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22 fevereiro 2012

'Precisamos de engenheiros inovadores'

O diagnóstico de que o desenvolvimento do Brasil exige mais engenheiros já virou consenso. O País está sendo obrigado a importar pessoal qualificado, porque forma por ano cerca de 40 mil profissionais, ante 190 mil na Rússia, 220 mil na Índia e 650 mil na China, para ficar só com os Brics, o bloco dos países emergentes. Interlocutor do governo num plano para atacar a questão, o ex-reitor da Universidade de São Paulo Roberto Leal Lobo acredita que é preciso trabalhar em outra frente além da quantitativa: mudar currículos e acabar com a especialização precoce, definida ainda antes no vestibular. Para ele, o profissional do futuro precisa ter visão genérica, combinar técnica e ciência para criar inovação, gerar patentes. "Nosso engenheiro não é criado para a inovação, mas para a reprodução."


MATÉRIA COMPLETA:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,precisamos-de-engenheiros-inovadores,838124,0.htm

19 novembro 2011

Procura por Engenharia Civil acompanha crescimento do País


Curso é o mais concorrido da Fuvest pela 1ª vez. Profissionais não se formam na velocidade que o mercado exige

Marina Morena Costa, iG São Paulo

Engenharia Civil tornou-se nos últimos anos um dos cursos mais procurados nas principais universidades do Brasil. A carreira, que há cinco anos atraía no máximo 20 candidatos por vaga, hoje tem cerca de 50 na disputa nos vestibulares mais concorridos. As universidades públicas do estado de São Paulo – USP, Unesp e Unicamp – tiveram neste ano crescimento entre 40% e 48% no número de inscritos para a graduação em comparação com o vestibular do ano anterior.

A procura por Engenharia Civil é reflexo do momento econômico que o País atravessa. Muitos investimentos em infraestrutura, mercado imobiliário superaquecido nas principais regiões metropolitanas e a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 são fatores que influenciam o fenômeno nas universidades. “O mercado está muito bom, há grandes obras e construções em diversas áreas”, aponta Antônio Alves Dias, coordenador do curso de Engenharia Civil do câmpus de São Carlos, da USP.

Segundo Dias, a procura por pós-graduação e pela docência em engenharia civil também caiu como reflexo do bom momento do mercado de trabalho. Já na graduação, a procura só aumenta: desde 2007, quando o curso contava com 636 inscritos na disputa pelas 60 vagas, a procura cresceu quase 400%. Hoje, 3.136 candidatos disputam o mesmo número de vagas em uma concorrência de 52,27, a maior da universidade.

João Paulo Chaim, de 20 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da USP-São Carlos em 2009, logo quando a procura começou a crescer. No vestibular daquele ano, a concorrência saltou de 11,1 candidatos por vaga para 20,52. “Tenho certeza que fiz uma boa escolha e não me arrependo nem um pouco”, diz o estudante. Ele considera o curso “excelente”, elogia os professores, a infraestrutura dos laboratórios e sabe que tem grandes chances de terminar o curso bem empregado.

Mais vagas

Muitos especialistas alertam para o déficit de engenheiros que o Brasil pode enfrentar nos próximos anos. Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se a economia do País apresentar um crescimento médio de 3,5% ao ano, o estoque de profissionais não será suficiente para atender a demanda por engenheiros já em 2015.

Apesar do crescimento na procura, o curso da USP-São Carlos não aumentou o número de vagas nos últimos anos. “Estamos tendo um aumento da demanda, mas não da oferta”, destaca o coordenador. Dias afirma que a unidade tem um projeto em andamento para ampliar o número de vagas, mas isso será possível só em 2014.

Já nas instituições particulares, o aumento de vagas sai mais rápido. Na Pontifícia Universidade de Minas Gerais (PUC-Minas), Engenharia Civil foi o curso mais concorrido nas últimas seis edições do vestibular – o processo seletivo é semestral. A instituição passou a oferecer o curso no câmpus de Barreiro, em 2010, com 130 vagas, e no próximo semestre irá oferecer também em São Gabriel, na Grande Belo Horizonte, com 70 vagas. No total, a PUC-Minas abre semestralmente 440 vagas, em quatro câmpus.

“Tentamos repor o número de profissionais que o mercado exige, mas não conseguimos fazer na velocidade que ele demanda. Engenharia não é um curso de curta duração e apenas 30% conseguem se formar no tempo mínimo de cinco anos”, destaca João Batista Santos de Assis, coordenador de Engenharia Civil no câmpus Coração Eucarístico. Segundo dados do Censo da Educação Superior, em 2010, Engenharia Civil tinha 108.202 estudantes matriculados, mas apenas 7.213 se formaram.

Foto: Divulgação

Câmpus da USP de São Carlos. Engenharia Civil na unidade é o curso mais concorrido da universidade

Evasão

A evasão é um problema enfrentado nos cursos de engenharia de instituições públicas e particulares. Hoje, apenas metade dos estudantes (em média, 55%) que ingressam nas graduações em engenharia conclui o curso. Para combater a evasão, o governo traçou um plano nacional para alavancar a área, com estratégias traçadas que incluem bolsas de estudo, parcerias com empresas privadas, capacitação de professores, atualização de currículos e projetos para atrair jovens talentos para a carreira.

Na USP e na PUC-Minas a desistência não tem sido comum em Engenharia. Quando aparecem vagas, são preenchidas pelos processos de transferência. “Estamos até recusando alunos, porque não existem vagas ociosas. No último processo de transferência, tivemos mais de 200 inscritos para apenas 12 vagas”, destaca Assis.

Veja a concorrência por Engenharia Civil nas universidades públicas de São Paulo:

USP – São Carlos

2012 – 1º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 3.136
Concorrência: 52,27
2011 – 5º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 2.191
Concorrência: 36,52

Unesp - Bauru

2012 – 3º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 3.138 inscritos
Concorrência: 52,3
2011 – 4 º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 2.112 inscritos
Concorrência: 35,2 cv

Unicamp

2012 – 3º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 3.791
Concorrência: 47,4
2011 – 4 º curso mais concorrido do vestibular
Inscritos: 2.910
Concorrência: 36,4

04 novembro 2011

Programa vai dar bolsas de estudo para atrair engenheiros

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/programa-vai-dar-bolsas-de-estudo-para-atrair-engenheiros/n1597350352925.html

Proposta da Capes para alavancar engenharias quer combater a evasão com reforço escolar e estímulos. Falta aval de ministérios
Priscilla Borges, iG Brasília 02/11/2011 07:00

Programas de monitoria e projetos de pesquisa podem ser a solução para diminuir os altos índices de evasão dos cursos de engenharia do País. Essa é a opinião do grupo de trabalho liderado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que traçou um plano nacional para alavancar a área. Hoje, apenas metade dos estudantes (em média, 55%) que ingressam nas graduações em engenharia conclui o curso.

As estratégias traçadas pela Capes incluem parcerias com empresas privadas; capacitação de professores, atualização de currículos e projetos para atrair jovens talentos para a carreira e, principalmente, ações de combate à evasão. “Não precisamos de instalações novas ou de professores. Precisamos é manter esses estudantes na universidade”, comenta o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Para isso, a Capes aposta em criar bolsas de estudo para alunos de pós-graduação atuarem como monitores na graduação – em instituições de ensino superior públicas e privadas – e para os próprios universitários em projetos de pesquisa. Além disso, quer que as empresas ofereçam cursos práticos aos calouros para que “coloquem a mão na massa” logo cedo e visitas guiadas a fábricas e obras, além de oferecer financiamento e mais bolsas a estudantes “notáveis” de instituições privadas.

A proposta é corrigir o que seriam as causas da evasão nas engenharias de acordo com o diagnóstico feito pela Capes da área: as falhas no ensino de matemática e ciências que vêm do ensino médio e a dedicação exigida durante a graduação. “O despreparo dos estudantes do ensino médio afeta o desempenho deles nos primeiros anos do curso, que ainda é difícil e exige muita dedicação do aluno”, diz o presidente da Capes.

Marcelo de Lima Arantes, 22 anos, já viu muitos colegas largarem a faculdade. Aluno do 8º semestre de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB), ele acredita que os candidatos entram no curso sem saber o que os espera. Muitas aulas teóricas de matemática e física e poucas matérias aplicadas de engenharia nos dois primeiros anos. “A gente sai da escola achando que sabe matemática, mas não sabe nada”, brinca.


Marcelo, Eduardo e Felipe viram muitos colegas largarem o curso de engenharia civil: curso é puxado
Prestes a se formar em civil, Felipe Berquó, 22 anos, defende que as disciplinas sejam mais contextualizadas à aplicação desses conteúdos teóricos na engenharia. Eduardo Freitas, 20 anos, acha que o currículo poderia ser mais enxuto, com menos disciplinas obrigatórias e mais optativas. Apesar das dificuldades, os rapazes estão animados com as perspectivas profissionais.

Marcelo, Felipe, Eduardo e as colegas Pétala Araújo, 21, e Mariana de Oliveira, 21, fazem ou já fizeram estágios durante o curso. Quem desistiu de trabalhar não foi por falta de oportunidades. “É muito difícil conciliar o estágio e os estudos. A maioria não se forma em cinco anos também por isso”, afirma Mariana. Pétala ressalta que as aulas não se restringem a um período do dia e as grades têm muitas matérias.

Na avaliação do presidente da Capes, a entrada precoce dos universitários no mercado de trabalho também contribui para aumentar os índices de abandono dos cursos. “Muitos alunos estão sendo tirados das universidades cedo por causa da demanda”, afirma. Guimarães defende que os estímulos à correção de deficiências de aprendizagem e à permanência dos jovens nas graduações em engenharia devem ser temporários. É preciso investir na educação básica, de acordo com ele.

O programa, que está “praticamente definido”, segundo Guimarães, ainda precisa do aval dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. O projeto precisa também de mais dedicação da própria Capes. Pelos cálculos do grupo de trabalho, se todas as estratégias fossem adotadas poderiam aumentar em 60% a quantidade de engenheiros formados no país em cinco anos, atingindo 77 mil profissionais. Para isso, seria necessário R$ 1,1 bilhão no período.


Felipe e os colegas têm ofertas de estágio em enganharia a todo instante, mas sofrem para conciliar aulas, estudos e trabalho

O presidente do órgão admite que não tem tido “tempo suficiente” para cuidar do programa, porque tem se dedicado muito ao Ciência Sem Fronteiras, projeto que prevê a concessão de bolsas de estudo no exterior. “Mas estamos discutindo parcerias com as dez melhores instituições dos Estados Unidos em engenharia para promover intercâmbios entre nossos estudantes”, conta.

Mercado aquecido

Antônio César Pinho Brasil Júnior, diretor da Faculdade de Tecnologia da UnB, reconhece que o mercado para os engenheiros está bastante aquecido. “Nos últimos quatro anos, todo mundo que se forma se insere rapidamente no mercado de trabalho, especialmente na construção civil”, afirma. Por conta disso, a pós-graduação de engenharia da UnB perdeu 30% dos candidatos formados na área. Sobrevive, basicamente, por interesse de outros profissionais.

Para o professor, o País tornar o investimento nas engenharias uma política de Estado. “Precisamos transformar as ideias em recursos para modernizar laboratórios, capacitar professores para lidar com essa nova geração. A dinâmica do investimento da área tecnológica e da burocracia estatal não é compatível”, ressalta. Brasil defende que os professores sejam mais ouvidos nesse processo.

Sérgio Queiroz, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não concorda que o número de engenheiros formados no País seja insuficiente para atender às demandas do mercado. Na avaliação do estudioso, o problema é formação desses profissionais. Ele aponta que poucas são as escolas que oferecem ensino de qualidade. “A evasão evidencia isso”, diz.

Queiroz ressalta que, hoje, a rede privada já é responsável pela formação de mais da metade dos engenheiros brasileiros. Entre elas, segundo ele, estão algumas das piores escolas. “As públicas têm melhores médias nas avaliações porque possuem os melhores alunos. Há um problema estrutural de formação dos estudantes, que precisa ser resolvido. Os investimentos têm de ser feitos no ensino médio”, ressalta.

Carlos Cavalcante, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), órgão do Sistema Indústria responsável pela captação de talentos no mercado para empresas e indústrias, lembra que a engenharia é fundamental na garantia de desenvolvimento do País. Por isso, merece atenção especial, segundo ele. Cavalcante admite que promover a formação de mais profissionais na área não é tarefa simples, mas ele acredita que o plano é um bom caminho.

Na opinião do superintendente, o ensino médio deve ser o foco das atenções. Para melhorar a qualidade do ensino na etapa final da educação básica, Cavalcante sugere a criação de programas para reforço do ensino de ciências e de matemática. Na universidade, ele defende a promoção de projetos de pesquisa em cooperação com indústrias e a criação de estágios. “Estamos muito interessados no tema, mas temos de esperar a definição do governo sobre o assunto”, pondera.

25 outubro 2011

A inversão de VALORES e a importância da engenharia

Milton Golombeck

Vivemos em uma sociedade na qual são valorizados predominantemente as
aparências e o glamour. Modelos, cantores, atores e atletas se sobrepõem,
com seus valores, a outros valores essenciais ao progresso da condição
humana e à melhoria da qualidade de vida. Mas o problema não é apenas
brasileiro; é fenômeno universal, com algumas raras exceções.
Mas não se pode esquecer que basicamente tudo o que utilizamos em nosso
dia a dia - meios de transporte, tais como rodovias, ferrovias, aeroportos,
edifícios residenciais, espaços para abrigar hospitais, escolas, centros
culturais etc., tudo isso são projetados pela inteligência de arquitetos e
engenheiros. A Engenharia, em meu entendimento, é a maior responsável
pelo progresso da humanidade em todos os campos do conhecimento
humano.
O futuro não depende das celebridades, muitas das quais alegram e
satisfazem o nosso dia a dia, mas, sim, dos cientistas, pesquisadores em
todas as áreas, tecnólogos e engenheiros que continuam a construir as
condições para um futuro melhor.
Na mesma semana em que os jornais, revistas e TVs gastaram páginas e
horas para mostrar e comentar as roupas e joias usadas na entrega do Oscar,
foi dado o prêmio Russ Prize - equivalente ao Nobel de Engenharia - para
os engenheiros Earl Bakken e Wilson Greatbatch. Contudo, nenhum
comentário apareceu na mídia a respeito disso. E essas personalidades,
foram os inventores do marca-passo. Graças a elas, atualmente mais de 4
milhões de pessoas estão vivas. São instalados mais de 400 mil marcapassos
por ano no mundo.
Na inauguração das grandes obras de Engenharia costumam aparecer as
autoridades eventualmente de plantão. Mas os nomes dos engenheiros e dos
projetistas que as projetaram e construíram, invariavelmente são
negligenciados e esquecidos. Quando muito, são divulgados nos nomes das
construtoras.
Nos folhetos de venda dos imóveis e coquetéis de lançamentos aparecem os
paisagistas, decoradores de interiores e imobiliárias. Mas não aparecem os
nomes das empresas de Engenharia envolvidas nos projetos de estruturas,
fundações e instalações. A Engenharia é encarada quase como um mal
necessário.
Só somos lembrados quando ocorrem catástrofes e acidentes em obras.
Nestas horas, todos querem identificar os engenheiros responsáveis. É
nossa, a responsabilidade de mudar este quadro, valorizando nossa
profissão, fazendo com que as conquistas da Engenharia sejam
reconhecidas e deixem de ficar em terceiro plano. Esta falta de
reconhecimento e valorização tem consequências diretas nas remunerações
dos serviços de Engenharia.
As imobiliárias, que não tem nenhuma responsabilidade pelas edificações,
nem pelo seu desenvolvimento, recebem 6% do valor geral de vendas
(VGV) enquanto todos os projetos de engenharia da obra somados
representam no máximo 2% do VGV. Pior: ninguém discute os gastos com
corretagem. Em compensação discutem os custos de projeto e das soluções
de Engenharia. Trata-se de uma total e absoluta Inversão de Valores!
Com o crescimento da economia no Brasil, cada vez mais a nossa profissão
será necessária. Com mais de 40 anos de atividade, passando por vários
planos econômicos, posso afirmar que escolhi a profissão ideal. Precisamos
de mais engenheiros e tecnólogos urgentemente. A valorização da profissão
fará com que mais estudantes se interessem em entrar num dos campos
mais desafiadores e gratificantes das atividades humanas: a Engenharia!
*Milton Golombek é presidente da Associação Brasileira de
Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica
(ABEG)

06 outubro 2011

Brasil sobe em ranking de tecnologia, mas escassez de talentos preocupa

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110926_ranking_tecnologia_mdb.shtml

O Brasil avançou no setor de tecnologia da informação, mas poderia ter crescido mais não fossem entraves como burocracia e deficit de especialistas, segundo um ranking realizado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisa e análises da revista The Economist.

Investimento em pesquisas e em infraestrutura ajudaram o país a galgar uma posição em relação a 2009, ocupando agora a 39ª posição no índice, feito pela Economist Inteligence Unit para a organização Business Software Alliance (BSA).

Tópicos relacionadosCiência e TecnologiaNo ranking, que mede principalmente a competitividade no setor, o Brasil está imediatamente atrás da China e muito à frente de outros países da América Latina, com exceção do Chile, que é o líder regional.

"O crescimento da pontuação brasileira na categoria 'pesquisa e desenvolvimento' foi a maior responsável tanto pela evolução na pontuação geral do Brasil, como em sua posição no ranking", disse à BBC Brasil o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru.

O país ocupa agora o primeiro lugar entre os países da América Latina neste quesito, que tem peso maior na pontuação e avalia investimentos públicos e privados, além do número de patentes e valor recebido por royalties em relação ao número de habitantes.

Segundo Caramuru, a nota brasileira saltou de 1,6 na primeira edição do estudo em 2007 para 21,2 na edição deste ano.

Crise de talentos

Alguns itens da categoria "capital humano" também ajudaram a impulsionar a posição brasileira. O número de formandos nas áreas de ciências e engenharia aumentaram, levando o país a ocupar o 8º lugar nessa classificação.

No entanto, o Brasil permaneceu estagnado no que diz respeito à qualidade de habilidades tecnológicas, gerando temores sobre a escassez de profissionais de tecnologia da informação (TI) qualificados para atender a demanda.

Para Caramuru, já se pode falar em uma crise de talento no mercado brasileiro de TI. "A avaliação aponta para a necessidade de um aprimoramento do currículo dos cursos de ciências da computação, bem como de um estímulo à essa opção de carreira entre estudantes", disse.

"Hoje estima-se que existam 90 mil vagas não preenchidas neste setor no Brasil, e uma projeção da FGV avalia que, em 2014, esse déficit pode chegar a 800 mil."

Morosidade

Progressos na "infraestrutura na tecnologia da informação" também trouxeram mais avanços que retrocessos para o cenário brasileiro. Entre os aspectos positivos está a ampliação da telefonia celular, cujo índice de penetração já ultrapassa os 100%.

Por outro lado, a morosidade na expansão da banda larga no país é citada como aspecto negativo, já que dificulta a absorção de serviços de TI.

Mas na hora de apontar culpados, o levantamento aponta o dedo principalmente para a burocracia brasileira, que freia a inovação e a implantação de TI no país.

Para Caramuru, a estrutura regulatória do país é um grande entrave. "Restrições para contratar e demitir são um empecilho especial para o setor de tecnologia e inovação, em que o mercado sofre mudanças constantes e no qual a agilidade de gestão é crucial para se manter a competitividade."

Brics

Barreiras como essas precisam ser vencidas rapidamente pelo Brasil, se o país quiser competir realmente com os países dos Brics.

Segundo o estudo, embora a Índia e a China estejam hoje no meio da lista de classificação (34ª e 38ª respectivamente), ambos ganharam terreno no ranking e tudo indica que devem subir mais posições nos próximos anos.

"Os Brics possuem vantagens de mão-de-obra menos custosas em relação a países desenvolvidos", afirma Caramuru.

"China e Índia, em relação ao Brasil, deram saltos maiores no ranking devido à quantidade de alunos matriculados em cursos de ciência e engenharia, bem como uma formação mais sólida em TI. Ambos os países estão no top 10 global no quesito capital humano."

Futuro

Entre muitos números e opiniões de especialistas da área, o ranking deixa pistas do que pode ser feito para avançar novas posições nos setores de tecnologia da informação.

Para o diretor da BSA, estimular a opção de estudantes pela área é fundamental. "Na Índia, dois terços dos estudantes universitários estão matriculados em cursos de ciências exatas e engenharia. No Brasil são apenas 14%."

A análise também mostra que formar estudantes com habilidades ou aptidões em TI é importante, mas já não é suficiente.

"Uma grade complementar voltada aos negócios é essencial para esses profissionais prosperarem e contribuírem de forma mais significativa com suas empresas."

Brasil sobe em ranking de tecnologia, mas escassez de talentos preocupa

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110926_ranking_tecnologia_mdb.shtml

O Brasil avançou no setor de tecnologia da informação, mas poderia ter crescido mais não fossem entraves como burocracia e deficit de especialistas, segundo um ranking realizado pela Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisa e análises da revista The Economist.

Investimento em pesquisas e em infraestrutura ajudaram o país a galgar uma posição em relação a 2009, ocupando agora a 39ª posição no índice, feito pela Economist Inteligence Unit para a organização Business Software Alliance (BSA).

Tópicos relacionadosCiência e TecnologiaNo ranking, que mede principalmente a competitividade no setor, o Brasil está imediatamente atrás da China e muito à frente de outros países da América Latina, com exceção do Chile, que é o líder regional.

"O crescimento da pontuação brasileira na categoria 'pesquisa e desenvolvimento' foi a maior responsável tanto pela evolução na pontuação geral do Brasil, como em sua posição no ranking", disse à BBC Brasil o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru.

O país ocupa agora o primeiro lugar entre os países da América Latina neste quesito, que tem peso maior na pontuação e avalia investimentos públicos e privados, além do número de patentes e valor recebido por royalties em relação ao número de habitantes.

Segundo Caramuru, a nota brasileira saltou de 1,6 na primeira edição do estudo em 2007 para 21,2 na edição deste ano.

Crise de talentos

Alguns itens da categoria "capital humano" também ajudaram a impulsionar a posição brasileira. O número de formandos nas áreas de ciências e engenharia aumentaram, levando o país a ocupar o 8º lugar nessa classificação.

No entanto, o Brasil permaneceu estagnado no que diz respeito à qualidade de habilidades tecnológicas, gerando temores sobre a escassez de profissionais de tecnologia da informação (TI) qualificados para atender a demanda.

Para Caramuru, já se pode falar em uma crise de talento no mercado brasileiro de TI. "A avaliação aponta para a necessidade de um aprimoramento do currículo dos cursos de ciências da computação, bem como de um estímulo à essa opção de carreira entre estudantes", disse.

"Hoje estima-se que existam 90 mil vagas não preenchidas neste setor no Brasil, e uma projeção da FGV avalia que, em 2014, esse déficit pode chegar a 800 mil."

Morosidade

Progressos na "infraestrutura na tecnologia da informação" também trouxeram mais avanços que retrocessos para o cenário brasileiro. Entre os aspectos positivos está a ampliação da telefonia celular, cujo índice de penetração já ultrapassa os 100%.

Por outro lado, a morosidade na expansão da banda larga no país é citada como aspecto negativo, já que dificulta a absorção de serviços de TI.

Mas na hora de apontar culpados, o levantamento aponta o dedo principalmente para a burocracia brasileira, que freia a inovação e a implantação de TI no país.

Para Caramuru, a estrutura regulatória do país é um grande entrave. "Restrições para contratar e demitir são um empecilho especial para o setor de tecnologia e inovação, em que o mercado sofre mudanças constantes e no qual a agilidade de gestão é crucial para se manter a competitividade."

Brics

Barreiras como essas precisam ser vencidas rapidamente pelo Brasil, se o país quiser competir realmente com os países dos Brics.

Segundo o estudo, embora a Índia e a China estejam hoje no meio da lista de classificação (34ª e 38ª respectivamente), ambos ganharam terreno no ranking e tudo indica que devem subir mais posições nos próximos anos.

"Os Brics possuem vantagens de mão-de-obra menos custosas em relação a países desenvolvidos", afirma Caramuru.

"China e Índia, em relação ao Brasil, deram saltos maiores no ranking devido à quantidade de alunos matriculados em cursos de ciência e engenharia, bem como uma formação mais sólida em TI. Ambos os países estão no top 10 global no quesito capital humano."

Futuro

Entre muitos números e opiniões de especialistas da área, o ranking deixa pistas do que pode ser feito para avançar novas posições nos setores de tecnologia da informação.

Para o diretor da BSA, estimular a opção de estudantes pela área é fundamental. "Na Índia, dois terços dos estudantes universitários estão matriculados em cursos de ciências exatas e engenharia. No Brasil são apenas 14%."

A análise também mostra que formar estudantes com habilidades ou aptidões em TI é importante, mas já não é suficiente.

"Uma grade complementar voltada aos negócios é essencial para esses profissionais prosperarem e contribuírem de forma mais significativa com suas empresas."

10 julho 2011

USP ganha novo campus em Santos

Engenharia de Petróleo, especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola e mestrado em Sistemas Logísticos ocuparão a sede

iG São Paulo | 10/07/2011 09:01

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Texto:

A cidade de Santos terá, já a partir de 2012, um novo campus da Universidade de São Paulo. A sede será instalada no bairro Vila Mathias, na área que abriga o imóvel onde funcionava a escola estadual Cesário Bastos e o galpão da garagem municipal, cedido pela prefeitura da cidade. A adaptação dos imóveis deverá ser feita pela própria universidade.

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A previsão é de que já em 2012 o campus seja utilizado para abrigar as aulas do curso de Engenharia de Petróleo, que vai ser transferido da sede Cidade Universitária, em São Paulo, para Santos. O objetivo é atender à demanda por profissionais especializados em petróleo e gás gerada pelas instalações da Petrobras para a exploração do petróleo da camada pré-sal na Bacia de Santos. Além da implantação do novo campus universitário, o acordo prevê a integração da USP ao Parque Tecnológico e a implementação do Instituto Oceanográfico no Porto de Santos.

Também vão funcionar no local a nova especialização semipresencial em Ética, Valores e Cidadania na Escola, direcionada a professores com curso superior, coordenadores pedagógicos e gestores de ensino, e o e o mestrado em Sistemas Logísticos.

27 junho 2011

USP cria três novos cursos de Engenharia

Engenharia, o motor do Progresso ;)

O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) aprovou mais três cursos no campus de Lorena e a transferência de um quarto de São Paulo para Santos, todos na área de engenharia. Com isso, o vestibular da Fuvest para o próximo ano deverá oferecer mais 120 vagas. Falta uma última aprovação do Conselho Universitário que tende a seguir a mesma linha na próxima semana.

Em Lorena, devem ser inaugurados em 2012 as engenharias Ambiental, de Produção e Física, cada uma com 40 vagas iniciais.

Em Santos, um prédio do governo do Estado de São Paulo deve abrigar os alunos de Engenharia de Petróleo, que hoje funciona na sede da instituição, no Butantã. O objetivo é atender à demanda por profissionais especializados em petróleo e gás. Também há negociações para transferir para a baixada santista as carreiras de de Logística e Oceanografia.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, discute parcerias para viabilizar cursos na região e tenta convencer o reitor João Grandino Rodas a instalar unidades no litoral. "A Baixada terá um dos maiores crescimentos econômicos do País nos próximos anos."

Fuvest com mais vagas

No começo do ano, a USP já havia aprovado dois novos cursos: Ciências Biomédicas e Saúde Pública, ambos com 40 vagas. As novas carreiras têm alta demanda de mercado. A concorrência por engenharias dobrou nos últimos dois anos.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/usp+cria+tres+novos+cursos+de+engenharia/n1597040967828.html

11 abril 2011

Brasil forma três vezes menos engenheiros que países ricos

As áreas preferidas de formação dos estudantes brasileiros no ensino superior são ciências sociais, negócios, direitos e serviços (37,1%) e humanidades, artes e educação (29,3%).

É o que mostra levantamento feito pelo especialista em análise de dados educacionais, Ernesto Faria, do portal Estudando Educação, a partir de relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os números apontam que o Brasil forma quase três vezes menos engenheiros do que os países desenvolvidos que fazem parte do grupo.

O estudo reuniu dados sobre 36 países. Entre todos eles, o Brasil tem o menor percentual de formandos em engenharia, indústria e construção: 4,6% do total, enquanto entre os países da OCDE a média é de 12%. Na Coreia do Sul e no Japão, por exemplo, os formandos nessas áreas respondem por 23,2% e 19% do total, respectivamente. O outro país latino-americano incluído na pesquisa, o Chile, tem 13,7% de titulados nessa área do total de concluintes.

O secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, afirma que a pasta já trabalha para mudar esse quadro. Uma “sala de situação” está mapeando - junto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e outros órgãos do governo - quais áreas do conhecimento, inclusive as engenharias, precisarão ter um aumento no número de profissionais formados para atender as demandas do país nas próximas décadas.

“Com a expansão do Reuni [Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, lançado em 2007], dobramos a matrícula nos cursos de engenharia. Então, no horizonte de uns cinco anos, já teremos uma mudança porque os concluintes vão aumentar muito. Mas, independentemente disso, temos que avançar mais. Estamos levantando a demanda estado por estado e as necessidades de cada especialidade”, explica Costa.

Segundo o secretário, o diagnóstico deve ficar pronto nos próximos dois meses. Preliminarmente, ele aponta a engenharia naval como uma das áreas em que será necessário grande esforço. O plano será apresentado às instituições, mas elas têm autonomia para decidir onde preferem investir.

“Estamos fazendo uma projeção até 2050 porque precisamos ter uma visão estratégica do que o país precisa. O Estado vai agir como um tutor, respeitando a autonomia das universidades. Será um trabalho de convencimento, mostrando esses resultados. Em alguns casos, se for do interesse do governo, podemos propor editais”, afirma.

Mas aumentar o número de vagas e estimular a matrícula dos alunos em cursos específicos não será suficiente para melhorar o quadro. Outro problema que precisa ser atacado é a alta evasão das engenharias. “Dos mais de 100 mil que entram, saem 35 mil”, aponta o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros, Murilo Pinheiro. A entidade tem um projeto para estimular a entrada dos estudantes do ensino médio nos cursos e melhorar a qualidade da formação. Ele avalia que o cenário está evoluindo. A previsão é que 50 mil se formem em 2011 e o ideal, segundo ele, seria chegar a 80 mil titulados anualmente.

“Havia muita evasão porque o curso é difícil e as oportunidades de trabalho eram pequenas, os alunos não tinham estímulo para terminar. Hoje a gente começar a ter uma outra visão porque os estudantes começam a trabalhar ainda na faculdade e já saem empregados em função do crescimento do país”, avalia.

Para reduzir o abandono, é importante ainda melhorar a qualidade do ensino médio para que os alunos consigam acompanhar o curso sem dificuldade. Pinheiro conta que algumas instituições têm gastado algum tempo, no início da graduação, para reforçar os conteúdos que os alunos deveriam ter aprendido na educação básica em áreas como matemática. Costa admite que é preciso otimizar o fluxo. “O problema precisa ser trabalhado internamente nas universidades”, diz.

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