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20 novembro 2011

Justiça bloqueia bens de cunhado de Alckmin por fraude em merenda

A Justiça Federal de São Paulo bloqueou os bens do cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) por suposta fraude da merenda escolar em Pindamonhangaba (140 km da capital). A decisão é da juíza Carla Cristina Fonseca Jório, da 1ª Vara Federal de Taubaté.

Além dos bens de Paulo César Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin, a decisão do processo bloqueou os bens de mais oito pessoas, entre eles o prefeito da cidade, João Antonio Salgado Ribeiro (PPS), e de seis empresas.

Ribeiro é acusado de comandar um esquema de fraude de licitações dentro da Prefeitura de Pindamonhangaba. Gustavo Badaró, advogado de Ribeiro informou que seu cliente ainda não foi notificado sobre o bloqueio.

"Volto a afirmar que ele é inocente. E acho importante destacar que os valores da licitação investigada é de cerca de R$ 5 milhões e Justiça quer cobrar R$ 50 milhões de cada um dos 18 réus. Acho os valores excessivos e acredito que não haja necessidade de bloqueio de bens porque não há informação de que eles [os réus] dilapidem do erário."

O prefeito João Antônio Salgado Ribeiro (PPS) também é acusado pelo Ministério Público de fazer parte do esquema, por ter nomeado para a Secretaria da Fazenda uma pessoa supostamente indicada por Ribeiro.

A nomeação seria uma contrapartida pela ajuda que o cunhado de Alckmin deu ao prefeito durante a campanha eleitoral de 2004 --segundo o Ministério Público, Ribeiro foi responsável pelo recolhimento de doações ilegais. Segundo o processo, o prefeito deixou de tomar medidas concretas para punir os supostos envolvidos nas denúncias.

O departamento de comunicação da Prefeitura de Pindamonhangaba informou que o prefeito não tem qualquer relação com o Paulo César Ribeiro e que ele nunca fez parte do quadro de funcionários da campanha eleitoral de 2008, nem de servidores da cidade, na gestão de João Antônio.

O advogado pessoal do prefeito, Silvio Salata, nega o envolvimento dele no caso e diz que vai recorrer da decisão do bloqueio de bens. "Não existe prova que demonstre qualquer vínculo do prefeito no caso. Não há provas de que ele tenha tido benefício próprio ou indireto."

Salata informa que o secretário de finanças à época, Silvio Serrano, foi exonerado antes de o inquérito ser aberto. "O prefeito tomou providências imediatas quando soube da fraude. Ele exonerou o secretário e abriu sindicâncias que investigam o caso para apurar as responsabilidades."

30 março 2011

Dinheiro de merenda era usado para pagar ração e uísque em AL

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SÍLVIA FREIRE
DE SÃO PAULO

Dinheiro público que deveria ser usado para a merenda escolar em municípios do interior de Alagoas foram desviados para a compra de uísque e ração para cachorro. A suspeita é resultado de uma investigação conjunta entre Ministério Público Federal, Controladoria Geral da União e Polícia Federal em nove municípios do Estado.

A estimativa é que em dois anos tenham sido usados indevidamente R$ 8 milhões em recursos federais destinados à merenda.

A PF (Polícia Federal) deflagrou na madrugada desta quarta-feira uma operação para cumprir 16 mandados de prisão temporária e 28 de busca e apreensão nas prefeituras de Girau do Ponciano, Poço das Trincheiras, Estrela de Alagoas, Senador Rui Palmeira, Belo Monte, Limoeiro de Anadia, Lagoa da Canoa, Traipu e Craibas.

Entre os presos estão ex-prefeitos, primeiras-damas e parentes de prefeitos que ocupam cargos nas administrações municipais, além de gestores públicos. A PF não divulgou o nome dos suspeitos. Todos os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Arapiraca (AL). Nenhum prefeito está entre os presos. A competência para investigá-los é do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife.

Segundo José Godoy, procurador da república em Arapiraca (122 km da capital), há suspeita de que o dinheiro desviado tenha sido usado também para pagar as compras semanais na casa dos suspeitos.

"Essa operação denota uma cultura muito nefasta de alguns gestores, de tratar a coisa pública com se fosse bens privados", disse Godoy. 'Usam o dinheiro da merenda para fazer as compras diárias da casa e de artigos de luxo.'"

Durante as investigações, crianças de escolas visitadas disseram que só tinham biscoito para comer. Em outras, só havia merenda para os primeiros 15 dias do mês. Nos demais, as crianças não comiam.

Segundo o procurador, o quadro encontrado nas escolas em relação à quantidade e qualidade dos alimentos oferecidos às crianças não batia com as notas fiscais nem com as licitações feitas pelas prefeituras para compra de merenda.

A operação realizada hoje é uma continuação de uma ação realizada em outubro de 2010, na qual sete pessoas foram presas suspeitas de fraudes nas licitações de merenda no Estado.

Segundo o procurador, os documentos apreendidos e os depoimentos obtidos após a primeira operação mostraram que as possíveis irregularidades iam além da fraude em licitações e abrangiam também desvio de dinheiro.