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09 dezembro 2011

China terá 3% de sua demanda proveniente de energia eólica até 2015


Segundo dados da Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora por ano

Orlando Sierra/AFP

Rotores de usina de energia eólica

Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts

São Paulo - o jornal "Shanghai Daily" informou que três por cento da eletricidade anual daChina virá de energia eólica, em 2015. Se conseguir, o país dobrará sua grande capacidade em produzir energia proveniente do vento.

A avaliação foi feita pela Comissão Estatal Reguladora da Eletricidade. Segundo dados do órgão, a energia produzida por aerogeradores na China alcançará 190 bilhões de quilowatts/hora por ano.

De acordo com o vice-presidente da Comissão, Shi Yubo, o setor eólico da China gerou 58,3 bilhões de quilowatts/hora entre janeiro e outubro de 2011. O valor representa quase 1,5% da eletricidade utilizada no país nesse período.

Entre 2005 e 2009 o mercado eólico da China multiplicou por dois sua capacidade e em 2010 acrescentou mais 18,9 gigavolts de capacidade. Atualmente, o país tem a maior condição mundial de produção, superando os Estados unidos, com um total de 44,7 gigavolts.

Um estudo recente da ONU mostrou que a China investiu 49 bilhões de dólares em energia limpa.

Foi o maior investimento sustentável do setor em 2010. Na ocasião, a diretora do relatório, Anne Miroux, afirmou que a China esta se esforçando muito, porém um de seus grandes problemas são as centrais térmicas que utilizam carvão.

17 setembro 2011

Engenheiro cearense cria carro que usa quatro combustíveis

http://economia.ig.com.br/engenheiro-cearense-cria-carro-que-usa-quatro-combustiveis/n1597211949378.html

Veículo "quadriflex" funciona com etanol, gasolina, energia solar e eólica; segundo inventor, é o primeiro do tipo no mundo

Pedro Carvalho, iG São Paulo

O cearense conhece a arte de transformar vento em energia – o estado tem o maior parque eólico do Brasil, com 105 megawatts instalados. Sol, ali, também não falta. Na terra de Expedito Parente, inventor do biodiesel, que morreu nesta semana, o povo sabe ainda a importância de pesquisar combustíveis limpos. Não é surpresa que tenha sido criado lá o "primeiro carro quadriflex do mundo", segundo Fernando Ximenes, 46 anos, inventor da tecnologia. O engenheiro apresenta o veículo na EcoEnergy, uma feira de energia verde que acontece até sábado, em São Paulo.

Foto: iGAmpliar

Ximenes e o "quadriflex": economia de até 40% no consumo de combustível

O modelo funciona com etanol, gasolina, energia solar e eólica (gerada pelo vento). Não é um motor híbrido. Na verdade, o motor é comum, impulsionado somente por etanol e gasolina. As fontes "alternativas" servem para dar uma ajuda a ele – algo que, no fim das contas, reduz o consumo de combustível. O painel solar no teto e as hélices de captação de vento livram o motor de produzir energia para alimentar o ar-condicionado, recarregar a bateria e outras funções. "Testei o carro por 13 mil quilômetros e vi que a economia de combustível pode chegar a 40%", explica Ximenes.

As "turbinas" de vento – provavelmente a inovação mais legal do carro – começam a funcionar quando o "quadriflex" atinge 40km/h. São duas hélices, umas de cada lado do para-choque. Isso porque, se uma delas for danificada num acidente, o outra continuaria dando conta de produzir energia. A empresa de Ximenes, chamada Gram-Eollic, trabalha no ramo da energia eólica desde 1989, com foco na montagem de casas auto-suficientes – ou "produtor independente de energia", como diz o empresário.

O logotipo (abaixo) é outro ponto curioso do veículo – cujo protótipo exibido na feira foi montado sobre a carroceria de um Uno, embora a Fiat não faça parte do projeto. O símbolo, colado na frente do carro, é o mesmo usado há anos pela Gram-Eollic. Mas, quando colocado num para-choque, fica muito parecido com o da Mercedes-Benz. Pior: parece que algo pontudo cutucou o símbolo alemão e fez com que ele tombasse de lado. "Eles não viram, ainda... Mas é capaz da Mercedes gostar", acredita Ximenes.

O engenheiro calcula ter gasto mais de R$ 100 mil na pesquisa para desenvolver o carro, feitas ao longo dos últimos dez anos. A patente, Ximenes afirma ter registrado há seis anos. O carro, em si, foi construído nos últimos oito meses.

O símbolo, que parece outro logotipo famoso: "É capaz da Mercedes gostar", brinca Ximenes- Foto: iG São Paulo
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O inventor explica ainda que, embora seja possível instalar a novidade num carro comum, essa não é a intenção dele. "Queremos que a tecnologia seja absorvida por uma montadora e possibilite uma linha de montagem no Ceará, onde temos apoio do governo estadual", diz o engenheiro, que também é secretário da Câmara Setorial de Energia Eólica do Ceará. Ele afirma ter recebido, há 20 dias, a visita de dois funcionários de uma grande montadora americana interessada no projeto, mas não quer dizer qual é a marca.

Se fosse instalada como opcional num carro pronto, a tecnologia custaria entre R$ 9 mil e R$ 20 mil. O menor consumo compensaria o investimento, segundo Ximenes, após 24 meses.

O carro foi apresentado oficialmente em junho, durante a Inova 2011, uma feira realizada em Fortaleza (CE). O "quadriflex" foi premiado no evento, que havia sido aberto por Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia. "Ele viu o carro e adorou", afirma o inventor.

Ao contrário dos veículos híbridos, o "quadriflex" não é ligado na tomada para recarregar. Mas o modelo, na verdade, é um intermediário, conta o criador. "Nossa ideia era desenvolver o primeiro carro elétrico auto-sustentável, que seria somente solar e elétrico e nunca precisaria ser ligado na tomada", conta ele, enquanto brinca com o painel fotovoltaico instalado em cima do veículo. "É o primeiro 'teto solar' de verdade, né?", diz. "Mas as pesquisas continuam", garante.

Segundo Ximenes, a energia extra também reduz em até 40% as emissões de CO2 do veículo – e aumenta em 6% o torque do motor. "O Ceará é um exemplo de geração de energia limpa", orgulha-se. Ele lembra que, já em 1978, um cearense tentou fazer o primeiro carro movido a água do mundo. A próxima novidade "verde" do estado bem poderia ser o carro abastecido com lixo, inspirado no DeLorean, de "De Volta Para o Futuro" (no vídeo abaixo):

A EcoEnergy acontece até sábado, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Durante três dias, o evento deve receber 2.800 visitantes. Participam da iniciativa empresas dos setores de energia limpa e renovável, fabricantes de equipamentos, instituições financeiras, escritórios de projetos e engenharia, grupos de pesquisa e desenvolvimento e entidades desses setores.

01 abril 2011

Maior parque eólico do Sudeste produz energia capaz de abastecer uma cidade de 80 mil habitantes

Parque Eólico de Gargaú, inaugurado em outubro, ocupa uma área de 500 hectares, o equivalente a 833 campos de futebol

Valmir Moratelli, de São Francisco de Itabapoana (RJ) | 01/04/2011 06:00

Desde o final do ano passado, está diferente a paisagem da praia de Gargaú, no município de São Francisco de Itabapoana. A grande margem de praia, protegida pela Marinha, recebeu em um longo trecho, o primeiro parque eólico da região sudeste, o Parque Eólico de Gargaú, administrado pela empresa privada Gesa – Gargaú energética S/A.

A cerca de 350 quilômetros do Rio de Janeiro, a cidade no norte-fluminense de pouco mais de 42 mil habitantes, e com um território de 1254 quilômetros quadrados (o segundo maior município em extensão territorial do estado), começa a atrair um novo tipo de visitante. O Parque Eólico de Gargaú está atraindo turistas a fim de registrar as imensas torres de geração de energia que se destacam ao longe – o parque pode ser visto de São João da Barra, do outro lado do rio Paraíba do Sul, a quase 50 quilômetros de distância. A economia da cidade é basicamente focada na plantação de cana-de-açúcar, que se estende ao longo das margens da BR-101, que corta a cidade.

As torres dominam a paisagem do litoral da cidade de São Francisco de Itabapoana
Foto: Isabela Kassov

As torres dominam a paisagem do litoral da cidade de São Francisco de Itabapoana

Reportagem do iG teve autorização para entrar na área privada do parque e registrar os detalhes da produção de energia. O parque impressiona pelo tamanho. Cada uma das 17 torres tem 80 metros de comprimento, podendo alcançar 110 metros totais com uma das pás (ou hélices ou “blades”) na vertical. Cada pá tem 30 metros de extensão. São três pás para cada torre. Estima-se que a obra, avaliada inicialmente em R$ 140 milhões, tenha custado o dobro. Foram dois anos de obras, envolvendo 300 pessoas.

Segundo dados da GWEC, organização não governamental com sede em Bruxelas, na Bélgica, que trabalha pelo desenvolvimento do setor em todo o mundo, a capacidade instalada de energia eólica no Brasil era de 606 megawatts em 2009, antes portanto da construção do parque.

O parque gera 28 megawats por dia, o que daria para abastecer uma cidade com cerca de 80 mil habitantes. Como o sistema elétrico nacional reúne um conjunto de diferentes produções de energia para, só aí, distribui-la por todo o País, a produção do parque eólico de Gargaú segue a mesma concepção de distribuição. O que é produzido lá segue para uma central, para ser redistribuído nacionalmente.

Foto: Isabela Kassov

A capacidade instalada de energia eólica no Brasil tem aumentado nos últimos anos

Energia limpa

A rotação das abas é de 14 RPM, o que equivale a uma velocidade máxima de 160 km/h. As abas são construídas com fibras de vidro e carbono e chegaram na cidade em caminhões a partir do porto do Rio, vindas da Dinamarca em navios.

Apesar do parque ocupar uma área de 500 hectares, apenas 1,7 do total tem área construída. Só o eixo de giro das abas (chamado “vacele”, contendo um flash light de orientação para aviões) pesa 70 toneladas. As abas são montadas no chão e içadas por guindastes. Há uma subestação unitária para cada torre.

Chama a atenção o número de pessoas que trabalham diretamente no parque. Apenas oito. São técnicos de operação e engenheiros eletricistas. É feito um monitoramento com um computador 24 horas por dia, em turnos de oito horas para cada técnico, do funcionamento de cada poste, de dentro da pequena central de produção elétrica. “A perda de energia é mínima, apenas 3%. É uma energia totalmente limpa e não causa grandes impactos ambientais”, enumera Gilberto Braz de Lima, gerente do parque.

Monitoramento diário

Alex Sandro Colugnesi, analista de operações e de manutenção do parque, conta que o parque está situado em uma área de reflorestamento. “É preciso cuidado com animais peçonhentos, como aranhas viúvas-negras e cobras. Pássaros são as maiores vítimas das torres”, diz.

Antes da construção do parque, foi preciso uma análise técnica da região, com um estudo detalhado do vento ao longo de cinco anos. Segundo conta Marcelo Garcia, secretário de Planejamento do município, a praia de Gargaú competiu com Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. Pesou a favor da cidade do norte-fluminense o fato de haver poucas construções nas redondezas, ser uma planície e a construção causar pequeno impacto ambiental. “Mas o mais importante é que a área tenha vento contínuo e na mesma intensidade”, explica o gerente do parque.

Já existe o projeto para um segundo parque eólico na região, bem maior, com 85 postes. “Não será no litoral, mas no alto dos morros do interior de São Francisco”, diz o secretário de Planejamento. Estuda-se apenas a viabilidade do local da obra, para que as licitações sejam abertas. A previsão é que isso ocorra até o final do ano.

De acordo com o secretário de Planejamento, a região tem o segundo maior potencial eólico do País, só perdendo para o Rio Grande do Norte. “Aqui temos um atrativo a mais, que é o fato de não termos especulação imobiliária. Ainda”, afirma Marcelo Garcia.

Foto: Isabela Kassov

Vantagens da produção: energia limpa e não causa grandes impactos ambientais