08 setembro 2010

Educação impede que País ganhe poder, diz ‘New York Times’

Radar Econômico

Educação impede que País ganhe poder, diz ‘New York Times’

8 de setembro de 2010 | 17h09

Sílvio Guedes Crespo

Para explicar aos norte-americanos o “buraco” que existe na educação brasileira, o jornal “The New York Times” foi pessoalmente à terra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

—-
Acompanhe o Radar Econômico no Twitter
Siga também Economia & Negócios
—-

O correspondente Alexei Barrionuevo desembarcou em Caetés, Pernambuco, e comparou a vida de Lula quando criança com a dos meninos que vivem hoje na cidade. O jornalista chegou a uma conclusão empírica e outra que poderia ser chamada de teórica, abstrata, baseada em números.

A empírica é a de que, diferentemente do que ocorria no tempo de Lula – que quando menino apanhava de seu pai quando ia à escola em vez de trabalhar –, as crianças são incentivadas pelos pais para ir à escola, uma vez que isso é uma condição para receber o Bolsa Família.

O ponto negativo é que os pais ainda não enxergam o estudo como uma oportunidade real de melhorar de vida, na opinião de uma professora de local ouvida pelo “Times”. Ao menos por enquanto, é mesmo o dinheiro que move os adultos a colocarem seus filhos para estudar.

A conclusão teórica é mais cética. Para Barrionuevo, a educação ainda é “a pedra na qual o Brasil tropeça quando tenta acelerar sua economia e estabelecer-se como uma das nações mais poderosas”. Na visão estrangeira do autor, esse problema é uma “grande fraqueza na jovem armadura brasileira”.

E fica mesmo difícil discordar, quando observamos alguns dados citados no texto:

- O Brasil ficou em 49º lugar entre 56 países que participaram do Programa para Avaliação Internacional dos Estudantes;

- Mais da metade dos alunos brasileiros participantes dessa prova tirou a nota mínima no teste de leitura – “em matemática e ciência, o resultado foi ainda pior”, diz a reportagem;

- Alunos de 15 anos no Brasil têm o mesmo nível de conhecimento de crianças de 9 ou 10 na Dinamarca e na Finlândia;

- A repetência é muito alta. Em escola visitada pelo “Times”, há alunos de 13 e de 17 anos na mesma classe;

- O índice de repetência é um dos maiores do mundo no primário, de 28%, segundo o Banco Mundial;

- Mais de 22% dos 25 milhões de brasileiros disponíveis no mercado de trabalho não tê, a qualificação adequada para preencher as vagas demandadas pelas empresas, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas);

Mas há também dados positivos. A reportagem destaca que, sob o governo Lula, foram construídas 180 escolas técnicas, “comparadas com as 140 criadas nos 93 anos anteriores”.

Leia a reportagem completa no site do “New York Times” (em inglês)

02 setembro 2010

Elio Gaspari: ‘Quando a oposição perde, apita: PRIiii!’

Elio Gaspari: ‘Quando a oposição perde, apita: PRIiii!’

Há várias maneiras de perder uma eleição. Na melhor, mantém-se a altivez e eleva-se a estatura. Na pior, manda-se rebaixar o teto.

Enquanto aguarda pelo ajuste do seu pé-direito, a oposição, agachada diante da supremacia de Lula, leva os lábios ao apito.

Em artigo levado Às páginas desta quarta (1º), o repórter Elio Gaspari discorre sobre a a má qualidade do sibilo. Vai abaixo o texto:

“Quando a oposição brasileira é devastada pelo resultado eleitoral, alguém apita: ‘PRIiii!’. É um grito de advertência contra o perigo da instalação de um regime de partido único (de fato) no Brasil.

Algo parecido com a coligação de políticos, burocratas, sindicalistas e cleptocratas que governou o México de 1926 a 2000, boa parte do tempo sob a sigla do Partido da Revolução Institucionalizada.

O apito de PRI costumava soar depois da eleição. Agora ele veio antes, com um inoportuno componente de derrotismo. Ele soou em 1970, quando a popularidade do general Médici e os camburões da polícia esmagaram o MDB.

A oposição ficou com 87 das 310 cadeiras da Câmara, perdendo até o terço necessário para requerer uma CPI. O governo elegeu 42 senadores, perdendo apenas no Rio de Janeiro e na antiga Guanabara. Era o PRI.

Quatro anos depois, o MDB elegeu os senadores em 16 dos 22 Estados. Não se falou mais em PRI.

Em 1986, cavalgando o Plano Cruzado, o PMDB de José Sarney elegeu 22 governadores, 36 senadores e a maioria dos deputados. Novamente: PRI!

Três anos depois Fernando Collor de Mello elegeu-se presidente da República e, desde então, o apito calou-se, para voltar a ser ouvido agora.

Falar em PRI no Brasil quando o PSDB caminha para completar vinte anos consecutivos de poder em São Paulo é, no mínimo, uma trapaça. Sabendo-se que o PT conformou-se com uma posição subsidiária nas eleições para governadores, o espantalho torna-se risível.

É nessa hora que se deve olhar para o espantalho. Ele não é o que quer o tucanato abichornado, mas o paralelo histórico tem algo a informar.

O PRI surgiu depois de uma revolução durante a qual mataram-se três presidentes e desterraram-se outros dois. Seu criador não foi Emiliano Zapata, muitos menos Pancho Villa (ambos passados nas armas), mas um general amigo dos sindicatos e dos movimentos sociais.

Chamava-se Plutarco Elias Calles, assumiu em 1924, saiu em 28 e governou até 1935 por meio de prepostos, fazendo-se chamar de “Jefe Máximo”. Esse período da história mexicana é conhecido como ‘Maximato’.

A boa notícia para quem flerta com um Lulato é que Calles parece-se com Nosso Guia na política voltada para o andar de baixo e até mesmo fisionomicamente, sem barba.

A má notícia vai para a turma do mensalão. Um dia ‘El Jefe Máximo’ teve uma ideia e decidiu entregar o poder ao companheiro de armas Lázaro Cárdenas.

Encurtando a história, Cárdenas dobrou à esquerda, exilou meia dúzia de larápios do ‘Maximato’, inclusive um ex-presidente, e, em 1936, despachou o próprio Calles, que ralou cinco anos de exílio.

O que está aí para todo mundo ver é o Lulato, com Nosso Guia pedindo votos para sua candidata, e uma grande parte do eleitorado, consciente e satisfeita, dizendo que atenderá com muito gosto ao seu pedido.

Um país com a sofisticação econômica do Brasil, com a qualidade da sua burocracia e com o vigor de suas instituições democráticas não cai nas mãos de um PRI qualquer. Apitando-se, faz-se barulho, e só.

O problema da oposição brasileira, com sua vertente demófoba, chama-se Lula, ‘El Jefe Máximo’, que o embaixador Celso Amorim chamou de Nosso Guia e Dilma Rousseff qualificou como o ‘grande mestre, ele nos ensinou o caminho’.

O perigo mexicano virá quando Nosso Guia achar que se tornou ‘El Jefe Máximo’ do seu imperial Lulato".

17 agosto 2010

O R7 e a imparcialidade nas eleições

O R7 e a imparcialidade nas eleições

Por Márcio Xavier

o R7 acordou pra vida?

Do R7

Capa da Época provoca polêmica sobre imparcialidade nas eleições

Publicação da Editora Globo associou imagem da candidata do PT à luta armada

Do R7

A menos de dois meses do dia da eleição, o “vale tudo” das campanhas começa a tomar conta do noticiário de alguns veículos de comunicação que, segundo especialistas ouvidos pelo R7, favorecem algum dos lados mesmo sem declarar publicamente. Nesta semana, a polêmica da vez é a capa da revista Época, da Editora Globo, que retrata a atuação da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (PT), durante o período da ditadura militar (1964-1985), dando destaque especial à sua participação em movimentos de luta armada.

Para o sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, professor da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP (Universidade São Paulo) e fundador da ONG Tver, voltada para o acompanhamento da qualidade da televisão brasileira, a imprensa tem papel fundamental no processo eleitoral.

Ele defende que veículos impressos declarem seus votos, como fez a revista Carta Capital ao escrever um editorial listando os motivos pelos quais defende a candidatura de Dilma.

http://im.r7.com/outros/files/2C92/94A3/2A78/127E/012A/7D63/FADC/2973/%C3%89poca-Dilma-materia.jpg" alt="Época-Dilma-materia" />
Capa polêmica da Época desta semana Foto: Reprodução

Para Lalo, no entanto, por se tratar de concessões públicas, emissoras de rádio e de televisão não deveriam favorecer nenhum lado.

- O distanciamento do rádio e da televisão é fundamental. Devem participar, mas dando a oportunidade a todos os partidos. É mais complicada a participação dos meios eletrônicos porque rádio e televisão são concessões públicas. É ruim para a democracia que esse espaço seja privatizado.

Ele aponta como exemplo de favorecimento as entrevistas que os candidatos à Presidência concederam ao Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo.

- Enquanto a candidata do governo era inquirida, de uma forma até bastante ríspida, os entrevistadores tinham uma nítida tendência a impulsionar o candidato da oposição.

Em nota, a emissora negou na semana passada ter favorecido qualquer um dos candidatos na série de entrevistas.

Lalo ainda diz que a reportagem que mostra Dilma como guerrilheira, publicada pela revista Época, deve ser reproduzida durante os programa eleitorais no rádio e na TV, dando mais destaque para a imagem negativa da petista.

- Isso é feito para ser usado no horário eleitoral, não é a toa que é publicada na mesma semana [que os programas começam a ir ao ar]. Ela não tem tanta relevância sozinha, até porque a tiragem da revista é baixa. A importância talvez seja para ser mostrada no programa.

Cientista político

A cientista política e professora da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos) Maria do Socorro - que também defende que revistas e jornais declarem voto – diz que reportagens como a da Época, publicada às vésperas do início da propaganda eleitoral gratuita, podem pegar de surpresa os eleitores menos informados.

- Acho que é um pouco retornar àquela velha cultura de jogar assuntos que levem ao medo, que aterrorizam o eleitor.

Ela lembra que o primeiro “jogo sujo” da oposição à Dilma nesta campanha foi ligar o PT às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

- Quando há a possibilidade de perder num primeiro turno, usa-se todos os meios para desconstruir a candidatura que lidera. A tendência, agora, será a de abrir fogo contra Dilma.

Processo

O advogado responsável pela campanha petista, Márcio Silva, afirmou ao R7 que, até agora, ninguém da coordenação pediu que ele processasse a Época, ao contrário do que aconteceu com a revista Veja, obrigada a publicar um direito de resposta em suas páginas por ter vinculado Dilma às Farc.

O advogado defende que, antes da campanha, jornais e revistas declarem quem é seu candidato preferido. Ele diz ainda que o sigilo dos patrocinadores de jornais e revistas deveria ser quebrado para que o leitor saiba se quem paga para mandar a publicação para a banca tem interesses eleitorais.

- Os jornais e revistas deveriam explicitar o lado em que estão e mostrar quem os patrocinam. Isso teria de ser escancarado.

Procurada pelo R7, a Editora Globo não se manifestou sobre o assunto até a publicação da reportagem.

Publicação original: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-r7-e-a-imparcialidade-nas-eleicoes?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter


03 agosto 2010

Vendem-se casas-grandes e senzalas

Terça, 3 de agosto de 2010, 08h12

Vendem-se casas-grandes e senzalas

Rui Daher
De São Paulo

Mais do que um território de formidáveis extensão e diversidade, fartamente receptivo à atividade agropecuária, herdamos de Portugal um processo de colonização relativamente afável.

Diz Gilberto Freyre, em "Casa-Grande e Senzala" (Livraria José Olympio Editora, 22ª edição, 1983, RJ): "O colonizador português no Brasil foi o primeiro dentre os modernos a deslocar a base da colonização tropical da pura extração de riqueza mineral, vegetal ou animal (...) para a de criação local de riqueza".

É uma referência tanto à destruição espanhola nos México e Peru, por exemplo, quanto às grandes plantações de açúcar, sobretudo, em Pernambuco e no Recôncavo da Bahia, que embora tenham se desenvolvido de forma patriarcal e aristocrática não o foram "em grupos a esmo e instáveis mas em casas-grandes de taipa (...) não em palhoças de aventureiros".

É certo que Freyre, e daí a essencialidade de sua obra, mostra um olhar benevolente, adocicado, da escravidão no período colonial. Um hábito que perdura no imaginário das elites nacionais depois de mais de cinco séculos. Não à toa, supôs-se aqui não haver preconceito racial e, antes de se tornarem áreas conflagradas pelo narcotráfico, a pobreza dos morros cariocas se prestou a poéticas homenagens.

Essas vocações seculares podem ainda ser compradas em estado bruto. Tanto aqui, onde predomina a produção da casa-grande, como na África, onde a senzala precisa, antes de exportar, produzir para matar sua fome.

Motivo para se discutir seriamente a compra de terras agricultáveis por estrangeiros em países pobres das América Latina, Ásia e África. O Brasil, pelas características acima, é o pitéu cobiçado desse banquete, tanto que viu nos três últimos anos crescer vertiginosamente o preço de suas terras.

Diante da recente escalada mundial dos preços dos alimentos e da futura escassez de fatores essenciais para a produção agropecuária, vários países estão tratando de assegurar alimentos e bioenergia para seus consumos plantando e colhendo na casa dos outros.

Nem tanto governos, mas grandes investidores, corporações privadas, fundos de pensão e hedge, já perceberam que entre os principais ativos as terras serão os de maior valorização. Estima-se que no período de apenas um ano de 15 a 20 milhões de hectares foram adquiridos por investidores com esse perfil. E aí já não estamos mais falando de segurança alimentar, mas de reserva de valor.

Na África, crescem arrendamentos por prazos que vão de 50 a 99 anos sem estarem associados a projetos de desenvolvimento local. No Brasil, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, há 4,3 milhões de hectares de propriedade estrangeira, sem contar que é considerada nacional qualquer pessoa física com domicílio no país.

Não há, assim, qualquer sinal de nacionalismo xenófobo quando o governo brasileiro discute estabelecer restrições à compra de terras por estrangeiros. É uma discussão que deveria se intensificar nas entidades patronais da agropecuária e nos movimentos sociais nela envolvidos.

A posse da terra, tão disputada e mendigada quando se trata de acolher assentados e servir de patrimônio e trabalho para famílias rurais, é entregue a mancheias para capitais estrangeiros, especulativos ou não.

Estamos falando de dezenas, às vezes centenas, de milhares de hectares numa única transação, extensões impossíveis de serem creditadas a quem cultiva em pequenas propriedades. Mas são estas que recebem a condenação do patronato quando vendem um lote recebido do governo.

Qual deles um caso de soberania nacional?

Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

Fale com Rui Daher: rui_daher@terra.com.br


31 julho 2010

Ficha Lima

Os eleitores de todo o país poderão consultar na internet a relação dos políticos, cujas candidaturas estão enquadradas nas exigências da chamada Lei da Ficha Limpa, que impede a disputa de cargos eletivos a quem tenha sido condenado em decisão colegiada (por mais de um juiz).

Disponível no endereço eletrônico www.fichalimpa.org.br , o site é uma iniciativa da Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e o Instituto Ethos.

As informações e os documentos que comprovem que o candidato se inclui entre os fichas limpas deverão ser apresentados voluntariamente pelo próprio político. Os eleitores interessados, contudo, poderão questionar o teor dos dados apresentados, denunciando eventuais contradições no próprio site .

A nova ferramenta também permitirá aos políticos darem maior transparência às doações recebidas, informando semanalmente a origem e o montante dos recursos obtidos e os gastos feitos no período. Pela legislação eleitoral em vigor, o candidato só precisa prestar contas aos tribunais eleitorais 30 dias após o término da eleição.

De acordo com o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, a iniciativa pode ajudar a coibir a prática do chamado caixa 2 nas campanhas. Já para o vice-presidente do instituto, Paulo Itacarambi, a divulgação das doações alimentará também o debate sobre o papel desempenhado pelas empresas doadoras e seu apoio a candidatos que respeitem ou não valores éticos.

As empresas, com o financiamento, têm uma forte influência nos resultados. E assim [ com o site ] a sociedade terá a oportunidade de saber e questionar a empresa que, porventura, financiar um determinado candidato, que esteja sendo denunciado. Passará a haver um debate envolvendo um outro importante ator das eleições, as empresas, disse Itacarambi, durante a apresentação do site à imprensa, em São Paulo.

Edição: Antonio Arrais

26 junho 2010

Vice faz campanha de Serra desandar

26/06/2010 - 11:00

Vice faz campanha de Serra desandar

Os tucanos tiveram mais de seis meses para achar um vice na chapa de José Serra. Desde que Aécio Neves jogou o boné e tirou o time da disputa presidencial, no final do ano passado, e descartou qualquer possibilidade de ser o vice de Serra, esta novela frequentou o noticiário político.

Dezenas de nomes foram cogitados, até o de uma vereadora que é presidente do Flamengo, mas o candidato não se fixou em nenhum deles, deixando a decisão para a última hora.

A quatro dias do prazo fatal para indicar o nome do vice, o país ficou sabendo da indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pelo Twitter do aliado petebista Roberto Jefferson, bem na hora do jogo do Brasil contra Portugal. Nem os roteiristas do “Zorra Total” ou do Renato Aragão, nem mesmo os marqueteiros dos adversários seriam capazes de montar tamanha sequência de trapalhadas.

A escolha do nome de Álvaro Dias se deu por eliminação, na noite de quinta-feira, numa reunião de José Serra com Sergio Guerra e Jutahy Magalhães, fiéis escudeiros do candidato. Consultados, os aliados PPS e PTB logo aprovaram a indicação, mas se esqueceram de combinar com o DEM, o principal partido da coligação, que só ficou sabendo da novidade pelo Twitter de Jefferson. Seus principais líderes botaram a boca no mundo e, a partir daí, a coisa desandou de vez.

Dava um filme, uma comédia de pastelão político. A seleção brasileira já estava em campo, quando Jefferson parou sua moto para abastecer no interior de Minas, a caminho de Tiradentes, onde iria participar de um encontro de motoqueiros, quando foi informado pelo celular por Guerra, e imediatamente jogou a notícia no ar.

Em Bragança Paulista, onde assistiria ao jogo do Brasil ao lado de Alckmin e Quércia, a cadeira reservada para Serra ficou vazia até os 12 minutos do segundo tempo, quando o candidato apareceu. Ao final, fez comentários sobre o jogo, mas nada falou sobre a escolha do vice. Jogou o abacaxi para Sergio Guerra.

Depois do jogo, cada um foi para um lado. Serra seguiu de helicóptero para Campinas e, de lá, voou para Parintins, nos confins da Amazonia. Sergio Guerra foi ao Rio para pegar Rodrigo Maia, o indignado presidente do PFL, e seguir com ele para Sergipe, onde iriam tentar resolver mais um problema de palanque estadual. No caminho, procurariam acertar os ponteiros. Pelo jeito, não acertaram.

O indicado Álvaro Dias voou para Cuiabá, onde participaria de uma convenção do PSDB. Ao ser informado sobre o imbroglio com o principal aliado, foi logo avisando: “Se o DEM tiver que sair, antes saio eu”.

No final da noite, sem conseguir acalmar os demos, que só aceitavam Aécio Neves numa chapa puro-sangue, colaboradores de Serra já admitiam a hipótese de um recuo, segundo o noticiário da Folha. Na coluna Painel, a novela virou motivo de chacota: Álvaro já estaria sendo chamado de “vice Porcina”, o que foi sem nunca ter sido.

O estrago causado na campanha de Serra pela escolha de Álvaro Dias e a forma como seu nome foi anunciado na hora do jogo do Brasil, sem que o DEM fosse consultado, ainda levará alguns dias para ser avaliado, mas uma coisa já é certa: a aliança, que já não ia bem das pernas, foi seriamente abalada.

Por que a escolha recaiu exatamente sobre Álvaro Dias, que colocou ele mesmo seu nome na mesa das discussões, quando a questão do vice já caminhava para um impasse?

A razão apresentada pelos tucanos não poderia ser mais frágil e singela: o objetivo principal seria atrair seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR), que há semanas balança entre ser candidato à reeleição em aliança com o PSDB ou se candidatar a governsador com o apoio do PT e do PMDB. Estariam em jogo dois milhões de votos.

Na escolha do vice, sempre pesam três fatores: buscar um nome em região onde o candidato a presidente está mais fraco, atender a um partido aliado e somar mais votos para a chapa. No caso de Dias, nenhum dos três foi atendido, já que se partiu para uma chapa puro-sangue, com algúem de uma região (Sul) onde Serra já lidera as pesquisas e de um Estado (Paraná) com colégio eleitoral limitado.

Na nota de apenas três linhas em que oficializou o nome de Álvaro Dias, já no final do dia, em Sergipe, Sergio Guerra o apresentou como “um senador de grande coerência e capacidade”. Já em Partintins, José Serra nada disse: “Estou fora do ar desde que embarquei”.

Antes disso, porém, o noticiário da internet já tinha dado a ficha de Álvaro Dias: expulso do PSDB em 2001, por defender a criação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção no governo FHC, no ano seguinte ele foi candidato a governador do Paraná pelo PDT e apoiou Lula no segundo turno.

Em 2003, no começo do governo Lula, reivindicou uma embaixada na Europa e, como não foi atendido, tornou-se um dos mais ferozes opositores no Senado, com grande visibilidade no “Jornal Nacional”, onde aparece quase todo dia com sua voz de locutor de FM. Mas, se este fosse um critério, o da visibilidade na TV, a chapa William Bonner-Fátima Bernardes seria imbatível…

Assim como Dilma Roussef teve problemas na largada da campanha, apontados aqui no Balaio, José Serra chega ao meio da corrida eleitoral em seu pior momento: em queda nas pesquisas (o último Ibope deu 40 a 35 para Dilma, com a rejeição já tendo batido nos 30%), os palanques estaduais ruindo e, agora, com a trapalhada da escolha do vice ameaçando a unidade da coligação que o apóia.

Pior do que tudo isso, foi a baixaria da vereadora tucana Mara Gabrilli, que perguntou esta semana em seu Twitter: “Você confiaria seus filhos para Dilma de babá”? Se estas forem as novas armas empregadas na campanha eleitoral para desqualificar a candidata de Lula, é sinal de que já bateu o desespero no QG tucano.

Esta tática de amedrontar os eleitores, tentando fazer de Dilma uma bruxa malvada, tem tudo para dar errado, como já vimos com Regina Duarte na campanha de 2002.

Na mesma hora em que tucanos e demos se estranhavam sobre a indicação do vice, na tarde de sexta-feira, Dilma Rousseff era recebida na casa do megaempresário Abílio Diniz para um encontro com 38 mulheres representantes da chamada “elite branca” de Cláudio Lembo. Ninguém saiu de lá assustado. Ao contrário: “Foi um espetáculo”, limitaram-se a dizer duas loiras de meia-idade que saíam apressadas em seus carros, segundo a Folha.

Ainda faltam três meses para os brasileiros irem às urnas. Claro que o candidato da oposição ainda pode reverter o quadro que, no momento, lhe é bastante desfavorável. A campanha na televisão ainda nem começou. Resta saber o que José Serra terá a apresentar como novidade, além de Àlvaro Dias, tendo no outro programa Lula ao lado de Dilma.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/06/26/vice-faz-campanha-de-serra-desandar/

Livros de ensino religioso estimulam preconceitos

Livros de ensino religioso estimulam preconceitos

24 de junho de 2010 | 0h 00
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

As aulas de ensino religioso nas redes públicas de ensino do País utilizam livros com conteúdo preconceituoso e intolerante, afirma um estudo da Universidade de Brasília (UnB) que analisou as 25 obras temáticas mais usadas nas escolas.

Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o ensino religioso nas escolas deveria garantir "o respeito à diversidade cultural religiosa, vedadas quaisquer formas de proselitismo". Segundo a pesquisa, "Laicidade e o Ensino Religioso no Brasil", ocorre o contrário: as publicações estimulam homofobia; impõem o cristianismo (em especial o catolicismo); não destacam religiões afro-brasileiras e indígenas; ignoram pessoas sem religião e estigmatizam a pessoa com deficiência.

De acordo com a pesquisa, alguns livros relacionam o nazismo com falta de religião, afirmam que a ciência só é legítima quando "ligada à ética e a Deus" e criticam o homossexualismo.

Alguns números do levantamento comprovam o cenário alarmante. Das 192 vezes em que algum líder religioso e secular foi citado nas obras, Jesus Cristo apareceu em 81 delas. Líderes indígenas e Moisés, por exemplo, apareceram apenas uma vez cada um. As referências aos grupos religiosos também não apresentam equilíbrio. Predominam as religiões cristãs (65%).

Para Debora Diniz, coordenadora da pesquisa, falta controle do Ministério da Educação sobre os livros de ensino religioso. "O MEC avalia livros de todas as disciplinas, por que não avaliar esses? Isso abre espaço para discriminação religiosa e interfere na formação dos cidadãos."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100624/not_imp571191,0.php

25 junho 2010

Atuação de estrangeiros na Amazônia poderá ser monitorada

Atuação de estrangeiros na Amazônia poderá ser monitorada

Projeto de Lei do Senado é aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e segua para a Comissão de Relações Exteriores

21 de junho de 2010 | 19h 26
Karina Ninni - estadao.com

Em breve, estrangeiros que queiram atuam em ONGs na Amazônia Legal poderão ter de pedir autorização para o Ministério da Justiça. Aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira, o projeto de lei que modifica o Estatuto do Estrangeiro e a Lei dos Registros Públicos será encaminhado esta semana para a Comissão de Relações Exteriores e poderá ser votado na plenária do Senado ainda este ano.

“É preciso haver regulação e monitoramento das atividades dos estrangeiros que atuam na Amazônia”, pontua o relator do parecer da CCJ, senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC). “As ONGs têm uma atuação organizada e planejada na região”.

O indonésio naturalizado norte-americano Johan Zweede, ex-diretor executivo e atual consultor do Instituto Floresta Tropical (com sede em Belém, Pará), concorda que estrangeiros que não têm residência permanente no Brasil ou permissão legal temporária para atuar no País não devem fazer parte do quadro legal de uma ONG.

“Mas acho também que estrangeiros que fixaram residência permanente no Brasil deveriam ser diferenciados dos não-residentes, como acontece em outras partes do mundo”, opina.

Zweede tem um visto de residência permanente no Brasil há mais de 30 anos.

O norte-americano naturalizado brasileiro Peter May, que atua na ONG Amigos da Terra e é professor da UFRRJ, diz que esse tipo de iniciativa do legislativo é salutar desde que efetivamente proteja os interesses de povos tradicionais e a integridade dos recursos genéticos da Amazônia Legal.

“Mas não podemos perder de vista que a maioria dos recursos desta região tem sido sujeita a pilhagem por parte de atores econômicos nacionais, sejam ou não em parceria com empresas internacionais”, salienta.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,atuacao-de-estrangeiros-na-amazonia-podera-ser-monitorada,569987,0.htm

Estadão: Cientistas constroem pulmão de rato em laboratório

Cientistas constroem pulmão de rato em laboratório

Pesquisadores desmontaram o pulmão de um rato e conseguiram reconstruí-lo com células-tronco

24 de junho de 2010 | 15h 06
Associated Press

É um primeiro passo rumo a, um dia, a construção de novos pulmões em laboratório: pesquisadores da Universidade Yale desmontaram e fizeram crescer de novo um pulmão de rato. Em seguida transplantaram-no e assistiram enquanto respirava.

Divulgação/Science
Divulgação/Science
Seta indica o pulmão artificial implantado em um rato

Células-tronco revertem cegueira causada por queimaduras

O pulmão ficou no lugar por cerca de duas horas, enquanto os cientistas mediam a troca de oxigênio e dióxido de carbono, que foi quase como a de um pulmão normal, mas também encontraram problemas que vão exigir mais pesquisas para consertar.

Mesmo assim, o trabalho é um avanço na busca por meios de regenerar pulmões danificados, embora a principal pesquisadora, Laura Niklason, advirta que podem ser necessários de 20 a 25 anos antes que a construção de órgãos esteja pronta para ser usada em seres humanos. O trabalho é descrito na edição desta semana da revista Science.

A equipe da cientista desmontou o pulmão de um rato adulto até reduzi-lo a sua estrutura básica de suporte, sua armação, para ver se seria possível reconstruí-lo, em vez de começar do zero.

Primeiro, os cientistas essencialmente eliminaram por lavagem os diferentes tipos de célula que revestem o pulmão. O órgão gradualmente mudou de uma saudável cor vermelha para uma estrutura branca, basicamente feita de colágeno e outros tecidos conectivos que mantinham a forma e a elasticidade do pulmão original, e até mesmo os tubos onde as vias aéreas deveriam estar.

Essa armação é uma espécie de doador universal, que não deveria oferecer problemas de rejeição, disse Laura. "O seu colágeno e o meu são idênticos".

Os pesquisadores puseram a armação de pulmão num biorreator, um recipiente semelhante a uma incubadora projetado para imitar o ambiente em que os pulmões fetais se desenvolvem.

Em seguida, injetaram uma mistura de diferentes células pulmonares extraídas de um rato recém-nascido. No biorreator, essas células de alguma forma migraram para os locais corretos e criaram alvéolos, vias aéreas e vasos sanguíneos.

Em implantes de curta duração em quatro diferentes ratos, pulmões artificiais substituíram um dos pulmões dos animais e se mostraram com 95% da eficiência na troca de oxigênio por dióxido de carbono, disse a cientista.

Entre os problemas que ela identificou, há pequenos coágulos que se formaram no interior do pulmão artificial, um sinal de que as novas células não estavam produzindo uma proteção suficiente em alguns locais.

O maior desafio, segundo Laura, é que para que a abordagem funcione num ser humano sem rejeição, as células teriam de ser retiradas do próprio receptor.

Ainda não há meios de obter o tipo de célula-tronco personalizada necessário, o que significa que os estudos com células-tronco precisam se desenvolver antes.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-constroem-pulmao-de-rato-em-laboratorio,571480,0.htm