07 dezembro 2011

Descoberta de reserva gigante cria corrida do gás em Minas Gerais



Indícios mostram que depósitos podem equivaler a metade de todo o gás natural existente no Brasil; veja as águas que pegam fogo

Yan Boechat, iG São Paulo

Foto: Yan BoechatAmpliar

A barragem da hidrelétrica de Três Marias isolou a cidade de Morada Nova de Minas da BR-040, a principal artéria econômica da região central de Minas Gerais

Morada Nova de Minas é uma daquelas cidades que parecem viver um eterno domingo. Nas ruas, sempre poucas pessoas e carros preguiçosos param a cada esquina, como que em respeito a sinais de trânsito imaginários. Nas praças, raros são os momentos nos quais há crianças barulhentas o suficiente para quebrar o silêncio, a trilha sonora dessa cidade a 280 km ao Norte de Belo Horizonte. Há quase 60 anos isolada da artéria econômica da região central de Minas Gerais – a rodovia BR-040 – pela construção da barragem da hidrelétrica de Três Marias, à primeira vista, Morada Nova parece ser uma cidade fadada a ser assim, meio triste, meio decadente e sem grandes perspectivas.

Leia também: No Caminho do Fogo, basta um fósforo para incendiar a água

Foto: Yan BoechatAmpliar

Na praça principal de Morada Nova, o silêncio e o vazio fazem as honras numa segunda-feira

Mas calmaria típica de uma manhã de segunda-feira esconde o rápido curso de uma revolução com potencial para mudar para sempre não só o destino da pacata Morada Nova, como também o de dezenas de municípios mineiros e do próprio estado em si. Foi ali, a poucos quilômetros da igreja que homenageia Nossa Senhora de Loreto, a padroeira local, que em agosto deste ano fez-se a primeira descoberta concreta e volumosa de gás natural em Minas Gerais.

Apenas em um poço, a Orteng, uma empresa privada que vem procurando gás na região há mais de dois anos em parceria com o governo mineiro, diz ter encontrado algo entre 175 bilhões e 195 bilhões de metros cúbicos de gás natural, o que permitiria uma extração diária de cerca de 6 milhões de metros cúbicos pelos próximos 25 anos. Na prática isso significa que, se as previsões da companhia estiverem certas, apenas de um poço será possível extrair 20% do que o Brasil importa da Bolívia todos os dias para abastecer indústrias, usinas térmicas de energia, lares e carros país afora.

Crescimento constante

Em dez anos as reservas provadas de gás quase dobraram no Brasil (em bilhões de metros cúbicos)

ANP

“Com as informações que levantamos até o momento, temos indicativos muito bons de que de fato esse volume estará disponível para exploração, mas ainda precisamos de mais pesquisas para podermos usar a palavra certeza”, diz Frederico Macedo, gerente de Óleo e Gás da Orteng. “Mas não há dúvida de que temos hidrocarbonetos lá”. Hoje o Brasil tem um volume de reservas provadas de 417 bilhões de metros cúbicos de gás natural e as descobertas da Orteng ainda precisam de mais dados para entrar nessa conta.

Gás que vaza da terra

Mas se forem confirmadas essas estimativas, é um volume de gás espantoso para apenas uma perfuração, representando quase 50% de todo o gás que já foi descoberto no Brasil. Pesquisas indicam que pode haver concentrações de gás em uma área que se estende desde o centro do Estado até quase a divisa de Minas Gerais com a Bahia e com Goiás. Tecnicamente, trata-se da Bacia do São Francisco, uma região em que desde antes das caminhadas de Guimarães Rosa por seus sertões e veredas se aventa possibilidade de haver gás.

Foto: Yan BoechatAmpliar

Às margens do rio São Francisco, fenômenos relacionados ao gás são comuns e antigos

O próprio Guimarães em Grande Sertão Veredas já fazia menção dos indícios de que aquela região de Minas havia o que hoje os especialistas chamam de hidrocarbonetos. “Em um lugar, na encosta, brota do chão um vapor de enxofre, com estúrdio barulhão, o gado foge de lá, por pavor”, escreveu o autor ainda nas primeiras páginas de seu livro mais famoso. Nas pequenas cidades por onde Guimarães passou, até hoje os sertanejos tem causos e lendas a contar envolvendo o gás. Como Marcolino Ferreira, gari da cidade de Buritizeiro, que garante ter visto seu pai cozinhar peixe na beira do rio com o gás que brota da terra. “Lá na localidade de Remanso do Fogo é assim, o gás vaza do chão”, conta ele.

Vídeo mostra como o gás brota da terra em Buritizeiro

Por conta disso e de indícios menos empíricos, a Agência Nacional de Petróleo já licitou – e encontrou compradores – quase 40 blocos de exploração em uma área de 750 mil quilômetros quadrados, algo como 25% do Estado de Minas Gerais. Nesse momento sete empresas brasileiras e estrangeiras, entre elas as gigantes Petrobrás, Shell e Vale, estão perfurando ou se preparando para perfurar poços de exploração em meia dúzia de municípios mineiros.

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Perfurações em busca de gás já estão ocorrendo em ao menos três municípios do sertão de Minas Gerais

Além de Morada Nova de Minas, já foram encontrados indicativos de concentrações volumosas de gás em outras duas cidades do Norte do Estado – Brazilândia de Minas e Corinto. A expectativa do governo de Minas Gerais é de que os investimentos apenas em prospecção passem dos R$ 1,2 bilhão nos próximos anos.

Até agora, no entanto, com exceção de Morada, ainda não se sabe exatamente o volume e se há viabilidade econômica para a extração nesses municípios. “É cedo ainda para cravar se teremos um volume que seja suficiente para impactar a matriz energética do Brasil, como há quem diga por ai”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Mas não há como negar que estamos diante de perspectivas muito, muito animadoras”.

Enquanto especialistas, como Pires, e empresas, como a Petrobrás, que encontrou gás em Brazilândia mas ainda não definiu se há de fato viabilidade econômica para explorá-lo, primam pela cautela, nas cidades que formam a Bacia do São Francisco o clima é de euforia. “É a nossa redenção, graças a Deus encontramos o gás”, diz Nilton Ferreira, prefeito de Corinto, já se adiantando às pesquisas que confirmarão ou não a viabilidade econômica das descobertas iniciais que a Petra, a empresa que está explorando a região, já fez.

Redenção para a decadência

Corinto, como quase todas as cidades da região, vive tempos de decadência econômica e poucos empregos. “Desde que a Rede Ferroviária Federal foi privatizada e um centro de manutenção que tínhamos aqui foi desativado, nada mais surgiu”, diz Ferreira, que, entre uma informação e outra, faz questão de lembrar a todo o tempo que a ex-prefeita da cidade e sua inimiga política usou de forma, segundo ele, desleal, seus dotes físicos na campanha. “Ela é jovem, usava saias curtas, pernas a mostra na periferia, essas coisas”, conta ele, quase cochichando em seu gabinete.

Foto: Yan BoechatAmpliar

Nilton Ferreira, prefeito de Corinto, diz que o gás será a redenção do município

Assim como em Morada Nova de Minas, em Corinto é a prefeitura quem provê a maior parte dos empregos da cidade e depende diretamente dos repasses federais e municipais para se sustentar. É lá também que se concentram as maiores expectativas de que uma nova descoberta de vulto possa surgir em breve. A Petra, uma empresa brasileira que já investiu mais de R$ 200 milhões na Bacia do São Francisco e detém 24 blocos para exploração ali, anunciou em julho à ANP que encontrou gás no poço que está perfurando em Corinto. A sonda utilizada pela companhia já atingiu a profundidade de 1,5 mil metros, mas a Petra diz que ainda precisa fazer pesquisas mais aprofundadas para determinar qual a quantidade de gás existente ali. “Mas não há dúvida que há gás, e em grande pressão”, diz Ana Bizzotto, gerente de comunicação da companhia.

Um sheik no sertão

Na cidade, é claro, não se fala em outra coisa. E antes mesmo de começar a extrair o gás, Corinto já ganhou até um sheik. Trata-se do Sheik Dalmásio, um comerciante de 75 anos, dono do único bar da acanhada rodoviária de Corinto, em cuja as terras a Petra está perfurando seu primeiro poço na região. Atrás do balcão de madeira em que comanda seu bar há 35 anos, Pedro Dalmásio, o Sheik de Corinto, é só sorrisos. “Agora não deixam eu jogar na megasena, dizem que já fui sorteado”, conta, rindo do chiste que andam fazendo com ele pelas ruas da cidade.

Conta-se por lá que a Petra paga a Dalmásio cerca de R$ 10 mil para que utilize suas terras, uma fazendola árida na área rural de Corinto, onde o comerciante cria algumas dezenas de vacas. Tanto ele quanto a empresa negam os valores e, com o sucesso súbito, Sheik agora anda com um discurso mais sóbrio. “Eu não ganhei nada, eu quero é que Corinto ganhe”, diz ele. Indagado se tanto desprendimento o faria vender o pedaço de terra, Sheik abandona a mineirice e é incisivo: “mas por nada nesse mundo, moço”.

Foto: Yan BoechatAmpliar

Por ter um poço sendo perfurado em sua fazendola, Pedro Dalmásio virou o Sheik de Corinto

Ambientalistas criticam Código Florestal do Brasil


"Dilma, pare as motosseras", em português. (Foto: Reprodução)

O Brasil coloca em dúvida seu papel de líder ambiental e pode perder milhões de hectares de floresta na Amazônia com a aprovação do Código Florestal no Senado, advertiram nesta quarta-feira organizações ambientalistas presentes na conferência da ONU contra as mudanças climáticas (COP-17) em Durban, África do Sul.

"Dilma, pare as motosserras", escreveu o Greenpeace em um grande painel luminoso refletido sobre o principal hotel onde acontece a conferência da ONU, que reúne 190 países em Durban.

O Senado brasileiro aprovou na noite de terça-feira uma reforma do Código Florestal, a lei de 1965, que estabelece o percentual de áreas que devem ser preservadas, que chega a 80% nas propriedades da Amazônia.

"O mundo espera que a presidente Dilma Rousseff reafirme o compromisso com o desenvolvimento sustentável e o combate às mudanças climáticas, vetando as mudanças na lei", reagiu o diretor internacional da WWF, Jim Leape.

"A aprovação desta legislação fará com que seja praticamente impossível para o Brasil alcançar seus compromissos apresentados na conferência do clima em 2009, quando se comprometeu a reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia", completou.

A rede de ONGs Observatório do Clima considera que o novo código coloca em risco até 79 milhões de hectares de florestas que ficarão sem proteção ou deixarão de ser reflorestados, uma superfície equivalente ao território conjunto de Alemanha, Áustria e Itália.

A mudança foi uma exigência do poderoso setor agropecuário, que considerava a legislação muito exigente, em um país que tem 537 milhões de hectares de cobertura vegetal. O governo havia aceitado uma flexibilização em troca da recuperação de áreas desmatadas.

O Brasil anunciou na segunda-feira o menor nível de desmatamento em 13 anos, que chegou a 6.200 km2 em 2011, após o pico de 27.000 km2 em 2004.

A Confederação da Agricultura e Pecuária afirma que a lei dará segurança jurídica ao campo e não promoverá mais desmatamentos.

Verstappen revela que Schumacher teve ajuda eletrônica no título de 1994

A verdade demora mas sempre vem à tona!

07 de dezembro de 2011 - 09:40

Da Redação
@naoperdemais

Companheiro de Michael Schumacher na Benetton em 1994, o holandês Jos Verstappen afirmou que o alemão teve ajuda da eletrônica, algo não permitido pelo regulamento à época, para conquistar seu primeiro título na Fórmula 1 ao superar Damon Hill.

"Você vê, Michael também depende de máquinas", disse Verstappen à revista holandesa NU sport. "Para a maioria das pessoas, ele era Deus, mas ele não é o Super Homem, ele nunca foi. Quando corria de kart contra ele, ele nunca me bateu. Eu sei o que aconteceu quando estávamos juntos na Benetton em 1994, há uma razão", revelou.

"As pessoas pensam que estou procurando uma desculpa quando eu digo isso, mas só sei que seu carro era diferente do meu. Fiquei pensando que isso não poderia estar certo!”, continuou.

Segundo Verstappen, a certeza veio quando ele perguntou isso a Flavio Briatore e o dirigente não falou sobre o assunto.

"Houve ajuda da eletrônica. Eles nunca vão admitir isso, mas estou convencido disso. Mais tarde, perguntei a Flavio Briatore, que me levou a Benetton, e foi chefe de equipe. Ele disse: 'Não vamos falar sobre isso’. Então, eu sei o suficiente agora”, revelou.

"Eu dirigi o carro de Michael algumas vezes, em Hockenheim, por exemplo. Não há nenhuma maneira de ser tão rápido com aquele acerto. Mas o sistema que Michael usou não estava no carro naquele momento”, finalizou.

Tubulação de 800 metros para substituir dutos da Transpetro começa a chegar ao Itaquerão


Por acordo assinado com o MPF, Corinthians é obrigado a realizar a transposição

Por acordo assinado com o MPF, Corinthians é obrigado a realizar a transposição

07/12/2011 - 14h40

Vinícius Segalla

Em São Paulo
    Começaram a chegar nesta quarta-feira ao canteiro de obras do estádio que o Corinthians está construindo em Itaquera, na zona Leste de São Paulo, a tubulação que será instalada na área oeste do terreno para transpor os dutos da Transpetro que passam pelo local onde está sendo erguido o estádio.


São mais de 800 metros de tubos, que primeiro serão soldados e depois assentados numa vala que começará a ser aberta nos próximos dias. A função dos dutos é conduzir produtos petroquímicos da Transpetro. Há duas linhas de tubos no local, de 24 e 22 polegadas. A conclusão desse processo deverá acontecer em até 75 dias e está sob a responsabilidade da empresa SACS.

No dia 11 de novembro, o Corinthians assinou um compromisso e entregou ao Ministério Público Federal de arcar com todos os custos de remoção dos dutos da Transpetro (subsdiária da Petrobras) que passam pelo terreno onde o clube está construindo o Itaquerão, que será palco da abertura da Copa do Mundo de 2014.

Além disso, o clube também se comprometeu a pagar a transferência dos cabos de fibra ótica presentes no local e de propriedade da Petrobras, assim como todos ônus, obrigações e responsabilidades do processo, como obter dos órgãos públicos, ambientais e proprietários as autorizações necessárias para a transferência.

A Transpetro estima que o custo de toda operação alcance R$ 30 milhões. Já dirigentes do Corinthians deram declarações na imprensa prevendo um custo entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões. De acordo com o clube, este valor estaria embutido no orçamento geral da obra do Itaquerão, de R$ 820 milhões (sem contar o que será gasto pelo governo de São Paulo para construir 20 mil arquibancadas móveis, operação avaliada em R$ 70 milhões pela Oderbrecht, empreiteira responsável pela obra).

O termo de ajuste que o Corinthians assinou foi proposto pelo Ministério Público Federal, e prevê ainda que a Transpetro seja ressarcida em R$ 130 mil pelo que teve que dispender na produção de estudos técnicos necessários à remoção, inclusive licenças (ambientais e outras), elaboração e controle do processo, análise técnica do projeto e gastos com pessoal para acompanhamento da obra.

As obras do Itaquerão

Foto 1 de 163 - Ônibus com comissão de parlamentares deixa o Itaquerão em direção ao aeroporto de Guarulhos (07/11/2011) Helio Hilarião/UOL

O valor deve ser quitado em parcelas até o final do trabalho de remoção. Não há um prazo estabelecido para o fim dos trabalhos, mas o próprio Corinthians se encarregará de acelerar o processo, já que, a partir de uma determinada fase da obra, será impossível dar andamento aos trabalhos sem efetuar a remoção.

A obra do estádio do clube marca 2.070 estacas cravadas, de um total de 3.200, que serão colocadas até janeiro de 2012. Também foram executados mais de 380 blocos de concreto e instalados 30 pilares do futuro estádio, que tem 20% de avanço de obras.

01 dezembro 2011

Eclipse em Belo Monte

Afora as questões ambientais, me lembro há uns 10 anos de um estudo da própria UNICAMP de que a usina operaria em média com 16% da capacidade. A pergunta a se fazer é se tamanho impacto ambiental compensaria um retorno tão pequeno. Gastar bilhões para construir uma usina no meio da floresta Amazônica para gerar energia para o Centro-Sul é no mínimo discutível.

Seguramente os alunos de engenharia da UNICAMP, classe que conheço razoavelmente bem, e, muito menos, aos esclarecidos astros globais não têm conhecimento disso. Talvez nem eu já que o debate invés de esclarecer à população, acaba disperso no voluntarismo ou patriotada repentinos, além, é claro, do oportunismo de alguns de nossos políticos e empreiteiras.
Achei esse texto do Yahoo muito interessante. Ele não trata de questões técnicas, mas reflete sobre a densidade dos argumentos de ambos os lados:


Dúvida e desinformação rondam o projeto de Belo Monte, da viabilidade econômica aos impactos socioambientais. Porém, algo é certo: a usina será construída, com ou sem topless de Maitê Proença. Mas o protesto dos atores da Globo não é vão.

Os astros globais conseguiram evidenciar um eclipse político com a crítica a Belo Monte: tucanalhas epetralhas, como uns e outros gostam de se chamar internet afora, logo se alinharam na reação ao tal movimento Gota D`Água. Apesar dos instantes de vergonha alheia e exagero, este é o maior mérito do vídeo. A união de governistas e oposicionistas em torno do projeto de Belo Monte diz muito sobre o estado das coisas num momento em que a pujança econômica ressuscita a ideologia nacional-desenvolvimentista dos anos 1950. O “agora vai” está de volta.

O vídeo dos globais também mostra o quanto essa ideia é difusa. Em resposta aos atores, alunos de engenharia da Unicamp gravaram uma paródia em defesa de Belo Monte. Se a marca dos artistas é o voluntarismo, a dos futuros engenheiros é a patriotada. A crítica a Belo Monte é ruim, mas a réplica não só compartilha a vergonha alheia como é pior: o Brasil pode pagar a conta (bem cara, de R$ 30 bilhões) com dinheiro do bolso, a floresta já vem sendo desmatada mesmo e por aí vão os estudantes. Se vale a dica, o colega Lúcio Flávio Pinto conhece como poucos o projeto de Belo Monte e já reuniu aqui no Yahoo! uma série de textos que ajudam a esclarecer questões nebulosas em torno da hidrelétrica.

Belo Monte, assim como a votação do Código “Agrícola” (florestal virou ironia), demonstra uma sintonia fina entre o poder político e o poder econômico, em um discurso desenvolvimentista que dá a liga no círculo de alianças e impõe uma visão de futuro que seduz segmentos das classes médias. A usina vai sair do papel e começar a barrar o rio Xingu, fato. Resta saber como será erguida, o que virá depois. Belo Monte pode ser só a cabecinha.

Há questões pontuais que carecem de resposta convincente do governo, como medidas de compensação para os indígenas afetados pela usina, que poderão ficar em maior situação de vulnerabilidade, principalmente com a chegada dos operários. Mas o momento cobra reflexão mais profunda, e sem voluntarismo, sobre novas possibilidades para um país que se pretende desenvolvido. Só se chega lá com uma sociedade mais igualitária, solidária e menos consumista. Quem topa?


Custe o que custar, uma ova!



Lembro como se fosse ontem: 17 de março de 2008. Já passava das 22h quando nossos olhos se cruzaram pela primeira vez. Foi amor à primeira vista, pode acreditar. Eu vinha de uma série de relações breves, não conseguia me deixar levar por ninguém, e quando você apareceu... nossa, era o programa de humor, na televisão aberta, que estava esperando por toda minha vida (mentira, vivi um lance muito forte com a TV Pirata, mas sabe como são essas coisas do coração, né?).

Um humor corrosivo e de cara limpa, sem o apoio de bordões, de olho na pompa ridícula de políticos e celebridades, além de um pé no jornalismo no quadro sobre os desperdícios e desmandos do poder público. Ah, CQC, como eu te amei! Tanto sua bancada de três cabeças-línguas quanto seus comediantes-repórteres, cada um a seu jeito.

Foi um ano lindo, lua de mel e amendoim todas às segundas, e era gostoso a gente se encontrar, a risada rolava fácil, assunto não faltava. Então encontrei, exatamente nessa época, sua cabeça mais brilhante e fiquei encantado. Na entrevista que deu origem à matéria “Entende o mundo quem ri melhor”, Tas me disse coisas como: “Nós não podemos fazer o que estamos criticando, ou seja, denúncias vazias, explorar fatos de uma maneira exagerada, fazer perguntas que não são pertinentes. (...) Não queremos virar os justiceiros ou a patrulha da moral e dos bons costumes”. Eu, cego de paixão, acreditei.

O primeiro ano se passou, a segunda temporada entrou no ar e segui fiel. Algumas coisinhas começaram a me incomodar, mas achei que era implicância, imaturidade minha. Qual o problema de cada matéria vir precedida por um comercial interminável e engraçadinho com os próprios integrantes do programa? Que mal há em cortar a resposta do entrevistado deixando na edição final apenas a pergunta-polêmica do repórter? De qualquer forma, comecei a perder um episódio ou outro. Vejo depois na internet, dizia para os meus botões, sem querer aceitar que a gente estava se distanciando.



Aí, na terceira temporada em 2010, a coisa desandou de vez. Não adiantou colocar uma mulher entre os repórteres, quadros novos também não resolveram. A gente deixou de falar a mesma língua, simples assim, só que de vez em quando contemporizava: afirmando que o problema era comigo, não com você. Bobagem, o problema era com você sim.

Desacreditar políticos com piadas é a coisa mais fácil do mundo e garante repercussão entre cidadãos preguiçosos que acham que esse pessoal de Brasília é tudo igual. Bancar o machão com um assistente de subsecretário de cidade interior é sopinha no mel. Quero ver fazer piadas com empresas que patrocinam o programa (isso acontece com muita frequência nos Estados Unidos), quero ver um Proteste Já com o setor privado.

Para onde foi aquela acidez de tempos passados que puxava o tapete das celebridades, globais ou não? Quando todos ficaram famosos demais a ponto de tudo virar uma suruba de rasgações de seda?

Na época da eleição, então, a coisa piorou ainda mais. Marcelo Tas, o saudoso e espirituoso Ernesto Varela, foi mostrando facetas autoritárias, preconceituosas e parciais, tanto na TV quanto no twitter (‘para os meus amigos, babações de ovo ou o silêncio cúmplice; para os inimigos, a piadinha rasteira e a polêmica fogo de palha’). Só sei que meu coração se quebrou em mil pedacinhos e que minha mulher não quis recolhê-los porque disse que já tinha me avisado inúmeras vezes.

Segunda agora, anteontem, resolvi dar uma olhada no que estava acontecendo. Fazia um bom tempo que não assistia a um programa inteiro. Às vezes fugia de propósito, mas noutras esquecia completa e sinceramente. Sabia que as coisas por aí não andavam bem – audiência caindo, brigas internas, expulsão de um dos integrantes –, mas procurei assistir com amor no coração, respeitando a nossa história, saca? Não adiantou. Tudo estava diferente, sem graça, arrastado e moralmente flácido. Pensei que ficaria triste, tantos talentos se queimando desperdiçados, mas não senti nada. Nadinha. Um pouquinho de felicidade talvez, afinal agora poderia partir para outra de coração leve. E que o último a sair por aí apague a luz.

Trabalho ou jogos podem ser tão viciantes quanto álcool ou drogas

http://saude.ig.com.br/minhasaude/trabalho-ou-jogos-podem-ser-tao-viciantes-quanto-alcool-ou-droga/n1597383308797.html

Jogadores e workaholics enfrentam síndrome de abstinência com sintomas como depressão, ansiedade e insônia

BBC Brasil


O psicólogo britânico Mark Griffiths, professor da Nottingham Trent University, vem estudando o jogo compulsivo há 25 anos e diz acreditar "enfaticamente" que o ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga.

Neste texto escrito para a BBC, ele comenta os resultados de seu trabalho:

"Os efeitos sociais e de saúde da jogatina extremada são muitos e têm muita coisa em comum com os efeitos de vícios mais tradicionais, entre eles mau humor, problemas de relacionamento, absenteísmo do trabalho, violência doméstica e ir à falência.

Os efeitos para a saúde - para jogadores e seus parceiros e parceiras - incluem ansiedade, depressão, insônia, problemas intestinais, enxaquecas, stress, problemas estomacais e pensamentos suicidas.

Se comportamentos como a jogatina podem se tornar um vício genuíno, não existe razão em teoria que impediria alguém de se viciar em atividades como videogames, trabalho ou exercícios físicos.

Pesquisas sobre jogadores compulsivos relatam que eles sofrem ao menos um efeito colateral quando passam por períodos de abstinência, como insônia, dores de cabeça, perda de apetite, fraqueza física, palpitações cardíacas, dores musculares, dificuldades de respiração e calafrios.

Abstinência

Na verdade, jogadores compulsivos aparentam sofrer mais sintomas de abstinência física quando tentam cortar o vício do que viciados em drogas.

Mas quando é exatamente que um entusiasmo saudável se transforma em um vício? Comportamento excessivo por si só não significa que alguém seja viciado. Consigo pensar em muitas pessoas que se envolvem em atividades excessivas, mas eu não as classificaria como viciadas, já que elas parecem não sofrer qualquer efeito negativo ao apresentar tal comportamento.

Em essência, a diferença fundamental entre o excesso de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam vida às atividades desprovidas dela.

Para qualquer comportamento ser definido como viciante, é preciso que existam consequências específicas como se tornar a atividade mais importante na vida de uma pessoa ou ser o meio pelo qual o humor dela pode melhorar.

Eles podem também começar a precisar fazer mais e mais da atividade ao longo do tempo para sentir seus efeitos e sentir sintomas físicos e psicológicos de abstinência se eles não conseguem fazê-lo.

Isso pode levar a conflitos com o trabalho e com responsabilidades pessoais e muitos podem até viver recaídas se tentam largar o vício.

A maneira pela qual os vícios se desenvolvem - sejam eles químicos ou comportamentais - é complexa.

Vícios 'ocultos'

O comportamento viciante se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição biológica e genética de uma pessoa, o ambiente social em que elas cresceram e sua constituição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências e crenças e a própria atividade.


Muitos vícios comportamentais são vícios ''ocultos''. Diferentemente do alcoolismo, o viciado em trabalho não apresenta a fala embolada ou sai tropeçando.

Mas, no entanto, o vício comportamental é um tema relativo a saúde que precisa ser levado a sério por todos os profissionais das áreas médicas ou de saúde.

Se o principal objetivo dos profissionais da área médica é garantir a saúde de seus pacientes, então ter consciência sobre o vício comportamental e os temas que o cercam deveriam ser tão importantes quanto o conhecimento básico e o treinamento.

Diversos vícios comportamentais podem ser tão graves quanto vícios em drogas."

Projeto que proíbe propaganda de cigarro é aprovado em SP

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, o projeto de lei que prevê a proibição de propaganda de cigarro em bares, padarias e lanchonetes. Segundo o texto, o display só será permitido em tabacarias.

Autor do projeto, o deputado Donisete Braga (PT) afirma que a propaganda funciona como um chamariz os jovens. "Não queremos proibir o fumo, mas impedir a existência de novos fumantes. Quem fuma não precisa de propaganda", diz.

Para entrar em vigor, a lei ainda precisa da sansão do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

SELO VERDE

Os deputados também aprovaram a criação do Selo Verde Saúde Pública e Bem Estar Animal, de autoria da deputada Rita Passos (PSD). Trata-se de um reconhecimento às prefeituras municipais ou autarquias que desenvolvam ações pró-saúde humana e animal e colaborem com a preservação do meio ambiente.

Rio de Janeiro

Esse é o complemento de uma publicação de alguns meses atrás.
Uma vista panorâmica e absurdamente linda do Rio de Janeiro a partir do Cristo Redentor, destacando pontos como a praia do Arpoador, as UPPs, a PUC no Leblon etc. Vale a pena conferir!:

http://multimedia.odiaonline.net/cristo/cristo-gigapixel/index.html