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18 novembro 2011

Amazônia está longe de cumprir Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, mostra relatório


Amazônia registrou melhoria nos indicadores, mas os avanços não foram significativos
Amazônia registrou melhoria nos indicadores, mas os avanços não foram significativos

Com 34 milhões de habitantes em nove países, a Amazônia tem indicadores sociais ainda distantes dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). A avaliação considera indicadores de nove países que compartilham a floresta: o Brasil, a Bolívia, Colômbia, o Equador, Peru, a Venezuela, o Suriname, a Guiana e a Guiana Francesa e está no relatório A Amazônia e os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.

A pesquisa foi organizada pela Articulação Regional Amazônica (ARA) e divulgada durante o encontro Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia, organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio propõem metas para melhorar indicadores de pobreza, educação, saúde, desigualdade de gênero, mortalidade infantil e materna e de meio ambiente. Estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, os ODM têm metas a serem cumpridas até 2015.

Desde a década de 1990, a Amazônia registrou melhoria na maioria dos indicadores, mas os avanços não foram significativos e ainda deixam os índices regionais abaixo das médias nacionais. Dos oito objetivos estabelecidos até 2015, apenas um já foi alcançado na parte amazônica de todos países analisados no estudo: a eliminação da desigualdade de escolaridade entre homens e mulheres.

“Faltam poucos anos para o prazo estabelecido pela ONU para o cumprimento das Metas do Milênio e ainda há muito trabalho para que sejam cumpridas na Amazônia. Há muita diferença de resultados entre os países que compõem a Amazônia, assim como variações internas”, diz o relatório.

Com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 330 bilhões, a região abriga desigualdades e desafios que dificultam a superação da pobreza, uma das principais metas da ONU. De acordo com o estudo, cerca da metade da população que vive na região amazônica desses países encontra-se abaixo da linha de pobreza, com situação crítica no Equador e na Bolívia.

“A Amazônia é sempre a parte mais pobre de cada país porque é uma região que tem padrão de desenvolvimento baseado ainda na extração de recursos naturais, com grande impacto ambiental associado. E os modelos de agregação de valor em uma economia mais intensiva são ainda incipientes. Se desmata e continua pobre, a solução não é desmatar para gerar riqueza”, avaliou o coordenador nacional da pesquisa, Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O Brasil é citado como o único país da região que já cumpriu a meta de reduzir pela metade a proporção da população que sofre de fome. O país tem, por exemplo, taxa de desnutrição infantil de 4%, bem abaixo da média dos países latino-americanos (10%). O Peru e a Bolívia ainda registram taxas altas, com mais de 20% de crianças desnutridas.

A falta de saneamento e baixas taxas de emprego formal também estão entre os obstáculos para a redução da pobreza na Pan-Amazônia, segundo o trabalho. Os índices de desemprego na região são baixos, mas a informalidade é alta. De acordo com o levantamento, mais da metade da população amazônica economicamente ativa trabalham no mercado informal, sem benefícios e direitos sociais.

“Também persistem problemas sérios como o trabalho infantil e o trabalho forçado”, aponta o relatório. Só no Brasil, mais de 15 mil pessoas foram resgatadas de trabalho análogo à escravidão entre 2003 e 2009 em regiões rurais da Amazônia, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) citados no documento.

As taxas de mortalidade materna e infantil – que permanecem altas em alguns países –, a grande ocorrência de doenças como a malária e a tuberculose e o aumento da propagação da aids também rebaixam os indicadores da Pan-Amazônia e distanciam a região do cumprimento dos ODM relacionados à saúde. De acordo com o levantamento da ARA, a mortalidade infantil caiu em todos os países amazônicos, mas não o suficiente para ser reduzida em dois terços até 2015, como previsto nas metas do milênio, com exceção da Venezuela.

Em relação aos indicadores de educação, todos os países avaliados conseguiram aumentar a taxa de matrícula na educação básica, que alcança 90% das crianças em idade escolar. No entanto, mais de dois terços das crianças que ingressam na escola estão fora da idade adequada. Na Amazônia brasileira, por exemplo, 26% dos estudantes da educação básica em 2008 tinham idade superior à recomendada para a série, segundo dados apresentados na pesquisa.

Além da distorção idade-série, a evasão escolar também compromete melhores resultados nos indicadores educacionais da região. “Ainda que o crescimento da taxa de matrícula seja um avanço importante, os países precisam aumentar esforços e investimentos para que os estudantes completem o ciclo escolar”, destaca o documento.

Os indicadores ambientais na região mostram avanços na criação de unidades de conservação e no reconhecimento de terras indígenas. No entanto, o desmatamento ainda ameaça a floresta e a biodiversidade. O Brasil é apontado como responsável por 72% do desmate anual da Amazônia, seguido pela Venezuela (12,5%) e pelo Peru (4,7%). Os autores reconhecem, no entanto, que a participação brasileira pode estar superestimada pela falta de dados de outros países. “Nem todos os países amazônicos têm um sistema de monitoramento anual do desmatamento”, diz o texto. Até o fim de 2011, a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg) deve divulgar mapas mais atualizados da floresta, com indicadores de desmatamento, exploração de gás e óleo e outras pressões.

18 agosto 2011

A parceria entre Dilma e Alckmin

Da Folha

Em SP, petistas e tucanos temem parceria em programas sociais

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

A união dos programas sociais do governo federal e do governo do Estado de São Paulo foi recebida com desconfiança por petistas e tucanos, que dizem não conseguir mensurar o impacto eleitoral da medida.

Nesta quinta-feira (18), a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciarão a associação do Bolsa Família, principal vitrine petista na ação social, ao Renda Cidadã, versão paulista do programa.

A medida é direcionada a pessoas com renda inferior a R$ 70 mensais.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de São Paulo, representantes dos dois partidos externaram preocupação com a iniciativa --inédita na administração paulista.

Do lado petista, há o temor de que o pacto firmado entre Dilma e Alckmin auxilie o PSDB a consolidar a imagem de que prioriza a agenda social no Estado.

Já o PSDB teme que o eleitorado interprete a ação como adesão a um "modelo assistencialista", historicamente criticado pelo partido.

A associação dos programas será oficializada nesta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, onde Dilma lançará o Brasil Sem Miséria para a região Sudeste.

Para conter insatisfeitos no PSDB, Alckmin acionou seu secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, que pediu aos deputados tucanos que participassem do evento.

O apelo para que a ação não fosse partidarizada também foi feito pelo presidente do PT em São Paulo, deputado estadual Edinho Silva. "Será um avanço histórico no modelo de gestão, com benefício para a sociedade. Não podemos partidarizar uma ação como essa", afirmou.

O mesmo discurso foi adotado pelo líder do PSDB na Assembleia, Orlando Morando. "É uma prova da postura republicana da presidente e do nosso governador", disse o tucano.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também elogiou a medida, mas alfinetou a presidente. "É positivo [unir os programas]. E será uma ótima oportunidade para lembrar a presidente que os dois programas, o Bolsa Família e o Renda, têm o DNA do PSDB", afirmou.

Apesar dos discursos, os rumores de insatisfação chegaram ao governo. Em seu perfil no Twitter, Fábio Lepique, secretário particular de Alckmin, afirmou: "Quanto à bobageira que tenho ouvido sobre a visita da presidente Dilma ao governador, só digo isso: sapo não pula por boniteza, mas por precisão".

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-parceria-entre-dilma-e-alckmin?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

31 julho 2011

Miséria persiste em 30 das 200 cidades com PIB mais alto

Olhando apenas para a atividade econômica, o município de São Desidério parece uma ilha de prosperidade no extremo oeste da Bahia.

A intensiva produção de algodão, soja e milho faz a cidade, de 28 mil habitantes, se orgulhar de ter a segunda maior produção agropecuária do país, e o 112º PIB per capita (soma de bens e serviços produzidos, dividida pelo total de habitantes) entre os 5.564 municípios brasileiros.

Veja galeria de fotos
Indicador econômico não reflete desenvolvimento com clareza; veja análise

Essa aparente riqueza, no entanto, não se traduz em bons indicadores sociais.

Tal contradição se repete em municípios onde a riqueza é gerada por empreendimentos industriais ou lavouras de exportação que concentram renda e criam relativamente poucos empregos.

De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, 30% da população de São Desidério, por exemplo, vive em domicílios com renda média per capita inferior a R$ 70, linha de miséria do governo federal.

Comparando o PIB per capita, o município está entre os 2% mais ricos do país. Analisando a miséria, figura entre os 20% mais pobres.

Uma análise feita pela Folha nos indicadores sociais dos 200 municípios de maior PIB per capita mostra que São Desidério não é um caso isolado. Em 30 dessas cidades, a proporção de brasileiros vivendo com menos de R$ 70 per capita fica acima da média nacional, de 9,6%.

A maioria desses municípios é de pequeno porte, mas concentra grandes empreendimentos, o que explica que o PIB per capita seja elevado.

Entre as características mais comuns deste grupo estão atividades ligadas à indústria de petróleo (dez casos), cultivo de soja ou grãos (oito) e hidrelétricas (cinco).

Segundo Júlio Miragaya, economista do Conselho Federal de Economia, essas atividades geram muita riqueza, mas empregam pouco.

José Ribeiro, economista e demógrafo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concorda: "É importante desmistificar a ideia dos grandes empreendimentos como agentes exclusivos do desenvolvimento".

Sheila Zani, responsável pelo cálculo do PIB municipal do IBGE, faz outra ponderação: nem sempre a riqueza gerada é absorvida pela cidade. "Muitos dos empregados mais qualificados moram em grandes centros, onde a é renda absorvida."

Se não há necessariamente geração de emprego local, algumas dessas cidades ao menos deveriam se beneficiar de arrecadação maior. "Mas a gestão municipal não consegue reverter o montante expressivo de impostos na melhoria das condições de vida", diz Ribeiro, da OIT.

Em São Desidério, é fácil entender por que o PIB não se traduz em bem-estar. Há grandes fazendas com lavouras mecanizadas. Os donos moram em outras cidades e chegam de avião. A riqueza fica na mão de poucos e vai para fora da cidade.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/951982-miseria-persiste-em-30-das-200-cidades-com-pib-mais-alto.shtml

Miséria persiste em 30 das 200 cidades com PIB mais alto

Olhando apenas para a atividade econômica, o município de São Desidério parece uma ilha de prosperidade no extremo oeste da Bahia.

A intensiva produção de algodão, soja e milho faz a cidade, de 28 mil habitantes, se orgulhar de ter a segunda maior produção agropecuária do país, e o 112º PIB per capita (soma de bens e serviços produzidos, dividida pelo total de habitantes) entre os 5.564 municípios brasileiros.

Veja galeria de fotos
Indicador econômico não reflete desenvolvimento com clareza; veja análise

Essa aparente riqueza, no entanto, não se traduz em bons indicadores sociais.

Tal contradição se repete em municípios onde a riqueza é gerada por empreendimentos industriais ou lavouras de exportação que concentram renda e criam relativamente poucos empregos.

De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, 30% da população de São Desidério, por exemplo, vive em domicílios com renda média per capita inferior a R$ 70, linha de miséria do governo federal.

Comparando o PIB per capita, o município está entre os 2% mais ricos do país. Analisando a miséria, figura entre os 20% mais pobres.

Uma análise feita pela Folha nos indicadores sociais dos 200 municípios de maior PIB per capita mostra que São Desidério não é um caso isolado. Em 30 dessas cidades, a proporção de brasileiros vivendo com menos de R$ 70 per capita fica acima da média nacional, de 9,6%.

A maioria desses municípios é de pequeno porte, mas concentra grandes empreendimentos, o que explica que o PIB per capita seja elevado.

Entre as características mais comuns deste grupo estão atividades ligadas à indústria de petróleo (dez casos), cultivo de soja ou grãos (oito) e hidrelétricas (cinco).

Segundo Júlio Miragaya, economista do Conselho Federal de Economia, essas atividades geram muita riqueza, mas empregam pouco.

José Ribeiro, economista e demógrafo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concorda: "É importante desmistificar a ideia dos grandes empreendimentos como agentes exclusivos do desenvolvimento".

Sheila Zani, responsável pelo cálculo do PIB municipal do IBGE, faz outra ponderação: nem sempre a riqueza gerada é absorvida pela cidade. "Muitos dos empregados mais qualificados moram em grandes centros, onde a é renda absorvida."

Se não há necessariamente geração de emprego local, algumas dessas cidades ao menos deveriam se beneficiar de arrecadação maior. "Mas a gestão municipal não consegue reverter o montante expressivo de impostos na melhoria das condições de vida", diz Ribeiro, da OIT.

Em São Desidério, é fácil entender por que o PIB não se traduz em bem-estar. Há grandes fazendas com lavouras mecanizadas. Os donos moram em outras cidades e chegam de avião. A riqueza fica na mão de poucos e vai para fora da cidade.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/951982-miseria-persiste-em-30-das-200-cidades-com-pib-mais-alto.shtml

10 julho 2011

Rio vai premiar estudantes com boas notas

Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil*

Jovens de famílias em condição de extrema pobreza que terminarem o ensino médio com boas notas poderão receber um prêmio de R$ 3 mil ao final dos três anos de estudo. A iniciativa lançada neste sábado 9 no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, faz parte do Programa Renda Melhor, do governo do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Além de premiar os estudantes, o programa pretende complementar de R$ 30 a R$ 300 a renda de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, do governo federal.

O valor será depositado em uma caderneta de poupança do jovem, que receberá R$ 700 no primeiro ano, R$ 900 no segundo ano e R$ 1 mil no terceiro, além de uma complementação adicional se tiver boa avaliação em um teste final aplicado pelo governo estadual, totalizando R$ 3,1 mil.

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, destacou que o objetivo é garantir a permanência e o esforço dos estudantes na escola. “O Renda Melhor Jovem é uma poupança-escola que será depositada a cada ano concluído no ensino médio. É um incentivo não só à frequência, mas também ao desempenho ao estudante de 15 a 17 anos dessas famílias extremamente pobres, que são geralmente os que mais se evadem [da escola] e contribuem com as taxas de repetência”, disse Neves.

O programa segue a linha do Plano Brasil sem Miséria, do governo federal, e pretende atender a 50 mil famílias nos municípios de Belford Roxo, São Gonçalo e Japeri – considerados os mais pobres na região metropolitana.

A secretária extraordinária de Superação da Pobreza Extrema do MDS, Ana Fonseca, participou do lançamento e destacou a iniciativa fluminense de atender os estudantes. “O que há de inovador aqui na experiência do Rio de Janeiro é o programa para o jovem, para estimular a permanência no ensino médio”, ressaltou Ana Fonseca.

A secretária do MDS informou que existem 800 mil famílias no país ainda fora de programas de transferência de renda e que estão sendo localizadas pelo governo federal. Segundo ela, ainda é grande o número de brasileiros considerados abaixo da linha da pobreza. “Pelo censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] de 2010, nós encontramos 16 milhões de brasileiros com renda familiar por pessoa igual ou abaixo de R$ 70. Desses, 9,6 milhões moram na Região Nordeste do país”, disse. No estado do Rio, segundo o MDS, 700 mil famílias são atendidas pelo Programa Bolsa Família.

http://www.cartacapital.com.br/politica/rio-vai-premiar-estudantes-que-terminarem-ensino-medio-com-boas-notas

Rio vai premiar estudantes com boas notas

Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil*

Jovens de famílias em condição de extrema pobreza que terminarem o ensino médio com boas notas poderão receber um prêmio de R$ 3 mil ao final dos três anos de estudo. A iniciativa lançada neste sábado 9 no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, faz parte do Programa Renda Melhor, do governo do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Além de premiar os estudantes, o programa pretende complementar de R$ 30 a R$ 300 a renda de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, do governo federal.

O valor será depositado em uma caderneta de poupança do jovem, que receberá R$ 700 no primeiro ano, R$ 900 no segundo ano e R$ 1 mil no terceiro, além de uma complementação adicional se tiver boa avaliação em um teste final aplicado pelo governo estadual, totalizando R$ 3,1 mil.

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, destacou que o objetivo é garantir a permanência e o esforço dos estudantes na escola. “O Renda Melhor Jovem é uma poupança-escola que será depositada a cada ano concluído no ensino médio. É um incentivo não só à frequência, mas também ao desempenho ao estudante de 15 a 17 anos dessas famílias extremamente pobres, que são geralmente os que mais se evadem [da escola] e contribuem com as taxas de repetência”, disse Neves.

O programa segue a linha do Plano Brasil sem Miséria, do governo federal, e pretende atender a 50 mil famílias nos municípios de Belford Roxo, São Gonçalo e Japeri – considerados os mais pobres na região metropolitana.

A secretária extraordinária de Superação da Pobreza Extrema do MDS, Ana Fonseca, participou do lançamento e destacou a iniciativa fluminense de atender os estudantes. “O que há de inovador aqui na experiência do Rio de Janeiro é o programa para o jovem, para estimular a permanência no ensino médio”, ressaltou Ana Fonseca.

A secretária do MDS informou que existem 800 mil famílias no país ainda fora de programas de transferência de renda e que estão sendo localizadas pelo governo federal. Segundo ela, ainda é grande o número de brasileiros considerados abaixo da linha da pobreza. “Pelo censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] de 2010, nós encontramos 16 milhões de brasileiros com renda familiar por pessoa igual ou abaixo de R$ 70. Desses, 9,6 milhões moram na Região Nordeste do país”, disse. No estado do Rio, segundo o MDS, 700 mil famílias são atendidas pelo Programa Bolsa Família.

http://www.cartacapital.com.br/politica/rio-vai-premiar-estudantes-que-terminarem-ensino-medio-com-boas-notas

27 maio 2011

"Os motivos para a minha saída não são sólidos", diz Yunus

Em visita ao Brasil, Nobel da Paz conta os bastidores de sua saída do banco que criou, rebate críticas ao microcrédito e revela quais são seus planos para o futuro
Por Elisa Campos

Muhammad Yunus, conhecido como o "banqueiro dos pobres"O bengalês Muhammad Yunus ganhou fama internacional e um prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com microcrédito. Economista de formação, Yunus deu início em 1976 ao projeto que levaria à criação do Grameen Bank, hoje o banco de microcrédito mais famoso e imitado do mundo. No último dia 13 de maio, após 35 anos, Yunus foi obrigado a deixar o banco que criou, depois de perder uma batalha judicial contra a determinação do governo de Bangladesh para que se afastasse do comando da instituição. Em visita ao Brasil para participar do IV Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, em Belo Horizonte, o Nobel da Paz contou os bastidores de sua queda, rebateu críticas ao microcrédito e revelou quais são seus planos para o futuro.

O Grameen Bank, gerenciado por Yunus, tornou-se um modelo mundial para a concessão de microcrédito. A instituição, que concede empréstimos de valor reduzido a pequenos grupos de baixa renda, em sua maioria quase absoluta de mulheres, desembolsou cerca de US$ 10,6 bilhões a 8,3 milhões de pessoas desde sua criação. O desempenho do banco rendeu ao economista a alcunha de ‘Banqueiro dos Pobres’ e bastante prestígio, o que muitos apontam como a real razão para sua saída do Grameen.

O governo de Bangladesh, encabeçado pela primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed, determinou em fevereiro deste ano o afastamento de Yunus da presidência do banco por ele, aos 71 anos, ter ultrapassado a idade de aposentadoria compulsória da instituição, de 60 anos. O banqueiro foi aos tribunais lutar contra a decisão, mas a Suprema Corte do país deu ganho de causa ao governo.

A relação entre a primeira-ministra bengali e Yunus começou a se deteriorar quando, em 2007, o economista anunciou que fundaria um partido político. Dois meses depois, o economista recuou da decisão, porém o imbróglio deixou marcas. No final do ano passado, Sheikh chegou a chamar publicamente os bancos de microcrédito de “sugadores do sangue dos pobres”.

“Em 2007, eu cheguei a falar que fundaria um partido político, mas pouco depois me dei conta de que esta não é uma coisa que eu gostaria de fazer. Em Bangladesh, muitas pessoas me admiram, eu tenho acesso fácil e o apoio de muitos, porém não tenho qualquer intenção de iniciar uma carreira política. Talvez tenham medo de que eu mude de ideia. Políticos mudam de ideia muito rápido, mas eu não sou um político”, diz Yunus. “Os motivos para a minha saída não são sólidos. As pessoas ainda estão confusas em relação a tudo o que aconteceu”.

A primeira-ministra bengali não está sozinha em suas considerações quando o assunto é microcrédito. A modalidade de empréstimo tem sido alvo de críticas em outras partes do globo, depois de uma série de problemas registrados no México e especialmente na Índia, onde estaria ocorrendo uma onda de suicídios de mulheres, incapazes de honrar suas dívidas. Segundo informações da BBC, mais de 80 indianos teriam se suicidado, nos últimos meses de 2010, no estado indiano de Andhra Pradesh, responsável por 50% do microcrédito do país, após terem se tornado inadimplentes.

Yunus, no entanto, não concorda com a correlação entre os suicídios e os problemas de inadimplência. “Sempre houve o suicídio de mulheres, seja por razões de saúde, seja por motivações familiares, ou outros motivos. Porém, de fato, ocorreram problemas localizados na Índia e no México. O objetivo do microcrédito é ajudar as pessoas a superarem a pobreza e não lucrar a partir disso. Alguns grupos, no entanto, quiseram fazer isso, chegando inclusive a lançar IPOs”. O economista defende que há uma clara distinção entre as operações de microcrédito e os chamados shark loans, termo associado à figura de agiotas. “Se a intenção é séria, os juros precisam ser baixos. O ideal é que a taxa seja o custo de captação mais 10%. Quando esse ganho está entre 10% e 15%, acendemos a luz amarela. Acima de 15%, estamos numa zona vermelha”.

Futuro

Fora do Grameen Bank, Yunus pretende agora se dedicar a seus projetos de social business, ou seja, negócios sem fins lucrativos. Nas palavras do banqueiro, “negócios que não dão prejuízo, nem tampouco rendem dividendos, pensados e desenvolvidos para resolver problemas sociais”. O eventual lucro conseguido pelas empresas nesse modelo é usado ao longo dos anos para pagar o investimento inicial. O banqueiro já desenvolve diversos projetos do gênero, tendo como parceiros multinacionais como a Danone e a Basf. No caso da Danone, por exemplo, a companhia investiu para criar uma fábrica que produzisse iogurte contendo os 12 principais nutrientes em falta nas crianças desnutridas de Bangladesh por um preço reduzido.

Brasil

Em sua visita ao Brasil, nesta quarta-feira (25/05), Yunus também se encontrou com a presidente Dilma Roussef para discutir as políticas de microcrédito e compartilhar sua experiência no tema. “Esperamos que o microcrédito se consolide no Brasil. A necessidade existe, mas é preciso ainda que ele se desenvolva de maneira mais robusta”, afirma o economista. “Se o Brasil fizer algo importante, as pessoas vão olhar. Haverá um impacto mundial”.

Apesar de dizer que tem interesse em desenvolver projetos no Brasil, o banqueiro ainda não tem nenhum plano em andamento. Mesmo assim, ele enfatiza a importância da batalha contra a desigualdade social. “Programas de transferência de renda [como o Bolsa Família] são necessários, mas não deveriam ser permanentes. Tirar as pessoas da situação onde elas se encontram é preciso. E isso nunca é feito, porque é realmente difícil. Países europeus, como o Reino Unido e a Alemanha, têm histórias de famílias que estão na quarta ou quinta geração recebendo dinheiro dos programas de transferência de renda”. Para mudar essa realidade, entram em cena o microcrédito e o social business, defende Yunus, fora do banco, mas ainda no jogo.

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI236172-16359,00-OS+MOTIVOS+PARA+A+MINHA+SAIDA+NAO+SAO+SOLIDOS+DIZ+YUNUS.html

20 maio 2011

Distribuição de renda melhorou 10% na última década

Estudo mostra que gastos públicos em serviços como educação e saúde foram essenciais para ajudar a distribuir a renda

Tiago Lubambo/Pick Imagem

Professor em sala de aula

Estudo do Ipea mostra que gastos com educação e saúde não tiram mérito dos programas assistenciais, mas ajudam mais na distribuição de renda

São Paulo – Um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) mostra que os gastos do governo com educação, saúde e programas assistenciais ajudaram a tornar a distribuição de renda no Brasil 10% melhor na última década.

O instituto usou como base para a análise o índice de Gini, um indicador que mede o grau de desigualdade na população de um país. Este índice varia de zero a um. Quanto mais próximo de zero, melhor distribuída é a renda entre a população.

Segundo a publicação do Ipea, entre 2003 e 2009, o índice de Gini do Brasil passou de 0,548 para 0,496. Os gastos do governo com educação e saúde foram essenciais nesta queda. Se não fossem levados em conta no cálculo do índice, a redução teria sido praticamente a metade (5,5%).

“Apesar de programas assistenciais, como o Bolsa Família, terem sido significativos para aumentar a renda da faixa mais pobre da população, foram os investimentos em saúde e educação os responsáveis por boa parte da redução do índice de Gini”, diz o Ipea na divulgação do estudo.

O técnico do Ipea responsável pelo estudo, Fernando Geiger, diz que isto acontece porque o volume dos investimentos em saúde e educação é muito maior do que o dos recursos de programas como o Bolsa Família. Por outro lado, os programas assistenciais são importantes por serem mais focados, ajudando a aumentar a renda dos 40% mais pobres.
Impostos

A análise do Ipea mostra que as políticas sociais voltadas à melhoria de serviços ajudam a compensar o efeito que alguns impostos têm sobre a renda da população mais pobre. Segundo Gaiger, dois terços dos impostos pagos pela população incidem sobre o consumo e afetam todas as faixas de renda da mesma forma. São os chamados tributos indiretos, como o ICMS, o PIS/COFINS e o IPI.

De acordo com o técnico do Ipea a população mais pobre gasta 30% da sua renda com este tipo de imposto, enquanto os ricos destinam apenas 12% do orçamento. “O sistema tributário é organizado desta forma porque os indiretos, sobre o consumo, são mais fáceis de serem cobrados”, explica.

http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/distribuicao-de-renda-melhorou-10-na-ultima-decada

14 maio 2011

Maranhão concentra mais miseráveis; SC é o Estado que tem menos

Do UOL Economia

O Maranhão é o Estado que tem proporcionalmente a maior concentração de pessoas em condições extremas de pobreza. Da população de 6,5 milhões de habitantes, 1,7 milhão está abaixo da linha de miséria (ganham até R$ 70 por mês). Isso representa 25,7% dos habitantes -mais que o triplo da média do país, que é de 8,5%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo IBGE.

O conceito de miséria foi estabelecido oficialmente na semana passada pelo governo federal, que resolveu considerar em estado de pobreza extrema quem ganha até R$ 70 por mês.

A POBREZA EXTREMA NO BRASIl
População que recebe até R$ 70 por mês

LOCALGANHAM ATÉ R$ 70/MÊS% DA POPULAÇÃO TOTAL
Maranhão1.691.18325,7
Piauí665.73221,3
Alagoas633.65020,3
Pará1.432.18818,9
Amazonas648.69418,6
Acre133.41018,2
Ceará1.502.92417,8
Bahia2.407.99017,2
Roraima76.35817,0
Paraíba613.78116,3
Pernambuco1.377.56915,7
Sergipe311.16215,0
Rio Grande do Norte405.81212,8
Amapá82.92412,4
Tocantins163.58811,8
Rondônia121.2907,8
Mato Grosso174.7835,8
Mato Grosso do Sul120.1034,9
Minas Gerais909.6604,6
Espírito Santo144.8854,1
Rio de Janeiro586.5853,7
Goiás215.9753,6
Paraná306.6382,9
Rio Grande do Sul306.6512,9
São Paulo1.084.4022,6
Distrito Federal46.5881,8
Santa Catarina102.6721,6
Brasil16.267.1978,5

O segundo pior Estado é o Piauí, com 21,3% dos moradores ganhando até R$ 70 mensais. Em terceiro, vem Alagoas, com 20,3%.

Na outra ponta, o Estado com menor nível de miseráveis é Santa Catarina. De seus 6,2 milhões de habitantes, 103 mil estão na linha da pobreza extrema, o que representa 1,6% da população.

Em segundo lugar, vem o Distrito Federal, com 1,8% de miseráveis. São Paulo está em terceiro, com 2,6%. O Rio de Janeiro tem um índice de 3,7% de pessoas vivendo com até R$ 70 por mês.

País tem 16,2 milhões vivendo com menos de R$ 70

O Brasil tem 16,2 milhões de pessoas vivendo em condições extremas de pobreza. Isso representa 8,5% dos 191 milhões de habitantes do país. Na terça-feira da semana passada, o Ministério do Desenvolvimento Social estabeleceu o valor de R$ 70 per capita ao mês como referência para definir quem são os brasileiros mais carentes.

Por essa medida, a região Nordeste é a que conta com mais pessoas em extrema pobreza. São 18,1% da população, em comparação com os 8,5% nacionais. Em seguida aparecem o Norte (16,8), Centro-Oeste (4), Sudeste (3,4) e Sul (2,6).

Os números, baseados em dados do Censo 2010, ajudarão a formular o plano Brasil Sem Miséria, uma das principais bandeiras eleitorais da presidente Dilma Rousseff.

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/05/10/maranhao-concentra-mais-miseraveis-sc-e-o-estado-que-tem-menos.jhtm

03 maio 2011

Brasil tem 16,2 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza

Brasília – Cerca de 16,2 milhões de brasileiros são extremamente pobres, o equivalente a 8,5% da população. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir da linha de extrema pobreza definida pelo governo federal.

Anunciada hoje (3), a linha estipula como extremamente pobre as famílias cuja renda per capita seja de até R$ 70. Esse parâmetro será usado para a elaboração das políticas sociais, como o Plano Brasil sem Miséria, que deve ser lançado em breve pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

De acordo com a ministra do MDS, Tereza Campello, o valor definido é semelhante ao estipulado pelas Nações Unidas.

Para levantar o número de brasileiros em extrema pobreza, o IBGE levou em consideração, além do rendimento, outras condições como a existência de banheiros nas casas, acesso à rede de esgoto e água e também energia elétrica. O IBGE também avaliou se os integrantes da família são analfabetos ou idosos.

Dos 16,2 milhões em extrema pobreza, 4,8 milhões não tem nenhuma renda e 11,4 milhões tem rendimento per capita de R$ 1 a R$ 70.

29 março 2011

Oposição ironiza Dilma sobre erradicação da pobreza

EQUIPE AE - Agência Estado

Líderes de partidos de oposição ironizaram a postura da presidente Dilma Rousseff de reconhecer que os quatro anos de seu mandato podem não ser suficientes para a erradicação da miséria no Brasil. Para as lideranças partidárias, Dilma está sentindo as dificuldades de governar o País e, agora, tem consciência de que exagerou na campanha eleitoral quando prometeu erradicar totalmente a pobreza.

"Essas declarações dela mostram que ela exagerou na dose para se eleger e que agora ela vê que governar o Brasil é mais difícil", afirmou o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). "Parece-me que a presidente Dilma está mais antenada com a realidade do País do que a Dilma candidata. A Dilma candidata tinha a falsa ilusão de que iria erradicar a pobreza e a miséria apenas por vontade política", completou o democrata.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oposicao-ironiza-dilma-sobre-erradicacao-da-pobreza,699019,0.htm

Para o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), Dilma admitiu que cumprir a promessa de erradicar totalmente a miséria no País não é uma tarefa fácil. "Ela reconheceu que o cumprimento da total erradicação da pobreza é um tanto utópico. Se ela insistisse nisso, ela estaria incorrendo nos mesmos exageros que o Lula", afirmou o tucano.