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28 outubro 2011

Prefeitura espanhola despeja mortos dos cemitérios por calotes

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,prefeitura-espanhola-despeja-mortos-dos-cemiterios-por-calotes,90118,0.htm

Por causa da crise, autoridades de Zaragoza decidiram colar adesivos nas sepulturas inadimplentes, cobrando o pagamento das dívidas.

A prefeitura da cidade espanhola de Zaragoza lançou uma campanha para alertar familiares inadimplentes que quem não saldar dívidas com cemitérios locais terá os restos mortais de seus entes exumados.

Aproveitando a chegada do dia de Finados - que na Espanha é celebrado no dia 1º de novembro - a prefeitura colocou adesivos nas lápides advertindo que a sepultura está com pagamento vencido e que os familiares tem 15 dias para saldar suas dívidas, em geral ligadas a taxas de manutenção dos cemitérios.relacionadas a taxas .

Não pagar neste prazo significará que os restos mortais serão exumados, removidos das sepulturas e colocados em valas comuns. Mais de dois mil jazigos e nichos receberam o adesivo.

A prefeitura explicou que precisa arrecadar fundos nos tempos de crise e não tem como prorrogar mais as dívidas de quem não paga as taxas de cemitério. No total são mais de 30 mil inadimplentes na cidade, com débitos desde 1985.

'Jazigo vencido'

Segundo o aviso no Boletim Oficial, os devedores foram comunicados por cartas desde o último mês de março, mas ao haver "escassa resposta, a prefeitura se viu obrigada a expor publicamente a situação de inadimplência".

Nos adesivos colocados nas sepulturas aparecem o nome completo do defunto, as coordenadas de localização de seu jazigo no cemitério e, em letras maiúsculas vermelhas, a frase "jazigo vencido".

A mensagem também traz uma indicação para que o responsável passe pela administração onde lhe esperam para a cobrança, que é de aproximadamente R$ 250 por cada cinco anos de sepultamento.

De acordo com a nota de imprensa da prefeitura, das 500 primeiras famílias procuradas para saldar a dívida apenas 10 responderam, avisando que pretendem pagar.

Segundo o município, o processo de exumação obedece aos trâmites legais. Diante da permanência da dívida e a falta de retorno dos responsáveis, os cemitérios podem remover os corpos.

Por causa da inadimplência, os restos mortais de 90 pessoas já foram exumados e colocados em valas comuns e outros 484 estão em processo de despejo das sepulturas.

Os adesivos com os avisos de inadimplência começaram a ser colados no início de outubro, mas chamaram a atenção da imprensa e da população no fim do mês.

13 setembro 2011

Crise na Espanha empurra imigrantes latino-americanos para o Brasil


Anelise Infante
BBC Brasil
Fila do serviço nacional para desempregados na Espanha

Espanha tem o maior índice de desemprego entre os países da União Europeia

Entre 2003 e 2007, a Espanha recebeu dezenas de milhares de imigrantes, mas a crise econômica que persiste no país está alterando o fluxo migratório. Sem emprego no presente e sem perspectivas para o futuro, os estrangeiros procuram saídas em outros lugares. E o Brasil virou meta para os latino-americanos de baixa formação.

De acordo com quatro relatórios que investigam as respostas dos imigrantes diante da crise, o Brasil aparece entre os três destinos preferidos de sul-americanos hispânicos (junto com Estados Unidos e Argentina) como opção para conseguir emprego.

Uma pesquisa da agência de empregos Randstad revelou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou decididos a trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho até 2012.

Os estudos antecipam um fluxo que já pode ter começado. Em 2010, pela primeira vez nos últimos 35 anos, a Espanha registrou uma taxa de saída de população ativa maior do que a de entrada.

No ano passado, 48 mil imigrantes chegaram e 43 mil estrangeiros retornaram aos seus países de origem, mas 90 mil espanhóis também foram morar no exterior.

O ritmo de redução é tão vertiginoso que em cinco anos o fluxo de chegada pode ser praticamente nulo. Pelas previsões da Fundação de Estudos de Economia Aplicada, se a crise se mantiver como agora, em 2014 chegariam apenas 3 mil imigrantes.

Saídas

Josep Oliver, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona e um dos autores do Anuário de Imigração da Espanha, do Ministério do Interior, disse à BBC Brasil que “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

A pesquisa Mobilidade Laboral, da Randstad, indica que a Espanha perdeu interesse para o trabalhador estrangeiro de baixa formação.

A razão é o perfil destes imigrantes, cujos currículos se limitam a ofícios relacionados a áreas que não se reativam, como serviços e construção.

O setor de construção foi precisamente o que detonou a crise de desemprego. De 2008 a 2010 quebraram mais de 200 mil empresas do ramo, que davam trabalho a 70% dos imigrantes sul-americanos, segundo dados oficiais.

Os estrangeiros entrevistados na pesquisa responderam que querem sair da Espanha, mas temem crises políticas e econômicas na América Latina e só vêem bonança financeira no Brasil, onde criticam a falta de segurança pública.

Mais ainda assim estão convencidos de que se não encontrarem emprego até 2012, o caminho é o aeroporto. Estados Unidos, Brasil ou Argentina, na ordem dos mais votados.

Alta formação

O Brasil também aparece como opção para espanhóis de alta formação.Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que os espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos seis destinos preferidos para emigrar por emprego.

O mercado brasileiro é visto como opção para 55% dos entrevistados, junto com Alemanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Argentina.

O perfil médio dos interessados em cruzar o Atlântico é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em engenharia, arquitetura, informática, medicina, biologia e investigação científica.

“Que engenheiro ou arquiteto não quer ir para o Brasil, de olho nas obras de infraestrutura? Está tudo por fazer, e agora há também recursos, referências de empresas espanholas já estabelecidas e a abertura ao (idioma) espanhol”, disse à BBC Brasil o professor de Economia da Universidade de Navarra Sandalio Gómez, autor do relatório apresentado em janeiro.

“Essas pessoas entendem que insistir aqui é uma perda de tempo. O Brasil cresce a uma velocidade que nenhum país da Europa pode se comparar”, concluiu.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística confirmam a tendência. Até janeiro de 2011, havia 1,8 milhão de espanhóis morando em outros países; 92.260 no Brasil, um aumento de 10.071 pessoas em um ano no território brasileiro.

Problemas

Mas, apesar das oportunidades, o país perde para outros destinos em vários quesitos.

Os entrevistados da pesquisa ressaltam insegurança, falta de serviços públicos de qualidade, instabilidade econômica e jurídica para quem quer criar um negócio próprio e a distância de seus lugares de origem como barreiras a levar em consideração.

O governo espanhol reforça estas conclusões. A diretora-geral do Departamento de Emigração, (que estuda as condições dos espanhóis em outros países), Pilar Pin, define como impedimentos as carências nos sistemas de seguro-desemprego, rede púbica de saúde e educação e a legislação trabalhista.

Em um relatório oficial apresentado em maio depois de uma visita a Brasília, Pin afirmou que o Brasil tem “enorme potencial com seus iminentes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, além de obras para abastecimento de energia, proteção ambiental e turismo".

Apesar disso, o relatório observa: “A legislação de implantação de empresas no Brasil é restritiva demais. Nossos trabalhadores vão com licença de obra. No final do contrato encontram muitas dificuldades para estabelecer-se por conta própria”.

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Mesmo assim, segundo o relatório, as autoridades brasileiras calculam que faltam 1,9 milhão de profissionais de alta qualificação. Uma lacuna que os espanhóis poderiam ocupar.

30 agosto 2011

Clubes espanhóis se rebelam contra supremacia de Real e Barça

E aquela história de que quem tem competência se estabelece??

“Nossa liga não é só a maior porcaria da Europa, e sim do mundo”, declarou o presidente do Sevilla, José María Del Nido. “Existe algum torcedor que não diga que nossa liga está prostituída, adulterada e corrompida? É uma liga de terceiro mundo em que dois clubes roubam o dinheiro de televisão dos demais”.

A greve dos jogadores chegou ao fim, e oCampeonato Espanhol teve início no último final de semana. Mas uma nova crise ronda a competição, que vê aumentarem as críticas à supremacia de Real Madrid e Barcelona, cada vez mais ricos e com maior vantagem em relação às demais equipes.

A reclamação do cartola é direcionada à divisão desigual do dinheiro proveniente da televisão. NaEspanha, os clubes negociam individualmente, o que garante a Real Madrid e Barcelona uma cota muito maior que a dos demais clubes. Pelo acordo vigente, válido de 2009 até a temporada atual, os dois gigantes levam 140 milhões de euros cada. O terceiro posto da lista é de Atlético de Madri e Valencia, com meros 42 milhões cada.

Foto: AFP

Messi e Thiago comemoram a grande partida de estreia do Barcelona: 5 a 0 no Villarreal

Para aumentar a irritação dos clubes, a LFP (Liga de Futebol Profissional), que organiza oCampeonato Espanhol, passou a cobrar das rádios uma tarifa que varia entre 2 milhões e 3 milhões de euros. Como as emissoras se recusaram a pagar, a LFP determinou que os clubes vetassem a entrada dos jornalistas de rádio nos estádios durante o final de semana. Os poucos que conseguiram entrar tiveram que pagar ingresso.

Líder dos clubes rebeldes, o Sevilla voltou-se contra a LFP e permitiu que as rádios trabalhassem normalmente no jogo contra o Málaga, domingo. “A tarifa cobrada das rádios é uma migalha que faz os grandes serem maiores e os pequenos serem ainda menores”, disse Del Nido.

Fernando Roig, presidente do Villarreal, fez coro com Del Nido. “Essa é a liga que vocês querem? Eu vendo jogadores para equilibrar as minhas contas, enquanto outros pedem crédito e conseguem”, afirmou. “Se querem que a liga tenha duas partidas apenas, que coloquem duas partidas, mas isto será péssimo para o futebol”, completou, referindo-se ao clássico entre Real Madrid e Barcelona.

Veja a distribuição da receita de TV entre os principais clubes da Espanha:

CLUBERECEITA (em euros)
1. Real Madrid140 milhões
... Barcelona140 milhões
3. Atlético de Madri42 milhões
... Valencia42 milhões
5. Villarreal25 milhões
6. Sevilla24 milhões
7. Getafe18 milhões
8. Athletic Bilbao17 milhões
9. Zaragoza14 milhões
10. Espanyol13,7 milhões

29 março 2011

Escultura de Cristo nu cria polêmica na Semana Santa espanhola

Crítico diz que imagem fere sensibilidade de fiéis; autor diz que controvérsia 'frivoliza' seu trabalho.

Uma das mais tradicionais confrarias religiosas da Espanha prepara as celebrações de Semana Santa sob uma grande polêmica. A procissão do sábado de aleluia contará com uma escultura em que Jesus Cristo aparece nu.

Prefeitura de Medina del Campo/Divulgação
Prefeitura de Medina del Campo/Divulgação
Escultura do artista espanhol Ricardo Flecha

A imagem em madeira chamada Cristo em braços da morte foi feita sob encomenda da prefeitura de Medina del Campo (centro-leste espanhol) e, muito antes de sair às ruas, já recebeu críticas e elogios de fiéis, políticos, artistas e religiosos.

A peça que mede 2,45 metros de altura está sendo exibida ao público no Museu da Cidade, de onde sairá no próximo dia 9 de abril em procissão.

O escultor espanhol Ricardo Flecha, autor da escultura, entende a polêmica, mas afirma que a intenção foi apenas voltar a uma interpretação barroca da Via Cruxis.

"Me entristece que o aspecto sexual seja o mais importante aqui, porque frivoliza o meu trabalho", disse o artista à BBC Brasil. "Tem muito mais valor o conceito de um Cristo entregue nos braços da morte que o fato de estar nu."

Flecha explicou ainda que queria voltar ao passado com a obra. "No século 16, tínhamos imagens realistas de Cristos que se rebelavam contra a morte e virgens que quase blasfemavam. No meu caso, a nudez só representa o desamparo e a fragilidade."

Sensibilidade dos fiéis
Mas a proposta não parece ter convencido todos os fiéis que saem em procissão nas 12 confrarias da cidade.

Depois de receber críticas de religiosos e políticos locais, a prefeitura ainda não decidiu se a imagem será levada às ruas do jeito em que está ou se os genitais estarão cobertos por um tecido. Por via das dúvidas, o escultor já recebeu a encomenda de preparar uma peça de cobertura.

Um dos mais críticos é o vice-presidente da Junta Local de Semana Santa de Medina, David Muriel Alonso, que acha que a imagem fere a sensibilidade de fiéis e foge ao habitual decoro da celebração católica.

"É possível ser realista sem a necessidade de tanta exposição. Mostrar os genitais do Nosso Senhor é realmente imprescindível? Entendemos as procissões como momentos de recolhimento, de profunda sensibilidade. É tão difícil respeitar isso?", questionou à BBC Brasil.

Tentando encontrar uma solução salomônica, o vice-diretor do Museu Nacional de Escultura de Valladolid, um dos organizadores dos eventos da Semana Santa de Medina del Campo (a mais antiga da Espanha, com mais de 600 anos de existência), pede calma e consenso.

Manuel Arias disse que entende as posições antagônicas e espera que até as datas de celebração religiosa haja algum acordo.

"É verdade que há séculos os artistas já faziam obras de arte de figuras sacras nuas. Não há nada de errado nem de irreverente nisso. Acontece que o Concílio de Trento (1545-1563) provocou um forte puritanismo e as peças passaram a apresentar-se vestidas", diz.

"Agora, o que uns veem como escândalo e ferimento de sensibilidades outros veem como seguimento de uma escola acadêmica determinada, uma obra de arte. Mas é preciso considerar todos os pontos de vista e chegar a um acordo. Se os fiéis vão se sentir mal pelo nudismo, o cobriremos e ponto. Depois da procissão, tiramos o pano", concluiu. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,escultura-de-cristo-nu-cria-polemica-na-semana-santa-espanhola,698807,0.htm