02 setembro 2011
Vermelho: Nova classe média brasileira ainda vive em favelas e cortiços
Nova “classe média” do Brasil fica na faixa da pobreza francesa
do Vermelho
http://www.viomundo.com.br/politica/vermelho-nova-classe-media-brasileira-vive-em-favelas-e-corticos.html
Estudo divulgado hoje pelas agências de notícias informa que a crise econômica arrastou milhões de franceses para a faixa de pobreza. O número de pobres sobe a 8,2 milhões, ou 13% da população. Mas é bom notar que os critérios sociológicos daquele país divergem dos usados no Brasil. Aquilo que por aqui o pensamento dominante chama de classe média emergente ou nova classe média não seria mais do que um pobre na França.
Os franceses consideram pobre o cidadão que ganha menos de 954 euros por mês, o que equivale, ao câmbio atual, a cerca de R$ 2,2 mil. Já por aqui, uma família com renda mensal superior a R$ 1.126,00 ultrapassa a linha de pobreza e é classificada como classe média pelos critérios usados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), largamente difundidos.
Classe média favelada
Apesar das diferenças relacionadas ao custo de vida, o critério usado pelos franceses está muito mais próximo da verdade e a situação de um pobre naquele país europeu parece mais confortável com que a de um “classe média” emergente do Brasil. Até mesmo porque os franceses não têm de pagar por serviços de saúde de qualidade (é gratuito) e recebem subsídios para o aluguel.
Na capital de São Paulo, uma família da classe média emergente não teria renda para alugar um apartamento de dois quartos, que (estimando por baixo) não sai por menos de R$ 1 mil. Não é de estranhar, por isto, que muitos membros da nova “classe média” continuem morando em favelas e cortiços.
Conceito falso
O conceito de classe média que orienta os institutos de pesquisas e prevalece nos meios de comunicação é fundamentalmente falso e serve a propósitos ideológicos conservadores. Ele obscurece o fato de que a mobilidade social dos pobres verificada desde 2002 ocorreu principalmente pela incorporação, durante os governos Lula, de milhões de trabalhadores desempregados às atividades produtivas, bem como o aumento da massa salarial e dos salários, começando pelo mínimo.
Estima-se em cerca de 15 milhões o número de novos postos de trabalho formais gerados entre 2002 a 2010, derrubando a taxa de desemprego aberto nas seis maiores regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) dos 13% de 2003 para 6,5% em 2011, de acordo com o IBGE.
Mas a julgar pelo conceito dominante, que divide as classes por faixas de renda (A, B, C, D e E), não existe o que chamamos de classe trabalhadora ou proletariado; tampouco há lugar para a classe capitalista ou burguesia. A sociedade seria composta apenas por pobres e classes médias.
Classe trabalhadora
A mobilidade social significou, essencialmente, um movimento no interior da classe trabalhadora. Se julgarmos a realidade pelos critérios marxistas, que diverge radicalmente das concepções dominantes, o que vem sendo chamado de “nova classe média” na verdade é a classe trabalhadora, que vive da venda de sua força de trabalho, submete-se à exploração capitalista e ganha salários que cresceram nos últimos anos mas ainda permanecem em níveis miseráveis. Cerca de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras recebem até três salários mínimos no Brasil.
O retrato que Ary Barroso fez da situação da força de trabalho brasileira no belo samba intulado Falta um zero no meu ordenado, composto em parceria com o grande flautista e parceiro de Pixinguinha, Benedito Lacerda, data de 1947 mas ainda não perdeu atualidade. Confira a letra abaixo:
Trabalho como louco
Mas ganho muito pouco
Por isso eu vivo sempre atrapalhado
Fazendo faxina
Comendo no “China”
Tá faltando um zero no meu ordenado
Tá faltando um zero
No meu ordenado
Tá faltando sola no meu sapato
Somente o retrato
Da rainha do meu samba
É que me consola
Nesta corda bamba
29 agosto 2011
Comerciantes ainda sofrem impacto do fim do Cine Belas Artes; veja como está o espaço
Em São Paulo
Fachada do Cine Belas Artes em 4 de janeiro... e em 29 de julho deste ano; arraste a imagem para ver como era e como está a sala de cinema na região central de São Paulo
Quase cinco meses após o encerramento das atividades do Cine Belas Artes, os comerciantes da rua da Consolação, região central de São Paulo, ainda lamentam o fim do antigo "point" da classe média “cult” paulistana. Inaugurado em 1952, o cinema cerrou as portas em 17 de março deste ano, após o proprietário não renovar o contrato com os administradores.
Dono da tradicional pizzaria Micheluccio, que funciona na região desde 1957, Edimir Lopes, 51, teve que começar a vender pastéis durante o dia para suprir a queda no faturamento após o fechamento do cinema. O restaurante fica exatamente em frente ao Belas Artes, e grande parte dos clientes da noite eram frequentadores do local.
“Aqui abria só às 18h, mas o fim do cinema me obrigou a vender os pastéis durante o dia. Perdemos clientes antigos, que vinham aqui depois de ver o filme”, diz. Lopes afirma ainda que a proibição de estacionar o carro ao longo da Consolação --em vigor desde 2004, quando o corredor de ônibus foi inaugurado na via-- também prejudicou o movimento no seu estabelecimento.
IMAGENS DO CINE BELAS ARTES
O Belas Artes foi aberto em abril de 1990, quando era administrado pela produtora francesa Gaumont
Última sessão do Cine Belas Artes antes do fechamento, em 17 de março deste ano
Depois de fechado, as paredes do Cine Belas Artes foram alvo de pichadores e grafiteiros
Cláudio Bezerra, 38, funcionário da Micheluccio, estima que a pizzaria perdeu um terço dos clientes desde o fim do Belas Artes. “Se é para ajudar a reabrir o cinema, pode dizer na reportagem que afetou muito. Perdemos pelo menos 30% dos fregueses. Outros bares que tinham história, como o Burger Beer, o Bar do Guedes, tiveram que fechar as portas.”
Os estacionamentos próximos ao Belas Artes também foram afetados. Alguns, que funcionavam até a madrugada, passaram a fechar às 21h. Clei Alves dos Santos, 27, manobrista, diz que o estacionamento em que trabalha parou de funcionar aos domingos. “Todo domingo aqui ficava lotado. Agora eu acho que o movimento caiu uns 40%”, diz.
Para Odete Machado, dona de uma das cinco bancas de livros que funcionam na passagem subterrânea cultural que fica ao lado do cinema, o problema maior do fim do Belas Artes é de ordem emocional. “O público continua vindo na galeria, mas o fim do cinema foi uma grande perda. Fiz muitas amizades com frequentadores de lá. Era uma boa opção de lazer. Não tenho grana para ir ao Reserva Cultural ou ao cinema da Livraria Cultura.”
Abrigo para moradores de rua
Alguns dias após o fechamento, pichadores e grafiteiros deixaram suas marcas nas vitrines e paredes do Belas Artes, colorindo as paredes vermelhas do espaço. Além de "painel" para os artistas do spray, o espaço ganhou outra função social: à noite e, eventualmente, de dia, moradores de rua descansam sob as marquises do local.
“Eu e mais quatro dormimos aqui. Antes, com o cinema aberto, não dava. Era muito movimento. Agora é sossegado, ninguém vem perturbar”, afirma Jaílson Ferreira, 40, que mora na rua.
Para evitar invasões e depredações, o proprietário do imóvel contratou quatro seguranças para vigiar o espaço dia e noite, que se revezam em dois turnos de 12h. Um deles é Antonio Pereira, 50: “Agora está tudo pacífico. O cinema está vazio. Tiraram tudo que tinha dentro”, diz.
Tombamento e futuro
O fechamento do Belas Artes mobilizou os frequentadores do local que, por meio das redes sociais, organizaram atos na rua e no próprio cinema. Na época, o antigo administrador da sala, André Sturm, tentou negociar com o proprietário Flávio Maluf a renovação do contrato, mas as partes não chegaram a um acordo quanto ao valor.
Mesmo sem o patrocínio do banco HSBC há quase um ano, os inquilinos chegaram a oferecer cerca de R$ 80 mil pelo aluguel, mas o dono queria quase o dobro (R$ 150 mil), o que inviabilizou o negócio.
Fachada do Cine Belas Artes em 16 de março... e em 29 de julho deste ano; arraste a imagem para ver como era e como está a sala de cinema na região central de São Paulo
Sturm, atualmente diretor do MIS (Museu da Imagem e do Som), diz que todos os equipamentos do cinema já foram doados. “Nos desfizemos. Não dava para guardar todo o equipamento, mais de mil cadeiras...”, afirma.
O antigo administrador do Belas Artes, contudo, ainda mantém a esperança de reabrir o cinema. Para tanto, espera que o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental), órgão da Secretaria Municipal de Cultura, decida favoravelmente ao tombamento do prédio.
O Departamento de Patrimônio Histórico, da mesma secretaria, já se manifestou a favor. Agora, o Conpresp aguarda um parecer da Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a Secretaria de Negócios Jurídicos foi envolvida no processo porque o Belas Artes não se enquadra exatamente em nenhuma das áreas de tombamento. “Precisamos saber se o cinema pode ou não ser considerado patrimônio imaterial como o folclore, por exemplo. Como patrimônio material é complicado, porque a estrutura do prédio já passou por várias reformas”, diz a assessoria.
Se for tombado, o proprietário terá que acatar uma série de limitações no funcionamento do cinema, que restringiriam o aluguel para determinados clientes comerciais, o que pode favorecer a locação para os antigos administradores do Belas Artes . “Eu imagino que, com o tombamento, alugar para nós possa ser um bom negócio [ao proprietário], disse Sturm.
De acordo com Fábio Luchesi Filho, advogado de Flávio Maluf, o dono do imóvel só irá decidir o futuro do espaço após a decisão sobre o tombamento.
Cine Belas Artes e arredores
10 agosto 2011
Governo discute pagar bolsa para nova classe média
Incentivo federal seria dado a quem ganhar até dois salários mínimos e poderia ser de até 20% da remuneração
A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) colocou em discussão no governo federal a possibilidade de converter o abono salarial do PIS-Pasep e o salário família em espécie de bolsa-trabalhador, que poderia incrementar em até 20% a renda de quem ganha até dois salários mínimos.
Nas contas do secretário-executivo da SAE, Ricardo Paes de Barros, se uma pessoa recebe hoje R$ 600, com a bolsa, poderá receber R$ 720 ao mês.
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O governo discute ainda se o pagamento dessa bolsa teria alguma condição específica, por exemplo, condicionando sua entrega a investimentos em estudo do trabalhador. Nesse caso, a preocupação seria em como controlar os gastos de cada pessoa.
Isso não vai requerer mais gasto público, afirmou Paes de Barros na segunda-feira, durante o seminário “Desafios da Nova Classe Média”, promovido pela SAE. “O abono salarial e o salário família, em certo sentido são isso.”
O abono é equivalente a um salário mínimo e pago a quem tem cadastro no PIS-Pasep há mais de cinco anos, recebeu até dois salários mínimos por mês e trabalhou formalmente por pelo menos 30 dias no ano anterior ao do pagamento. Pela complexidade dos critérios, muitos trabalhadores com direito ao abono acabam não o sacando, por falta de informação.
O salário família tem sido pago para auxílio no sustento de filhos com até 14 anos aos trabalhadores que recebem até R$ 862,60 por mês. O valor atual do benefício é de R$ 29,43 por filho.
Segundo Paes de Barros, há necessidade de se criar um sistema de proteção social maior para essa nova classe média. “(São) coisas que já temos e podemos reorganizar. Não é inventar muito.”
Uma "Argentina" na nova classe média
Paes de Barros contou que vários países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) possuem esse modelo de “imposto negativo” para os trabalhadores de menor renda. “São maneiras de aumentar o incentivo do trabalhador que não onera folha de pagamento e não reduz demanda do trabalho.”
O governo quer, na verdade, evitar que a nova classe média, ou a classe C, que conseguiu conquistar renda per capita acima de R$ 1 mil nos últimos anos, tenha algum retrocesso diante da crise internacional.
Ontem, em discurso no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que é meta do governo preservar os ganhos recentes da classe média:
- Nós elevamos à classe média 39,5 milhões de pessoas. Considerando que a população argentina agora, em julho, é em torno de 40 a 41 milhões, nós elevamos à classe média uma “Argentina”. E é esse mercado que nós queremos preservar. Preservar para quem? Para nós.
Porém, como a discussão sobre o novo abono para os trabalhadores passa por ministérios do Trabalho (responsável pelo PIS-Pasep) e da Previdência Social (que faz a gestão do salário-família), além da Fazenda, o tema ainda pode passar um longo tempo em maturação na Esplanada dos Ministérios. Até hoje, apenas uma reunião sobre o assunto ocorreu.
http://economia.ig.com.br/governo+discute+pagar+bolsa+para+nova+classe+media/n1597127263440.html
09 agosto 2011
Estudo revela abismo educacional entre classes média e alta
87% dos brasileiros mais ricos concluem o ensino médio, mas apenas 59% da classe média terminam esta etapa
BBC Brasil | 08/08/2011 10:02
Com a adesão de cerca de 40 milhões de pessoas na última década, a classe média tornou-se majoritária no Brasil, englobando 52% da população. Mas a ambição do grupo por novas chances de ascensão pode ser bloqueada pelo abismo educacional que o separa da classe alta, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE).
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Feito com base na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), de 2009, o levantamento revela que, embora os índices educacionais da classe média tenham avançado bastante nos últimos anos, seguem distantes dos da classe alta: ao passo que 87% dos brasileiros mais ricos concluem o ensino médio, apenas 59% da classe média alcançam o mesmo estágio.
O grupo também fica muito atrás quanto a anos de estudo e gastos com educação. Enquanto cada membro da classe média despende, em média, R$ 52 com educação por mês, entre os mais ricos, o gasto chega a R$ 220.
Batizada de "A Classe Média em Números", a pesquisa traça os perfis das três faixas de renda brasileiras (baixa, média e alta) conforme critérios educacionais, habitacionais e regionais e define como classe média os brasileiros com renda familiar mensal entre R$ 1.000 e R$ 4.000.
Segunda faixa mais numerosa, a classe baixa representa 34% da população; já a classe alta é engloba 12% do total dos brasileiros.
Acesso às universidades
Para o secretário de Assuntos Estratégicos da SAE, Ricardo Paes de Barros, "o acesso à educação é a grande diferença entre as classes média e alta".
Segundo ele, o levantamento mostra que a classe média dá crescente importância à educação - o grupo vem investindo quantias cada vez maiores com os estudos.
Para reduzir a distância que a separa da classe alta, porém, Paes de Barros diz ser necessário dar maior ênfase à qualidade do ensino médio público e ampliar o acesso da classe média às universidades e ao ensino técnico.
O acesso à cultura também se mostra uma grande barreira entre os dois grupos: enquanto cada integrante da classe média gasta R$ 37 por mês com recreação e cultura, os mais ricos gastam R$ 127.
Nesse caso, o secretário afirma que a classe média tem a desvantagem de crescer mais em cidades médias e pequenas, onde a oferta de bens culturais é menor. "Precisamos ver como levar cultura até eles", disse à BBC Brasil.
Bens e serviços
A pesquisa revela ainda disparidades entre os grupos populacionais quanto ao acesso a bens e serviços.
Apenas 30% da classe média tem acesso à internet em casa, índice bem inferior ao da classe alta (72%). O telefone fixo está presente em 48% dos domicílios de classe média e em 81% dos lares mais ricos.
Há ainda diferenças significativas no acesso a saneamento adequado (76% na classe média, 92% na alta) e gastos com saúde (R$ 135 por mês por pessoa na classe média, R$ 438 na alta).
Especialistas avaliam risco que nova classe C impõe ao governo
SHEILA D'AMORIM
DE BRASÍLIA
Eduardo Gianetti, professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) destacou a necessidade de o governo incentivar a educação financeira. "Crédito é um produto perigoso. É fácil algo benéfico se tornar algo ruim se for mal utilizado".
Segundo ele, é comum ver pessoas fazendo "extravagâncias" no crédito. "Isso pode se tornar uma tragédia coletiva, como os países ricos nos mostram agora", completou, referindo-se à turbulência internacional atual, originada numa crise de financiamentos imobiliários, no final de 2008.
Ricardo Paes de Barros, secretário de Ação Estratégica da SAE, destacou que insistir na nova classe média apenas como consumidores tem outro lado, que é a pressão inflacionária e os desequilíbrios nas contas externas. Isso, se a oferta não acompanhar a demanda por bens e serviços e houver aumento de importações.
Renato Meirelles, sócio do instituto Data Popular, focado em pesquisas sobre o comportamento dessa população, rebateu afirmando que foi o consumo da classe C que ajudou o Brasil a enfrentar os desdobramentos iniciais da crise ao longo de 2009 e que, em vez de pensar em frear o consumo dela, o governo deve investir no aumento da produtividade e da competitividade da indústria brasileira como forma de aliviar as pressões inflacionários e por importações, advindas do crescimento.
Segundo ele, o fortalecimento do mercado doméstico permite ao Brasil enfrentar melhor situações como a dos últimos anos. 'Em 2010, somente o 13º. salário da classe D colocou na economia, em um único mês, valor equivalente a 16 meses de pagamento do Bolsa Família. Não existe programa mais eficiente de distribuição de renda do que o aumento do emprego'.
INCONSISTÊNCIAS
A situação brasileira, para Gianetti, mostra várias inconsistências. "A nova classe média quer automóvel, mas temos estradas para atender esse crescimento? Ela quer máquina de lavar, televisores, computador, mas temos geração e distribuição de energia para essa demanda? Viaja-se mais de avião, mas não temos aeroportos. Fizemos o Minha Casa, Minha Vida [programa para construção de moradias populares] e não temos saneamento, que estava na agenda do século 19".
Para o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, o Brasil não é excessivamente dependente da conjuntura internacional para crescer e está 'preparado para enfrentar eventos negativos sem perder a sustentação' do modelo atual de crescimento.
No entanto, ele admite que há questões internas que representam grandes desafios ao governo. "A demanda de bens duráveis é atendida por importações. Se isso se prolongar pode gerar desequilíbrio macroeconômico, com impacto sobre a viabilidade da nossa situação externa", disse.
Segundo ele, o governo tem que "responder a isso com a suavização desse patamar de consumo". Pereira defendeu que o endividamento das famílias deve ser compatível com nível de renda delas e que a poupança seja estimulada.
De acordo com o diretor, para dar sustentabilidade ao modelo atual, é preciso não só moderação e prudência na concessão e tomada de crédito, mas também "investir em educação financeira, em infraestrutura", além de "desestrangular setores e dar respostas de competitividade e produtividade" nas áreas pressionadas por um novo patamar de demanda de bens e serviços.