16 dezembro 2011
Chile: Bolívia "sofrerá consequências" por aspiração marítima
O governo chileno assinalou nesta quinta-feira que a Bolívia vai "sofrer as consequências" do caminho que escolheu tomar, em resposta ao anúncio do presidente Evo Morales de que viajará a Haia para obter informações sobre um futuro processo contra o Chile a fim de obter uma saída ao mar.
"Nós pensamos que há outras possibilidades para buscar coisas em benefício mútuo. No entanto, é a Bolívia quem tem de decidir os caminhos que vai seguir e sofrer suas consequências", avaliou o chanceler chileno, Alfredo Moreno.
Em declarações à edição digital da Radio Cooperativa, o ministro das Relações Exteriores do Chile ressaltou que para seu país "o caminho correto é o do respeito e dos tratados vigentes". "O caminho para conversar sobre qualquer outro elemento é o caminho do diálogo, da conversa e da busca por interesses comuns", acrescentou.
O líder boliviano anunciou nesta quinta-feira que viajará a Haia em fevereiro para buscar informações que sustentem o processo que seu Governo planeja interpor contra o Chile na Corte Internacional de Justiça (CIJ) para obter uma saída soberana ao Pacífico.
A Bolívia perdeu sua saída ao oceano após uma guerra travada contra o Chile no século XIX, o que azeda os vínculos entre as duas nações. Por isso, os dois países não têm relações diplomáticas em nível de embaixadores desde 1978. O Chile já enfrenta na CIJ um processo apresentado pelo Peru em 2008 a fim de modificar o limite marítimo com seu vizinho do sul.
06 novembro 2011
França descarta intervenção militar no Irã; prefere sanções
Ataques militares ao programa nuclear iraniano poderá desestabilizar completamente a situação na região, disse neste domingo o ministro de relações exteriores da França, Alain Juppe, acrescentando que como alternativa poderá endurecer as sanções.
"Nós podemos reforçar as sanções para pressionar o Irã e nós vamos continuar neste caminho porque uma intervenção militar pode desestabilizar completamente a região", disse o ministro a uma rádio local.
"Nós devemos fazer tudo para evitar o irreparável", acrescentou.
Na semana passada o presidente Nicolas Sarkozy criticou o que ele chamou de desejo obssessivo do Irã de desenvolver armas nucleares.
(Reportagem de Alexandria Sage e Sophie Louet)
05 novembro 2011
'Irã perto de sofrer ataque', diz presidente de Israel
Peres diz que ofensiva é hipótese mais provável do que a diplomacia para resolver impasse sobre programa nuclear
estadão.com.br
JERUSALÉM - O presidente de Israel, Shimon Peres, disse nesta sexta-feira, 4, que a comunidade internacional "está mais perto de chegar a uma solução militar para o impasse sobre o programa nuclear do Irã do que diplomática". Num tom de ameaça incomum para o presidente e Nobel da Paz, a declaração, feita a um canal de TV israelense, foi recebida com surpresa.
Peres disse que os líderes mundiais deveriam "cumprir as promessas" de conter o Irã "a qualquer custo". "Há um longo menu (de opções) sobre o que pode ser feito", disse.
Na quarta-feira, a agência Associated Press divulgou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenta persuadir seu gabinete a usar a força militar para tentar conter o programa nuclear iraniano. No dia seguinte, o jornal britânico The Guardian noticiou que Londres se prepara para enviar navios de guerra ao Golfo Pérsico para dar apoio a uma ofensiva contra Teerã.
Suspeita
Israel, EUA e Grã-Bretanha, entre outros países, suspeitam que o objetivo do Irã é desenvolver a bomba atômica. Mas os aiatolás negam e asseguram que o programa nuclear iraniano é pacífico e busca produzir energia. Negociações diplomáticas e sanções econômicas aplicadas contra o país não foram suficientes para persuadir Teerã a abrir mão de suas ambições atômicas.
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy disse que a "obsessão" do Irã em obter material nuclear fere as leis internacionais. Questionado sobre uma possível intervenção militar no país, Sarkozy reiterou que a comunidade internacional deve manter foco nas sanções, mas acrescentou que, se houver uma ameaça à existência de Israel, "a França não ficará de braços cruzados".
Em uma clara provocação, o principal negociador da questão nuclear de Teerã, Saeed Jalili, declarou na sexta que pretende denunciar os EUA na ONU por "ações terroristas" contra o Irã – como o assassinato de cientistas nucleares iranianos.
Segundo Jalili, o Ministério das Relações Exteriores apresentará ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, documentos que comprovariam as acusações. "Os EUA estão empregando o terrorismo para promover seus objetivos", disse Jalili, em um comício em Teerã. Ele citou a morte de três cientistas nucleares iranianos, que foram baleados. "Nós vamos processar os EUA".
Poder
O comitê de eleições do Irã baniu três partidos reformistas das eleições parlamentares, agendadas para março. Dois deles foram proscritos após protestos contra o resultado das eleições de 2009, que garantiu um segundo mandato ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
"O ministro do Interior considera tais partidos dissolvidos e, com suas licenças revogadas, eles não têm permissão para participar das próximas eleições", disse ontem o chefe do comitê eleitoral, Soulat Mortazavi. Os partidos são: Frente de Participação Islâmica, Organização Revolução Islâmica Mujaheddin e o Movimento Livre do Irã.
Com AP e Reuters
25 outubro 2011
Jornal chinês alerta para 'som de canhões' em disputa marítima
China, Taiwan e quatro nações do Sudeste Asiático brigam pelas ilhas Spratly e outros atóis
REUTERS
PEQUIM - Um dos jornais mais populares da China advertiu nesta terça-feira, 25, que as nações envolvidas em disputas territoriais no Mar da China Meridional devem "se preparar mentalmente para o som de canhões" se permanecerem em conflito com Pequim.
Diego Azubel/EFEChina afirma ter soberania indiscutível sobre os mares ao sul e sobre as ilhas da região
O Global Times é publicado pelo Diário do Povo, do Partido Comunista chinês, mas ao contrário deste não é uma plataforma para políticas oficiais e tende a assumir um tom nacionalista que agrada aos leitores.
Em um editorial publicado nas edições em chinês e inglês, o Times acusou países como Vietnã e Filipinas de se aproveitarem da "postura diplomática moderada" da China para forçar suas agendas próprias.
"Atualmente, a postura da China é a de que deve, primeiro, passar pelos canais gerais de negociação com outros países para resolver as disputas marítimas. Mas se a situação ficar feia, alguma ação militar é necessária", escreveu.
"Se esses países não querem mudar suas maneiras com a China, terão de se preparar mentalmente para o som de canhões. Precisamos estar prontos para isso, já que pode ser o único caminho para que as disputas marítimas sejam resolvidas".
China, Taiwan e quatro nações do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas e o Vietnã, têm reivindicações conflitantes sobre as ilhas Spratly e outros atóis no Mar da China Meridional, uma área onde se estima existir ricos depósitos de petróleo e gás. É também uma região rica em pesca.
Os países que reivindicam território marítimo vêm tentando amenizar a tensão depois de uma série de disputas este ano, inclusive quando barcos de patrulha chineses ameaçaram atacar um navio de pesquisa contratado pelas Filipinas em março.
Ao ser questionada sobre os comentários do jornal, a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu, disse que o governo estava comprometido com uma política pacífica em relação ao mar.
"A mídia da China tem o direito de dizer o que quiser, mas esperamos que eles desempenhem um papel construtivo e apresentem uma mensagem verdadeira", disse ela em entrevista coletiva.
A China, que afirma ter soberania indiscutível sobre os mares ao sul e sobre as ilhas da região, rejeitou uma arbitragem internacional das reivindicações e propôs um desenvolvimento conjunto dos recursos.
O Global Times disse que outros governos praticamente ignoraram o pedido da China "de colocar de lado as diferenças e trabalhar em interesses comuns". "Não existe nenhum método conhecido para resolver estas questões de forma pacífica," escreveu o jornal.
"A realidade é que cada país acredita que tem tudo para forçar a China a se curvar. A China quer manter a calma, mas esse é um papel isolado. A China terá que se ajustar a esta realidade."
04 abril 2011
Enquanto isso, no oeste…
Mais de 500 mortos (NR: e outros 300 nesse final de semana, segundo informação da Cruz Vermelha) e 1 milhão de refugiados no conflito político na Costa do Marfim. Por Gianni Carta. Foto: Jean-Philippe Ksiazek/AFP
Essa reportagem foi publicada na edição de CartaCapital que foi às bancas na sexta-feira 1. Dados oficiais da Cruz Vermelha dão conta que o número de mortos já chega a 800
Laurent Gbagbo será lembrado como mais um líder cegado pelo poder. Na noite do dia 30, o Conselho de Segurança da ONU havia adotado por unanimidade uma resolução exigindo a “retirada imediata” do ex-presidente costa-marfinense derrotado, quatro meses atrás, no escrutínio presidencial. Enquanto isso, as forças de Alassane Ouattara, reconhecido por observadores das presidenciais e internacionalmente como vencedor das eleições em novembro, avançavam em direção ao sul, para Abidjã. A capital econômica do país e bastião de Gbagbo, de 66 anos, poderia ser o cenário de uma guerra civil. Segundo a ONU, desde dezembro houve cerca de 500 mortes, e 1 milhão de pessoas, em sua maior parte residentes de Abidjã, fugiram do país.
Lançada dia 28, a ofensiva militar das Forces Républicaines de Côte d’Ivoire -(FRCI), favoráveis a Ouattara, de 69 anos, mostrava-se eficaz. A captura, na noite do dia 30, de Yamoussoukro foi antes de tudo simbólica. Capital do país apenas no nome, é a cidade natal de Félix Houphouet-Boigny, pai da independência da ex-colônia francesa (1960). Do ponto de vista político, Ouattara, até esta semana a liderar o norte do país, onde obteve maior apoio nas presidenciais, ganha maior legitimidade. Economista com doutorado feito nos Estados Unidos, poderá se mudar do hotel protegido por soldados da ONU para a capital administrativa. Além disso, Abidjã, principal cidade do sul dominado por Gbagbo, encontra-se a apenas 240 quilômetros ao sul.
Outra relevante conquista entre várias das forças ouattaristas foi aquela de San Pedro, maior porto exportador de cacau do mundo. Assim como na capital, também na cidade portuária soldados das Forces de Defénse et de Sécurité (FDS) de Gbagbo teriam se apressado a trocar as fardas por roupas civis usadas, vendidas por comerciantes.
Para defender Abidjã, Gbagbo contará com o apoio de mercenários, em sua maior parte oriundos da vizinha Libéria, segundo um porta-voz da ONU. Os mercenários, informa ainda o porta-voz, têm sido os responsáveis pelas mortes daqueles não leais a Gbagbo. Em Abidjã, claro, mercenários não são suficientes. Negado o cessar-fogo por Gbagbo, o porta-voz do Estado Maior das Forcas Armadas, Phillippe Mangou, declarou que havia chegado o “momento efetivo” para os milhares de “jovens” alistados na semana passada. Vários deles seriam adolescentes entre 13 e 15 anos.
Uma nova guerra civil poderia ser tão violenta como aquela iniciada em meados de 2002. O país ficou, como se deu após as últimas eleições em novembro, dividido entre o sul, dominado por Gbagbo, e o norte por Ouattara. Nortistas, ainda em 2002, estiveram prestes a conquistar Abidjã, mas foram impedidos por soldados franceses. A divisão se estendeu até 2007, quando uma coalizão passou a governar. Milhares de pessoas morreram nos cinco anos de guerra civil. Desta feita, o conflito seria menos duradouro porque a superioridade militar de Ouattara é óbvia. Desde dezembro suas forças não perderam sequer uma batalha.
A principal raiz da carnificina entre norte e sul na última década é a xenofobia. Em 2002, uma rebelião de muçulmanos nortistas a reivindicar o fim de discriminações contra sua religião precipitou a guerra civil. O mal-estar dos nortistas instalou-se no pleito de 2000, quando a candidatura do muçulmano Ouattara foi vetada sob o argumento de ele ser filho de estrangeiros da vizinha Burkina Fasso. Sublinhe-se: Ouattara já havia sido primeiro-ministro. E Gbagbo, que parece ter inclinações evangélicas, é católico.
Na contenda atual, contudo, o problema não é mais puramente religioso. Para vencer o escrutínio de novembro, Ouattara fez uma aliança de seu partido nortista com uma legenda cristã. E após sua vitória, o católico Guillaume Soro, ex-premier de Gbagbo, aceitou o posto oferecido por Ouattara. No entanto, o nacionalismo dá provas de ter-se acomodado. Gbagbo, orador de fôlego, semeia entre seus conterrâneos contra africanos muçulmanos de países vizinhos, em busca de trabalho na mais afluente Costa do Marfim. Esses africanos têm o mesmo credo dos nortistas, frisa Gbagbo. Ex-aluno da Sorbonne, onde concluiu- um mestrado de história, ele alerta: os colonizadores França e EUA querem tomar o país para usufruir de seu cacau e de outras riquezas naturais.
A política voltou a dividir o país no fim de novembro de 2010, quando o Conselho Constitucional, formado por partidários de Gbagbo, anulou os votos ao norte. E assim conferiu a vitória a Gbagbo. A União Africana, União Europeia e ONU reconheceram o resultado. A partir de então, houve várias tentativas para resolver o problema de forma diplomática. Entre os quatro presidentes em exercício enviados como mediadores à Costa do Marfim tem destaque o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma.
Já o último dos mediadores foi rejeitado na semana passada por Ouattara. Motivo: José Brito, ministro do Exterior do Cabo Verde nomeado como negociador pela União Africana é amigo próximo de Gbagbo. Ouattara declarou-se estar “surpreso” com a escolha de Brito. Naufragadas todas as tentativas, Barack Obama entrou em cena no fim da semana passada ao se manifestar: “As eleições no ano passado foram livres e justas”.
Por sua vez, França e Nigéria apresentaram uma projeto de resolução na ONU, adotado nesta semana. A Resolução 1.975, aprovada pelos 15 integrantes do Conselho de Segurança, não somente “exorta” Gbagbo a aceitar a vitória de seu rival, mas também impõe sanções. Entre estas destacam-se o congelamento de bens e o banimento de viagens de Gbagbo, sua mulher e mais três personalidades fiéis.
Ironicamente, os 2 mil capacetes azuis suplementares solicitados pela Missão da ONU na Costa do Marfim (Onuci) não chegavam. De qualquer forma, os 10 mil capacetes azuis que já se encontram no país têm escassa autonomia de ação pelos limites do seu mandato. Inclusive, em Abidjã, onde casos de estupros, tortura e outras atrocidades cometidas pelas milícias contra civis só poderão aumentar em caso de guerra civil. •