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13 dezembro 2011

Marcos Valério é solto

Lembram-se dele?!


O empresário Marcos Valério, durante depoimento no Congresso em 2005. Foto: Agência Brasil



Preso desde o início do mês por grilagem, Marcos Valério Fernandez de Souza poderá aguardar em liberdade o julgamento de habeas corpus. Valério foi solto nesta terça-feira 13. O publicitário é acusado de participar de um esquema de grilagem de terras e de falsificação de documentos no interior da Bahia. Ele, que estava preso em Salvador, poderá responder ao processo em liberdade.

Além de Marcos Valério, a liminar do ministro do Superior Tribunal de Justiça Sebastião Alves dos Reis Júnior concedeu liberdade a outros réus do mesmo caso, Francisco Castilho e Margareth Maria de Queiroz Freitas, ambos sócios de Valério.

De acordo com o ministro Reis Junior, “há ilegalidade flagrante” na decisão que mandou prender Marcos Valério, uma vez que, no entendimento do magistrado, o publicitário não oferece risco à ordem pública nem ameaça ao andamento do processo.

O ministro também entendeu que as acusações mais graves, como ameaças e violência, não são creditadas a Valério, e sim, a outras pessoas citadas no inquérito. “Não é mencionada nenhuma participação do paciente [Valério] neles [nesses atos], ainda que como autor intelectual”, conforme trecho da decisão.

Para o ministro, a prisão preventiva também não se justifica porque havia pelo menos dez anos que não eram registrados fatos novos relativos à denúncia de grilagem de terra e fraudes em cartórios de cidades do oeste baiano. Como Valério não exerce função notarial, não oferece risco de fraudar novos registros.

O ex-sócio de Valério na agência DNA Francisco Marcos Castilho Santos também de beneficiou de uma liminar para responder ao processo em liberdade. Ontem (12), a ex-sócia da DNA Margareth Maria de Queiroz Freitas também conseguiu uma liminar no STJ para deixar a prisão. A corte informou que ainda não há notícia sobre o andamento do pedido de liberdade do sócio de Valério na agência SMPB, Ramon Hollerbach.

Antes de entrar com pedido de habeas corpus no STJ, os advogados dos quatro publicitários presos já tinham tentado a liberdade dos clientes na Justiça baiana, mas os pedidos foram negados. Além dos quatro, mais 11 pessoas foram presas na Bahia e em São Paulo por envolvimento no caso.

O empresário é também réu do processo do chamado “mensalão”, que deverá ser julgado no início do ano que vem. A prisão foi feita no dia 2 de dezembro em uma operação da Polícia Civil da Bahia contra um esquema de grilagem de terras no Estado. A operação Terra do Nunca tinha o objetivo de prender responsáveis por esquema de grilagem de terras.

As investigações apontam que Valério falsificava documentos para declarar posse de terras e sanar dívidas de sua empresa, a DNA Propaganda. A prisão foi feita em Belo Horizonte, sede da empresa de Valério que comandaria o esquema, mas Valério foi levado para o cárcere a Bahia.

Valério e seus sócios são acusados de falsidade ideológica, corrupção passiva e ativa e falsificação de documentos públicos, criando imóveis inexistentes no sul da Bahia

*Com informações da redação

02 abril 2011

Relatório final da Polícia Federal confirma mensalão no governo Lula, afirma revista

PF teria encontrado ligação entre o esquema e a campanha do ex-presidente

O relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão, um esquema de corrupção no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pagava parlamentares para aprovarem projetos de interesse do Palácio do Planaltodo. A afirmação está na edição deste final de semana da revista Época, que diz ter tido acesso às conclusões da PF.

Segundo a revista, foi a pedido do hoje ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) que a Polícia Federal produziu sigilosamente um documento de 332 páginas, que encerra seis anos de investigações. A reportagem diz que a PF “vasculhou centenas de contas bancárias, esmiuçou dezenas de documentos internos das empresas envolvidas no esquema e ouviu cerca de 100 testemunhas”.

O mensalão teria envolvido cinco partidos, dezenas de parlamentares, centenas de contas bancárias e compra maciça de apoio político no Congresso, o que faria deste o “maior esquema de corrupção já descoberto no país”.

Presidente Lula

As investigações teriam encontrado “o elo mais grave do esquema do valerioduto: a conexão com o ex-presidente [...] Lula”. O segurança pessoal dele, Freud Godoy, confessou à PF que recebeu R$ 98 mil do publicitário Marcos Valério, considerado o operador do mensalão.

Godoy disse em seu depoimento que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência, mas ele nega que tenha tido contato com Valério.

O relatório também complica mais 17 pessoas, como o atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Segundo o relatório, o tesoureiro de sua campanha vitoriosa à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, Rodrigo Barroso Fernandes, recebeu um cheque de R$ 247 mil de uma das contas da SMP&B (agência de Marcos Valério) no Banco Rural. Pimentel disse que só comentaria depois de ler o relatório.

Os mensaleiros também teriam contato com o banqueiro Daniel Dantas, que já foi preso pela PF. Segundo o relatório, ele recebeu de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT e o homem que distribuiria o dinheiro, um pedido de ajuda financeira: R$ 83,3 milhões (US$ 50 milhões) para quitar dívidas petistas. Segundo a PF, a propina foi aceita.

O esquema

A matéria diz que existiam duas fontes de recursos para bancar o mensalão: uma, a principal, era em dinheiro público vindo dos contratos do publicitário com ministérios e estatais. O principal canal de desvio era o Banco do Brasil, em um fundo de publicidade chamado Visanet, que cuidava do marketing do cartão da bandeira Visa. Mesmo que as agências de Marcos Valério fizessem algumas ações publicitárias, o grosso do dinheiro repassado pelo governo servira para abastecer o mensalão. A segunda fonte viria de contratos com empresas dispostas a se aproximar da Presidência da República, como o Banco Rural.

Os valores saiam de duas contas de Marcos Valério no Banco do Brasil, ia para o Banco Rural e, em seguida, era repassado aos beneficiários. O fundo Visanet teria repassado R$ 68 milhões. Ao todo, cerca de R$ 350 milhões teriam sido recebidos pelas empresas de Valério do governo Lula.

O relatório já está com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e deverá seguir para o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, o relator do caso do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).

Relatório final da Polícia Federal confirma mensalão no governo Lula, afirma revista

PF teria encontrado ligação entre o esquema e a campanha do ex-presidente

O relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão, um esquema de corrupção no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pagava parlamentares para aprovarem projetos de interesse do Palácio do Planaltodo. A afirmação está na edição deste final de semana da revista Época, que diz ter tido acesso às conclusões da PF.

Segundo a revista, foi a pedido do hoje ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) que a Polícia Federal produziu sigilosamente um documento de 332 páginas, que encerra seis anos de investigações. A reportagem diz que a PF “vasculhou centenas de contas bancárias, esmiuçou dezenas de documentos internos das empresas envolvidas no esquema e ouviu cerca de 100 testemunhas”.

O mensalão teria envolvido cinco partidos, dezenas de parlamentares, centenas de contas bancárias e compra maciça de apoio político no Congresso, o que faria deste o “maior esquema de corrupção já descoberto no país”.

Presidente Lula

As investigações teriam encontrado “o elo mais grave do esquema do valerioduto: a conexão com o ex-presidente [...] Lula”. O segurança pessoal dele, Freud Godoy, confessou à PF que recebeu R$ 98 mil do publicitário Marcos Valério, considerado o operador do mensalão.

Godoy disse em seu depoimento que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência, mas ele nega que tenha tido contato com Valério.

O relatório também complica mais 17 pessoas, como o atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Segundo o relatório, o tesoureiro de sua campanha vitoriosa à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, Rodrigo Barroso Fernandes, recebeu um cheque de R$ 247 mil de uma das contas da SMP&B (agência de Marcos Valério) no Banco Rural. Pimentel disse que só comentaria depois de ler o relatório.

Os mensaleiros também teriam contato com o banqueiro Daniel Dantas, que já foi preso pela PF. Segundo o relatório, ele recebeu de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT e o homem que distribuiria o dinheiro, um pedido de ajuda financeira: R$ 83,3 milhões (US$ 50 milhões) para quitar dívidas petistas. Segundo a PF, a propina foi aceita.

O esquema

A matéria diz que existiam duas fontes de recursos para bancar o mensalão: uma, a principal, era em dinheiro público vindo dos contratos do publicitário com ministérios e estatais. O principal canal de desvio era o Banco do Brasil, em um fundo de publicidade chamado Visanet, que cuidava do marketing do cartão da bandeira Visa. Mesmo que as agências de Marcos Valério fizessem algumas ações publicitárias, o grosso do dinheiro repassado pelo governo servira para abastecer o mensalão. A segunda fonte viria de contratos com empresas dispostas a se aproximar da Presidência da República, como o Banco Rural.

Os valores saiam de duas contas de Marcos Valério no Banco do Brasil, ia para o Banco Rural e, em seguida, era repassado aos beneficiários. O fundo Visanet teria repassado R$ 68 milhões. Ao todo, cerca de R$ 350 milhões teriam sido recebidos pelas empresas de Valério do governo Lula.

O relatório já está com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e deverá seguir para o gabinete do ministro Joaquim Barbosa, o relator do caso do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).