13 dezembro 2011
Tiririca preside sessão da Comissão de Educação
Nove meses depois de chegar à Câmara como o deputado mais votado do País, Francisco Everardo Oliveira e Silva (PR-SP), vulgo palhaço Tiririca, fez hoje sua "estreia" no Congresso. Alternando expressões como "beleza pura", "maravilha, garoto" e "legal", Tiririca presidiu por quase três horas sessão da Comissão de Educação e Cultura que fez audiência pública para discutir a concessão de alvarás para instalação de circos nas cidades.
E leu em público sua maior frase: "Ignácio Kornowski, coordenador da área técnica de desenvolvimento da cultura da Confederação Nacional dos Municípios", balbuciou tropegamente Tiririca, que aproveitou para fazer graça com o sobrenome do convidado. "Kornowski, Kornowski", repetiu, entre risos, brincando com a pronúncia abrasileirada "cornóvisque".
Durante a fala dos convidados, o deputado aproveitou para folhear papeis que simulava ler baixinho, deixando perceptível o abrir e fechar dos lábios, como escandindo sílabas. A performance de Tiririca à frente da Comissão contou com a ajuda de um discreto funcionário da Câmara que, a todo instante, soprava nomes de convidados e de artistas presentes à sessão. Depois de fazer um stand up comedy com os melhores momentos de sua vida, o ex-dono de circo leu um papel com os nomes dos convidados para integrar a mesa de debates da Comissão.
Por meia hora, Tiririca contou para uma plateia de artistas circenses passagens de sua vida, como na época em que fazia animação na casa de "meninos ricos" e aproveitava para dar "uns cascudos" na criançada . Entre gracejos e piadas, ele confessou que decidiu disputar uma cadeira na Câmara para ganhar uma publicidade gratuita. Afirmou esperar ter "uns cinco mil votos" nas eleições. "Me surpreendi com a votação que tive", reconheceu o autor do hit brega Florentina de Jesus.
Ele admitiu que cogitou desistir de assumir a cadeira na Câmara diante da pressão para provar que sabia ler e escrever. "Mas fui para o teste e graças a Deus, tudo deu certo", comemorou. Tiririca revelou que, nos primeiros três meses de mandato, se sentia um peixe fora d''água na Câmara. "Mas hoje estou tranquilo. Dou um baile aqui", garantiu.
No fim da sessão, Tiririca defendeu a regras diferenciadas para a matrícula de filhos de artistas circenses nas escolas. E fez questão de dizer que, quando pequeno, teve professora particular no circo que era de propriedade de sua mãe. "Eu estudei assim. Como a minha família tinha posses, a minha mãe contratou uma professora particular que acompanhava o circo e dava aula para a gente", disse.
29 outubro 2011
Tiririca vai destinar R$ 3 mi em emenda parlamentar à Cultura
O deputado Tiririca (PR-SP) pediu audiência com Andrea Matarazzo, secretário da Cultura de São Paulo, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na Folha deste sábado (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Avisou que vai destinar R$ 3 milhões em emenda parlamentar à área.
Leia mais na edição da Folha deste sábado, que já está nas bancas.
27 junho 2011
PR escala Tiririca para propaganda de TV contra nepotismo
DANIEL RONCAGLIA
DE SÃO PAULO
Deputado federal mais votado das eleições do ano passado, Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), foi escalado por sua legenda para estrelar as inserções partidárias exibidas na televisão e rádio.
Na peça de 30 segundos, Tiririca diz que já está aprendendo o que faz um deputado graças ao PR.
"Por exemplo, um deputado federal não pode empregar sua família. Por isso, pai, continue catando latinha. Mãe, continue lavando roupa pra fora", diz Tiririca, ao lado de ambos. "Não pode contratar família", completa.
O deputado ainda afirma que não trabalha vestido de palhaço. "Lá o negócio é sério."
No ano passado, Tiririca disse durante o horário eleitoral que precisava de eleger para ajudar os mais necessitados, inclusive os de sua família. Em outra peça, ele aparecia ao lado dos pais para pedir voto. "Todo mundo está mostrando a sua família", ironizava.
As inserções semestrais do PR começaram a ser exibidas no dia 23 e devem ir ao ar até a próxima quinta-feira (30).
O deputado também participa de propaganda sobre educação. Nela, ele pede que as crianças não deixem de estudar.
Em seu site, o partido critica o preconceito contra Tiririca e diz que ele "assumiu papel importante contra a evasão escolar".
http://www1.folha.uol.com.br/poder/935729-pr-escala-tiririca-para-propaganda-de-tv-contra-nepotismo.shtml
02 abril 2011
Tiririca já paga resort com dinheiro público
E esse é só o começo. O custo de eleger criaturas como essas é muito maior que esse.
Deputado apresentou à Câmara pedido de reembolso de R$ 660 por hospedagem em Fortaleza (CE), a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral
BRASÍLIA - Com apenas dois meses de mandato como deputado, o palhaço Tiririca (PR-SP), eleito por São Paulo, já usou o dinheiro da Câmara num resort em Fortaleza (CE), capital de seu Estado natal, que fica a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral. Ele apresentou à Câmara em março o pedido de reembolso de notas fiscais de R$ 660 de hospedagem e R$ 311 de alimentação no Porto d’ Aldeia Resort, hotel que fica em meio a dunas, com piscina e vista para o mar na capital cearense.
O ato n.º 43 de 2009 da Câmara dos Deputados é claro sobre a utilização da cota parlamentar que cada deputado tem direito para efetuar despesas relacionadas com o desempenho do mandato. Por ser representante do eleitorado paulista, Tiririca recebe cerca de R$ 27 mil mensais de benefício, além do próprio salário.
Segundo a norma interna, essa verba extra deve ser "destinada a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar".
O gerente do resort, Décio Girão, confirmou ao Estado a presença de Tiririca como hóspede há cerca de duas semanas. A diária do hotel custa, no mínimo, R$ 165 - a despesa com hospedagem ficou em R$ 660.
Noticiário da imprensa local informou que, entre 19 e 21 de março, Tiririca esteve em Fortaleza para visitar parentes.
01 abril 2011
Tiririca emprega os amigos humoristas, que ficam em SP, com salário de R$ 8 mil
BRASÍLIA - Deputado mais votado do Brasil, com 1,3 milhão de votos, o palhaço Tiririca (PR-SP) usa dinheiro da Câmara para empregar humoristas do programa A Praça é Nossa. Em 23 de fevereiro, foram nomeados como secretários parlamentares os humoristas José Américo Niccolini e Ivan de Oliveira, que criaram os slogans da campanha eleitoral do deputado. Ambos recebem o maior salário do gabinete, de até R$ 8 mil, somadas as gratificações.
Niccolini é presença semanal na TV com o personagem Dapena, uma sátira do apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena. No ano passado, durante as eleições, o humorista foi protagonista de um quadro cômico que interpretava os então candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).
Os humoristas nomeados por Tiririca moram em São Paulo e não cumprem expediente diário como servidores da Câmara - até porque Tiririca não tem escritório político na capital paulista. Niccolini e Oliveira ajudaram a fazer dois dos slogans principais da campanha: "Vote no Tiririca, pior do que está não fica" e "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto".
Ideias. Procurado pelo Estado, Niccolini justificou a sua contratação na Câmara com a seguinte frase: "A gente é bom para dar ideias". "Ele (Tiririca) escolheu a gente porque ajudamos na campanha, só por isso. Porque acredita que podemos dar boas ideias."
Os dois secretários parlamentares de Tiririca fazem parte do grupo de humor Café com Bobagem, que, entre outras coisas, tem parceria com o A Praça é Nossa, programa da emissora SBT, onde conheceram o palhaço há dez anos. Por sinal, é no escritório do Café com Bobagem, em São Paulo, e não num lugar ligado ao mandato de Tiririca na Câmara, que os humoristas contratados trabalham diariamente.
Questionado pela reportagem sobre o valor pago na campanha eleitoral por terem criado os slogans, Niccolini foi irônico: "Uns 100 milhões de dólares para cada um; pouquinho".
Segundo a prestação de contas de Tiririca à Justiça Eleitoral, a empresa do grupo, T.R.E. Entretenimento Ltda., recebeu R$ 10 mil pelo serviço.
Comunicação. Procurado pelo Estado, Tiririca informou, por intermédio da assessoria de imprensa, que contratou os dois humoristas para ajudá-lo no mandato parlamentar.
"O deputado Tiririca nomeou os assessores levando em conta o critério de conhecê-los pessoalmente e também o fato de serem dois comunicadores que vão colaborar e desenvolver trabalhos dentro da temática que o deputado atua."
Nesta sexta-feira, 1º de abril, completam dois meses desde que Tiririca tomou posse. Campeão de votos em 2010, é o segundo mais votado da história - perde para Enéas Carneiro, que disputou pelo Prona.
Por enquanto, Tiririca não apresentou nenhum projeto de lei nem fez discurso na tribuna do plenário.
Erro no voto. Na sessão mais importante até agora, a votação do salário mínimo, o deputado disse que se confundiu e votou errado, contrário ao governo: apoiou o valor de R$ 600, quando, de acordo com orientação partidária, deveria votar pelos R$ 560 aprovados pela maioria.
Tiririca foi indicado pelo PR para a Comissão de Educação e Cultura. "Deu para entender legal", disse, após a primeira reunião do colegiado.
No fim do ano passado, após ser eleito, envolveu-se numa polêmica com o Ministério Público, que contestou sua candidatura sob alegação de que ele seria analfabeto. O deputado foi submetido a dois testes - de leitura e escrita -, por exigência do Ministério Público, e conseguiu provar que não é analfabeto. Ele teve que ler em voz alta e escrever um ditado. O palhaço obteve uma vitória na Justiça, que não viu elementos para prejudicar sua posse.
Brechas. A falta de um controle rigoroso de frequência dos funcionários do Congresso sempre abriu brecha para nomeações de amigos e parentes de parlamentares. Com a súmula antinepotismo do Supremo Tribunal Federal, em 2008, proibiu-se o emprego de familiares e os cargos de confiança passaram a ser ocupados cada vez mais por pessoas próximas de deputados e senadores.
Os parlamentares não abrem mão desses cargos de livre nomeação, apesar de terem um quadro de servidores de carreira à disposição. A possibilidade de empregarem assessores nos Estados é um espaço para que os funcionários virem cabos eleitorais regionais sem qualquer fiscalização. O ex-senador Efraim Morais (DEM-PB), por exemplo, foi acusado de nomear pelo menos 52 senadores em seu Estado, na Paraíba, a maioria fantasma.