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09 dezembro 2011

Brasil pode ter quase 90% mais enchentes até 2100, diz estudo

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional%2cbrasil-pode-ter-quase-90-mais-enchentes-ate-2100-diz-estudo%2c808241%2c0.htm

03 novembro 2011

Problemas ambientais ameaçam avanços no desenvolvimento humano


As ameaças ambientais podem comprometer avanços no desenvolvimento humano nos próximos anos, e os principais prejudicados serão os países mais pobres do mundo. O alerta é do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que divulgou nesta quarta-feira (2) o relatório Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos.

De acordo com o Pnud, os avanços em saúde e renda, que, junto com educação, compõem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), poderão ser ameaçados pelas consequências das mudanças climáticas e da destruição ambiental. "Os resultados alcançados nas últimas décadas poderão ser revertidos se não levarmos em conta o desenvolvimento sustentável, compreender que a desigualdade afeta a degradação ambiental e vice-versa", apontou o pesquisador do Relatório de Desenvolvimento 2011, Alan Fuchs.

Brasil fica em 84ª em ranking de desenvolvimento humano
Veja mapa do desenvolvimento humano

Pelas projeções do Pnud, se o ritmo de evolução do IDH dos últimos 40 anos for mantido, em 2050 a grande maioria dos países terá índices considerados muito elevados. No entanto, essa trajetória pode ser comprometida pelos riscos ambientais, que foram divididos pelo Pnud em dois cenários: desafio e desastre ambiental.

Até 2050, sem os novos desafios ambientais, o IDH global seria 19% maior que o atual, com melhora principalmente nos índices de países em desenvolvimento. No cenário de desafio ambiental, que considera a poluição do ar e da água e os impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura, o IDH global em 2050 seria 8% menor do que no cenário-base. Na hipótese de desastre ambiental, o IDH global seria 15% menor que o projetado para 2050 no cenário básico.

"Sob um cenário de desastre ambiental, a maior parte dos ganhos do início do século será perdida até 2050, com os sistemas biofísicos e humanos sujeitos à pressão do uso excessivo de combustíveis fósseis, da queda dos lençóis freáticos, da desflorestação e degradação da terra, dos declínios dramáticos da biodiversidade, da maior frequência de eventos climáticos extremos", lista o relatório.

Os impactos serão maiores nos países do Sul da Ásia e da África Subsaariana, mais vulneráveis, por exemplo, aos impactos das mudanças climáticas, tais como a alteração na ocorrência de chuvas e elevação do nível do mar.

O Pnud sugere mudanças significativas na implementação de políticas públicas e investimentos em sustentabilidade para reverter a situação. "É preciso haver uma mudança macro. Um ambiente limpo e seguro deve ser um direito e não um privilégio", avaliou Fuchs.

Entre as medidas, os autores do relatório defendem a criação de um imposto verde, para taxar as grandes transações financeiras internacionais e financiar o enfrentamento das mudanças climáticas e da pobreza extrema. Segundo cálculos do Pnud, uma taxa de 0,005% sobre as negociações cambiais poderia gerar anualmente US$ 40 bilhões para essas causas.

02 novembro 2011

Representantes do governo apresentam plano para a agricultura de baixo carbono no Brasil

http://www.senado.gov.br/noticias/representantes-do-governo-apresentam-plano-para-a-agricultura-de-baixo-carbono-no-brasil.aspx

A agricultura de baixo carbono (ABC) do Brasil é um exemplo para o mundo, disse, nesta terça-feira (1º), o diretor do Departamento de Sistemas de Produção e Sustentabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Magno Chaves Brandão, durante audiência pública realizada pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).

A reunião teve como objetivo debater o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC) e as ações que visam alcançar os objetivos estabelecidos na Política Nacional sobre Mudanças do Clima. Segundo Carlos Magno Brandão, o ABC é uma iniciativa "muito feliz" do governo brasileiro.

- O ABC vai permitir o aumento de renda e a produção de forma sustentável - disse Brandão.

ABC

Outro representante do Ministério da Agricultura, Elvison Nunes Ramos, definiu o Plano ABC como um conjunto de ações que incentiva os produtores rurais a adotarem técnicas agrícolas sustentáveis, com o objetivo de reduzir a emissão dos gases de efeito estufa. Segundo Ramos, a ideia é que a produção agrícola e pecuária garanta mais renda ao produtor, mais alimentos para a população e aumente a proteção ao meio ambiente. Ramos também disse que um dos pilares do Plano ABC é o Programa ABC, que oferece linhas de financiamento para o produtor rural, com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Delgado Assad, o ABC é uma das maiores ações do mundo na área de agricultura sustentável. Segundo Assad, o plano é uma forma de evitar o aumento da temperatura mundial, que poderia trazer consequências imprevisíveis.

- O Brasil hoje é um dos principais participantes do jogo econômico global. O país está fazendo o seu trabalho e fazendo muito bem - afirmou.

Assad lembrou que os desastres naturais estão cada vez mais abrangentes. De acordo com ele, a agricultura de baixo carbono tem muito a contribuir com a qualidade do clima e da produção sustentável do Brasil. Ele ainda pediu apoio do governo e da iniciativa privada para o investimento em tecnologia ambiental.

- A agricultura ABC é uma realidade, mas precisa do apoio de todos os setores para funcionar bem. Não é algo que pertence a um ministério, mas pertence ao Brasil - disse Assad.

Preocupação

O senador Sérgio Souza (PMDB-PR), que presidiu a audiência, lembrou que a Política Nacional de Mudanças Climáticas (Lei 12.187/2009) foi aprovada pelo Congresso Nacional no final de 2009 e mostra a preocupação do país com a sustentabilidade. Segundo o senador, o mundo tem observado o Brasil nessa questão.

O parlamentar paranaense comemorou os avanços registrados na relação do país com o meio ambiente. Ele citou pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que aponta queda de 43% no desmatamento na Amazônia em setembro, se comparado com o mesmo mês de 2010. O senador também destacou que a expectativa é que em poucos anos o Brasil se torne líder mundial no consumo de biodiesel.

Etanol

O coordenador do Centro de Pesquisa e Análise Tecnológica da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Vinícius Leandro Skrobot, traçou um histórico do desenvolvimento dos combustíveis no Brasil a partir da década de 70, com destaque para a produção de etanol. Segundo Skrobot, as políticas de incentivo do governo buscam a garantia de fornecimento do etanol e a competitividade do preço do combustível no mercado mundial.

Já o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única) Alfred Szwarc disse que a cultura de cana-de-açúcar se "encaixa perfeitamente" dentro do conceito de agricultura de baixo carbono. Segundo Szwarc, muito do que o governo pensa sobre produção sustentável já é praticado na produção da cana e deu como exemplos o uso da tecnologia e o aproveitamento do bagaço na geração de energia.

- A indústria da cana é um dos setores líderes na prática de baixo carbono no Brasil - afirmou Szwarc.

Os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e os deputados Márcio Macedo (PT-SE) e Anthony Garotinho (PR-RJ) também acompanharam a audiência. A CMMC volta a se reunir no próximo dia 9, às 14h.
Tércio Ribas Torres / Agência Senado

27 setembro 2011

Pesquisadores lançam documento por mudanças no Código Florestal




MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

http://www1.folha.uol.com.br/poder/981651-pesquisadores-lancam-documento-por-mudancas-no-codigo-florestal.shtml

Em audiência pública nesta terça-feira (27) no Senado, o pesquisador Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), afirmou que a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) deve lançar na sexta-feira um documento defendendo mudança em 10 pontos da reforma do Código Florestal.

A proposta foi aprovada na semana passada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e ainda tem que passar por mais três comissões: Ciência e Tecnologia, Agricultura e Meio Ambiente.

Aos senadores, Rodrigues adiantou os pontos que os pesquisadores defendem alterações. Segundo ele, a proposta tem problemas graves como permitir a legalização de desmatamentos feitos até julho de 2008 nas chamadas áreas rurais consolidadas.

O texto do Senado aplica o conceito às APPs (áreas de preservação permanente), em topos de morro e várzeas de rios que precisam de proteção especial. Para ele, se esse ponto não for revisto, as APPs serão drasticamente reduzidas.

"A restauração dessas áreas é fundamental para que ela volte a cumprir seus mecanismos nos mecanismos do ecossistema." O pesquisador defendeu que o governo coloque na lei uma previsão para que haja um pagamento de serviços ambientais para recuperar essas áreas.

Ele defendeu o tratamento especial para o pequeno agricultor, afirmando que o Senado precisa aprovar uma "política agrícola com sustentação ambiental".

Rodrigues também criticou a liberação de pequenas propriedades da recuperação de áreas de reserva legal (composta pela área de vegetação que deve ser poupada do corte raso).

Representante da Academia Brasileira de Ciências, Elíbio Rech Filho também apontou problemas, como a questão das APPs, e disse que o Congresso precisa encontrar uma saída que modernize a agricultura sem prejudicar o meio ambiente. Uma das saídas seria ampliar o uso de inovações científicas e tecnológica pelos agricultores.

A reforma do código determina como deve ser a preservação de rios, florestas e encostas, combinada com a produção de alimentos e a criação de gado. A proposta é polêmica e coloca em lados opostos ambientalistas e ruralistas.