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15 dezembro 2011

'É a mercantilização do querer um mundo melhor', diz ativista

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/e-a-mercantilizacao-do-querer-um-mundo-melhor-diz-ativista/n1597407792296.html

O empreendedorismo social, que une negócios e ativismo político, enfrenta críticas de quem crê que todo negócio deve ser social
Nara Alves, iG São Paulo

Os ativistas políticos do século 21 encontraram na internet uma nova maneira de atuar. Negando vínculos com partidos e com a premissa de atuar de maneira independente, eles mobilizam voluntários interessados em promover transformação social. Muitos desses jovens agitadores políticos, que antes trabalhavam movidos à paixão, passaram a ser contratados por empresas especializadas no que ficou conhecido como "empreendedorismo social". Enquanto o chamado “empreendedorismo social” se transforma cada vez mais em uma carreira rentável, no entanto, há quem rejeite este rótulo.

É o caso da jornalista e ativista Daniela B. Silva, de 25 anos, sócia da Esfera, uma empresa que promove a transparência de dados na gestão pública. “Esse conceito de empreendedor social é a mercantilização do querer um mundo melhor”, diz. Para ela, todas as empresas deveriam responder ao interesse público. “Não dá para dividir empresas más e empresas boazinhas. Esse nome faz essas atividades virarem um certo mercado paralelo”, afirma. “Mas o jeito como você chama as coisas importa menos do que o que está sendo feito”, completa.

Daniela é uma das 50 pessoas que integram a Casa da Cultura Digital, um aglomerado de indivíduos e organizações ligadas à cultura digital que dividem o mesmo espaço em uma vila na Barra Funda, na capital paulista, desde julho de 2009. “Cada empresa trabalha com uma coisa diferente. A gente trabalha com fundações, organizações e com o governo. Dividimos o aluguel e a faxina”, explica. Ali, compartilham informações e desenvolvem projetos sociais colaborativos.

Um desses projetos é o Ônibus Hacker, viabilizado financeiramente por meio de doações de 464 pessoas, que contribuíram com valores entre R$ 10 e R$ 5 mil, totalizando R$ 58.593. O dinheiro foi arrecadado através do site de financiamento coletivo Catarse. Além da compra de um ônibus, o dinheiro foi usado na reforma do veículo, na compra de equipamentos, como webcam, 3G e GPS, e em despesa de viagem. Mas quem participa delas - advogados, jornalistas, programadores, artistas, gestores públicos e designers - não recebe nada.

Com o ônibus, esses profissionais percorrerão diversas cidades do País promovendo oficinas de programação, audiovisual, produção de informação e elaboração de projetos de lei. O objetivo é promover a participação da comunidade no debate de ideias sobre transparência, legislação, dados abertos e, como eles mesmos reforçam, autonomia. Na última semana, estiveram no Rio de Janeiro participando do Fórum de Cultura Digital. A próxima parada deverá ser em Januário, no norte de Minas Gerais, que teve sete prefeitos nos últimos quatro anos. “Eles têm um projeto muito bacana de jornalismo cidadão, o Amigos de Januário. Esse pessoal sinalizou que rola pagar a gasolina”, conta Daniela.

Microbolsa Hacker

Outra empresa presente na Casa da Cultura Digital é a Cardume, do webdesigner Miguel Peixe, de 20 anos. A Cardume foi criada para ser uma plataforma que reúna artistas e outros profissionais em torno de redes e grupos de trabalho. A empresa ganhou do coletivo Transparência Hacker - da qual Daniel B. Silva também faz parte - uma microbolsa de R$ 2 mil para iniciar um projeto de tradução da legislação do Brasil.

Batizado de "Leigos", o projeto pretende criar uma plataforma para que indivíduos possam, de maneira colaborativa, reescrever o "juridiquês" da legislação em português claro e acessível aos brasileiros.

"Estamos agora pensando em como fazer. Vamos formar um grupo para discutir isso porque a Legislação pode ser ambígua. Alguém de esquerda pode interpretar de uma maneira e alguém da direita, de outra", explica.

A bolsa é um "pontapé inicial" para que o "Leigos" possa sair do papel. Mas o projeto terá de ser sustentado com recursos dos próprios voluntários. Responsável pela iniciativa, a Cardume também deverá contribuir. "Nossa renda varia muito, mas fica numa média de R$ 10 mil para mim e minha irmã (sócia da Cardume). A expectativa para 2012 é de crescimento. Conseguindo novos projetos na Cardume, a gente consegue pagar os projetos sociais", afirma Miguel Peixe.


file://conserteseupc.intelus.com.br/

25 novembro 2011

Neurocientista brasileiro premiado participa de debate no Senado

http://www.senado.gov.br/noticias/neurocientista-brasileiro-premiado-participa-de-debate-no-senado.aspx

[Miguel Nicolelis em palestra na Universidade de Brasília (UnB) ]

Um dos mais renomados cientistas brasileiros, Miguel Nicolelis, participa na próxima quarta-feira (30) de uma audiência pública no Senado sobre o tema 'O uso democrático da ciência para a transformação social e econômica do Brasil'.

Miguel Nicolelis é fundador e diretor-científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), entidade dedicada ao fomento da pesquisa científica de ponta e ao desenvolvimento educacional e socioeconômico do Rio Grande do Norte e do Nordeste brasileiro.

Formado em Medicina, Miguel Nicolelis está desde 1994 à frente de um laboratório na Universidade Duke, o Duke's Center for Neuroengineering, nos Estados Unidos, base física das avançadas experiências com implantes de microeletrodos neurais em macacos que o tornaram conhecido no mundo todo.

Professor de Neurociência na mesma universidade, as pesquisas de Miguel Nicolelis são divulgadas em inúmeras revistas cientificas, a exemplo de estudo recente publicado na edição online da Nature, em que ele e sua equipe relatam a experiência que fez um macaco movimentar e sentir braço virtual apenas com a mente.

Eleito pela Scientific American como um dos vinte cientistas mais influentes do mundo, membro das Academias de Ciências do Brasil e da França e da Pontifícia Academia das Ciências em Roma, Miguel Nicolelis coordena o projeto Walk Again. É também autor de Muito além do nosso eu - A nova neurociência que une cérebro e máquinas, e como ela pode mudar nossas vidas (552 páginas), publicado pela Companhia das Letras.

O livro retrata o avanço das pesquisas que no futuro farão com que tetraplégicos possam andar usando vestes robóticas (exoesqueletos), além de estudos que indicam o controle dos sintomas do Mal de Parkinson pela estimulação elétrica da superfície da medula espinhal, pondo fim a tremores, lentidão e dificuldade de locomoção.

As descobertas de Miguel Nicolelis e sua equipe oferecem também um caminho para a cura de distúrbios neurológicos como o Mal de Alzheimer, além das perspectivas de comunicação tátil a longa distância e de exploração do fundo do mar e do espaço.

A audiência pública é promovida em conjunto pelas Comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Educação, Cultura e Esporte (CE). Miguel Nicolelis participará do debate ao lado de representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Educação (MEC).

O requerimento da audiência pública é de autoria dos senadores Wellington Dias (PT-PI) e Walter Pinheiro (PT-BA).

A audiência pública tem início às 10h.

Neurocientista brasileiro premiado participa de debate no Senado

http://www.senado.gov.br/noticias/neurocientista-brasileiro-premiado-participa-de-debate-no-senado.aspx

[Miguel Nicolelis em palestra na Universidade de Brasília (UnB) ]

Um dos mais renomados cientistas brasileiros, Miguel Nicolelis, participa na próxima quarta-feira (30) de uma audiência pública no Senado sobre o tema 'O uso democrático da ciência para a transformação social e econômica do Brasil'.

Miguel Nicolelis é fundador e diretor-científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), entidade dedicada ao fomento da pesquisa científica de ponta e ao desenvolvimento educacional e socioeconômico do Rio Grande do Norte e do Nordeste brasileiro.

Formado em Medicina, Miguel Nicolelis está desde 1994 à frente de um laboratório na Universidade Duke, o Duke's Center for Neuroengineering, nos Estados Unidos, base física das avançadas experiências com implantes de microeletrodos neurais em macacos que o tornaram conhecido no mundo todo.

Professor de Neurociência na mesma universidade, as pesquisas de Miguel Nicolelis são divulgadas em inúmeras revistas cientificas, a exemplo de estudo recente publicado na edição online da Nature, em que ele e sua equipe relatam a experiência que fez um macaco movimentar e sentir braço virtual apenas com a mente.

Eleito pela Scientific American como um dos vinte cientistas mais influentes do mundo, membro das Academias de Ciências do Brasil e da França e da Pontifícia Academia das Ciências em Roma, Miguel Nicolelis coordena o projeto Walk Again. É também autor de Muito além do nosso eu - A nova neurociência que une cérebro e máquinas, e como ela pode mudar nossas vidas (552 páginas), publicado pela Companhia das Letras.

O livro retrata o avanço das pesquisas que no futuro farão com que tetraplégicos possam andar usando vestes robóticas (exoesqueletos), além de estudos que indicam o controle dos sintomas do Mal de Parkinson pela estimulação elétrica da superfície da medula espinhal, pondo fim a tremores, lentidão e dificuldade de locomoção.

As descobertas de Miguel Nicolelis e sua equipe oferecem também um caminho para a cura de distúrbios neurológicos como o Mal de Alzheimer, além das perspectivas de comunicação tátil a longa distância e de exploração do fundo do mar e do espaço.

A audiência pública é promovida em conjunto pelas Comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Educação, Cultura e Esporte (CE). Miguel Nicolelis participará do debate ao lado de representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Educação (MEC).

O requerimento da audiência pública é de autoria dos senadores Wellington Dias (PT-PI) e Walter Pinheiro (PT-BA).

A audiência pública tem início às 10h.

03 novembro 2011

Dilma condiciona apoio à taxa financeira a investimentos sociais

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,dilma-condiciona-apoio-a-taxa-financeira-a-investimentos-sociais,90910,0.htm

Segundo a presidente, o Brasil tem experiência bem-sucedida de enfrentamento da crise com inclusão social e geração de emprego


Daniela Milanese, da Agência Estado

CANNES -

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira, 3, durante a cúpula do G-20, que o Brasil "não irá se opor" à taxa mundial sobre as transações financeiras, proposta pela França, desde que exista consenso entre os países sobre o piso de proteção social sugerido pela Organização Internacional de Trabalho (OIT). A OIT propõe iniciativa capaz de assegurar um nível mínimo de segurança de renda à população.

Dessa forma, Dilma condicionou o apoio do Brasil à ampliação dos investimentos sociais. Segundo ela, o País tem experiência bem-sucedida de enfrentamento da crise com inclusão social e geração de emprego. "A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente um impositivo moral, mas também uma questão de eficiência econômica", disse a presidente, durante seu segundo pronunciamento feito durante a cúpula - as sessões são fechadas. "É por isso que apoiamos a tese da OIT de que um piso único de renda não é filantropia, é rede de proteção mundial fundamental para enfrentar a crise e que tem efeito inequívoco."

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou em entrevista coletiva, após o primeiro dia da cúpula do G-20, que o Brasil e a Argentina estão abertos à taxação financeira mundial. O Brasil já possui o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), inclusive elevado recentemente para conter a especulação com o real.

Com a iniciativa, a França quer que o mundo das finanças contribua para a solução da crise. O objetivo seria usar o imposto para investir no desenvolvimento e reduzir o déficit dos países problemáticos. A ideia esbarra, entretanto, na forte resistência dos Estados Unidos e do Reino Unido, que temem novo abalo em seus sistemas financeiros.

Sobre o comércio, Dilma disse que se empenha para a retomada da rodada Doha. Mas, ponderou que atualmente a crise econômica provoca igualmente problemas cambiais e de ampliação de liquidez que afetam muitos países, como o Brasil. "A conferência da OMC em dezembro deve ser uma oportunidade para retomar nossos compromissos de Doha, assim como discutir a questão cambial e de segurança alimentar, incluindo os subsídios agrícolas."

Os representantes do governo brasileiro novamente não conversaram com a imprensa hoje, em Cannes. A cúpula do G-20 termina amanhã.

30 outubro 2011

Realidades distintas, Soluções semelhantes


Por Daniel de Granville

Em linha reta, quase 2.500 quilômetros separam a pequena Icapuí, no Ceará, do Pontal do Paranapanema, São Paulo. No meio do caminho tem a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. Tão distantes e tão diversas em termos sociais, ambientais e culturais, projetos bem-sucedidos nas duas regiões baseiam-se em processos parecidos que visam oferecer formas de vida mais sustentáveis e dignas para seus habitantes. Dentre as ações para atingir seus objetivos, percebe-se que existe muita coisa em comum. Além de trabalhos que se assemelham, ao associar saber científico e conhecimentos tradicionais, soluções para problemas semelhantes em realidades tão distintas vieram através das chamadas tecnologias sociais – designação dada aos produtos, técnicas ou metodologias geralmente simples, de baixo custo e desenvolvidas a partir de demandas indicadas pelas comunidades envolvidas.

Em Icapuí, o Projeto "De Olho na Água" atua em diversas frentes cujo ponto de convergência, como o próprio nome sugere, são os recursos hídricos. Diretamente relacionados à água, são desenvolvidos trabalhos como o monitoramento constante de qualidade das águas em 34 pontos da costa, construção de sistemas simples – com baixo custo – para captação de água das chuvas nas residências e instalação de canteiros bio-sépticos (sistema natural de tratamento de esgoto doméstico utilizando plantas como bananeiras). De forma indireta, mas sempre tendo como objetivo final o uso racional da água, são realizadas pesquisas científicas sobre a diversidade biológica da região, trabalhos de capacitação de monitores ambientais para desenvolvimento de atividades de ecoturismo, plantio de mudas nativas nos manguezais e a publicação de vários materiais de referência, como guias regionais de aves e mamíferos e um manual sobre sistemas de captação de água da chuva e construção dos canteiros bio-sépticos. Na questão da biodiversidade e do ecoturismo, destaca-se a presença na região do peixe-boi-marinho, espécie ameaçada de extinção e que pode vir a ser um atrativo em atividades turísticas de observação de vida selvagem.

Já no Oeste Paulista, o Pontal do Paranapanema ficou conhecido principalmente pelos violentos conflitos agrários nas disputas entre ruralistas, sem-terra, políticos e ambientalistas. Foi justamente em meio a este "barril de pólvora" que se instalou a Sede do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), hoje considerado uma das maiores Organizações Não-Governamentais ambientais do Brasil e um exemplo de articulação entre o terceiro setor, as empresas e o meio acadêmico. A atuação do Instituto sempre teve foco no envolvimento comunitário como forma de conscientização para defesa da biodiversidade. De forma semelhante ao Projeto de Olho na Água, o IPÊ mantém cientistas em seus quadros e tem forte ênfase no trabalho em conjunto com as comunidades locais. O Instituto sempre reforça a importância em se respeitar as tradições, no que se refere às comunidades das regiões onde atua e suas práticas tradicionais. Ações como o Viveiro Escola, que produz mais de 500 mil mudas por ano, auxiliam na recomposição florestal e na renda das famílias de assentamentos rurais, que realizam cultivo agrícola pelo sistema agrossilvipastoril – uma forma de uso da terra no qual espécies arbóreas nativas são combinadas com o cultivo agrícola e/ou a criação de animais, em uma interação que traz benefícios ecológicos e melhorias econômicas aos pequenos produtores. Um exemplo de sua aplicação é o Projeto Café com Floresta, que realiza o plantio de mudas de café em meio às árvores nativas, com benefícios comprovados. E, mais uma vez atuando de forma semelhante ao Projeto do distante Nordeste brasileiro, o Instituto mantém o "Espaço IPÊ", onde são desenvolvidos trabalhos de educação ambiental com a comunidade.

De Norte a Sul, de Leste a Oeste: a maneira como estas duas instituições atuam, em áreas tão distantes do Brasil, são um belo exemplo prático de como o compartilhamento e a disseminação de experiências podem encurtar distâncias e ajudar a melhorar a vida das pessoas em todo o país, sempre em harmonia com os ambientes naturais.

É uma opção estratégica para produtores familiares, graças à diversificação da produção e rentabilidade. Além disso, fornecem numerosos serviços socioambientais, que podem ser valorados, com potencial de serem convertidos em créditos ambientais e, assim, aumentar o valor agregado da propriedade agrícola.

Um aspecto que determina a sustentabilidade desses sistemas é a presença das árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando-os eficientemente e proporcionando maior cobertura e conservação dos recursos edáficos.

O Sistema Agroflorestal objetiva otimizar a produção por unidade de área, com o uso mais eficiente dos recursos (solo, água, luz, etc.), da diversificação de produção e da interação positiva entre os componentes.

Planeta Mar

Por Daniel de Granville

Nosso planeta chama-se "Terra", mas toda a vida que existe nele depende essencialmente dos ambientes oceânicos, mais do que da terra firme. Os oceanos suprem grande parte das necessidades humanas no que se refere à alimentação e outros recursos naturais dos quais dependemos. Alimentos originados dos mares, por exemplo, são a principal fonte de proteínas para aproximadamente metade da população – o que significa 3 bilhões de pessoas.

Por serem ambientes tão vastos (os oceanos ocupam cerca de 71% da superfície da Terra), durante muito tempo manteve-se a ideia de que seus recursos são infinitos, que jamais se esgotarão, não importa quanto ou como os exploramos. O desconhecimento com relação às coisas que vivem nos oceanos e que nós não temos contato também dificulta a conscientização sobre a importância de se proteger este patrimônio. Assim, enquanto as notícias sobre devastação da natureza e extinção de espécies ficam focadas nas florestas e outros ambientes terrestres, às vezes os mares e oceanos recebem menos destaque. Felizmente, projetos realizados no Brasil, como os detalhados a seguir, vêm revertendo este quadro, ao pesquisar tais ambientes e buscar alternativas mais sustentáveis de usar o que eles nos fornecem.

O primeiro exemplo vem de Trairi, no Ceará, onde o projeto "Algas: Cultivando Sustentabilidade" mudou a maneira como as populações locais utilizavam as algas marinhas. Tradicionalmente, a exploração era feita de maneira puramente extrativista, onde a comunidade coletava algas diretamente nos bancos naturais, sem preocupação com a manutenção dos estoques. Trabalhos de educação e conscientização ambiental, aliados à qualificação profissional junto a pescadores e coletores, transformou a situação. Hoje, a população entende e incentiva a prática sustentável de se manejar as algas e não simplesmente extraí-las da natureza. Em outra frente de atuação, os envolvidos com o Projeto foram capacitados a desenvolver novos produtos feitos a partir de algas, como cosméticos, artesanatos e alimentos, o que agrega valor ao beneficiar o material na própria comunidade. "Antigamente nós vendíamos cada quilo de algas a cinquenta centavos. Hoje o quilo vale de sete Reais, no caso da alga pura, até trinta Reais, quando ela é preparada como alimento", diz Regina Dias, a "Bina", uma das mais conhecidas e atuantes cultivadoras de algas da região. E complementa: "Mas não é apenas a questão econômica que melhorou. Quando colhíamos as algas da natureza, sem repor os estoques, percebemos que os animais que se alimentavam delas, como peixes e lagostins, estavam desaparecendo. O nosso cultivo trouxe-os volta, pois já encontramos novamente vários peixes que tinham acabado".

Focado na pesquisa científica e na educação ambiental, outro projeto atua em cinco Estados brasileiros visando a conservação de um dos peixes mais ameaçados de nossa fauna. É o Projeto Meros do Brasil, dedicado a esta espécie que aparece na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) – o mais conceituado inventário do estado de conservação das espécies vivas do planeta – como "criticamente ameaçado". Das seis categorias que definem o grau de ameaça ao qual uma espécie está sujeita, esta é a mais alta antes da extinção. Trabalhando com pescadores e comunidades litorâneas em Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, a chamada Rede Meros atua ao longo da costa e não se restringe a uma única espécie. Paulo Beckenkamp, Gerente Executivo do Projeto, explica: "O mero é considerado uma espécie-bandeira pois, junto com sua conservação, leva-se a um conjunto de outras ações que possibilita a conservação de vários ambientes associados, como os manguezais, os costões rochosos, ambientes marinhos e estuarinos dos quais este peixe depende para completar seu ciclo de vida". O objetivo não é proibir definitivamente a pesca do mero, mas garantir condições para uma exploração sustentável que ao mesmo tempo favoreça o homem e garante a sobrevivência da espécie.

Exploração racional dos recursos marinhos pode ser a frase que resume o trabalho destes e de outros importantes projetos, cujo objetivo é proteger a natureza sem esquecer do componente humano que interage e depende dela. Só assim podemos pensar em um futuro promissor para a vida no que alguns apelidaram de "Planeta Azul".