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08 dezembro 2011

Pré-Sal deve financiar fundo de educação, defende economista

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares defende que o dinheiro do petróleo das reservas do pré-sal seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Ela propõe ainda uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988. "Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada", afirma.

A economista Maria da Conceição Tavares tem 81 anos e adquiriu o direito de falar tudo o que pensa. E está longe de fazer isso com moderação. Na última segunda, em seminário promovido pelas fundações Perseu Abramo, do PT, Leonel Brizola, do PDT, Maurício Grabois, do PCdoB e João Mangabeira, do PSB, ela estava na primeira mesa, debatendo a crise mundial e os caminhos para o Brasil nesse momento histórico conturbado, que atingiu em cheio os países mais ricos. Com um pequeno intervalo para o almoço, foi para a primeira fila da plateia, com direito a intervir quando achava necessário nas exposições dos que a sucederam - muitos deles, seus ex-alunos na Unicamp, como Ricardo Carneiro e Marcio Pochmann.

Não é incomum, todavia, que esteja dialogando com ex-alunos, corrigindo-os ou emitindo juízos de valor sobre eles. A presidenda Dilma Rousseff também passou pelos bancos da Unicamp. "Foi uma aluna brilhante", comentou no intervalo do evento, em uma entrevista exclusiva à Carta Maior.

Conceição, de origem portuguesa mas brasileiríssima, traz de Portugal o sotaque, ao qual incorporou a informalidade brasileira. Nesse arranjo linguístico, moldou uma linguagem dramática, onde os palavrões são imprescindíveis para fazer o interlocutor entender a gravidade do que está falando. Foi no estilo Conceição que falou à Carta Maior, sem evitar qualquer tipo de controvérsia.

"Deus me livre do Pré-Sal", disse, no seminário. E depois explicou: os países exportadores de petróleo acharam que estavam deitados em "berço esplêndido" e não fizeram mais nada. Como na Venezuela. "O homem que está lá [Hugo Chávez] fez um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico". Defende que o dinheiro do petróleo seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Aliás, ela propõe uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988, uma vitória das esquerdas que brigaram pelo fortalecimento de outras instâncias federativas por acharem que esse era um antídoto à tradição antidemocrática do Estado brasileiro. "Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada."

Petista desde sempre, a economista afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bom nas políticas sociais que empreendeu em seu mandato, na política de relações exteriores e exerceu o poder dentro de uma fortet noção de soberania, mas não foi nada bom na economia. No começo, diz ela, Lula não tinha outra alernativa a não ser fazer uma política econômica ortodoxa. Mas depois "deu muita confiança para o Palocci e para aquele presidente do Banco Central". Dilma ganha nessa, porque tem uma equipe melhor e sabe o que está fazendo. Conceição também faz menção especial às "mulheres do Planejamento" -- não apenas à ministra Deise Hoffman, mas a subsecretárias que, na sua visão, são "mulhres duras". Abaixo, a íntegra da entrevista da economista à Carta Maior.

CARTA MAIOR: Na sua exposição, a senhora disse que `Deus me livre do Pré-Sal'. Por que o Pré-Sal pode ser tão ruim?

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: País exportador de petróleo é um desastre total. Nenhum país que fez isso deu certo. Os países exportadores de petróleo se deram mal completamente. Veja México, Rússia e Venezuela. O petróleo é uma commmoditie muito instável, muito sujeita a especulações no mercado futuro. E como é muito lucrativo, o país reinveste e não faz mais nada, senão petróleo. Veja, por exemplo, a Venezuela. O homem que está lá [Hugo Chávez] há tantos anos, o que ele fez? Um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico. E a Rússia, tem o quê? Tem petróleo e armas -- e isso não é muito legal.

Não estou dizendo que não se exporte petróleo, mas que não se fique nadando na riqueza petrolífera e que não deite em cima dela. Não acho que é um berço esplêndido. Não se pode deixar o petróleo contaminar as expectativas. O pessoal começa só a pensar em petróleo e não faz mais nada.

CARTA MAIOR: Não achar que é a loteria, né?

CONCEIÇÃO: Todos os países que têm petróleo acharam que ganharam a loteria.

CARTA MAIOR: Como se faz para prevenir isso?

CONCEIÇÃO: Primeiro, não exportando apenas o petróleo bruto. Tem que fazer a cadeia toda: petroquímica, fertilizantes etc. E, ao mesmo tempo, fazer um fundo federal de petróleo para dar conta pelo menos da Educação e Saúde -- e talvez Ciência e Tecnologia. Mas não se pode polvilhar o fundo. Não adianta ficar picando o fundo porque isso não resolve nada.

CARTA MAIOR: A briga federativa em torno do Pré-Sal, então, não é boa.

CONCEIÇÃO: Não, não é boa, simplesmente porque espatifa os recursos.

CARTA MAIOR: Os Estados impõem dificuldades a uma política nacional de desenvolvimento?

CONCEIÇÃO: Impõem, mas não podem impor. A Petrobras é uma empresa estatal, federal, e o governo federal não pode topar e permitir que cada um faça o que lhe dá na telha. Não dá para disputar os recursos todos. Isso não vai adiantar nada. O que a gente faz com o dinheiro dos royalties aqui [no Rio]? Nada. O que as prefeituras com recursos do petróleo fizeram? Nada. Jogam fora os recursos em gastos correntes e ninguém sabe no quê. Não deram prioridade à Educação ou à Saúde. Espatifar o fundo não pode. O fundo é federal, e os Estados e Municípios não dão conta de fazer nada. É preciso que se faça políticas federais de Educação e Saúde, agora mais orientadas estrategicamente. Senão não resolvemos essa brecha maldita que temos aí.

CARTA MAIOR: Os Estados e os municípios fracassaram como agentes de políticas de Educação e Saúde?

CONCEIÇÃO: Fracassaram. Os caras não pagam nada. Essa é uma ideia que veio erradamente, de que a descentralização melhorava a democracia. A esquerda tinha aquela ideia maluca de que um governo federal forte era coisa da ditadura, e quis desmontá-lo. E daí a descentralização.Mas a realidade é que o município não consegue gastar nem o que devria gastar nessas políticas. O estado em que se encontra nossa Saúde é uma vergonha. É uma vergonha o Estado em que estão nossos hospitais. Os Estados pegaram os hospitais federais e teve que voltar a ajudá-los, serão seria um descalabro. Tem que dar uma ajeitada na governabilidade, na gestão, na orientação estratégica do SUS e da Eucação. Essa ideia de que o ensino fundamental e o secundário não dizem respeito ao governo federal é uma besteira. Os Estados e municípios sequer pagam nem aos professores, e a primeira política para melhorar a educação é pagar bem osprofessores. Treiná-los e pagá-los bem.

CARTA MAIOR: O governo federal desempenharia melhor essa função?

CONCEIÇÃO: Mas é evidente. Os programas estaduais e municipais de saúde não prestam para nada. É fundamental que a Saúde não seja estadualizada ou municipalizada. Pelo menos os hospitais de referência e as redes integradas de Saúde não podem depender dos prefeitos.

CARTA MAIOR: E a política de desenvolvimento e industrialização, como se faz?

CONCEIÇÃO: Tem que fazer um monte de coisas. Tem que fazer Ciência e Tecnologia, tem que fazer o PAC, que é o programa de infraestrutura, mas com encomendas do setor público para integrar as cadeias. Tem que forçar a barra em cima das multinacionais automobilísticas, de eletroeletricos, fármacos e química fina para que aumentem o coeficiente de nacionalização, que está muito baixo. E tem que olhar um pouco esse câmbio, que está muito ruim. Mas tem que olhar o câmbio com cuidado. Não se pode simplesmente fazer uma maxidesvalorização, pois isso seria provocar um choque inflacionário. Isso tem que ser progressivo: você baixa os juros e o câmbio vai subindo.

CARTA MAIOR: Existe um piso para os juros? É possível reduzir muito os juros com a poupança indexada?

CONCEIÇÃO: Pode baixar os juros o tanto que você quiser. O juro não é para a poupança, mas para a especulação e para o rentismo. A poupança é para os pobres. Não é possível manter uma taxa de juros tão disparatada quanto a nossa.Assim é impraticável. Uma maneira de combater o défici público é baixar os juros. Praticamente todo o déficit do Brasil é com juros. Nós temos superávit primário. O déficit nominal é todo resultante de juros. Tem que baixar. Estamos numa situação de ampla liquidez mundial e com taxas de juros mundiais praticamente a zero.

CARTA MAIOR: Que chances o Brasil tem de sair melhor dessa crise mundial?

CONCEIÇÃO: Boas. Essa crise tem uma coisa ruim, talvez seja mais pesada porque é mais prolongada. Mas temos um mercado interno grande em crescimento, o governo está fazendo uma política correta de salário mínimo, porque ela tem puxado os de baixo. As chamadas novas classes médias resultam do fato de que o grosso das remunerações dos salários no país estão em torno do mínimo. No governo Lula, houve um aumento de 60% no mínimo, o que resultou num aumento cavalar do poder de compra.

O poder aquisitivo do salário mínimo tem que ser mantido. Não me venham com essa história de que a Previdência vai ter problemas, porque isso é bobagem. A Previdência vai ter problemas quando terminar a folga demográfica, o que vai acontecer só daqui a 10, 18 anos. Esse é um problema da distribuição de renda que é muito importante para o desenvolvimento.

CARTA MAIOR: E a balança comercial?

CONCEIÇÃO: Tem que forçar a barra das multinacionais. Elas estão abindo e importando. Claro que também tem o câmbio, que precisa ser mexido, mas isso não basta. Como eles estão mal, em crise, querem exportar para cima da gente. Daí começa uma invasão de importados que pode piorar o mercado. O cenário externo, desse ponto de vista, pode piorar a situação externa. A gente tem que ficar atento. E tem que estimular o investimento privado na cadeia produtiva porque o investimento público está indo bem.

CARTA MAIOR: O período que o país está vivendo tem paralelo em nossa história?

CONCEIÇÃO: Não tem nada parecido com isso, pois passamos anos e anos, antes disso, em hiperinflação.

CARTA MAIOR: Qual a avaliação que a senhora faz do governo Dilma?

CONCEIÇÃO: O Lula, no começo de seu governo, dadas as condições do país, foi de fato obrigado a fazer uma política econômica ortodoxa, mas depois ele deu uma confiança muito grande para o Palocci e aquele cara do Banco Central, que era um conservador de marca maior. Aí ele fez mal. Lula é muito bom para a política social, para a política externa, na ideia de soberania, mas essa coisa de economia ele não dá muita bola. A Dilma tem uma boa equipe econômica, inclusive as mulheres do Planejamento - aquelas mulheres são duras pra burro. Elas é que estão tocando a braços o PAC. Tem uma quantidade de mulheres duras nas subsecretrias que eu vou falar.

CARTA MAIOR: Na economia, então, Dilma está ganhando?

CONCEIÇÃO: Existe mais capacidade gerencial no Ministério do Planejamento e maior preocupação em fazer uma macroeconomia mais favorável ao crescimento, mais preocupação com o planejamento a longo prazo, e mais preocupação em fazer uma política econômica mais favorável ao crescimento. Essa é a diferença. O resto não tem diferença nenhuma.

CARTA MAIOR: A impressão que dá é que tem uma equipe econômica mais coesa, não é?

CONCEIÇÃO: É, pois é.

CARTA MAIOR: No governo Lula você tinha a política econômica de um lado e a política monetária de outro, é isso?

CONCEIÇÃO: É isso. Porque a presidenta é uma economista e uma gerentona. Nós temos uma presidente que é do ramo, e isso ajuda para burro. Eu sei porque ela foi minha aluna, ela é um brilho, ela é brilhantíssima. Além de ser firmona. Eu estou otimista, claro, frente à desgraça mundial. Eu posso estar nadando de braçada não estando, não é? Este ano, podemos chegar a 3% de crescimento, no ano que vem também não deve dar muito, mas você encaminhando os eixos estruturais do desenvolvimento, você tem condições de enfrentar bem a crise e ficar mais autônoma. E depois tem todos os recursos naturais, a possibilidade de fazer energia limpa etc.


19 novembro 2011

Pesquisa da Unicamp sugere coleta de energia do ar


Metais poderiam ser usados para captar energia em ar úmido. Outros cientistas discordam sobre mecanismo

BBC Brasil



Foto: Getty Images

A tentativa de captar energia elétrica a partir do ar é objeto de polêmica

Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) dizem ter encontrado um mecanismo para coletar energia elétrica do ar úmido.

O coordenador do estudo, Fernando Galembeck, apresentou a descoberta em uma reunião da Sociedade Americana de Química, em Boston.

Segundo ele, a técnica explora um efeito atmosférico pouco conhecido.

O cientista brasileiro diz que metais poderiam ser usados para captar a energia, abrindo caminho para uma potencial fonte de energia em climas úmidos.

Outros cientistas, porém, discordam sobre o mecanismo e sobre a escala do efeito relatado por Galembeck.

Circuito
“A ideia básica é que quando você tem qualquer sólido ou líquido em um ambiente úmido, você tem a absorção de água na superfície”, disse Galembeck à BBC.

“O trabalho que estou apresentando mostra como metais colocados sob um ambiente úmido se tornam carregados (de energia)”, afirmou.

Galembeck e seus colegas de pesquisa isolaram vários metais e pares de metais separados por um material não condutor de eletricidade e permitiram que nitrogêneo gasoso com diferentes quantidades de vapor de água passassem por eles.

O que a equipe descobriu é que os metais acumularam carga elétrica – em variadas quantidades, com carga positiva ou negativa. Os metais poderiam ser ligados periodicamente a um circuito para criar eletricidade que pudesse ser utilizada.

O efeito é muito pequeno – coletando uma quantidade de eletricidade equivalente a 0,000001% da produzida em uma mesma área por uma célula de energia solar -, mas parece representar uma forma de acumulação de carga que até agora era ignorada.

Galembeck sugere que com mais desenvolvimento, o princípio poderia ser estendido para se tornar uma fonte de energia renovável em áreas úmidas do planeta, como os trópicos.

Debate
Apesar de a ideia de tirar energia do ar ser tentadora, a perspectiva de se conseguir coletar uma quantidade suficiente para tornar o processo viável ainda é uma questão de debate.

Hywel Morgan, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, diz que um efeito semelhante já é conhecido há algum tempo. Ele aponta que o carregamento triboelétrico – a geração de carga elétrica pela fricção de gotas de água sobre gotas de água – é a origem das trovoadas.

“O que achamos que está acontecendo é que ele está jogando vapor de água através dos metais e, com isso, carregando triboeletricamente o vapor de água”, afirma.

Segundo ele, isso resultaria numa carga, mas não seria o mesmo que simplesmente tirar eletricidade do ar úmido.

‘Muito interessante’
O físico Marin Soljacic, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, criador de uma tecnologia de transmissão de energia sem fio conhecida como Witricity, discorda de Morgan.

Ele classifica o estudo coordenado por Galembeck de “muito interessante” e “uma boa área de pesquisa”.
Ele concorda, porém, que a quantidade de carga acumulada nos testes iniciais sugere que pode ser difícil fazer bom uso da técnica.

“Neste ponto, ainda é difícil ver como isso poderia ser usado em aplicações do dia-a-dia”, disse ele à BBC.

Segundo ele, são necessárias mais pesquisas para entender “todas as limitações e o quanto é possível avançar”.

“(Morgan) está certo que um efeito semelhante e relacionado já é conhecido, mas estamos pressionados a encontrar novas fontes de energia renováveis, então acho que ainda é cedo para descartar esta pesquisa”, afirma Soljacic.

Galembeck se diz acostumado com a polêmica que este tipo de trabalho gera, afirmando que as discordâncias sobre o mecanismo por trás dele formam “o motivo principal para discussões acaloradas entre os cientistas”.

“Já houve muitas tentativas de coletar eletricidade da atmosfera, e a maioria teve final infeliz”, diz.

18 agosto 2011

Campinas: Unicamp é líder em invenções

Chupa, USP ;)

A Universidade detêm 272 pedidos de patentes, número acima de todas as instituições de ensino do Brasil

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) lidera o ranking de pedidos de patentes entre as universidades do Brasil. Em estudo realizado pelo Inpi ( Instituto Nacional da Propriedade Industrial), em julho, a Unicamp detêm 272 pedidos de patentes, número acima de todas as instituições de ensino do país.

A universidade ocupa o segundo lugar quando se leva em conta todas as instituições, as públicas e privadas, pois, aí, em primeiro está a Petrobras, com 388 pedidos. Em 2010, foram 65 pedidos de patentes, ante 57 em 2009, enquanto a comunicação de invenção subiu de 54, em 2009, para 61 no ano passado. No total, a universidade já soma 60 patentes depositadas e 43 contratos de licenciamento ativos.

A Unicamp chegou a liderar os números gerais entre 1999 e 2003, quando totalizava 191 patentes, ante 177 da Petrobras. Em 1984, antes mesmo da criação da Inova (agência responsável pela propriedade intelectual da universidade), instituída há oito anos, a universidade já depositava sua primeira patente, estatística que a colocava como uma das primeiras ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia) brasileiras.

De acordo com Roberto de Alencar Lotufo, diretor executivo da Inova, a criação da agência contribuiu para os resultados apresentados no último balanço. “Não somente expandiu como foi aprimorado em qualidade.”

Entre 2004 e 2008, 124.145 patentes foram depositadas. Na 3ª colocação, ficou a USP (Universidade de São Paulo), seguida pela empresa Whirlpool.


http://www.band.com.br/noticias/ciencia/noticia/?id=100000450425

Campinas: Unicamp é líder em invenções

Chupa, USP ;)

A Universidade detêm 272 pedidos de patentes, número acima de todas as instituições de ensino do Brasil

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) lidera o ranking de pedidos de patentes entre as universidades do Brasil. Em estudo realizado pelo Inpi ( Instituto Nacional da Propriedade Industrial), em julho, a Unicamp detêm 272 pedidos de patentes, número acima de todas as instituições de ensino do país.

A universidade ocupa o segundo lugar quando se leva em conta todas as instituições, as públicas e privadas, pois, aí, em primeiro está a Petrobras, com 388 pedidos. Em 2010, foram 65 pedidos de patentes, ante 57 em 2009, enquanto a comunicação de invenção subiu de 54, em 2009, para 61 no ano passado. No total, a universidade já soma 60 patentes depositadas e 43 contratos de licenciamento ativos.

A Unicamp chegou a liderar os números gerais entre 1999 e 2003, quando totalizava 191 patentes, ante 177 da Petrobras. Em 1984, antes mesmo da criação da Inova (agência responsável pela propriedade intelectual da universidade), instituída há oito anos, a universidade já depositava sua primeira patente, estatística que a colocava como uma das primeiras ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia) brasileiras.

De acordo com Roberto de Alencar Lotufo, diretor executivo da Inova, a criação da agência contribuiu para os resultados apresentados no último balanço. “Não somente expandiu como foi aprimorado em qualidade.”

Entre 2004 e 2008, 124.145 patentes foram depositadas. Na 3ª colocação, ficou a USP (Universidade de São Paulo), seguida pela empresa Whirlpool.


http://www.band.com.br/noticias/ciencia/noticia/?id=100000450425

04 julho 2011

Do ensino público na periferia à disputa por Harvard, Yale e MIT


Nada menos do que sete, em cada dez brasileiros que trabalham, estão melhorando de vida e subindo de classe social. É o que mostra a pesquisa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj): o percentual, de exatos 67,8% da população economicamente ativa em ascensão, é o mais alto desde que o indicador de estratificação social foi criado, na década de 1970.

Parece exagero? Pois há dez anos, Dejanir Henrique Silva, à época com 17 anos, tinha cerca de 12 vezes menos chances de vir a tornar-se um profissional com boa formação e subir na vida, quando comparado a estudantes das classes A e B. Filho de pais que não haviam sequer concluído o ensino médio, Dejanir nasceu na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e foi criado em Mauá, cidade operária na grande São Paulo. Cursou ensino médio e fundamental em escolas públicas de Mauá e Santo André mas, ao invés de completar sua formação numa faculdade privada de segunda linha, acabou sendo aprovado em nada menos que nove ícones do ensino mundial como as universidades americanas de Yale, Columbia, Chicago, Stanford, Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Depois de conhecer os campi, com recursos das próprias universidades que se reuniram num pool para bancar a viagem, ele se decidiu. No fim do mês, Dejanir se muda para Boston, nos Estados Unidos, e dá inicio a um novo capítulo em sua vida, cursando o programa de doutorado de cinco anos do MIT, um dos mais respeitados centros mundiais de educação e desenvolvimento de pesquisas em várias áreas do conhecimento.

Foto: Greg Salibian/iG

O mestre em Economia, Dejanir Henrique Silva, de 27 anos: da escola pública em Mauá, na grande São Paulo, para o doutorado no MIT, nos Estados Unidos

Ao contrário do que pode parecer, no entanto, Dejanir não é um gênio, daqueles que nascem abençoados por uma inteligência muitíssimo superior à média. Ele chegou a tirar zero numa prova de matemática e foi reprovado no vestibular. Mas sabia que sua chance de mudar de vida estava na educação. E insistiu.

Segundo ele, sua mãe, Zuleide da Silva, de 52 anos, sempre o incentivou a ler, o que despertou a curiosidade para adquirir mais conhecimento. Hábito de leitura adquirido, Dejanir se interessou por publicações de ficção científica. “Foi o primeiro passo para eu gostar da área de Ciências e, consequentemente, por Física”, lembra.

Para seguir um caminho profissional e ter algum futuro nessa área, entretanto, ele sabia que teria de dominar a matemática. Depois de tirar algumas notas baixas, incluindo um zero, no fim do ensino médio, Dejanir aprofundou sozinho seu conhecimento em matemática pelo método japonês Kumon, no qual o aluno exercita o raciocínio lógico.

Prestou vestibular pela primeira vez para Física em três universidades públicas: Unicamp, Unesp e USP. Não conseguiu ser aprovado em Física, mas sim na segunda opção, Matemática, na Unicamp. Mas não fez o curso. “Não tinha como me sustentar em Campinas e já estava com interesse em Economia", diz. "Gosto muito de exatas, mas também de história, filosofia e estudos relacionados mais com a sociedade.”

Passou o ano seguinte conciliando o trabalho como escriturário em um banco com os estudos nas horas vagas e prestou novamente vestibular em Economia, na USP. Foi, então, aprovado. “Nunca pensei em chegar onde estou agora. Mas já no ensino médio comecei a ver que se quisesse fazer um curso superior teria que tentar algo em universidades públicas”, diz Dejanir, futuro PhD em Economia. “Era a única chance. Coloquei na minha cabeça: ou dou uma virada na vida, ou não vou chegar a lugar algum.”

Disciplina para romper o determinismo

O adolescente que começou a trabalhar com o pai aos 14 anos numa pequena empresa que prestava serviços na área de telefonia e internet conciliava a necessidade de trabalhar, com a falta de tempo para se atualizar. Dejanir estudava na hora do almoço e nos longos períodos que passava em trens e ônibus entre sua casa, em Mauá, o trabalho em São Paulo, e o campus da USP no bairro do Butantã, na capital paulista. “Era difícil conciliar tudo”, diz.

Foto: Greg Salibian/iG

Após tirar zero em matemática, no fim do ensino médio, Dejanir Silva fazia exercícios de reforço com o método japonês Kumon para atingir seu objetivo

No início da graduação surgiu um desafio a mais na rotina já apertada de trabalho e estudos. “No segundo semestre da faculdade recebemos uma lista com livros em inglês e fiquei em pânico porque não sabia absolutamente nada", afirma. "Logo em seguida, as editoras lançaram algumas das obras em português, para meu alívio.” Dejanir, no entanto, preferiu não contar com o destino para sempre. “Sabia que a sorte não se repetiria e comecei a estudar inglês por conta própria", afirma. "Lia livros emprestados e comprados em sebos. Entrava em sites de universidades americanas, como Yale, e baixava as aulas e palestras em inglês no computador. Fui lendo, ouvindo, treinando e aprendendo.”

Após concluir a graduação e o mestrado, Dejanir se inscreveu em 14 instituições no exterior para tentar fazer um doutorado em economia e foi aprovado em nove. Para escolher a melhor, Dejanir recebeu uma ajuda de custo e, em sua primeira viagem ao exterior, visitou as universidades de Harvard, Stanford e o MIT. Mesmo tendo sido cortejado pelas demais instituições onde havia obtido aprovação, acabou optando pela última. “Levei muito em consideração a proposta de pesquisa e estudo e os meus interesses”, diz. “O MIT atualmente é o melhor lugar no mundo para estudar e desenvolver trabalhos na área de Macroeconomia. Me senti à vontade naquele espaço onde terei condições para desenvolver um bom trabalho.”

Avanços sociais

Na avaliação do pesquisador Carlos Costa Ribeiro, um dos coordenadores do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj), instituição que dá continuidade aos trabalhos do antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), nos dez anos em que Dejanir viveu uma profunda transformação em sua vida, o País também mudou. “Houve um conjunto de mudanças, mas a educação é um dos atores principais dessa transformação”, diz.

Segundo Ribeiro, a posição social dos pais determina de forma muito forte a posição que os filhos terão na sociedade. Mas essa relação vem diminuindo. Dados da pesquisa “A Dimensão Social das Desigualdades”, da qual Ribeiro é um dos coordenadores, mostram que em 1973 filhos de profissionais com mais qualificação tinham 15,6 vezes mais chances de se tornar profissionais qualificados do que filhos de trabalhadores menos qualificados tinham de se tornar profissionais com boa educação e qualificação. Em 2008, essa proporção diminuiu para 9,6 vezes mais chances. “Ainda não é o ideal, mas representa uma mudança significativa na medida de desigualdade de oportunidades”, diz.

Desigualdade de oportunidade

Chances que um filho de profissional mais qualificado tem de se tornar também um profissional qualificado em comparação com um filho de trabalhador com pouca qualificação

Fonte: Pesquisa "A Dimensão Social das Desigualdades"

Os dados da pesquisa mostram ainda os ganhos na mobilidade social da população. O índice de mobilidade intergeracional total, que mede o percentual de pessoas em uma classe de destino diferente da sua classe de origem, era de 51,8% da população economicamente ativa em 1973 e saltou para 67,8% em 2008.

Luciana Aguiar, antropóloga e diretora executiva da consultoria Plano CDE, especializada na análise do cenário social das classes menos favorecidas, afirma que fatores como a recuperação do salário mínimo acima da inflação e os efeitos do bônus demográfico, como a redução da taxa de natalidade, ampliam o potencial de renda para o consumo, com uma maior parte do orçamento das famílias sendo direcionada para o consumo de alguns serviços, como a educação.

“Os segmentos mais jovens estão mais escolarizados. Na classe C, os jovens com 25 anos têm cerca de 3,4 anos a mais de estudo do que as pessoas com 50 anos”, destaca Luciana. “Na classe A, para a mesma base de comparação, a diferença é de apenas 1 ano. Melhorou o acesso nas classes mais baixas e foi ampliado o tempo de permanência na escola. Mais tempo na escola melhora a inserção no mercado de trabalho”, diz.

Foto: Greg Salibian/iG Ampliar

Dejanir Silva: “Acreditei no papel transformador que a educação tem e fiz disso um objetivo de vida”

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2009, pela primeira vez a massa de renda da classe C, os que têm entre R$ 1.200 e R$ 3.000 de renda familiar, atingiu 31%. Em 1995, esse percentual era de 26%. No mesmo período, a classe A caiu de 36% para 30%, a classe B foi de 22% para 23%, a D de 11% para 12% da massa salarial e a E foi de 5% para 4%.

Vida nova

Dejanir vai morar com a mulher, Luciene, em Boston, em um apartamento do próprio MIT, em frente ao prédio do departamento de economia, com aluguel subsidiado e terá direito a uma bolsa anual de US$ 37 mil (cerca de R$ 58 mil) oferecida pela universidade.

“O que está acontecendo comigo era uma realidade muito distante, quase impossível de acontecer, tanto que foi difícil de explicar isso para a família e os amigos", diz Dejanir. "É difícil para eles entender a dimensão da coisa e como isso ocorreu com uma pessoa que teve uma realidade mais humilde.” Na hora de tirar o visto no consulado, o pai de Dejanir fez questão de acompanhá-lo e contar para todo mundo que encontrava - do balconista do bar ao segurança da fila - que o filho dele ia estudar no MIT, mesmo não sabendo explicar muito bem o que é o instituto.

Ele a mulher Luciene, pedagoga de 28 anos, também de origem humilde e que concluiu o ensino superior graças a uma bolsa de estudos integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), do Governo Federal, também sonham em ter filhos.

Para ele, após quebrar o círculo vicioso da sociedade, o caminho para atingir uma melhor condição social pode ser mais fácil para seus futuros herdeiros. “Acreditei no papel transformador que a educação tem e fiz disso um objetivo de vida”, afirma. “Quando tiver meus filhos quero ensinar a eles os valores que aprendi e preservei ao longo de todo este processo, ressaltando que a disciplina e força de vontade é fundamental para se atingir os objetivos na vida.”

http://economia.ig.com.br/do+ensino+publico+na+periferia+a+disputa+por+harvard+yale+e+mit/n1597058594479.html


16 abril 2011

Unicamp lança rede social para ex-alunos

Rede Alumni permitirá localizar pessoas, oferecer e acessar serviços, recrutar profissionais, encontrar oportunidades de trabalho e ter acesso a diversos benefícios

Notícias

Unicamp lança rede social para ex-alunos

15/4/2011

Agência FAPESP – A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) lançou na última terça-feira (12/4) um canal institucional de relacionamento com seus ex-alunos: a Rede Alumni Unicamp.

A rede passou por uma fase experimental em 2010, com 3 mil participantes, foi aprimorada e agora está disponível para fornecer um ambiente de aperfeiçoamento e colaboração contínuos, com participação tanto de ex-alunos como dos atuais estudantes, professores, institutos de pesquisa, empresas e outras organizações.

De acordo com a Unicamp, a rede objetiva também saber onde e como os egressos da universidade estão trabalhando e como eles podem contribuir para o desenvolvimento da instituição. O público potencial é formado por 70 mil ex-alunos.

A plataforma funcionará nos moldes de uma rede social. Ao se cadastrar na rede, o participante poderá localizar pessoas, oferecer e ter acesso a serviços, recrutar profissionais ou encontrar uma oportunidade de trabalho e ter acesso a benefícios, entre outras possibilidades.

Os ex-alunos, segundo a Unicamp, terão direito a um desconto de 30% nos livros editados pela Editora da Unicamp. Será avaliada a possibilidade de fornecer acesso vitalício dos integrantes da rede ao acervo da Biblioteca Central. Os participantes do canal de relacionamento terão ainda o direito de utilizar um e-mail institucional específico da Rede Alumni.

A Rede Alumni Unicamp é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Graduação (PRG). Seu gerenciamento é de responsabilidade do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE). A iniciativa contou também com a colaboração da Inova Unicamp, do Centro de Computação da Unicamp (CCUEC) e da empresa parceira Ujima, incubada no Softex, fundada e gerenciada por ex-alunos da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp (FEEC).

Mais informações: www.unicamp.br