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18 janeiro 2012

Mudanças climáticas e desmatamento já alteram Amazônia


Foto: Getty ImagesAmpliar

Amazônia em transição: mudança no uso do solo pode ter consequencias globais

A bacia Amazônica está passando por uma transição e pode, em breve, deixar de ser um absorvedor de carbono e se tornar uma fonte. Foi identificado que a expansão agrícola e as mudanças climáticas estão provocando problemas na região. Pesquisadores afirmam que desmatamento, fogo e secas estão potencializando as perdas de estoque de carbono, além de alterar os padrões de chuva na região. O processo de transição já começou no Sul, Sudoeste e Sudeste da Amazônia, a parte Oeste da região permanece parcialmente preservada.

A questão já foi observada e vinha sendo debatida há alguns anos, mas esta é a primeira vez que um grupo de pesquisadores do Brasil, Europa e Estados Unidos faz uma revisão sobre o assunto e publica artigo em um periódico científico. Os pesquisadores revisaram os dados do Programa Brasileiro de Pesquisas sobre as Interações Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que desde 2007, que produziu cerca de cem projetos de estudo na região.

De acordo com Paulo Artaxo, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e um dos autores do estudo publicado na Nature, “o importante é perceber que o Brasil precisa se estruturar para preservar aquela região”.

MATÉRIA COMPLETA:

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/mudancas-climaticas-e-desmatamento-ja-alteram-bioma-amazonico/n1597584544077.html

20 dezembro 2011

Boletim de Desmatamento (SAD) Outubro de 2011


Hayashi, S., Souza Jr., C., Sales, M. & Veríssimo, A. 2011.

Ações do documento

Boletim de Desmatamento (SAD) Outubro de 2011

Em outubro de 2011, o SAD detectou 102 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou redução de 33% do desmatamento em relação a outubro de 2010 quando o desmatamento foi de 153 quilômetros quadrados. Desse total, 33% ocorreram no Mato Grosso, seguido por Rondônia (26%), Pará (24%) e Tocantins (9%).

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2011 a outubro de 2011, correspondendo aos três primeiros meses do calendário atual de desmatamento, totalizou 512 quilômetros quadrados. Houve redução de 4% em relação ao ano anterior (agosto de 2010 a outubro de 2010) quando o desmatamento somou 533 quilômetros quadrados.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 456 quilômetros quadrados em outubro de 2011. Em relação a outubro de 2010 houve uma redução de 18% quando a degradação florestal somou 559 quilômetros quadrados. A grande maioria (81%) ocorreu no Mato Grosso, seguido pelo Pará (14%) e Rondônia (5%). A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2011 a outubro de 2011 totalizou 1.246 quilômetros quadrados. Em relação ao período anterior (agosto de 2010 a outubro de 2010) houve redução de 52% quando a degradação florestal somou 2.599 quilômetros quadrados.

Em outubro de 2011, o desmatamento detectado pelo SAD comprometeu 7,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente o que representa uma redução de 19% em relação a outubro de 2010. No acumulado do período (agosto 2011 - outubro 2011) as emissões de C02 equivalentes comprometidas com o desmatamento totalizaram 32 milhões de toneladas, o que representa pequeno aumento de 1% em relação ao período anterior (agosto de 2010 a outubro de 2010).

Foi possível monitorar 51% da área florestal na Amazônia Legal em outubro de 2011. Os outros 49% estavam cobertos por nuvem o que dificultou o monitoramento na região.

08 dezembro 2011

Senadores divergem sobre possível recuperação de áreas desmatadas


[Foto]

O relator do projeto de lei do novo Código Florestal, senador Jorge Viana (PT-AC), previu na noite de terça-feira (6) que haverá uma mudança na cultura de oposição entre agricultores e ambientalistas. Essa transformação, aliada às futuras regras, induzirá ao replantio de árvores em grande escala.

- O Código deve pôr fim ao desentendimento. O agricultor deve ser aliado na proteção do meio ambiente. Teremos 35 milhões de hectares de florestas a serem plantados. É hora de parar de contar o que perdemos para contar o que recuperamos - pregou.

A meta proposta por Jorge Viana equivale a 350 mil quilômetros quadrados, aérea praticamente igual à do Estado de Goiás e do Distrito Federal juntos: 345,8 mil quilômetros quadrados. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que preside a Comissão de Meio Ambiente, reforça o discurso do relator.

- Se o Brasil empreender as determinações deste Código Florestal nós promoveremos o maior projeto de reflorestamento do planeta - disse durante o debate.

[senador João Capiberibe (PSB-AP) - Foto: Lia de Paula / Agência Senado]

Entretanto, na opinião de senadores como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) essa perspectiva de reflorestamento deve ser bastante relativizada. Ele defendeu a emenda 74, assinada por ele e pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), que suprimia dispositivo que diminui a reserva legal do estado do Amapá, por ter mais de 65% de seu território ocupado por unidades de conservação. O texto, segundo Randolfe, é inconstitucional, por só afetar um estado, no caso o Amapá. O presidente do Senado, José Sarney, somou-se aos seus colegas de bancada e apoiou a emenda.

João Capiberibe, por sua vez, disse que a floresta em pé representa maior riqueza para o país. O senador estimou que, mantido o texto de Jorge Viana, serão perdidos cerca de 800 mil hectares de florestas no Amapá. Capiberibe apelou a Jorge Viana para que acolhesse a emenda, que terminou rejeitada.

Anistia

Na mesma linha, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu alterações no texto de Jorge Viana, que a seu ver ainda precisa ser discutido, mesmo após sua aprovação no Senado. Ele critica o estabelecimento da data de 22 de julho de 2008 como marco temporal para a regularização das chamadas "áreas consolidadas" em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e RLs (Reservas Legais), o que os ambientalistas vêem como uma anistia a quem desmatou ilegalmente. Lindbergh entende o dispositivo como uma verdadeira punição a quem cumpriu a lei. Além disso, observou, a nova norma abriria espaço para anistias futuras.

Ele lista outros pontos críticos do texto aprovado pelo Plenário, como o cálculo da Reserva Legal em cada propriedade, que considera a área da APP. Ou a permissão de uso de espécies exóticas, como o pinus, que não cumpre papel ecológico, para recomposição da mata nativa devastada. Além disso, aponta para a permissão para que a recomposição da Reserva Legal degradada seja feita em outro bioma - e até em estado diferente daquele no qual ocorreu o desmatamento.

A senadora Marinor Brito (PSOL-PA), ferrenha adversária do substitutivo, prevê mais desmatamento como resultado do novo Código, que para ela favorece quem comete crimes ambientais, em detrimento dos pequenos agricultores e das chamadas populações tradicionais, como os ribeirinhos da Amazônia. A preocupação com desflorestamento em topos de morro e declives, especialmente da Mata Atlântica, também foi explicitada pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Ele lembrou os efeitos desastrosos do desmatamento na região serrana de seu estado, onde no início do ano registraram-se vários deslizamentos de terra com a morte de pelo menos 900 pessoas.

Fiscalização

Mesmo apoiando o substitutivo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reconheceu que o sucesso do programa de recuperação proposto pelo novo Código dependerá muito dos órgãos de fiscalização dos estados, que com o texto ganham mais importância.

Segundo ele, caso os órgãos de meio ambiente dos estados não sejam reformulados e aparelhados em um prazo de seis meses a partir da aprovação do novo Código Florestal, não terão condições de realizar o cadastro ambiental e exigir a recuperação ambiental das propriedades rurais previstos no novo Código Florestal.

26 outubro 2011

Projeto que reduz poder do Ibama pode ser votado hoje

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/996319-projeto-que-reduz-poder-do-ibama-pode-ser-votado-hoje.shtml


O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse nesta terça-feira que o plenário da Casa pode colocar em votação até o final do dia um projeto de lei que tira o poder do Ibama de multar desmatamentos.

A movimentação surpreendeu o Ministério do Meio Ambiente, que vem manobrando para fortalecer o poder do órgão ambiental no Código Florestal.

Segundo o líder, o projeto deve ser analisado depois de um projeto polêmico que trata do acesso a documentos públicos nos três Poderes da República, em todos os níveis de governo.

O projeto em questão é o chamado PLC nº 1, proposto pela Câmara dos Deputados. Ele regulamenta o artigo 23 da Constituição, que define as competências de União, Estados e municípios na área ambiental. Desde o ano passado o projeto está no Senado como prioridade de votação.

O texto, de autoria do deputado Sarney Filho (PV-MA), foi alterado no fim de 2009 na Câmara. Uma emenda previa que só o órgão que licenciou uma determinada atividade tivesse o poder de autuação.

Como os desmatamentos são licenciados pelos Estados, somente eles poderiam multar -- e não o Ibama, órgão federal.

A área ambiental do governo vê um retrocesso no texto, já que os Estados são mais sujeitos a pressões políticas e vários deles não têm boa estrutura de fiscalização. O então ministro Carlos Minc prometeu que o artigo seria vetado.

Nas últimas semanas, o PLC nº 1 voltou à pauta do Senado, com um parecer favorável de Jucá, seu relator.

O senador disse que faria uma emenda de redação para determinar que o Ibama agisse quando os Estados não o fizessem.

Mas um dos relatores do Código Florestal no Senado, Jorge Viana (PT-AC), disse que não via sentido em votar o projeto agora. "Vai no sentido oposto ao que estamos tentando construir no código", afirmou.

17 setembro 2011

Cerrado é o segundo bioma mais ameaçado no Brasil


Incêndio atinge área da Fazenda Santa Helena, em GO (Foto: AE)

Considerado a savana mais rica em diversidade do mundo e o maior produtor de grãos do Brasil, o Cerrado amarga a segunda posição no ranking dos biomas mais ameaçados do país, perdendo apenas para a Mata Atlântica. Somente neste ano, as queimadas foram responsáveis pela destruição de alarmantes 322,8 mil hectares, contra 1,678 milhão de hectares no ano passado, o que evidencia sua fragilidade.

Dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente na última terça-feira (13) mostram que o desmatamento acumulado até 2010 já atingiu 48,5% do bioma, uma área de 6.469 km². Apesar de tamanha fragilidade, a região ainda carece de políticas ambientais e programas voltados à proteção.
Entre 2009 e 2010, o desmatamento no bioma aumentou 0,32%, sendo que os estados de Maranhão e Piauí apresentaram desmate mais acentuado. A agropecuária, o extrativismo de carvão vegetal e o crescimento urbano são apontadas pelo ministério como as principais causas do problema.

Das queimadas, bastante comuns nesta época do ano por conta da baixa umidade, o caso mais grave aconteceu no Parque Estadual Serra de Caldas Novas, no interior de Goiás, que teve 60% da área de 2.200 hectares consumida pelo fogo. Tudo isso em menos de quatro horas.

Em encontro na Câmara dos Deputados quarta-feira, representantes do ministério, da Frente Parlamentar Ambientalista, associações de meio ambiente e ONGs ambientais defenderam a criação de uma lei específica para o Cerrado, em caráter emergencial, nos mesmos moldes da Lei da Mata Atântica. O objetivo é promover um marco regulatório em relação às atividades de exploração econômica no Cerrado.

Na opinião do deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, a contradição do processo está no fato de que o bioma é encarado por muitos apenas como fronteira de expansão agrícola, mas a produção de água desse ecossistema já é avaliada em estado crítico.

Cerrado abriga espécies de onça-pintada, listada no Brasil como ameaçada de extinção (Foto: …


Situação geográfica
O Cerrado possui cerca de 2 milhões de km² e o nível elevado de diversidade biológica é favorecido pela sua situação geográfica, já que abrange oito estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e o Distrito Federal. O bioma tem áreas marginais na Bolívia e Paraguai.

Exclusivo do Cerrado, tamanduá-bandeira está na lista de espécies em extinção (Foto: …

Ocupa o divisor de águas das grandes bacias fluviais do continente (Prata, Amazonas e São Francisco) e está em contato com formações abertas vizinhas como o Pantanal, o Chaco e a Caatinga e, por meio de matas ciliares, também está conectado à Amazônia e à Mata Atlântica.

Fauna e flora

O Cerrado ostenta flora extremamente rica com 7.000 espécies de plantas, sendo 4.000 endêmicas desse bioma. Como compartilha espécies com os demais biomas, também abriga grande número de animais. São cerca de 2.500 espécies de vertebrados identificados, entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes.

Anta tem populações significativas no bioma (Foto: AE)


Espécies ameaçadas como a onça-pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre outras, ainda têm populações significativas no bioma, reafirmando sua importância como ambiente natural. Vale ressaltar, contudo, que espécies exclusivas do Cerrado, como o tamanduá-bandeira, estão na lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção. No total, 65 espécies do Cerrado estão em situação semelhante.

Áreas desmatadas na Amazônia viraram pastos

O mapeamento sobre o uso das terras desmatadas na Amazônia realizado pelo TerraClass mostram que a maior parte foi convertida para a prática da pecuária

    Pastos colaboram para o desmatamento na Amazônia

    Pastos colaboram para o desmatamento na Amazônia (Juca Queiroz/ACRÍTICA)

    Os dados do mapeamento realizado pelo TerraClass, sobre o uso das áreas desmatadas na Amazônia já estão disponíveis no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Pela primeira vez, foi mapeado o uso das áreas desmatadas do bioma para mostrar o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas já derrubados.

    Para isso, foram analisadas as informações sobre o desflorestamento ocorrido até 2008 que constam no inventário do Prodes, sistema do INPE que mapeia anualmente o desmate na Amazônia Legal com base em imagens de satélites.

    Esta nova leitura resultou na elaboração de um mapa digital que descreve a situação do uso e da cobertura da terra, considerando as seguintes classes temáticas: Agricultura, Pasto Limpo, Pasto Sujo, Pasto com Solo Exposto, Regeneração com Pasto, Vegetação Secundária, Mosaico de Ocupações, Mineração e Área Urbana.

    Os mapas mostram que a maior parte, cerca de 60%, foi convertida para a pecuária. Em 21%, houve registro de vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas.

    O projeto TerraClass é fruto da parceria entre o INPE e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para a execução desse projeto foram mobilizadas as equipes do Centro Regional da Amazônia (CRA) do INPE e da Embrapa Amazônia Oriental, ambos situados em Belém (PA), e da Embrapa Informática Agropecuária, em Campinas (SP).

    O monitoramento por satélites é hoje imprescindível na contenção do desmatamento para proteger a biodiversidade e frear alterações no clima, além de gerar as informações necessárias à implantação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

    Desde 1988, o INPE mapeia de forma operacional o desmate por corte raso com o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), sistema reconhecido internacionalmente por sua excelência e pioneirismo.

    O INPE mantém em operação três sistemas para monitorar o desflorestamento na Amazônia – além do Prodes, o Deter e o Degrad -, que atuam de forma independente, porém complementares.

    O Prodes é considerado o maior programa de acompanhamento de florestas do mundo, por cobrir 4 milhões de km² todos os anos. Seu resultado revela a taxa anual do desmatamento por corte raso, quando todo o conjunto de árvores de floresta é retirado.

    Desde 2004, o INPE também opera o sistema Deter - Detecção de Desmatamento em Tempo Real. Menos detalhado do que o Prodes - por utilizar sensores que cobrem a Amazônia com maior freqüência, porém com imagens de menor resolução espacial -, o Deter é mais abrangente e inclui tanto o corte raso quanto as ocorrências de degradação florestal. É utilizado para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos.

    Em 2008, o aumento da degradação indicado pelo Deter motivou a criação do terceiro sistema, denominado Degrad, para identificar as áreas que ainda não podem ser classificadas como corte raso, mas já estão comprometidas pelo desmate. A degradação torna a floresta mais vulnerável - a vegetação mais baixa sofre com as queimadas e as árvores de maior porte continuam em pé, porém mortas.

    O lançamento do TerraClass, que revela como estão sendo usadas as áreas onde não se encontra mais floresta nativa, é parte do contínuo aperfeiçoamento das tecnologias desenvolvidas pelo INPE para proteger o meio ambiente.

    Os dados sobre desmatamento na Amazônia têm fornecido subsídios a políticas públicas direcionadas para a fiscalização e para o desenvolvimento sustentável da região. Tratam-se de dados disponíveis a qualquer cidadão, pois o INPE divulga na internet todas as informações que gera em benefício da sociedade, como focos de queimadas, condições meteorológicas, qualidade do ar, ocorrência de raios, nível de reservatórios, entre outros.

    11 abril 2010

    Amazônia teve 208,2 km² desmatados no primeiro bimestre

    Amazônia teve 208,2 km² desmatados no primeiro bimestre

    No Mato Grosso foram registrados 69% do total de alertas de desmatamentos do bimestre

    08 de abril de 2010 | 14h 18

    Nos meses de janeiro e fevereiro foram apontados 208,2 km² de desmatamentos pelo DETER, sistema de alerta baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que verifica a ocorrência de corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal.

    Arquivo/AE
    Arquivo/AE
    Segundo os dados do Inpe, 86,5% dos desmatamentos foram classificados como corte raso

    Veja também:

    linkBNDES negocia com 12 países doações para Fundo da Amazônia

    linkMundo perdeu dois Estados de SP de florestas na última década, diz ONU

    especialA evolução do desmatamento na Amazônia

    No Mato Grosso foram registrados 69% do total de alertas de desmatamentos do bimestre, o que correspondeu a 143.4 km². O estado foi o que apresentou melhor oportunidade de observação pelo sistema. De modo geral, em janeiro foi possível observar por satélites apenas 31% da Amazônia, enquanto em fevereiro a área total verificada chegou a 43%.

    Na época de chuvas na Amazônia, quando se torna mais difícil a observação por satélites por causa da intensidade de nuvens que cobrem a região, o INPE divulga os resultados do DETER agrupados por bimestre. Mas o sistema mantém durante todo o período sua operação regular enviando dados quinzenalmente ao Ibama.

    Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do DETER não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. Pelos mesmos motivos os técnicos do INPE não recomendam a comparação entre dados de diferentes meses e anos.

    Avaliação

    A cada divulgação sobre este sistema de alerta o INPE apresenta também um relatório de avaliação dos dados. O documento detalha a localização dos desmatamentos e mostra no mapa as áreas que não puderam ser observadas devido à cobertura de nuvens. No bimestre de janeiro e fevereiro, 97,2% das áreas de alertas foram confirmadas como desmatamentos.

    Feita com imagens de melhor resolução espacial, a qualificação amostral dos dados do DETER aponta os diferentes níveis de degradação da floresta. Desta vez 86,5% dos desmatamentos foram classificados como corte raso e 10,7% como floresta degradada.

    O sistema DETER

    Em operação desde 2004, o DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento. Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais ou bimestrais, os resultados do DETER são enviados a cada quinzena ao Ibama, responsável por fiscalizar as áreas.

    O sistema indica tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região.

    Com o DETER, é possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares por conta da resolução dos sensores espaciais (o DETER utiliza dados do sensor MODIS do satélite Terra e do sensor WFI do satélite sino-brasileiro CBERS, com resolução espacial de 250 metros). Devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema.

    Contudo, a menor resolução dos sensores usados pelo DETER é compensada pela capacidade de observação diária, que torna o sistema uma ferramenta ideal para informar rapidamente aos órgãos de fiscalização sobre novos desmatamentos.

    Todos os dados do DETER são públicos e podem ser consultados no site www.obt.inpe.br/deter