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20 novembro 2011

Analfabetismo ainda atinge 28% da população com mais de 15 anos em pequenas cidades do Nordeste


Embora a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade tenha caído de 13,63% em 2000 para 9,6% em 2010 na média do país, nas menores cidades do Nordeste, com até 50 mil habitantes, ela ainda atinge 28% das pessoas nessa faixa etária. Além disso, nesses municípios a proporção de idosos que não sabiam ler e escrever chegava a 60%.

Segundo dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgado hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no caso do analfabetismo de jovens, a situação da Região Nordeste também é preocupante. Enquanto na média do país a proporção de adolescentes e jovens que não sabiam ler e escrever atingia 2,5%, no Nordeste era quase o dobro (4,9%), com pouco mais de 500 mil pessoas nessa faixa etária. Na Região Sul o percentual era de 1,1% e na Sudeste, de 1,5%.

Entre jovens e adultos, o levantamento revela que em 1.304 municípios a taxa de analfabetismo era igual ou superior a 25%. Entre eles, 32 não contavam com o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). A maioria está localizada no Nordeste, tendo sido a pior situação observada em João Dias (RN), onde 38,9% das pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever. Em seguida, aparecem Monte Santo (BA), com 35,6%, e São Brás (AL), com 34,7%. No Norte, três municípios aparecem na lista, todos em Tocantins: Ponte Alta do Bom Jesus (25,2%), Mateiros (26,4%) e Centenário (28,6%). O Sudeste concentrava quatro deles, localizados em Minas Gerais. São eles: Miravânia (26,0%), Frei Gaspar (28,5%), Bertópolis (29,6%) e Santa Helena de Minas (31,7%).

O levantamento também evidenciou as diferenças em termos de alfabetização nos resultados segundo cor ou raça. Enquanto entre os brancos, o percentual de analfabetos para pessoas com 15 anos ou mais era de 5,9%, entre os pretos atingiu 14,4% e entre os pardos, 13%.

21 setembro 2011

Governo deixou erradicação do analfabetismo de lado

Plano plurianual com as metas detalhadas do governo até 2015 não prevê acabar com os 14 milhões que não sabem ler nem escrever

AE 17/09/2011 08:28

Governo deixou erradicação do analfabetismo de ladoPlano plurianual com as metas detalhadas do governo até 2015 não prevê acabar com os 14 milhões que não sabem ler nem escrever Seu nome* Seu e-mail* Mensagem

Com quase 14 milhões de brasileiros sem saber ler nem escrever um bilhete simples, a presidenta Dilma Rousseff deixou de lado o compromisso de campanha de erradicar o analfabetismo no País. O objetivo não aparece no Brasil Maior, o plano plurianual com as metas detalhadas do governo até 2015, recentemente enviado pelo governo ao Congresso.

Onze meses após a presidente ter assumido o compromisso em um debate na televisão, a erradicação do analfabetismo saiu de cena. Em seu lugar, o governo se compromete agora a "reduzir a taxa de analfabetismo, especialmente entre as mulheres, a população do campo e afrodescendentes".

O problema não é com a palavra erradicação, que se repete com frequência nos documentos do "Brasil Maior". O plano plurianual fala em erradicar a extrema pobreza, prioridade do governo, e também se compromete com a erradicação do trabalho infantil, do trabalho escravo, do sub-registro de nascimento, de pragas vegetais, doenças animais, da mosca da carambola e até de casos de escalpelamento.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que o compromisso do governo, fixado no Plano Nacional de Educação (PNE), é erradicar o analfabetismo até 2020. "É uma tarefa árdua", calcula o ministro, com base nos resultados obtidos até aqui de lenta redução do analfabetismo.

À reportagem, ele alegou que não se lembrava de ter ouvido Dilma assumir compromisso com o fim do problema, que ainda atinge quase 10% da população de jovens e adultos no País.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

10 julho 2011

Brasília pode ser primeira capital do País a não ter analfabeto

Brasília pode ser primeira capital do País a não ter analfabeto

Em evento para assinatura de convênios com governo federal, governador prometeu "buscar analfabetos onde quer que estejam"

Agência Brasil | 07/07/2011 20:58 - Atualizada em 08/07/2011 20:51

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, disse nesta quinta que Brasília será a primeira capital a não ter pessoas analfabetas. Segundo ele, a meta é zerar, até 2014, o índice que hoje está abaixo de 4%. O governo do DF assinou uma série de convênios com o Ministério da Educação (MEC) para construção de creches e escolas técnicas, compra de bicicletas para transporte escolar e ampliação do ensino para tempo integral.

No Brasil, 9,6% da população com mais de 15 anos não sabem ler e escrever. Nos estados, a taxa de analfabetismo varia de 24,6% em Alagoas a 2,8% no Amapá. Os números são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) de 2009.

Segundo Agnelo, já foi feito um mapeamento que mostra onde estão os analfabetos da cidade. “Sabemos onde ele estão e vamos buscá-los, onde quer que eles estejam”, disse. O governador também confirmou o início da construção de 50 creches, em parceria com o MEC, e de 14 escolas técnicas para alunos do ensino médio.

(Atualizada em 8 de julho de 2011 com a seguinte correção: O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas (24,6%) e não o Acre (15,4%), como o texto informava)


Brasília pode ser primeira capital do País a não ter analfabeto

Em evento para assinatura de convênios com governo federal, governador prometeu "buscar analfabetos onde quer que estejam"

Agência Brasil | 07/07/2011 20:58 - Atualizada em 08/07/2011 20:51

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, disse nesta quinta que Brasília será a primeira capital a não ter pessoas analfabetas. Segundo ele, a meta é zerar, até 2014, o índice que hoje está abaixo de 4%. O governo do DF assinou uma série de convênios com o Ministério da Educação (MEC) para construção de creches e escolas técnicas, compra de bicicletas para transporte escolar e ampliação do ensino para tempo integral.

No Brasil, 9,6% da população com mais de 15 anos não sabem ler e escrever. Nos estados, a taxa de analfabetismo varia de 24,6% em Alagoas a 2,8% no Amapá. Os números são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) de 2009.

Segundo Agnelo, já foi feito um mapeamento que mostra onde estão os analfabetos da cidade. “Sabemos onde ele estão e vamos buscá-los, onde quer que eles estejam”, disse. O governador também confirmou o início da construção de 50 creches, em parceria com o MEC, e de 14 escolas técnicas para alunos do ensino médio.

(Atualizada em 8 de julho de 2011 com a seguinte correção: O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas (24,6%) e não o Acre (15,4%), como o texto informava)


Meta da ONU exige que País alfabetize 3,5 milhões de adultos

Brasil terá de dobrar ritmo de queda do analfabetismo para cumprir a meta assumida perante a ONU de chegar à taxa de 6,7% em 2015

Com 13,9 milhões de jovens, adultos e idosos que não sabem ler nem escrever - ou 9,6% da população de 15 anos ou mais, segundo o Censo 2010 -, o Brasil terá de dobrar o ritmo de queda do analfabetismo para cumprir a meta assumida perante a Organização das Nações Unidas (ONU) de chegar à taxa de 6,7% em 2015.

Levada em conta a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que a população nessa faixa etária será de 154,9 milhões, o País deveria chegar a 2015 com 10,4 milhões de analfabetos. Em números absolutos, seria uma redução de 3,5 milhões em apenas cinco anos. Entre 2000 e 2010, no entanto, o total de analfabetos caiu 2,3 milhões.

Se o País repetir esse desempenho, a meta prometida pelo governo há 11 anos, durante conferência da Unesco, só será alcançada em 2020.

Uma das principais dificuldades na redução das taxas é que os piores índices de analfabetismo entre adultos estão concentrados na população idosa, de 60 anos ou mais, que tem grande dificuldade de aprendizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/meta+da+onu+exige+que+pais+alfabetize+35+milhoes+de+adultos/n1597073395779.html

25 abril 2010

Estadão, 24-Abril de 2010: Analfabetismo científico por Carlos Orsi

A edição da revista Science que circula esta semana traz uma série de artigos sobre “alfabetização científica”, ou como transmitir para a população em geral — e para as crianças, em particular — o mínimo de conhecimento científico necessário para navegar no mundo contemporâneo.

O analfabetismo científico é um problema em praticamente todo o mundo. Com o agravante de que, diferentemente do analfabetismo literal, muitas vezes não chega a ser reconhecido como um problema, mesmo entre as parcelas mais educadas e/ou poderosas da sociedade.

Parafraseando um antigo aforismo de C.P. Snow, um milionário que ignore quem foi Machado de Assis acaba visto como uma figura folclórica, excêntrica; um que ignore a segunda lei da termodinâmica é só mais um cara normal. Além, claro, de uma ótima vítima para esquemas de moto-perpétuo.

Este, aliás, é um ponto que passa em branco na maioria dos discursos sobre a alfabetização científica: quando se reconhece o valor do ensino e da divulgação da ciência, o foco costuma repousar sobre os benefícios econômicos — pesquisa e desenvolvimento, novos produtos, engenharia — que são, evidentemente, reais e importantes. Mas pouco se fala sobre a educação científica como fator de cidadania e, se me permitem o termo, de defesa pessoal.

Mais do que uma instituição acadêmica ou de um conjunto de princípios, leis e teorias a assimilar, ciência é um método, uma disciplina, uma postura. De forma bem resumida, é o hábito de não aceitar afirmações como verdadeiras sem prova, e de avaliar criticamente toda prova apresentada. Ciência, enfim, é uma ferramenta de detecção de falsidades e de busca da verdade.

Tão ou mais importante do que conhecer os resultados obtidos por essa ferramenta é familiarizar-se com o instrumento em si. Empunhá-lo, acostumar-se com seu peso, ver como sua lâmina é afiada e, por fim, aprender a usá-lo no dia-a-dia, ao lidar com coisas tão díspares quanto promessas de políticos, discursos de autoajuda, comerciais de produtos milagrosos, ofertas de crediário, terapias e, sim, esquemas de moto-perpétuo.

Um do artigos da Science trata, aliás, exatamente disso: Jonathan Osborne, da Universidade Stanford, queixa-se de que há muito pouco debate crítico nas aulas de ciências.

“Como uma das marcas registradas do cientista é o ceticismo crítico e racional, a ausência de oportunidades para desenvolver a capacidade de pensar e discutir cientificamente parece ser uma fraqueza significativa na prática educacional contemporânea”, escreve Osborne.

Há alguns anos, a jornalista de ciência do New York Times Natalie Angier escreveu um livro — premiado — chamado The Canon (”O Cânone”), que buscava explicar o que há de mais básico na ciência atual. A partir de um primeiro capítulo sobre, exatamente, o pensamento científico, a obra se lança numa exploração da matemática, biologia, física, química, geologia e astronomia.

São pouco mais de 260 páginas e não creio que tenha sido traduzido, infelizmente. Mas se todos tivessem contato com as ideias e princípios que descreve, este seria um mundo com menos vítimas e melhores cidadãos.