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01 novembro 2011

Qualidade do desenvolvimento brasileiro cresce, diz Ipea



O IQD (Índice de Qualidade do Desenvolvimento) de agosto registrou a quarta elevação seguida, marcando 282,94 pontos, segundo divulgação do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) desta terça-feira (1º).

Segundo o órgão, que é ligado à Presidência da República, mesmo com a alta, o indicador ainda permanece na área de instabilidade do desenvolvimento. Ou seja, é preciso elevar a pontuação para, no mínimo 301, para que atinja o nível bom, que indica um desenvolvimento consolidado no país, de acordo com a metodologia do levantamento.

"Os 282,94 pontos registrados em agosto continuam distantes da área classificada como ótima, apesar de serem maiores do que o índice apresentado entre março de 2007 e abril de 2008", analisa o Ipea, devido a relação possível com o início da crise --que atinge principalmente os países ricos.

Os subíndices que compõem o IQD (Índice de Qualidade do Crescimento, Índice de Qualidade da Inserção Externa e Índice de Qualidade do Bem-Estar), também apresentaram melhora na comparação com o mês de julho.

O Índice de Qualidade da Inserção Externa, aumentou seis pontos, na relação com julho, alcançando 243,24 pontos. Mesmo com a melhora o subíndice permanece na área classificada como instável, de 200 até 300 pontos.

A renda líquida enviada ao exterior sofreu uma elevação de 1,1% (na série com ajuste), e houve aumento de 2,3% nas reservas internacionais. A proporção de manufaturados no total das exportações caiu em 2,4% no período. Por seu turno, os termos de troca obtiveram uma elevação de 0,6% na série com ajuste.

O Índice de Qualidade do Bem-Estar ficou estável em 342,59 pontos em agosto, com classificação boa (entre 300 e 400 pontos). O desemprego manteve-se estável no mês de agosto e o índice de Gini (que mede o desenvolvimento social) apresentou queda de 0,2% na comparação com julho. O número de pessoas com rendimento superior a R$ 1.660 aumentou 1,7% em agosto.

O Índice de Qualidade do Crescimento voltou a subir no mês de agosto, mas ainda fica na classificação instável, marcando 277,91 pontos, 9,84 a mais do que em julho. Neste grupo, houve aumento no índice folha de pagamentos (1,2%), na produção de bens de consumo (5,5%), e na produção de bens de capital (6,9%).

O levantamento é feito mensalmente desde janeiro de 2009.

CLASSIFICAÇÃO

O Ipea classifica a qualidade do desenvolvimento da seguinte maneira:

Péssimo --de 0 a 100 pontos (há retrocesso econômico e social e declínio do desenvolvimento)
Ruim --de 100 a 200 pontos (baixo ou nenhum crescimento; não há distribuição de renda e inserção externa piora)
Instável --de 200 a 300 pontos (crescimento, distribuição de renda e inserção externa não evoluem na mesma direção)
Boa --de 300 a 400 pontos (menor crescimento, alguma distribuição de renda e pouca melhoria na inserção externa)
Ótima --de 400 a 500 pontos (há significativo crescimento com distribuição de renda e melhor
inserção externa)

20 maio 2011

Distribuição de renda melhorou 10% na última década

Estudo mostra que gastos públicos em serviços como educação e saúde foram essenciais para ajudar a distribuir a renda

Tiago Lubambo/Pick Imagem

Professor em sala de aula

Estudo do Ipea mostra que gastos com educação e saúde não tiram mérito dos programas assistenciais, mas ajudam mais na distribuição de renda

São Paulo – Um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) mostra que os gastos do governo com educação, saúde e programas assistenciais ajudaram a tornar a distribuição de renda no Brasil 10% melhor na última década.

O instituto usou como base para a análise o índice de Gini, um indicador que mede o grau de desigualdade na população de um país. Este índice varia de zero a um. Quanto mais próximo de zero, melhor distribuída é a renda entre a população.

Segundo a publicação do Ipea, entre 2003 e 2009, o índice de Gini do Brasil passou de 0,548 para 0,496. Os gastos do governo com educação e saúde foram essenciais nesta queda. Se não fossem levados em conta no cálculo do índice, a redução teria sido praticamente a metade (5,5%).

“Apesar de programas assistenciais, como o Bolsa Família, terem sido significativos para aumentar a renda da faixa mais pobre da população, foram os investimentos em saúde e educação os responsáveis por boa parte da redução do índice de Gini”, diz o Ipea na divulgação do estudo.

O técnico do Ipea responsável pelo estudo, Fernando Geiger, diz que isto acontece porque o volume dos investimentos em saúde e educação é muito maior do que o dos recursos de programas como o Bolsa Família. Por outro lado, os programas assistenciais são importantes por serem mais focados, ajudando a aumentar a renda dos 40% mais pobres.
Impostos

A análise do Ipea mostra que as políticas sociais voltadas à melhoria de serviços ajudam a compensar o efeito que alguns impostos têm sobre a renda da população mais pobre. Segundo Gaiger, dois terços dos impostos pagos pela população incidem sobre o consumo e afetam todas as faixas de renda da mesma forma. São os chamados tributos indiretos, como o ICMS, o PIS/COFINS e o IPI.

De acordo com o técnico do Ipea a população mais pobre gasta 30% da sua renda com este tipo de imposto, enquanto os ricos destinam apenas 12% do orçamento. “O sistema tributário é organizado desta forma porque os indiretos, sobre o consumo, são mais fáceis de serem cobrados”, explica.

http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/distribuicao-de-renda-melhorou-10-na-ultima-decada