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19 dezembro 2011

Pré-sal pode aprofundar quadro de desindustrialização no Brasil, diz Iedi

http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/2011/12/19/pre-sal-pode-aprofundar-quadro-de-desindustrializacao-no-brasil-diz-iedi/

A enorme riqueza gerada pelo pré-sal poderá agravar o quadro de desindustrialização da economia brasileira, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Para o Iedi, o modelo atual da economia brasileira está baseada no forte consumo, com investimentos “para o gasto”, com dinâmica exportadora modesta e restrita ao setor primário, e “altamente” importadora.

“Decididamente não é o melhor modelo de desenvolvimento”, diz.

O instituto alerta que o pré-sal pode aprofundar esse quadro, estimulando as exportações dos setores básicos e sustentando o consumo.

O Iedi diz que, com o foco no consumo, o setor de serviços se beneficia. Os resultados já são observados no próprio PIB, com serviços liderando crescimento de 8,8%.

“No entanto, é na indústria que o descompasso aparece nitidamente. Seu PIB desde a crise só cresceu 2,8%, graças à extrativa mineral (+10,7%), construção civil (+11,2%) e serviços industriais como eletricidade (+12,6%).”

O instituto defende predomínio do investimento sobre o consumo e um equilíbrio entre importações e exportações.

“Assim como é decisivo preservar o dinamismo do setor primário e reposicionar de forma radical o balanço entre indústria e serviços, redinamizando o primeiro desses setores”, completa.

09 julho 2011

Rodrigo Vianna: Brasil vai virar uma fazenda chinesa?

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

A China resolveu reclamar do Brasil. Uma autoridade diplomática do país asiático diz que Lula prometeu reconhecer a China como “economia de mercado”, mas que na prática isso não correu (o que atrapalha o ingreso chinês na OMC – Organização Mundial do Comércio).

A pressão dos chineses talvez seja uma boa chance para o Brasil rever a maneira de se relacionar com a potência asiática. Até porque descobrimos recentemente – graças aos Wikileaks, divulgados pela agência de notícias “Pública” – o que a China pensa do Brasil: depois de prometer apoiar o pleito brasileiro de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, os chineses saíram dizendo aos EUA que o Brasil ”não tem ´capacidade e influência´ para ser líder e que as ambições do país excedem seu verdadeiro peso no cenário internacional”.

A parceria comercial com a China, é fato, ajudou o Brasil a resistir bem à crise de 2008. Mas tem uma consequência perversa a médio prazo: desindustrialização!

Meses atrás, escrevi um texto sobre isso: “A fama de Pochmann e o pernil de Delfim”. Aqui, um pequeno trecho: “o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”. Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Marcio Pochmann (presidente do IPEA), é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.”

O Brasil não consegue concorrer com os chineses. Uma pessoa amiga, que vive de exportar calçados e roupas brasileiras, disse-me essa semana: “estou no limite, não temos mais preço, estamos perdendo mercado; estou pensando em vender o imóvel em que funciona a empresa e aplicar o dinheiro no banco”.

Vamos proteger nosso mercado, ou fechar nossas fábricas?

Se esse é o quadro entre os exportadores, imagine o que não acontece com as indústrias brasileiras. A Azaléia, por exemplo, anuncia que pode fechar a fábrica na Bahia, para reabri-la em Nova Délhi, na Índia.

É gravíssimo.

O blogueiro Eduardo Guimarães – que sobrevive da venda de autopeças brasileiras para outros países da América latina – é outro a martelar: o quadro é dramático para a indústria brasileira. Não conseguimos mais competir.

O que podemos fazer? Centralizar o câmbio.

O que é isso? Controlar a entrada e saída de divisas. Economistas liberais têm coceira quando ouvem falar nisso. Mas é a saída.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rodrigo-vianna-brasil-vai-virar-uma-fazenda-chinesa.html

Rodrigo Vianna: Brasil vai virar uma fazenda chinesa?

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

A China resolveu reclamar do Brasil. Uma autoridade diplomática do país asiático diz que Lula prometeu reconhecer a China como “economia de mercado”, mas que na prática isso não correu (o que atrapalha o ingreso chinês na OMC – Organização Mundial do Comércio).

A pressão dos chineses talvez seja uma boa chance para o Brasil rever a maneira de se relacionar com a potência asiática. Até porque descobrimos recentemente – graças aos Wikileaks, divulgados pela agência de notícias “Pública” – o que a China pensa do Brasil: depois de prometer apoiar o pleito brasileiro de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, os chineses saíram dizendo aos EUA que o Brasil ”não tem ´capacidade e influência´ para ser líder e que as ambições do país excedem seu verdadeiro peso no cenário internacional”.

A parceria comercial com a China, é fato, ajudou o Brasil a resistir bem à crise de 2008. Mas tem uma consequência perversa a médio prazo: desindustrialização!

Meses atrás, escrevi um texto sobre isso: “A fama de Pochmann e o pernil de Delfim”. Aqui, um pequeno trecho: “o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”. Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Marcio Pochmann (presidente do IPEA), é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.”

O Brasil não consegue concorrer com os chineses. Uma pessoa amiga, que vive de exportar calçados e roupas brasileiras, disse-me essa semana: “estou no limite, não temos mais preço, estamos perdendo mercado; estou pensando em vender o imóvel em que funciona a empresa e aplicar o dinheiro no banco”.

Vamos proteger nosso mercado, ou fechar nossas fábricas?

Se esse é o quadro entre os exportadores, imagine o que não acontece com as indústrias brasileiras. A Azaléia, por exemplo, anuncia que pode fechar a fábrica na Bahia, para reabri-la em Nova Délhi, na Índia.

É gravíssimo.

O blogueiro Eduardo Guimarães – que sobrevive da venda de autopeças brasileiras para outros países da América latina – é outro a martelar: o quadro é dramático para a indústria brasileira. Não conseguimos mais competir.

O que podemos fazer? Centralizar o câmbio.

O que é isso? Controlar a entrada e saída de divisas. Economistas liberais têm coceira quando ouvem falar nisso. Mas é a saída.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rodrigo-vianna-brasil-vai-virar-uma-fazenda-chinesa.html