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31 dezembro 2011

Governo fará licitação de R$ 1,2 bi para salvar transposição do São Francisco


Governo fará licitação de R$ 1,2 bi para salvar transposição do São Francisco

"Placas de concreto, em trecho da obra em Pernambuco, ameaçam se soltar"

BRASÍLIA - Para tentar terminar as obras da transposição do Rio São Francisco em mais quatro anos, o governo Dilma Rousseff recorrerá a uma nova licitação bilionária de obras já entregues à iniciativa privada. O custo estimado do negócio é de R$ 1,2 bilhão, informou ao Estado o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, responsável pela obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) bancada com dinheiro dos impostos.

A obra começou em 2007 como um dos grandes projetos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transposição desviará parte das águas do São Francisco por meio de mais de 600 quilômetros de canais de concreto para quatro Estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Depois de R$ 2,8 bilhões gastos, a transposição registra atualmente obras paralisadas, em ritmo lento e até trechos onde os canais terão de ser refeitos, como é o caso de 214 metros em que as placas de concreto se soltaram por entupimento num bueiro de drenagem. As falhas foram testemunhadas por reportagem do estadão.com.br, no mês passado.

O custo inicial da transposição, estimado em R$ 5 bilhões, já saltou para R$ 6,9 bilhões, calcula Fernando Bezerra, incluindo a nova licitação. 'Só vamos ter certeza do valor quando concluirmos o processo licitatório e fecharmos os contratos', avalia o ministro. Ele espera lançar as novas licitações até março.

Relicitar parte dos trechos entregues a grupos de empreiteiras foi a forma que a equipe de Bezerra encontrou para concluir as obras e evitar que a transposição do São Francisco se transforme em um elefante branco.

Os oito consórcios privados, responsáveis por 12 lotes da obra, não conseguiriam terminar o trabalho para a qual foram contratados mesmo que o valor pago fosse aumentado em 25%, limite legal autorizado para aditivos contratuais. O ministro optou, então, por eliminar parte das tarefas previstas originalmente em contratos. Os consórcios receberão apenas pelo serviço feito. 'Todos toparam', conta Fernando Bezerra. 'Houve uma negociação e uma negociação que não foi fácil', destaca.

Desde que assumiu o cargo, no início do ano, Fernando Bezerra tenta renegociar os contratos. 'Numa primeira avaliação, vimos que teríamos de fazer aditivos de até 60%', disse o ministro. 'Não diria que foi erro de projeto, mas o projeto básico não estava detalhado e foi incapaz de identificar as situações de campo. O número de sondagens foi insuficiente para garantir o tipo de solo que seria encontrado', alegou

MATÉRIA COMPLETA:

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/governo-far%C3%A1-licita%C3%A7%C3%A3o-de-rdollar-12-bi-para-salvar-transposi%C3%A7%C3%A3o-do-s%C3%A3o-francisco

13 dezembro 2011

Governo quer que Vale incorpore despesa em obra do PA

http://economia.estadao.com.br/noticias/negócios,governo-quer-que-vale-incorpore-despesa-em-obra-do-pa,95380,0.htm

BRASÍLIA - O governo federal quer empurrar para a Vale uma fatura de R$ 500 milhões visando garantir a navegabilidade do Rio Tocantins, no Pará, entre os municípios de Marabá e Tucuruí - durante os 12 meses do ano. Atualmente, apesar da construção da hidrovia e das eclusas de Tucuruí, o rio é utilizado por apenas oito meses devido à necessidade de retirada de pedras (derrocamento) do que ficou conhecido como Pedral do Lourenço.


Como o derrocamento foi excluído do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Ministério do Planejamento negocia a possibilidade de a Vale incorporar o custo em seus investimentos. "Nós achamos que essa obra é muito importante para o desenvolvimento daquela região do País e estamos refazendo o projeto do derrocamento do Pedral do Lourenço. Estamos discutindo com a Vale a possibilidade de ela incorporar isso nos seus investimentos", afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, após apresentar o balanço do PAC na Comissão de Infraestrutura do Senado. Procurada, a Vale não se posicionou sobre as afirmações.

A empresa vai construir a siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), em Marabá. Porém, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, já considera a hipótese de utilizar a logística ferroviária para viabilizar o complexo siderúrgico como alternativa à hidrovia. A empresa já tem uma ferrovia pronta, próxima à cidade de Marabá.

Preocupada, a bancada do Pará pressiona o governo para a realização do derrocamento, o que tornaria viável a hidrovia Araguaia-Tocantins. Na Comissão de Infraestrutura, o senador Flexa Ribeiro (PSDB) solicitou à ministra a reinclusão desse projeto no PAC. Segundo Ribeiro, uma licitação chegou a ser feita para selecionar uma empresa que prestaria o serviço pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O processo, porém, foi suspenso devido a irregularidades.

"Foi um balde de água fria saber que ao invés de fazer uma nova licitação a obra foi excluída da lista do PAC", afirmou o senador. Ribeiro informou que está marcada para a próxima semana uma reunião com a ministra Miriam Belchior para tratar do assunto. Além da bancada do Pará, estará presente o governador Simão Jatene (PSDB). "Muitas empresas estão suspendendo investimentos, aguardando a retirada do Pedral do Lourenço", destacou o senador tucano.

10 dezembro 2011

Governo de São Paulo deverá investir até R$ 40 bilhões através de PPPs



Parcerias serão para projetos nas áreas de saneamento, mobilidade urbana, saúde, habitação e sistema prisional


Da Redação

Divulgação: Metrô
Linha 4 do Metrô é uma das PPPs em andamento
O valor investido pelo governo de São Paulo em parcerias público-privadas deverá chegar até R$ 40 bilhões, divididos em 18 empreendimentos. Essas PPPs deverão englobar projetos nas áreas de saneamento, mobilidade urbana, saúde, habitação e sistema prisional. "As PPPs vão deslanchar à medida que o Estado incorporar esse tipo de investimento como regra. Antes, PPP era exceção", diz Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo.

Atualmente, o governo trabalha com três PPPs: a Linha 4 do Metrô, a estação de tratamento de água de Taiaçupeba (Sabesp) e a modernização da linha 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Segundo Afif, o Estado conta com o incentivo da iniciativa privada para alavancar o processo, através das manifestações de interesses. "Precisamos da pressão do mercado para acelerar a burocracia pública."

Dentre os novos projetos colocados em estudo no Conselho Gestor de PPPs, estão empreendimentos de mobilidade urbana como o trem expresso ABC, a Linha 6-laranja do Metrô, um trem para Campos do Jordão e uma rede de trens metropolitanos formada pelas linhas que ligarão a capital a Santos, Sorocaba, Campinas e São José dos Campos.

Já no setor de saneamento, Afif Domingos citou projetos da Sabesp para investimento nos sistemas de água e esgoto nas bacias de São Lourenço, Baixada Santista, Sarapuí, Sorocaba, Médio Tietê e Litoral Norte, e a manutenção da calha do rio Tietê. Outros projetos são a construção de casas populares, piscinões, hospitais, parques tecnológicos e um pátio de desmanche de veículos, além da ampliação do Centro de Exposições Imigrantes.

23 novembro 2011

Dilma e Alckmin vão anunciar metrô até o ABC Paulista


Cidades vizinhas serão ligadas a São Paulo pela linha Bronze, de monotrilho


Em mais uma demonstração da proximidade entre os governo federal e do Estado de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff e o Geraldo Alckmin farão juntos o anúncio da linha 18 - Bronze do Metrô, que levará o metrô às cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, no ABC. A ligação com a capital será feita a partir da estação Tamanduateí, da Linha 10 da CPTM, que também está integrada à Linha 2 - Verde do Metrô.

De acordo com o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, a cerimônia será realizada no mês de dezembro. Dilma e Alckmin já anunciaram juntos investimentos para o Trecho Norte do Rodoanel, Ferroanel e Hidrovia Tietê-Paraná.

Também lançaram juntos o programa Brasil Sem Miséria, no Palácio dos Bandeirantes, e firmaram uma parceria para o programa Minha Casa Minha Vida, em que São Paulo se comprometeu a ceder terrenos para o programa federal. Além disso, o governo federal recentemente ampliou o teto da dívida de São Paulo para R$ 17 bilhões.

A Linha 18 - Bronze do Metrô ligará a capital paulista ao ABC por meio monotrilho - um trem menor que o do metrô e que trafega sobre pontes. De acordo com o Metrô, a previsão é de que a linha tenha cerca de 20 km, 18 estações, quatro terminais integrados e transporte 400 mil usuários por dia. Não há previsão de início de obra.

Segundo Marinho, a prefeitura pediu que a linha se estenda até a Estrada do Alvarenga, onde seria a estação final. A linha cruzará com dois corredores de ônibus em São Bernardo do Campo que serão construídos na cidade - um ligará a praça dos Bombeiros, avenida Prestes Maia, viaduto Tereza Delta, avenida José Odorizzi e estrada Samuel Aizemberg até a divisa com Diadema, e o outro corredor irá da estrada do Alvarenga até o largo do Piraporinha.

Ao menos um deles será bancado com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Mobilidade Urbana das Grandes Cidades.


Marinho afirmou que a prefeitura já investiu R$ 1,8 milhão para o projeto funcional da linha. As obras serão bancadas com recursos do governo federal e do governo de São Paulo.

- É possível também que o projeto seja complementado, eventualmente, com recursos de uma PPP (Parceria Público-Privada).

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou nesta quarta-feira (23) que os projetos do metrô e os dois corredores de ônibus estão em fase de análise pelo governo federal.

- Estamos terminando as definições e esses empreendimentos têm grandes condições de serem encaixados, mas ainda não temos uma definição. Acredito que, no máximo, em meados de dezembro [a presidente Dilma] anuncie, como já anunciou os metrôs de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador.

18 novembro 2011

Operários param obra da Refinaria Premium

Há que se tomar certo cuidado sobre a veracidade de muitos fatos que a Imprensa relata sobre os tais maus tratos a trabalhadores do PAC. Ainda hoje me lembro da balbúrdia que muitos fizeram sobre as condições dos funcionários da hidrelétrica de Sto Antônio e, quando se foi ver, até ar-condicionado no quarto era dado aos funcionários. Na refinaria de Recife aconteceu o mesmo. Há muito motivação política nisso tudo.
Porém, isso não quer dizer que não possa haver verdade no que vem se noticiando sobre a refinaria do Maranhão, de qualquer forma, vale o registro da matéria abaixo:

http://colunas.imirante.com/platb/danielmatos/2011/09/14/operarios-param-obra-da-refinaria-premium/

por daniel matos

Canteiro de obras da Refinaria Premium I

Centenas de operários fizeram uma mobilizaçaõ no início da manhã de hoje, no canteiro de obras da Refinaria Premium I, em Bacabeira. Os trabalhadores cruzaram os braços por cerca de meia hora para protestar contra atos supostamente abusivos que estariam sendo cometidos pela direção do Consórcio Galvão-Serveng-Fidens, responsável pela execução do projeto, que atualmente está na fase de terraplenagem..

Uma das queixas é quanto a diferença entre o valor do salário registrado em carteira e o que é pago na prática. Segundo os operários, o contrato prevê um vencimento de R$ 1.400,00 para motoristas de caçambas, mas estes recebem apenas R$ 1.200,00 a cada mês. Outra reclamação refere-se à qualidade da comida servida aos trabalhadores.

“As refeições são transportadas de São Luís a Bacabeira todos os dias e durante a viagem ficam expostas ao calor por um longo período. Com isso, a comida perde a qualidade. Muitos colegas já passaram mal após ingerir esses alimentos”, comentou um motorista, que preferiu não se identificar por teremer represálias. Ele revelou ainda que grande parte dos trabalhadores passou a recusar as quentinhas servidas pelo consórcio e prefere comer em restaurantes instalados nos arredores do canteiro de obras.

Transporte

Outro motivo de insatisfação dos operários foi a suspensão do transporte que era oferecido pelo consórcio Galvão-Serveng-Fidens. Sem o serviço, os operários estão sendo obrigados a cobrir do próprio bolso as despesas com locomoção. “Estamos pagando para trabalhar. Todos os dias temos que pagar passagens de van para ir ao canteiro de obras e voltar para casa”, queixou-se o motorista.

O furto de uma motocicleta pertencente a um operário, dentro do canteiro de obras, e a suposta recusa do consórcio em arcar com o prejuízo também deixou os trabalhadores indignados. O fato foi comunicado à direção da obra, que respondeu que não se responsabilizaria pelo ocorrido.

Diante dos transtornos causados pela mobilização, um dos engenheiros responsáveis pela construção do empreendimento decidiu conversar com os operários. Após ouvir as reivindicações, ele prometeu avaliar as reivindicações. Procurado, o diretor do projeto da Refinaria Premium, Fabiano Eterovick, informou que uma cláusula do contrato firmado coma Petrobras impede o consórcio de emitir qualquer declaração sobre fatos relacionados à rotina da obra.

Os trabalhadores ameaçam fazer uma greve geral caso suas reivindicações não sejam atendidas.

30 outubro 2011

PAC 1 só concluiu pouco mais de um terço das obras

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Quase dois terços das obras incluídas no primeiro balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1), divulgado em maio de 2007, não foram concluídas até agora. Pior: mais de 20% delas nem foram iniciadas, conforme levantamento feito pelo ''Estado'' nos setores de transportes (ferrovia, portos, rodovias e aeroportos), recursos hídricos e saneamento básico.

Algumas obras ainda nem conseguiram superar a fase de contratação de projeto básico ou de processo licitatório. Há ainda aquelas que já foram iniciadas, mas estão paralisadas por algum tipo de entrave, como contrato suspenso, questão ambiental e dificuldade de desapropriação de áreas. O levantamento comparou o primeiro relatório do PAC 1 e o último do PAC 2, divulgado em 29 de julho deste ano. No total, foram avaliados 144 empreendimentos, e 90 deles continuavam em aberto.

A lista de obras que ainda não foram concluídas é encabeçada pelos empreendimentos rodoviários - que respondem por parcela significativa do programa. Um dos principais entraves foi o despreparo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) na realização de projetos básicos. Sem gente suficiente para dar conta da demanda, muitas obras foram iniciadas sem estudos adequados e, mais tarde, paralisadas por irregularidades.

Um caso emblemático é a pavimentação da BR-163, entre Guarantã do Norte (MT) e Santarém (PA), num total de mil quilômetros (km). Prevista para ser concluída no ano passado, a obra ainda tem vários trechos por fazer. Recentemente, as atividades na estrada foram paralisadas por causa de uma rede de transmissão de energia, que deveria ser transferida de lugar para a realização das obras. Segundo o Dnit, foi necessário o remanejamento de 192 postes. Até agora, apenas 271 km estão concluídos.

Na BR-365, no trecho chamado Trevão de Uberlândia, não só o edital de obras está suspenso desde dezembro como uma construtora pediu a rescisão do contrato em um dos lotes. A previsão inicial era concluir a obra em 2009, mas ela não sairá do papel antes de 2013, conforme o relatório do PAC 2. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

16 abril 2011

Estagnado, PAC 2 só recebe 0,25% do total de recursos

Governo

Grande vitrine da campanha de Dilma, programa ainda não andou em 2011

Dilma Rousseff em lançamento do PAC2 – programa é conhecida 'peça de ficção'

Dilma Rousseff em lançamento do PAC2 – programa é conhecida 'peça de ficção' (Ricardo Stuckert/Presidência)

Uma das principais bandeiras da vitoriosa campanha de Dilma Rousseff à Presidência, a segunda versão do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2) tem se mantido estagnada desde que a presidente assumiu o mandado. Segundo um levantamento da ONG Contas Abertas, as obras do programa que avançam só o fazem porque se utilizam de contratos firmados ainda na gestão anterior.

Dados da ONG mostram que, dos 40,01 bilhões de reais de gastos autorizados para as versões 1 e 2 do PAC, apenas 102 milhões de reais (0,25%) foram pagos até a última terça-feira. Por causa disso, o governo avalia fundir os programas em uma única rubrica, com o nome genérico de PAC.

Propalada durante a campanha eleitoral, a implantação de centenas de unidades de pronto-atendimento (UPAs) não saiu do papel. Na mesma situação, encontram-se também a construção de unidades básicas de saúde e a implantação de postos de polícia comunitária e de espaços integrados de esporte, cultura, lazer e serviços públicos, as chamadas "praças" do PAC.

Entre os gastos autorizados pela lei orçamentária para 2011, há quase 1,3 bilhão de reais destinados a esses projetos, voltados às populações das regiões metropolitanas. Mas, passados os primeiros cem dias de governo Dilma Rousseff, nenhum deles passou pela primeira etapa do processo de gasto público, o chamado empenho.

05 abril 2011

CONFLITOS EM OBRAS DO PAC

CONFLITOS EM OBRAS DO PAC
As cochiladas da mídia

Por Mauro Malin em 5/4/2011

"O que antecipamos dificilmente ocorre; o que menos esperamos geralmente acontece." A sentença é antiga. Foi cunhada por Benjamin Disraeli no século 19. Aplica-se à surpresa com que o governo e a mídia receberam a explosão no canteiro de obras de Jirau, Rondônia, em meados de março, seguida por paralisações e manifestações de descontentamento em diferentes obras do PAC. Certo? Errado.

A surpresa é menos isso do que uma propensão a não enxergar problemas desagradáveis.

Tenha-se como premissa que o jornalismo brasileiro, nas condições atuais, depende muito do governo. Não em sentido diretamente financeiro, no caso dos veículos mais independentes, mas em matéria de conteúdo noticioso.

Essa constatação é antiga e nem se pode dizer que tenha sido muito diferente em tempos idos, embora se possa eleger a ditadura como marco referencial do aumento de dependência, devido à censura. Como encher páginas e páginas, ou horas e horas, sem publicar o que era oficialmente permitido?

O governo fica mais perto

A dificuldade hoje tem a ver com o famoso modelo de negócios, ou, menos pomposamente, com a dificuldade de financiar mais e melhor a apuração jornalística (que dispõe de mais tempo; não se questiona a qualidade profissional dos repórteres).

"Cobrir" governos é mais barato, por certo. Basta pensar na logística dessa operação, no caso mais oneroso um deslocamento entre a redação e o respectivo palácio, ou prédio de ministério ou secretaria (estadual ou municipal). O custeio cai vertiginosamente quando basta o telefone. E mais ainda quando se usa o correio eletrônico, amortizado o custo inicial do computador e conexos.

Além disso, é possível reproduzir sem peso na consciência o declaratório oficial, ao passo que é impossível ter certeza do que ocorre em um lugar qualquer, próximo ou remoto, sem enviar a reportagem para lá. A menos que se disponha de um testemunho dotado de completa credibilidade.

Cegueira difícil de explicar

Tudo isso para dizer que governo e mídia cochilaram, no caso de Jirau. De Jirau e, principalmente, de uma miríade de obras do PAC, cuja importância simbólica e política – para não dizer econômica – é realçada pela designação de "mãe do PAC" com que a então ministra e logo candidata Dilma Rousseff foi exaltada diante da nação, em 2010.

Não é que a mídia tenha racionado reportagens sobre canteiros de obras novos e antigos. Ao longo de 2010 foram feitas muitas matérias sobre reclamações trabalhistas, por exemplo na obra de Santo Antônio, no mesmo Rio Madeira em que se situa Jirau.

Por que, então, meios importantes, como a TV Globo, o Estado de S.Paulo e o Valor Econômico falaram inicialmente em "vandalismo" (haja vandalismo para destruir em pouco tempo 70 alojamentos, 43 ônibus e 15 carros)? (A Folha de S.Paulo usou a palavra "revolta" e o Globo, "rebelião". Não ecoaram a manifestação oficial da construtora Camargo Corrêa.)

Por que o governo levou um susto, se o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou no dia 29/3 que "de fato, em Jirau, a decisão da empresa de antecipar a entrega da obra provocou maior concentração de trabalhadores" e, por isso, ele havia ponderado que "era o caso de rever o contingente para diminuir a tensão"?

A longa sombra do escravismo

Por que, sobretudo, até agora não se fez uma reportagem que mostre como esses episódios atestadores do atraso brasileiro têm em comum serem banhados pela longa sombra do escravismo? Não se seguem padrões, não do século 21, mas da segunda metade do século 20, seja em obras grandes, médias, pequenas – as que mais provocam mortes de operários. O regime seguido pelas empresas ou empreiteiros é o da passagem do século 19 para o século 20.

José Eulálio, presidente do sindicato dos trabalhadores do Porto do Açu, obra de uma empresa de Eike Batista no litoral fluminense que passou por paralisação, disse ao Estadão: "As condições de trabalho aqui também são horríveis. Há muitos acidentes que são subnotificados".

Grandes canteiros, obras distantes? Nada disso. O desprezo pela segurança e pela vida está ali mesmo na esquina, como mostram as fotos abaixo, onde operários sem capacete, em "cadeirinhas" artesanais, repintam a fachada de um prédio nos limites dos Jardins com o Paraíso, em São Paulo.

Financiamento da política

Por que será? É preciso esconder as mazelas sociais de um país que se tornou "emergente", ocupa novo papel no cenário internacional, serve de exemplo em matéria de disciplina monetária e programas de assistência social, deu ao mundo um líder democrático com carisma incomparável?

É, pode ser. Mas também se pode cogitar de um certo torpor, de um certo desconforto, desinteresse, falta de elã, como se dizia antigamente, por parte do governo, para falar de aspectos menos brilhantes de empresas que são as grandes financiadoras da atividade política, agora que as privatizações reduziram o estoque de estatais disponíveis para oferecer – como foi mesmo que Delúbio Soares se expressou? – "recursos não contabilizados".

E, como pretendemos demonstrar acima, se o governo não apita, em muitos casos a mídia não atina.

04 abril 2011

Grandes obras, problemas idem

Além de Suape, as greves já suspenderam os trabalhos no Porto de Açu, no Rio de Janeiro, na termoelétrica de Pecém, no Ceará, e nas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. Por Felipe Corazza. Foto: Felipe Corazza.

Visto do alto, o Complexo de Suape, em Pernambuco, é imponente. Mas a dimensão do que está em curso na área, pertencente ao município de Ipojuca, torna-se de fato espantosa quando se faz o trajeto entre a capital e os grandes átrios que formarão o coração do gigante. Pouco antes das 6 da manhã, desde a entrada de Jaboatão dos Guararapes – município da região metropolitana do Recife –, veem-se pelas calçadas operários e técnicos à espera dos incontáveis ônibus fretados que trafegam ao longo da rota. A PE-060, estrada que leva aos principais empreendimentos do complexo, tem um engarrafamento quase paulistano. O clima de operação de guerra é reforçado pelo barulho do helicóptero da Defesa Civil a sobrevoar a movimentação. É quarta-feira 30, dia de assembleia dos trabalhadores em greve.

A paralisação dos canteiros, a 50 quilômetros do Recife, começou em 17 de março e envolveu perto de 34 mil operários contratados por 29 empresas. Em jogo, a construção da Refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica Suape e a conclusão das obras do Estaleiro Atlântico Sul e do porto. O primeiro batalhão a parar foi o dos trabalhadores do consórcio Conest, formado por Odebrecht e OAS. As principais reivindicações eram de melhores condições de trabalho, plano odontológico, reajuste do valor da cesta básica para 160 reais e pagamento de 100% das horas-extras feitas aos sábados. No início de março, os operários de todas as outras empresas que participam dos empreendimentos aderiram ao movimento.

A forma pulverizada de organização dos trabalhadores está na origem dos problemas que têm paralisado grandes obras no País, especialmente aquelas listadas no PAC. A maioria dos operários trabalha para os consórcios, mas o vínculo empregatício fica com uma das empresas. Como resultado, pouca unidade e reivindicações trabalhistas desencontradas e em épocas diferentes. Além de Suape, as greves já suspenderam os trabalhos no Porto de Açu, no Rio de Janeiro, na termoelétrica de Pecém, no Ceará, e nas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. Nesta última, a revolta dos trabalhadores foi violenta. Os operários incendiaram ônibus e queimaram os alojamentos, considerados precários.

A crítica também é ouvida entre os trabalhadores de Suape. Morador temporário de um alojamento no bairro de Cidade Garapu, o caldeireiro Gilmário Evangelista é um “trecheiro”, operário que roda o País de obra em obra atrás dos melhores empregos. Baiano de Camaçari, há 15 anos ele está “na luta”. A reclamação maior é sobre as condições de vida no alojamento providenciado pelo consórcio. “É quente, não tem segurança, já fomos assaltados lá dentro.” Gilmário não está só. Guilherme Santiago, outro trecheiro, também reclama da moradia. “São quatro banheiros para mais de 160 pessoas. Imagine.” Sobre as questões trabalhistas, saca do bolso o cartão do vale-refeição: “No mês passado, não depositaram”.

Sem uma organização central para quem reclamar desse e de outros problemas, e com um sindicato local chamado de “pelego” pelos próprios operários, a representação dos trabalhadores fica a cargo de atores diferentes. Centrais, federações, confederações e movimentos sociais assumem a voz de grupos distintos de operários. A fragilidade surge de tal diversidade. A cada reivindicação de um desses grupos, todos os outros rapidamente entram na briga e exigem para seus representados os mesmos termos. Para tentar resolver a questão, o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco interferiu na disputa, oferecendo-se para mediar e construir uma pauta única de reivindicações.

O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Fábio de Farias, conta que a ideia não foi aceita de pronto: “No início do ano, representantes do Conest nos procuraram e comunicaram que a situação estava evoluindo para um conflito sem solução”. Farias ofereceu a mediação, negada pelas empresas, que preferiram ir à Justiça em dissídio com os trabalhadores. “Após esse julgamento, o problema não se resolveu, porque havia conflitos de representação sindical muito sérios.” Nova oferta de mediação, nova recusa do consórcio.

Pouco tempo depois, o Ministério Público foi forçado a intervir, quisesse o Conest ou não: “No meio do caminho, aconteceu o incêndio de um dos pavilhões e um dos trabalhadores levou um tiro. Diante dessa situação, avaliamos que a situação extrapolava uma disputa sindical e não era mais uma questão de vontade das partes a mediação, era uma necessidade que se impunha”. O acusado de atirar contra os trabalhadores foi um vigilante do próprio sindicato local, o Sintepav. Edmilson Severino dos Santos foi preso oito dias depois do ocorrido. Com a briga em tal ponto, a solução foi reunir uma comissão com todos os representantes da categoria – mesmo aqueles não reconhecidos legalmente como tal – e Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon).

Do encontro saiu uma pauta comum de negociação. Dos 13 pontos levantados, 11 foram aceitos pelos patrões. Os dois restantes – cesta básica e horas extras – sustentaram a continuidade da greve. As empresas negam irregularidades e enxergam viés político na mobilização dos operários. “Tudo que foi acordado em acordo coletivo está sendo cumprido”, diz Margareth Rubem, advogada do sindicato patronal, durante audiência na sede do Ministério Público. “O que a gente vê é sindicato brigando com o próprio trabalhador.” O advogado do consórcio Conest, José Otávio Carvalho, vê como “lamentável” a postura dos representantes dos trabalhadores. “A gente lamenta que os aspectos políticos estejam acima dos interesses dos trabalhadores.”

Sem acordo, a situação chegou ao Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco. Na terça-feira 29, os magistrados concluíram que as reivindicações pendentes deveriam ser atendidas, mas definiram a greve como ilegal. Com a decisão, os trabalhadores receberiam o que exigiam, mas as empresas teriam o direito de descontar os dias parados. Novo impasse. Na assembleia da manhã seguinte, os operários acataram a decisão, sob a condição de não serem descontados os dias imediatamente. A negociação para compensar o tempo de greve ainda está em curso.

O Ministério Público prepara um relatório sobre a situação de moradia dos operários. Três peritos foram enviados após o carnaval para avaliar as condições e o texto final deve ser concluído em maio. Foi instalada uma gerência do MP na região da obra, para facilitar o acesso às informações. O procura-dor-chefe promete acompanhar de perto os desdobramentos.

A necessidade de uma nova forma de negociação, explícita em Suape, é parte do nó a ser desatado por governo, empresas e centrais nas obras de construção pesada. “A situação é muito nova, e essa novidade implica uma mudança de postura por parte de todos os envolvidos”, acrescenta Farias. Essa mudança de postura passa por uma coordenação mais ampla das reações aos conflitos, tanto por parte dos representantes dos trabalhadores quanto por parte das empresas.

A paralisação em Pernambuco e a revolta violenta em Jirau provocaram um esforço para tentar unificar, na medida do possível, as insatisfações dos trabalhadores. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, pediu uma reunião tripartite com governo, centrais e empresários. O encontro aconteceu na terça-feira 29 em Brasília. Pelo governo, participou Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. O presidente da CUT e o presidente da Força Sindical, o deputado federal pedetista Paulo Pereira da Silva representaram os trabalhadores. Pelos empresários, participou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. Após quase nenhum avanço, nova reunião foi marcada.

A exemplo do procurador Farias, Arthur Henrique defende unificação da pauta. “A gente já vinha avisando desde o ano passado, não só por conta de Jirau. Infelizmente, nunca conseguimos construir uma agenda tripartite para construir uma proposta de um acordo nacional”.

Enviado pela Força Sindical para discutir os problemas de Suape com os representantes locais, o vice-presidente da Central, Miguel Torres, segue a mesma linha: “Todas as obras do PAC têm problemas. Todas. O que nos preocupa é achar uma solução nacional, porque soluções locais não estão resolvendo. Os acordos não são cumpridos”. A extensão do conflito para mais canteiros é inevitável, na visão da Força: “O que aconteceu em Jirau vai acontecer em outros lugares”, acredita Torres.

No momento em que os operários de Suape voltavam ao trabalho, eclodia a revolta nas obras do terminal marítimo de Açu, no Rio de Janeiro. O empreendimento pertence à LLX, do bilionário Eike Batista. Grandes obras, grandes problemas.

28 março 2011

Força vai sugerir acordo coletivo nacional para obras do PAC

28 de março de 2011 | 18h 51
REUTERS

A Força Sindical vai propor ao governo a adoção de um acordo coletivo nacional para os trabalhadores de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para evitar tumultos como o ocorrido nas obras das hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia.

Segundo o presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), a proposta será apresentada terça-feira, em reunião do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, com as centrais sindicais.

"Estamos fazendo uma tentativa para resolver os problemas nos canteiros de obras e também consertar para o futuro", disse o deputado nesta segunda-feira por telefone.

A ideia é fazer um acordo nacional que padronize os salários dos operários de obras do PAC e criar uma comissão tripartite envolvendo governo, sindicatos e empresas para fiscalizar as condições de trabalho nas obras.

As obras das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, estão suspensas há mais de uma semana. A paralisação foi iniciada com um tumulto no canteiro de Jirau que causou a destruição de parte dos alojamentos dos operários.

(Reportagem de Leonardo Goy)

24 março 2011

Maior greve do Brasil tem julgamento adiado

Mesmo correndo o risco de ser taxado de pelego por um ou outro, queria dizer que não concordo com a conclusão desse artigo da Carta Capital.
Com o testemundo de quem trabalha em Suape a pouco mais de 1,5 ano, garanto que, pelo menos da parte da empresa em que trabalho, não há nenhum desrespeito aos direitos dos trabalhadores. Pelo contrário, todas as negociações feitas penderam para o lado dos trabalhadores como o valor do dissídio, cesta básica etc.
Essa mega-greve é resultado da chegada em PE de um grupo de sindicalistas da BA acostumados a paralisar o pólo de Camaçari.
Ao contrário do que a maioria pensa, acredito que o prosseguimento desse sindicalismo radical vai acabar encarecendo a mão de obra a ponto de inviabilizar o desenvolvimento do estado de PE (um dos que mais crescem no país) e levando o investimento produtivo para a China, Cingapura, Malásia e afins.

O destino da paralisação que mantém os 34 mil operários do Complexo de Suape de braços cruzados será definido semana que vem pelo Tribunal do Trabalho

Enquanto os olhos de todos estão voltados para Jirau, em Rondônia, onde na semana passada os mais de vinte mil trabalhadores da construção da hidrelétrica fizeram uma rebelião que chamou atenção pelos atos de vandalismo, outra obra do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), em Pernambuco, está parada há uma semana pela greve de seus funcionários.

Nesta quinta-feira 24 iria acontecer um julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Pernambuco para definir o futuro da paralisação dos 34 mil trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica de Suape. O Ministério Público do Trabalho (MPT) media a negociação entre patrões e funcionários. Até agora já foram atendidas 11 das 13 reivindicações dos operários, que ainda exigem pagamento de 100% das horas extras no sábado (atualmente recebem apenas 70%) e o aumento do vale-alimentação de 80 para 160 reais mensais.

O MPT apresentou novas propostas às duas partes e realizará uma audiência na segunda-feira 28 para tentar chegar a um acordo e evitar o dissídio. Caso ele não aconteça, está marcada para a terça-feira 29 nova sessão no TRT para julgar além da legalidade da greve, a sua natureza econômica.

Assim como em Jirau, a greve em Suape revela as más condições de trabalho que os trabalhadores das mega-obras do PAC estão submetidos. A Refinaria e a Petroquímica são os dois maiores investimentos do Plano no Estado, com um custo superior a 15 bilhões de reais. Esta é a maior greve nas três décadas de implementação do Complexo de Suape e mobiliza as 29 empresas do consórcio.