13 dezembro 2011
Governo quer que Vale incorpore despesa em obra do PA
BRASÍLIA - O governo federal quer empurrar para a Vale uma fatura de R$ 500 milhões visando garantir a navegabilidade do Rio Tocantins, no Pará, entre os municípios de Marabá e Tucuruí - durante os 12 meses do ano. Atualmente, apesar da construção da hidrovia e das eclusas de Tucuruí, o rio é utilizado por apenas oito meses devido à necessidade de retirada de pedras (derrocamento) do que ficou conhecido como Pedral do Lourenço.
Como o derrocamento foi excluído do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Ministério do Planejamento negocia a possibilidade de a Vale incorporar o custo em seus investimentos. "Nós achamos que essa obra é muito importante para o desenvolvimento daquela região do País e estamos refazendo o projeto do derrocamento do Pedral do Lourenço. Estamos discutindo com a Vale a possibilidade de ela incorporar isso nos seus investimentos", afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, após apresentar o balanço do PAC na Comissão de Infraestrutura do Senado. Procurada, a Vale não se posicionou sobre as afirmações.
A empresa vai construir a siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), em Marabá. Porém, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, já considera a hipótese de utilizar a logística ferroviária para viabilizar o complexo siderúrgico como alternativa à hidrovia. A empresa já tem uma ferrovia pronta, próxima à cidade de Marabá.
Preocupada, a bancada do Pará pressiona o governo para a realização do derrocamento, o que tornaria viável a hidrovia Araguaia-Tocantins. Na Comissão de Infraestrutura, o senador Flexa Ribeiro (PSDB) solicitou à ministra a reinclusão desse projeto no PAC. Segundo Ribeiro, uma licitação chegou a ser feita para selecionar uma empresa que prestaria o serviço pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O processo, porém, foi suspenso devido a irregularidades.
"Foi um balde de água fria saber que ao invés de fazer uma nova licitação a obra foi excluída da lista do PAC", afirmou o senador. Ribeiro informou que está marcada para a próxima semana uma reunião com a ministra Miriam Belchior para tratar do assunto. Além da bancada do Pará, estará presente o governador Simão Jatene (PSDB). "Muitas empresas estão suspendendo investimentos, aguardando a retirada do Pedral do Lourenço", destacou o senador tucano.
26 novembro 2011
Investimento da Vale 2012 será inferior ao previsto
RIO E SÃO PAULO - Sem conseguir cumprir o orçamento de US$ 24 bilhões previsto para este ano, a Vale se prepara para anunciar na próxima segunda-feira um investimento para 2012 mais em linha com o atual cenário de incertezas na economia mundial e de dificuldades na obtenção de licenças ambientais no País.
De acordo com uma fonte do setor, a expectativa é que a cifra para 2012 fique próxima do investimento realizado pela companhia este ano, que deve fechar, no máximo, em US$ 19 bilhões. Até setembro, a companhia havia desembolsado US$ 11,308 bilhões, menos da metade da meta inicial.
O orçamento mais modesto será apresentado aos investidores nos Estados Unidos, durante o evento Vale Day, na Bolsa de Valores de Nova York. Em outubro, quando comentou o desempenho da companhia no terceiro trimestre, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, anunciou mudanças no modelo de divulgação do orçamento da companhia. Na época, o executivo também descartou a possibilidade de a Vale desembolsar integralmente os US$ 24 bilhões previstos para este ano.
Pelo novo modelo, a empresa informará ao mercado apenas os projetos já aprovados, com os devidos licenciamentos ambientais obtidos. Essa medida, segundo a empresa, evitará o não cumprimento do orçamento divulgado, exatamente como aconteceu em 2011. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
28 outubro 2011
Vale vai investir 20% menos que o previsto
MÔNICA CIARELLI E FERNANDA GUIMARÃES - Agencia Estado
SÃO PAULO - O orçamento recorde de US$ 24 bilhões programado pela Vale para este ano saiu do radar da mineradora. Hoje, o presidente da companhia, Murilo Ferreira, admitiu que os investimentos vão somar, no máximo, US$ 19 bilhões.
Mas, diferentemente do que ocorreu em 2009, quando a Vale cortou investimentos para se ajustar à queda na demanda por insumos, desta vez o executivo atribui a revisão a atrasos no processo de licenciamento ambiental de alguns projetos.
A crise, porém, apesar de não ser responsável pela alteração do cronograma de investimentos, alterou a estratégia comercial do grupo. "O mercado europeu está mais fraco. Já tivemos alguns cancelamentos (de contratos na Europa). Nada muito significativo", revelou o diretor de marketing, vendas e estratégia da Vale, José Carlos Martins.
Para driblar essa retração de demanda, a companhia tem desviado para a China parte das vendas inicialmente programadas para a Europa.
"São dois ou três navios (embarcados com minério de ferro) a mais por mês", contou. Além da Europa, a companhia sentiu um arrefecimento de demanda por minério de ferro também no Brasil. A estratégia de focar mais na China segue o modelo adotado durante a crise de 2009, quando o país asiático chegou a representar cerca de 60% do faturamento da mineradora. Atualmente, a fatia chinesa gira em torno de 35%.
"Essa é destinação natural toda vez que se tem uma queda de mercado nas áreas onde a Vale tem participação grande, como no Brasil e na Europa", explicou Martins. A calibragem na área comercial não tirou o otimismo dos executivos da Vale. Tanto que Ferreira é categórico ao descartar corte de produção e ainda garante que a sobra do orçamento de 2012 será gasta já no primeiro trimestre de 2012.
Apesar da retração na Europa, o executivo pondera que a situação hoje é bem diferente da vivida em 2009, quando a companhia promoveu demissões e reduziu produção no Brasil e no exterior. Tanto que a companhia trabalha com uma recuperação no preço do minério de ferro no curto prazo.
Durante a teleconferência, Ferreira informou que o orçamento da companhia para 2012 será divulgado no dia 28 de novembro, durante o Vale Day, em Nova York. Para agilizar a obtenção de licenças ambientais, processo que vem atrasando os projetos do grupo, a Vale criou um comitê executivo para tratar do assunto. O grupo vai se reunir semanalmente e já elaborou um guia de procedimentos para obtenção dessas licenças.
Além disso, revelou, a mineradora pretende fazer uma análise de risco em 20 projetos considerados mais críticos para a companhia. Segundo ele, o objetivo de passar uma lupa por esses projetos é diminuir as incertezas em torno de prazos ou custos que influenciem no cronograma e orçamento.
Ferreira explicou ainda que a análise de risco deve incluir até uma comparação com os custos de produção de outras concorrentes. Entre os projetos que serão analisados estão projetos como o de Serra Sul, em Carajás, no Pará, Apolo, em Minas Gerais, e também na Indonésia. Além disso, o presidente adiantou que, no próximo ano, a Vale vai alterar a sua metodologia e divulgará os números apenas dos projetos cujas licenças ambientais já foram aprovadas.