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16 dezembro 2011

Prefeitura quer usar R$ 1 bi do boom imobiliário em metrô nos Jardins

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,prefeitura-quer-usar-r-1-bi-do-boom-imobiliario-em-metro-nos-jardins,772362,0.htm

Dinheiro viria da Operação Urbana Faria Lima; linha 20-Rosa terá 12,3 km e 14 estações, com paradas nos Jardins Europa e América


Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S.Paulo
A Prefeitura de São Paulo quer usar o dinheiro do boom imobiliário da região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul, para investir pelo menos mais R$ 1 bilhão em uma nova linha de metrô na capital, que aparece com detalhes nos mapas da companhia pela primeira vez. Batizado de Linha 20-Rosa, o novo ramal terá 12,3 quilômetros de extensão e ligará a Lapa, na zona oeste, a Moema, na zona sul.


A linha faz parte do Plano Expansão 2020 do Metrô, a que a reportagem teve acesso com exclusividade. O estudo projeta o sistema com até 161 estações de metrô na Região Metropolitana - hoje são 62 - e ampliação dos atuais 70,6 km para 184,2 km de linhas. A previsão de investimento estadual na rede é de R$ 27,4 bilhões até 2015 (mais informações na pág. C3).

Nos estudos preliminares do Metrô, a Linha 20-Rosa aparece com entrega prevista para 2025, mas a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos acredita que esse prazo possa ser encurtado graças ao interesse da Prefeitura em investir no ramal. O projeto inicial prevê 14 estações, espalhadas pelas zonas estritamente residenciais próximas da Praça Panamericana e por toda a extensão da Faria Lima. No mapa do Metrô, é possível ver que a futura linha tem tudo para ser polêmica, uma vez que passa por áreas valorizadas, como Jardim Europa e Jardim América.

O dinheiro da Prefeitura viria das contrapartidas pagas pelo mercado imobiliário da região da Operação Urbana Faria Lima para construir prédios acima do limite da lei de zoneamento. Como o Estado revelou há duas semanas, o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) enviou um projeto à Câmara Municipal que prevê a emissão de mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), títulos que permitem a construção de edifícios mais altos. Esses papéis devem render cerca de R$ 2 bilhões aos cofres públicos - no último leilão da operação, em 25 de maio de 2010, cada Cepac foi comercializado por R$ 4 mil, valor considerado baixo, pela demanda do mercado. Parte do valor arrecadado deve ir para a Linha 20 do Metrô, já que, por lei, esse dinheiro deve ser aplicado no perímetro da Faria Lima.

"Temos um sistema de transporte público que precisa ser aprimorado naquela região e estamos conversando para conseguir acoplar o desenvolvimento dessa linha à Operação Urbana", disse o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.

Demanda. Outra alternativa que aumenta as chances de o ramal sair mais cedo é o interesse de investidores privados em fazer uma Parceria Público-Privada (PPP), mesmo modelo utilizado na Linha 4-Amarela. Segundo a reportagem apurou, a Prefeitura também articula essa possibilidade com o governo estadual.

O software de simulação de demanda do Metrô detectou que o novo ramal teria uma demanda diária média de 600 mil pessoas. "Nós achávamos que essa linha retiraria passageiros da Linha 9-Esmeralda de trens, que passa pela Marginal do Pinheiros. Mas isso não aconteceu, pois a demanda para essa nova linha é fortíssima", afirmou o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. No futuro, a Linha 20-Rosa deve ganhar ainda uma extensão de 10,7 km até o bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo, com mais sete estações.

Lei aprovada na Câmara de SP autoriza mais prédios na Faria Lima

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1022148-lei-aprovada-na-camara-de-sp-autoriza-mais-predios-na-faria-lima.shtml

EVANDRO SPINELLI
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

A Câmara de São Paulo aprovou nesta quinta-feira projeto de lei que autoriza a prefeitura a vender títulos imobiliários estimados em até R$ 1,5 bilhão para novos empreendimentos na região da Faria Lima.

Com a venda dos títulos, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) vai abrir brecha para a construção de novos prédios na área e, com isso, conseguir dinheiro para cumprir a promessa de campanha de investir R$ 1 bilhão no metrô.

Especialistas defendem o adensamento da região, que tem trânsito intenso, com a ressalva de que precisam ser construídos prédios residenciais e que parte do dinheiro seja usada para investimentos em transporte coletivo.

O projeto prevê a construção de uma nova linha de metrô no eixo da av. Faria Lima --a construção da linha 20-rosa, que ligará Lapa a Moema.

15 dezembro 2011

Manifesto em defesa do Cine Belas Artes

MANIFESTO EM DEFESA DO CINE BELAS ARTES, PATRIMÔNIO CULTURAL, ARTÍSTICO E AFETIVO DE SÃO PAULO E DO BRASIL

Disponível em: http://links.causes.com/s/clzd4Z

Amparados na Constituição Federal, que inclui as “edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais” entre os bens que “constituem o patrimônio cultural brasileiro” (inciso IV do Artigo 126), defendemos o imediato tombamento do prédio da Rua da Consolação, 2.423, esquina com a avenida Paulista, onde funcionava o mítico Cine Belas Artes. Também demandamos das autoridades que lancem mão de todos os instrumentos necessários para reabrir o cinema, inaugurado em 1967 pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) e Companhia Serrador no mesmo prédio que antes abrigara o Cine Trianon, aberto em 1952.

Desde sua inauguração, o Cine Belas Artes manteve as características que demarcaram sua singularidade no circuito exibidor e tornaram-no fundamental para a cultura cinematográfica no Brasil. Ao longo de 44 anos, operou mais como um centro cultural formador de público do que mera sala exibidora, como atestam dois de seus aclamados projetos, o Cineclube e o Noitão, que, diferentemente das salas de shopping, promoviam uma atmosfera propícia à interação. Contou para isso com a preciosa contribuição de Ancona López, reconhecido internacionalmente como um dos melhores programadores de cinema e que teve Leon Cakoff como seu assistente. Soube, também, adaptar-se à nova tendência de complexos com salas pequenas e médias ao transformar seu espaço no mais significativo multiplex de rua do país.

O Cine Belas Artes promovia a diversidade cultural e a reflexão sobre dramas humanos, história, política e arte por meio de uma programação com filmes de alto padrão, brasileiros e estrangeiros, inclusive com elevado número de obras-primas procedentes de países pouco presentes no nosso mercado exibidor. Desempenhava papel fundamental no circuito cultural das ruas da Consolação e Augusta e Avenida Paulista. Nos fins de semana e feriados, recebia, em média, 1.800 frequentadores por dia. As filas se repetiam e lotavam suas salas também às segundas e quartas-feiras nas tradicionais promoções com ingressos mais baratos. Esse sucesso era favorecido igualmente pela facilidade de acesso a pé e por transporte público.

Entretanto, pressões do mercado imobiliário provocaram a suspensão das atividades do cinema em março deste ano. O fato recebeu ampla divulgação na mídia. Frequentadores realizaram protestos na internet e na rua contra o fechamento e organizaram o Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA). Centenas de depoimentos pró-Belas Artes, um abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas e adesões de quase 90 mil pessoas no aplicativo Causes no Facebook são apenas alguns exemplos do que é visto como uma das maiores mobilizações em defesa de um patrimônio cultural no Brasil. Destacamos que este uníssono de vozes em São Paulo coincide com o movimento de resgate histórico dos cinemas de rua em curso no Rio de Janeiro, que contempla a reabertura do igualmente mítico Cine Paissandú (tombado em 2008), anunciada para julho de 2012.

Garantir o cinema de rua é valorizar um modo de vivenciar a cidade com seus bares, restaurantes, livrarias, as pipocas e as pizzas e os encontros com amores, amigos e conhecidos. É, acima de tudo, um exercício de cidadania – lugar de comunhão entre memória, cultura e afeto – que deve ser protegido e fomentado pelo Poder Público.

Movimento pelo Cine Belas Artes (MBA)

LISTA PRELIMINAR DE APOIOS AO MANIFESTO PELO CINE BELAS ARTES

Alberto Bandone - cineasta
Alexandre Stockler - cineasta
André F.G. Neves - cineasta
André Fischer - jornalista
Anna Marcondes - presidente da Via Cultural - Instituto de Pesquisa e Ação pela Cultura
Antônio Moura Reis - jornalista
Antunes Filho - diretor do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) do Sesc
Benjamin Seroussi - curador e produtor
Caio Plessmann - cineasta
Cândido Malta Campos Filho - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Cao Hamburger - cineasta
Carlos Guilherme Mota - historiador e professor emérito da FFLCH/USP
Caru Alves de Souza - cineasta
Célia Marcondes - presidente da Sociedade Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César (Sammorc)
Celso Antonio Bandeira de Mello - jurista
Celso Gonçalves - cineasta e presidente da seção paulista da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD)
Celso Luiz Lasarim - jornalista
Cleo de Paris - atriz do grupo "Os Satyros"
Cunha Júnior - apresentador de TV
Daniela Thomas - cenógrafa e cineasta
Danilo Miranda - diretor do Sesc/SP
Debora Duboc - atriz
Denise Carreira - coordenadora de educação da Ação Educativa e Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação
Edgard Carvalho - professor titular do departamento de antropologia da PUC/SP e representante no Brasil da cátedra itinerante Unesco Edgard Morin
Eduardo Suplicy - senador (PT/SP)
Eliseu Gabriel - vereador (PSB/São Paulo capital)
Evaldo Mocarzel - cineasta e dramaturgo
Eva Wilma - atriz
Fábio Yamaji - diretor de animação
Fernando Alves Pinto - ator
Fred Ghedini - ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)
Gerardo Fontenelle - cineasta
Gero Camilo - ator e dramaturgo
Gina Rizpah Besen - psicóloga, consultoria ambiental e doutora em saúde pública
Hélio Goldstejn - diretor de TV
Jeferson De - cineasta
João Federici - produtor
João Signorelli - ator
Jorge Rubies - presidente da Associação Preserva São Paulo
Jorge Mautner - cantor e compositor
José Osório de Azevedo - desembargador
Junia Sirqueira Soares - assistente de audio-visual
Kiko Goifman - cineasta
Laerte - cartunista
Laerte Késsimos - ator
Laís Bodanzky - cineasta
Laura Wie - apresentadora de TV
Leandro Marques - radialista e cineasta
Lee Taylor - ator
Lucia Helena Vitalli Rangel - diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Lucila Lacreta - diretora do Movimento Defenda São Paulo
Luiz Carlos Merten - jornalista
Márcio Debellian - documentarista
Maria Margarida Cavalcanti Limena - diretora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC/SP
Mouzar Benedito - escritor e jornalista
Nabil Bonduki - arquiteto e urbanista e professor da FAU/USP
Newton Moreno - dramaturgo
Olgária Matos - professora do Departamento de Filosofia da FFLCH/USP
Paula C. Ferraz - assessora de imprensa
Paulo Cannabrava - Associação de Proteção dos Direitos Autorais dos Jornalistas Brasileiros (Apijor)
Paulo de Tarso Chamon Schmidt - publicitário e jornalista
Pedro Roberto Jacobi - sociólogo e presidente do Procam/USP
Raquel Rolnik - arquiteta e urbanista, professora da FAU/USP e relatora da ONU para o direito à moradia
Raul Teixeira - sonoplasta e coordenador do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro
Regina Drummond - escritora
Regina Porto - sonoplasta, produtora e curadora de música contemporânea
Ricardo Ohtake - arquiteto
Rubens Rewald - cineasta e vice-presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci)
Sara Silveira - produtora de cinema
Sebastião Milaré - escritor
Sérgio Haddad - diretor-presidente do Fundo Brasil Direitos Humanos e socio-fundador da organização Ação Educativa
Sonia Barros - escritora infanto-juvenil
Soninha Francine, apresentadora e ex-vereadora em São Paulo capital
Tadeu Jungle - cineasta
Toni Venturi - cineasta
Vera Masagão - coordenadora geral da Ação Educativa e integrante da coordenação executiva da Abong - Associação Brasileira de ONGs
Vinícius Romanini - jornalista e professor de semiótica da ECA e FAU/USP
Zé Celso Martinez Corrêa - ator, autor, diretor e líder do Teatro Oficina
Zuenir Ventura - jornalista

13 dezembro 2011

Plano da Prefeitura de construir prédios deve dobrar trânsito na Faria Lima

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,plano-da-prefeitura-de-construir-predios-deve-dobrar-transito-na-faria-lima,808500,0.htm

Urbanistas alertam para consequências da liberação de construção de 410 mil m², já aprovada
08 de dezembro de 2011 23h 43
Notícia
A+ A- Assine a Newsletter Tiago Dantas - Jornal da Tarde
SÃO PAULO - O volume de tráfego na já congestionada região das Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Presidente Juscelino Kubitschek, entre Pinheiros e Vila Olímpia, na zona oeste da capital, deve dobrar nos próximos anos. Segundos urbanistas, esse é um dos efeitos da construção de mais 410 mil m² em prédios residenciais e comerciais, aprovada em primeira votação pela Câmara na quinta-feira passada - a segunda votação pode ocorrer ainda neste ano.


Filipe Araújo/AETrânsito deve ficar ainda pior na Faria Lima e adjacênciasSe o projeto proposto pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) for aceito, o perímetro da Operação Urbana Faria Lima pode receber 24 arranha-céus iguais ao Edifício Altino Arantes, a Torre do Banespa, que fica no centro de São Paulo. Com base na média de uma vaga de estacionamento a cada 35 m² de construção - parâmetro utilizado por arquitetos e técnicos da própria administração municipal -, os novos empreendimentos da área absorveriam 11.700 veículos.

A quantidade é maior que os atuais 9.600 carros que passam pela Juscelino na hora de maior movimento de manhã e os 7 mil automóveis que entopem a Faria Lima no horário de pico da tarde. "É só passar às 18h perto do Shopping Iguatemi para ver que a região não suporta mais carros. Como vai ficar com os prédios novos?", pergunta o advogado Heitor Marzagão Tomassini, integrante do Conselho Gestor da Operação Urbana Faria Lima e presidente do Movimento Defenda São Paulo.

Para técnicos da Prefeitura e dirigentes de imobiliárias, a construção de novos edifícios não significa, necessariamente, mais trânsito. "A região recebeu duas estações de Metrô (Pinheiros e Faria Lima), o que reduz o trânsito. Além disso, acho que a área, que até agora foi ocupada por prédios comerciais, vai receber mais empreendimentos residenciais e as pessoas vão ficar perto do trabalho", avalia o diretor de legislação urbana do Sindicato da Habitação (Secovi), Eduardo Della Manna.

"A questão da mobilidade é constante, um problema difícil de se resolver. Tornar a cidade mais compacta, com emprego perto de residência, é positivo. Mas qualquer projeto de adensamento tem de ser acompanhado de um estudo consistente", argumenta o arquiteto Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie. A falta de um levantamento como esse é um dos questionamentos de Tomassini.

A Prefeitura, por sua vez, diz que não está criando um novo teto de verticalização, mas apenas possibilitando que se construa a quantidade de prédios prevista para a área desde 1995, quando a Operação Urbana Faria Lima foi lançada por Paulo Maluf. De um total de 1,3 milhão de m² que poderiam ser construídos no bairro, cerca de 890 mil m² foram utilizados.

Para levantar seus edifícios, as imobiliárias precisam comprar títulos chamados de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac)."Mesmo que isso já estivesse previsto, acho importante fazer uma análise para saber o impacto que os novos prédios terão, principalmente no sistema viário", afirma o dirigente do Defenda São Paulo.

‘Não dá para andar’. Quem trabalha na região, um dos maiores polos econômicos da cidade, tem opiniões divergentes. "O trânsito vai ficar ainda pior. Não é à toa que todo prédio tem heliponto. Não dá mais para andar aqui", diz o consultor financeiro Alécio Ramos de Souza, de 28 anos.

Já a gerente executiva Clarissa Ferraz, de 32, acredita que novos edifícios podem deixar a paisagem mais agradável. "As pessoas acham solução para o trânsito: táxi, metrô, bicicleta. Mas acho que prédios são o que fazem daqui um lugar bonito."

25 novembro 2011

A vizinhança do Fielzão sorriItaquera, na Zona Leste, experimenta valorização de até 150% no preços de terrenos, apartamentos e casas


FABIO PAGOTTO

Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, vive um momento de valorização nos terrenos, apartamentos e casas. Os valores de venda e aluguel dispararam: só nos últimos 12 meses, corretores e imobiliárias consultados pelo DIÁRIO falam em aumento de 30% a 150% nos preços, dependendo da região. O motivo, segundo os corretores, é o início das obras do estádio do Corinthians, o Fielzão, palco do jogo inicial da Copa do Mundo de 2014.

“Eu comprei a minha casa por R$ 205 mil em novembro, mas hoje não venderia por menos de R$ 400 mil”, disse a enfermeira Maria Aparecia Campos Almeira, de 53 anos. Ela mora na Rua Samambaiaçu, em Artur Alvim, e sua casa, no alto de uma colina, tem uma visão privilegiada do Fielzão. “Todo dia, eu fico espiando a obra”, afirma Maria, olhando a construção da janela de seu quarto.

Sua vizinha, a professora Patrícia Rodrigues Monteiro, de 33 anos, também sente os efeitos da valorização dos imóveis. “Eu pago R$ 400 de aluguel. O contrato vence em janeiro e o proprietário já disse que quer aumentar para pelo menos R$ 600”, disse a professora, que mora na Rua Samambaiaçu há dois anos. “Até ele quer morar em Itaquera”, diz Patrícia.

Em obras/O corretor Marcelo de Jesus Fernandes, de 43 anos, da Imobiliária Almar, negocia imóveis em Itaquera há 15 anos e afirma que nunca o bairro valorizou tanto. “Quando anunciaram que o estádio seria construído, os preços começaram a subir. Com o começo das obras, dispararam”, falou Fernandes. Ele estima que os imóveis que vende subiram entre 70% a 150%. “Um apartamento na Cohab 2, conjunto José Bonifácio, que valia R$ 85 mil há um ano, dificilmente é encontrado por menos de R$ 130 mil”, falou o corretor.

Wilza Mandu, de 27 anos, administradora da imobiliária Casa Imóveis, também observou a valorização nos preços. “Só nos últimos quatro meses os valores subiram 15%, em média. Quanto mais próximo do estádio, maior é esse aumento”, explicou Wilza.

De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), o preço médio de uma casa ou apartamento novos com dois dormitórios na região era de R$ 134 mil em outubro de 2010. Agora, uma residência com essas características não sai por menos de R$ 150 mil.

Já Alexandre Asaka, gerente da Yamakawa Imóveis, crê que os preços não vão se manter altos por muito tempo. “As pessoas estão optando por comprar em outras regiões, logo esses preços vão cair”, diz.

Valorização na Zona Leste é passageira, afirma Embraesp
O presidente da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), Luiz Paulo Pompeia, crê que a valorização dos imóveis em Itaquera é temporária. “Em outras regiões com estádios próximos, como o Pacaembu e o Morumbi, a regra é inversa. Quanto mais próximo do campo, menos vale a casa ou apartamento, por conta do movimento gerado pelo estádio”, afirmou Pompeia.

“Talvez, a valorização se mantenha nos imóveis comerciais por conta do trajeto dos torcedores”, falou. Para o presidente da Embraesp, a escalada da região não difere do crescimento de preços do restante da cidade. “O motivo é o aquecimento do mercado”, disse Pompeia.

Já o presidente do Secovi (Sindicato da Habitação), João Crestana, aponta motivos para a valorização imobiliária na região, além da construção do Fielzão. “O principal é que as pessoas do perfil da região tiveram acesso ao crédito. A facilidade de crédito fez a demanda crescer em toda a cidade”, diz Crestana.

Para o presidente do Secovi, os investimentos do governo também pesam na valorização da região de Itaquera. “Ali vai ocorrer a Operação Urbana Rio Verde-Jacu, que vai trazer enorme desenvolvimento ali”, disse Crestana.

Entre os projetos previstos para a operação estão um fórum judiciário, um terminal rodoviário, uma Fatec/Etec (Faculdade de Tecnologia/Escola Técnica Estadual), uma unidade do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), um batalhão da Polícia Militar e um parque linear.

Imóveis novos sobem 85% em São Paulo
Estudo realizado pelo instituto de pesquisa Ibope, divulgado no dia 27, apontou que o preço do metro quadrado dos imóveis novos na cidade de São Paulo subiu cerca de 85% de abril de 2009 a outubro deste ano. O levantamento, que acontece a cada seis meses, mostrou que a capital paulista teve a maior alta entre as regiões pesquisadas – Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Entre o quarto mês deste ano e outubro, o valor médio de imóveis novos subiu 14%, atingindo R$ 6.019.

R$ 1.879
é o preço médio do metro quadrado na região de Itaquera

Prefeitura anuncia incentivos para região
A Prefeitura anunciou em setembro um edital de chamamento para as empresas interessadas em investir na Zona Leste. A iniciativa prevê incentivos fiscais que somam R$ 50 milhões para o orçamento de 2012.

28 outubro 2011

Jornal: construtoras querem demolir Morumbi e construir outro estádio



Vista do campo do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, que fica em terreno considerado de altíssimo valor por empreiteiras. Foto: Léo Pinheiro/Terra

Vista do campo do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, que fica em terreno considerado de altíssimo valor por empreiteiras
Foto: Léo Pinheiro/Terra




A construção do estádio do Corinthians e a reforma do Palestra Itália podem ser responsáveis por uma grande mudança do outro lado da cidade, mais especificamente no Cícero Pompeu de Toledo, onde o São Paulo manda seus jogos. É que, segundo o jornalFolha de S. Paulo, construtoras estariam investindo em um projeto, apoiado pela prefeitura da cidade, para demolir o Morumbi, principal arena da atualidade na capital, e reconstruí-lo em outro local - mais especificamente na Vila Sônia, em terreno bastante próximo ao da futura estação homônima de metrô, parte da linha 4 Amarela.

O interesse em colocar abaixo o estádio se dá especificamente pelo fato de a área onde ele está localizado ser muito valorizada. As construtoras querem erguer um condomínio de alto padrão no local. O argumento das empresas é que, com os estádios dos rivais, o São Paulo poderá perder espaço para eles em relação aos shows que ocorrem na cidade, grande fonte de renda para o clube, pois o atual Morumbi tem acesso mais difícil do que Itaquerão e Palestra. A nova arena, que, ainda argumentam, ajudaria a desenvolver o bairro da Vila Sônia, e teria capacidade para 45 mil pessoas em dias de jogos e de 65 mil em eventos de música. Nenhuma proposta concreta foi feita ao time tricolor, mas tanto o o ex-conselheiro Marco Aurélio Cunha quanto o presidente, Juvenal Juvêncio - que a classificou como uma ideia extraterrestre - a veem como irreal no momento. Na última semana, o vice-governador de São paulo, Guilherme Afif, esteve reunido com a diretoria paulista, mas o assunto em pauta não foi confirmado.

Mesmo sem estrutura ideal, Itaquera registra valorização por sediar a Copa


Bairro da Zona Leste de SP que abrigará partida de abertura do Mundial de 2014 vê aumento no preço dos imóveis, mas lida com falta de infraestrutura

Por SporTV.comSão Paulo

O bairro de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, tem registrado valorização imobiliária por abrigar o futuro estádio do Corinthians, que sediará a partida de abertura da Copa do Mundo de 2014. Moradores e empresários admitem que ainda faltam investimentos, mas reconhecem que a presença do Mundial no local já traz resultados positivos para quem vive e trabalha na região (assista ao vídeo ao lado).

Segundo levantamento da prefeitura, o metro quadrado em Itaquera já está 30% mais caro. O bairro, de classe média baixa, tem verificado aumento na procura por imóveis nas imobiliárias da região. Até mesmo um conjunto habitacional próximo ao terreno onde está sendo erguido o futuro estádio do Corinthians tem despertado interesse em possíveis compradores.

- Está valendo R$ 150 mil um apartamento de 50 metros quadrados – diz uma moradora, sem se identificar.

Itaquera está localizado a 18 km do centro de São Paulo. Por estar longe da região central da cidade, o bairro demorou para se desenvolver, visto que a energia elétrica só chegou ao local em 1951.

- A famosa Maria Fumaça era um trem que superlotava, não cabia mais ninguém, mas quando chegava em Itaquera, as pessoas tinham que dar um jeito de entrar nos vagões. Tinha uma época em que as pessoas desciam para empurrar o trem, por ele estar cheio de dificuldade na subida. Parece mentira mas é verdade – afirma Seu Amauri, morador há 66 anos de Itaquera.

Obras no Itaquerão, estádio do Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Futuro estádio do Corinthians já possui campo demarcado (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Apesar dos benefícios, moradores e empresários reclamam da falta de estrutura em diversos pontos de Itaquera. Com 500 mil habitantes, o trânsito é apontado como um dos principais problemas, assim como a falta de agências bancárias, escolas e hospitais.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, um convênio possibilitará o investimento de R$ 488 milhões para a construção de uma rodoviária e seis obras viárias. Uma delas será um túnel que passará por debaixo da radial leste, em frente à estação do metrô de Corinthians/Itaquera. Além disso, está prevista a criação de centros de formação em tecnologia.

- Existe uma Fatec, polo de tecnologia, e uma Etec, que é uma incubadora de empresas, para propiciar pequenas empresas para desenvolver a região – diz o secretário especial da Copa 2014, Gilmar Tadeu.

As obras de infraestrutura, assim como o futuro estádio do Corinthians, possuem previsão de entrega para dezembro de 2013.

28 setembro 2011

Cine Belas Artes, em SP, não poderá ser tombado

A Prefeitura de São Paulo decidiu que o Cine Belas Artes não será tombado. Com a decisão, tomada ontem, nada impede agora que o espaço seja demolido ou transformado em uma loja.

O tombamento nem chegou a ir para votação e foi retirado definitivamente da pauta do Conpresp (órgão do patrimônio histórico), após ter sido considerado inconstitucional pela Procuradoria-Geral do Município.

Rodrigo Capote-4.jan.2011/Folhapress
Fachada do Belas Artes, na rua da Consolação
Fachada do Belas Artes, na rua da Consolação

Segundo a avaliação da procuradoria, o tombamento se limita à preservação das características arquitetônicas do imóvel.

Ainda de acordo com a procuradoria, caso se deseje preservar o uso, o instrumento indicado é a desapropriação, não o tombamento. A prefeitura já declarou que não tem interesse no local.

O cinema, que funcionava desde 1943 na esquina da avenida Paulista com a avenida Consolação (primeiro como cine Trianon), foi fechado em março deste ano após ter havido aumento no valor do aluguel do imóvel, o que teria tornado a atividade inviável.

André Sturm, que era o proprietário do cinema e hoje dirige o MIS (Museu da Imagem e do Som), lamentou a decisão.

"É a vitória da especulação, do que tem de pior no capitalismo contra a memória, a fantasia, a qualidade de vida", declarou.

Segundo ele, o Conpresp teve a chance de ter "feito história com uma compreensão contemporânea sobre preservação, que marcaria a história da cidade".

Beto Pereira, do MBA (Movimento pelo Cine Belas Artes), diz que se surpreendeu pela decisão ter ocorrido ontem, porque na pauta da reunião do Conpresp, publicada no "Diário Oficial" do município na semana passada, a análise do tombamento do cinema não foi citada.