica que se você colocar um material de absorção de luz e calor comum, de cor escura, em luz solar direta, "não pode ficar muito mais quente do que água fervente", porque o objeto irá irradiar calor quase tão rápido quanto irá absorvê-lo.

Mas para gerar energia de forma eficiente, você precisa de temperaturas muito mais elevadas do que isso. Ao concentrar a luz solar com espelhos parabólicos ou uma grande variedade de espelhos planos, é possível obter temperaturas muito mais elevadas - mas às custas de um sistema muito maior e mais complexo.

"O que eu estou procurando é uma alternativa para esse paradigma concentrando a luz solar térmica", diz Bermel. A proposta é capturar a luz e refleti-la de volta ao material.

O resultado, diz ele, é que o dispositivo pode absorver tanto calor como um objeto preto padrão, mas "na prática, podemos deixá-lo extremamente quente, e não irradiar grande parte desse calor", explicou.

Para a operação eficiente do sistema TPV, o material que absorve e emite radiação de calor deve operar em altas temperaturas, o que significa que estes dispositivos solares também requerem o uso de espelhos para concentrar a luz do sol e assim fornecerem temperaturas razoáveis.

Os pesquisadores do MIT descobriram uma maneira de construir dispositivos TPV solares sem a necessidade de grandes e caros espelhos para concentrar a luz do sol.

Eles conseguiram isso usando o chamado cristal fotônico e adequando sua estrutura de tal forma que o calor absorvido é impedido de escapar do material. Assim é possível atingir temperaturas muito altas.

Isso, dizem os pesquisadores, é um pouco parecido com o efeito estufa, onde a radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra é impedida de escapar, pelos gases de efeito estufa, assim, o calor fica preso e o planeta aquecido.

No caso dos dispositivos TPV, esse bloqueio é feito por uma série de furos microscópicos precisamente espaçados, no cristal fotônico, que permite que os raios caiam dentro de uma faixa muito pequena de ângulos para escapar, enquanto o restante permanece no material, aquecendo-o.

Segundo os pesquisadores, a geometria - precisamente projetada do material fotônico, preferencialmente emite luz em uma direção e comprimento de onda que é ideal para a conversão fotovoltaica.

Isso permite que o dispositivo converta em média 36% da energia solar incidente em eletricidade - que é maior do que o máximo teórico que poderia ser alcançado pelas células solares fotovoltaicas tradicionais.

"Em grande escala [o sistema], é eficiente o suficiente para competir com as formas mais convencionais de energia. Esta é uma alternativa para concentradores", declarou Bermel. Segundo o relatório, estes dispositivos TPV podem ser fabricados usando tecnologia de fabricação-padrão de chip.

China terá 3% de sua demanda proveniente de energia eólica até 2015


Segundo dados da Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora por ano

Orlando Sierra/AFP

Rotores de usina de energia eólica

Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts

São Paulo - o jornal "Shanghai Daily" informou que três por cento da eletricidade anual daChina virá de energia eólica, em 2015. Se conseguir, o país dobrará sua grande capacidade em produzir energia proveniente do vento.

A avaliação foi feita pela Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade. Segundo dados do órgão, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora por ano.

De acordo com o vice-presidente da Comissão, Shi Yubo, o setor eólico da China gerou 58,3 bilhões de quilowatts/hora entre janeiro e outubro de 2011. O valor representa quase 1,5% da eletricidade utilizada no país nesse período.

Entre 2005 e 2009 o mercado eólico da China multiplicou por dois sua capacidade e em 2010 acrescentou mais 18,9 gigavolts de capacidade. Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts.

Um estudo recente da ONU mostrou que a China investiu 49 bilhões de dólares em energia limpa.

Foi o maior investimento sustentável do setor em 2010. Na ocasião, a diretora do relatório, Anne Miroux, afirmou que a China esta se esforçando muito, porém um de seus grandes problemas são as centrais térmicas que utilizam carvão.

19 novembro 2011

Pesquisa da Unicamp sugere coleta de energia do ar


Metais poderiam ser usados para captar energia em ar úmido. Outros cientistas discordam sobre mecanismo

BBC Brasil



Foto: Getty Images

A tentativa de captar energia elétrica a partir do ar é objeto de polêmica

Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) dizem ter encontrado um mecanismo para coletar energia elétrica do ar úmido.

O coordenador do estudo, Fernando Galembeck, apresentou a descoberta em uma reunião da Sociedade Americana de Química, em Boston.

Segundo ele, a técnica explora um efeito atmosférico pouco conhecido.

O cientista brasileiro diz que metais poderiam ser usados para captar a energia, abrindo caminho para uma potencial fonte de energia em climas úmidos.

Outros cientistas, porém, discordam sobre o mecanismo e sobre a escala do efeito relatado por Galembeck.

Circuito
“A ideia básica é que quando você tem qualquer sólido ou líquido em um ambiente úmido, você tem a absorção de água na superfície”, disse Galembeck à BBC.

“O trabalho que estou apresentando mostra como metais colocados sob um ambiente úmido se tornam carregados (de energia)”, afirmou.

Galembeck e seus colegas de pesquisa isolaram vários metais e pares de metais separados por um material não condutor de eletricidade e permitiram que nitrogêneo gasoso com diferentes quantidades de vapor de água passassem por eles.

O que a equipe descobriu é que os metais acumularam carga elétrica – em variadas quantidades, com carga positiva ou negativa. Os metais poderiam ser ligados periodicamente a um circuito para criar eletricidade que pudesse ser utilizada.

O efeito é muito pequeno – coletando uma quantidade de eletricidade equivalente a 0,000001% da produzida em uma mesma área por uma célula de energia solar -, mas parece representar uma forma de acumulação de carga que até agora era ignorada.

Galembeck sugere que com mais desenvolvimento, o princípio poderia ser estendido para se tornar uma fonte de energia renovável em áreas úmidas do planeta, como os trópicos.

Debate
Apesar de a ideia de tirar energia do ar ser tentadora, a perspectiva de se conseguir coletar uma quantidade suficiente para tornar o processo viável ainda é uma questão de debate.

Hywel Morgan, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, diz que um efeito semelhante já é conhecido há algum tempo. Ele aponta que o carregamento triboelétrico – a geração de carga elétrica pela fricção de gotas de água sobre gotas de água – é a origem das trovoadas.

“O que achamos que está acontecendo é que ele está jogando vapor de água através dos metais e, com isso, carregando triboeletricamente o vapor de água”, afirma.

Segundo ele, isso resultaria numa carga, mas não seria o mesmo que simplesmente tirar eletricidade do ar úmido.

‘Muito interessante’
O físico Marin Soljacic, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, criador de uma tecnologia de transmissão de energia sem fio conhecida como Witricity, discorda de Morgan.

Ele classifica o estudo coordenado por Galembeck de “muito interessante” e “uma boa área de pesquisa”.
Ele concorda, porém, que a quantidade de carga acumulada nos testes iniciais sugere que pode ser difícil fazer bom uso da técnica.

“Neste ponto, ainda é difícil ver como isso poderia ser usado em aplicações do dia-a-dia”, disse ele à BBC.

Segundo ele, são necessárias mais pesquisas para entender “todas as limitações e o quanto é possível avançar”.

“(Morgan) está certo que um efeito semelhante e relacionado já é conhecido, mas estamos pressionados a encontrar novas fontes de energia renováveis, então acho que ainda é cedo para descartar esta pesquisa”, afirma Soljacic.

Galembeck se diz acostumado com a polêmica que este tipo de trabalho gera, afirmando que as discordâncias sobre o mecanismo por trás dele formam “o motivo principal para discussões acaloradas entre os cientistas”.

“Já houve muitas tentativas de coletar eletricidade da atmosfera, e a maioria teve final infeliz”, diz.

Vídeo: janelas podem gerar energia elétrica


Material borrifável transforma superfícies lisas em painéis solares

iG São Paulo

Superfícies comuns das casas, como janelas, podem ser em breve usadas para gerar eletricidade. Cientistas da Flórida desenvolveram um produto para ser aplicado em vidros e criar um painel solar.

Segundo eles, as células são 10 vezes mais eficazes no aproveitamento de energia do que as tecnologias solares existentes. Veja o vídeo:

Foto: Arte/iG

Captação de energia solar no espaço: de ficção a projeto viável


Ideia nasceu em livros de ficção científica nos anos 40, começou a ser viável na década de 60, e agora pode se tornar realidade

AFP


A ideia de captar energia solar no espaço nasceu nos livros de Isaac Asimov e outros autores de ficção científica nos anos 1940 e ganhou contornos de projeto viável em 1968, com os estudos de um cientista americano, Peter Glaser, que patentou o conceito em 1973.

O uso eficaz da energia solar "oferece a possibilidade de fornecer energia elétrica sem ter que administrar os problemas de contaminação e de lixo", explicou Peter Glaser nesta patente.

Glaser havia imaginado a possibilidade de transferir vários gigawatts de energia por microondas do espaço para a Terra usando satélites geoestacionários (em órbita a 36.000 km de altitude acima do mesmo ponto da superfície terrestre) para captar a energia solar.

Coletada na Terra por amplas áreas de recepção, a energia deveria, em seguida, ser transformada em energia elétrica.

Desde a década de 1970, a ideia tem sido reexaminada periodicamente pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, pela agência espacial americana (Nasa), por grandes companhias aeroespaciais e países como Índia e Japão.

A Agência Espacial Japonesa (Jaxa) lançou em 1998 um programa de desenvolvimento de energia solar de origem espacial.

Onze anos depois, em setembro de 2009, Tóquio designou, por licitação, as empresas e os organismos encarregados de materializar, até o ano 2030, um plano muito ambicioso para concretizar esta meta.

Após várias etapas intermediárias, o objetivo é criar uma usina solar espacial da potência de um gigawatt. A energia solar será transmitida para a Terra por laser ou microondas.

Nos Estados Unidos - onde o Departamento Nacional de Segurança Espacial (NSSO) do Pentágono apoiou fortemente o desenvolvimento de energia solar de origem espacial, em um informe publicado em 2007 -, uma empresa californiana, Solaren, já se lançou nesta aposta arriscada.

Em um contrato assinado no ano passado, esta empresa prometeu fornecer 200 gigawatts de eletricidade à sociedade Pacific Gas and Electric graças a uma usina solar, em órbita a partir de 2016.

Outras empresas privadas (PowerSat nos Estados Unidos, Space Energy na Suíça e Astrium na Europa) também se declararam dispostas a se lançar nesta aventura de captar energia solar no espaço e transferi-la para a Terra.

A Índia, que também participa destes projetos, se aproximou há algumas semanas dos Estados Unidos com uma iniciativa defendida pelo ex-presidente indiano Abdul Kalam, um cientista de renome, e pela associação americana National Space Society (NSS), que promove a conquista espacial.

Energia solar cresceu 75% em 2010 na Alemanha


Crescimento foi impulsionado pelo governo, que compra energia solar por um preço muito superior ao do mercado

AFP

A capacidade de produção elétrica fotovoltaica na Alemanha aumentou 75% em um ano e alcançou os 17.300 megavatts em 2010, anunciou a autoridade alemã para a regulação das redes (Bundesnetzagentur).

Apesar de contar apenas com 1.300 a 1.900 horas de sol por ano, a energia solar viveu um verdadeiro boom na Alemanha, graças ao sistema de preços garantido pelo Estado.

O Estado alemão garante a todo produtor de eletricidade solar, seja particular ou um agricultor que tenha instalado um campo de paneis solares, vender a energia que produz a um preço muito superior ao do mercado.

Esta diferença vai para as faturas pagas pelo consumidor, o que provoca muitas queixas.

Novo material pode dar ímpeto a energia solar


Nanotubos de carbono são a base de novo composto desenvolvido por pesquisadores do MIT

Alessandro Greco, especial para o iG

Foto: Getty ImagesAmpliar

Modelo de nanotubo de carbono: combinação com azobenzeno barateou o material

Um material feito com nanotubos de carbono e uma molécula chamada azobenzeno promete guardar e liberar energia do sol a custo baixo por longos períodos de tempo. Criado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), ele consegue este feito mudando sua estrutura física.

A pesquisa, publicada no periódico científico Nanoletters, é um passo adiante em um trabalho feito ano passado também pelo MIT que mostrou como uma molécula chamada dirutênio fulvaleno fazia para capturar e liberar energia solar.

O melhor entendimento desse processo levou os pesquisadores a procurar por outros compostos feitos de materiais abundantes e baratos que pudessem ser utilizados da mesma forma – o rutênio é um metal do grupo da platina, extremamente caro. Neste ponto, entrou o azobenzeno.

“Já foi demonstrado que o azobenzeno pode trocar suas duas estruturas mais de 10 mil vezes sem degradar, fazendo dele uma molécula muito atraente – um dos maiores problemas das moléculas estudadas há 20 e 30 anos é que elas conseguiam realizar apenas alguns ciclos [entre suas estruturas] antes de ficaram inutilizadas.”, explicou ao iG Alexie Kolpak, um dos autores do estudo. E completou: “O azobenzeno sozinho, porém, seria basicamente inútil como combustível solar. Seria necessário um volume enorme dele para conseguir energia suficiente para, por exemplo, alimentar um iPod. Ao combinar o azobenzeno com moldes de nanotubo de carbono conseguimos aumentar a energia diversas vezes ao mesmo tempo em que mantivemos a resistência a degradação demonstrado pela molécula de azobenzeno.”Além de ser mais barato do que o fulvalênio dirutênio o novo composto é mais eficiente ao armazenar 10 mil vezes mais energia solar no mesmo espaço – um valor comparável ao das baterias recarregáveis de íon-lítio muito utilizadas em aparelhos eletrônicos portáteis.

A técnica utilizada para criar o composto, segundo os pesquisadores, pode ser usada para criar outros materiais. “Podemos ajustar diversas propriedades do material como a capacidade de guardar energia e o tempo que ela ficará armazenada”, explicou Kolpak. Atualmente eles estão testando materiais com o qual seja possível ajustar melhor a quantidade de energia para mudar entre as duas estruturas, uma das. Ela é chave para que uma molécula consiga encontrar um equilíbrio entre armazenar e liberar energia. “Estamos estudando diversas moléculas do ponto de vista teórico e experimental em moldes de nanotubos. No momento não temos como dar informações específicas sobre com quais estamos trabalhando, mas esperamos apresentar resultados em breve”, afirmou Kolpak.