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10 dezembro 2011

Deputado diz que trem bilionário de Cuiabá pode não ficar pronto até a Copa, e sugere bicicleta


O maior defensor da construção de uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Cuiabá (MT) admitiu que o sistema pode não ficar pronto até a Copa do Mundo. O projeto tem custo mínimo estimado em R$ 1,2 bilhão e será financiado integralmente com recursos do governo federal para obras do Mundial de 2014. O deputado José Riva (PSD), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, porém, sugere uma alternativa para o transporte na cidade durante o evento internacional: a bicicleta.

Riva e o presidente da Secopa-MT (Secretaria Extraordinária para a Copa), Eder Moraes, foram os principais articuladores do projeto do VLT, que é a maior obra de mobilidade urbana da capital matogressense prevista para a Copa. Inicialmente, porém, a obra de Cuiabá prevista na Matriz de Responsabilidade da Copa, documento assinado em janeiro de 2010 por União, Estados e cidades-sedes do torneio de 2014, era um sistema de corredores de ônibus (BRT), orçado em R$ 489 milhões.

Mas, após uma decisão política das autoridades estaduais, revelada pelo UOL Esporte no dia 7 de julho, o projeto foi alterado para uma linha de VLT, R$ 700 milhões mais cara. A polêmica decisão levou ao atraso da obra, que até agora não foi licitada. O anteprojeto prevê a construção de uma linha de 22 quilômetros e 33 estações.

Após bancar a mudança, José Riva admitiu, em audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que o VLT pode não estar pronto para a Copa. “Não há garantia de que o VLT fique pronto em sua totalidade para a Copa do Mundo”.

Tal fato, no entanto, não seria um problema, já que o objetivo é construir a linha de VLT para que esta permaneça como legado da Copa para Cuiabá. “Conversei com o técnico Carlos Alberto Parreira e ele me disse que teve Copa em que as pessoas iam até de bicicleta para o estádio. Essa da África do Sul (2010) foi assim", informou o deputado.

O VLT de Cuiabá será financiado pela Caixa Econômica Federal, que entrará com R$ 428 milhões, e pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), que desembolsará R$ 700 milhões.

A licitação que será realizada obedecerá as regras do RDC, o Regime Diferenciado de Contratações, criado exclusivamente para reger as obras da Copa e que reduz os mecanismos de fiscalização e controle do processo licitatório em nome de uma aceleração no processo, dita necessária para que se concluam as obras públicas a tempo do evento.

"Viabilidade forçada"

A disposição de Riva em construir o VLT é conhecida pela população de Mato Grosso. O próprio parlamentar se intitula o maior defensor do modal. No dia 22 de fevereiro deste ano, o deputado conversava com assessores e explicava como tinha sido uma reunião entre o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, e empresários a quem ele solicitava um estudo de viabilidade do VLT em Cuiabá.

O áudio da conversa, reproduzido pelo blog da jornalista Adriana Vandoni, "Prosa e Política", traz José Riva explicando uma preocupação do governador quanto a possibilidade de o estudo considerar inviável a obra para Cuiabá. Tal "problema", porém, segundo o deputado, não existia. "O governador perguntou assim: 'e se vocês fala(sic) que é inviável?’ Aí o empresário que estava lá disse assim: ‘olha, nós vamos forçar o estudo exatamente pra executar essa obra".

01 setembro 2011

China quer construir ferrovia de R$ 10 bi de Cuiabá a Santarém

Linha férrea ajudará a escoar soja do Mato Grosso para a Ásia e trará importados para o centro-sul do País

Danilo Fariello, iG Brasília | 31/08/2011 05:58

Chega neste sábado a Cuiabá, capital de Mato Grosso, uma comitiva de engenheiros, geólogos e economistas da companhia estatal China National Machinery Corporation (CMC). Eles querem levantar informações em campo para, após esse reconhecimento, instalar uma nova ferrovia entre Cuiabá (MT) a Santarém (PA). A obra, uma continuação da Ferronorte, tem valor estimado em R$ 10 bilhões.

Foto: Arte iGAmpliar

Confira acima algumas cidades por onde a ferrovia passará

Uma intenção do grupo chinês é construir a linha férrea para tornar mais ágil e eficiente o escoamento da soja - entre outros produtos - de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, no norte do Mato Grosso. Hoje esse trajeto é feito pela rodovia BR-163, que passa pelas mesmas cidades.

De Santarém, a produção parte de navio direto para a China, explica o secretário-extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes de Mato Grosso, Francisco Vuolo.

Outra intenção dos chineses seria também usar a ferrovia como um canal de acesso mais barato para trazer importados aos mercados do Centro-Sul do país. Compõem a comitiva chinesa também funcionários da agência de promoção de exportações e investimentos do país, a Asian Trade & Investments (ATI).

Linha de 2 mil quilômetros

De acordo com Vuolo, a obra terá uma extensão de quase 2 mil quilômetros, o que, pelo custo médio das últimas ferrovias feitas no Brasil, poderia ter um orçamento estimado em até R$ 10 bilhões. Mas o valor vai variar muito conforme o estudo do relevo, que será feito pelos chineses durante a viagem – a construção de pontes ou túneis encarece muito a obra.

Esse trecho da Ferronorte, entre outros, era concedido à América Latina Logística (ALL) até o ano passado, mas a concessão foi devolvida ao governo federal por falta de interesse da companhia. Por isso, já existem estudos preliminares para a instalação do empreendimento.

Segundo Vuolo, os chineses da CMC poderão vir a construir esse ramal da Ferronorte em forma de Parceria Público-Privada (PPP) ou algum outro modelo de concessão. A estatal, que já assinou protocolo de intenções para fazer a obra, possui mais de 90 mil quilômetros de ferrovias já instalados na China e em outros países, diz Vuolo.

Vuolo explica que, inicialmente, os chineses tendem a construir a ferrovia nas proximidades da BR-163, porque a construção nesses arredores – a chamada “faixa de domínio” – ofereceria maior facilidade para conseguir licenças ambientais.

Governo deve ser chamado a dar apoio

A expedição foi acertada pelo governador do Estado, Silval Barbosa, em viagem à China no início deste ano. Até cem pessoas – entre elas 14 chineses – vão sair de Cuiabá no sábado para uma viagem de três dias. Entre os passageiros, estarão também profissionais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O projeto da ferrovia não está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a princípio, poderia ser um projeto 100% privado. No entanto, espera-se que os chineses queiram apoio financeiro do governo brasileiro para instalar a ferrovia, como ocorre no caso da fábrica da Foxconn, no Estado de São Paulo.

Futuramente, o governo do Estado de Mato Grosso espera que a ferrovia criada pelos chineses também possa se conectar à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) em Sorriso (MT) e que o ramal da Ferronorte ainda concedido, que vai de Rondonópolis (MT) a Cuiabá, seja concluído. Essas duas linhas se conectam à ferrovia Norte-Sul, que corta o País e, em breve, chegará aos portos mais relevantes do Brasil.