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09 julho 2011

Marina Silva busca fórmula para não submergir

BERNARDO MELLO FRANCO
ITALO NOGUEIRA
DE SÃO PAULO

Sem partido e sem mandato pela primeira vez em 30 anos, a ex-senadora Marina Silva afirma ter deixado o PV sem uma fórmula para não submergir na cena política.

Ela reconhece que deve perder visibilidade, mas diz não estar "ansiosa" para se manter em evidência.

O problema preocupa aliados da ex-presidenciável, que planeja fundar uma sigla para concorrer novamente ao Planalto em 2014.

"Temos que abaixar a ansiedade com essa coisa de ser visto. Não vou ficar com uma melancia no pescoço, fazendo cambalhota para ser vista", disse Marina à Folha.

Marlene Bergamo/Folhapress
Marina Silva durante anúncio oficial de sua saída do Partido Verde
Marina Silva em anúnciou oficial de sua saída do PV na quinta

Ela deixou claro que continuará a militar na área ambiental em Brasília, mesmo após romper com o PV.

"Vou entrar nas causas que são importantes e justas, mesmo que sejam causas perdidas", disse, citando a luta contra as mudanças no Código Florestal. "Estou nessa agenda há muito tempo e jamais deixaria de estar por não ter a certeza do sucesso."

Sem gabinete, Marina quer usar órgãos ainda incipientes, como o IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade) e o fórum de ex-ministros do Meio Ambiente, para dar respaldo institucional às suas aparições públicas.

O Instituto Marina Silva, que segundo ela será dedicado a ações de educação ambiental, ainda não tem sequer uma sede própria.

"É algo pequeno, como uma tenda. As pessoas não conseguem entender isso. Depois de ter 20 milhões de votos, acham que você deve ir para uma torre, um palácio. Eu estou indo para uma tenda, uma coisa modesta."

MESSIANISMO

Após criticar todos os partidos no ato que marcou sua saída do PV, anteontem, Marina demonstrou incômodo com as críticas contra uma suposta tendência messiânica --que ela descreve como um "rótulo" a evitar.

Mas afirmou ter dificuldade em "administrar o carisma" com os seguidores.

"A coisa mais difícil que tem é administrar o carisma. Porque as lideranças carismáticas podem pensar que podem tudo. E isso é uma ilusão, não podem. A melhor forma é saber que o carisma não deve ser usado de qualquer forma", disse. "As lideranças carismáticas, messiânicas, talvez tenham cumprido um papel na História."

Em outro momento da entrevista, Marina, que foi a única presidenciável evangélica em 2010, citou lição de Jesus Cristo sobre o tema.

"Jesus nunca se deixou aprisionar pelas armadilhas nem do seu carisma nem do seu poder", afirmou.

A ex-senadora sugeriu que seu "sofrimento" por abandonar o PV foi menor do que o da saída do PT, em 2009. "Seria hipocrisia dizer que foi maior agora. São sofrimentos diferentes", disse.

Ao ser questionada sobre os novos capítulos do processo do mensalão, ela ficou com os olhos marejados e disse estar "triste" com o pedido de prisão para ex-colegas de sigla como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).

http://www1.folha.uol.com.br/poder/941192-marina-silva-busca-formula-para-nao-submergir.shtml

Marina Silva busca fórmula para não submergir

BERNARDO MELLO FRANCO
ITALO NOGUEIRA
DE SÃO PAULO

Sem partido e sem mandato pela primeira vez em 30 anos, a ex-senadora Marina Silva afirma ter deixado o PV sem uma fórmula para não submergir na cena política.

Ela reconhece que deve perder visibilidade, mas diz não estar "ansiosa" para se manter em evidência.

O problema preocupa aliados da ex-presidenciável, que planeja fundar uma sigla para concorrer novamente ao Planalto em 2014.

"Temos que abaixar a ansiedade com essa coisa de ser visto. Não vou ficar com uma melancia no pescoço, fazendo cambalhota para ser vista", disse Marina à Folha.

Marlene Bergamo/Folhapress
Marina Silva durante anúncio oficial de sua saída do Partido Verde
Marina Silva em anúnciou oficial de sua saída do PV na quinta

Ela deixou claro que continuará a militar na área ambiental em Brasília, mesmo após romper com o PV.

"Vou entrar nas causas que são importantes e justas, mesmo que sejam causas perdidas", disse, citando a luta contra as mudanças no Código Florestal. "Estou nessa agenda há muito tempo e jamais deixaria de estar por não ter a certeza do sucesso."

Sem gabinete, Marina quer usar órgãos ainda incipientes, como o IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade) e o fórum de ex-ministros do Meio Ambiente, para dar respaldo institucional às suas aparições públicas.

O Instituto Marina Silva, que segundo ela será dedicado a ações de educação ambiental, ainda não tem sequer uma sede própria.

"É algo pequeno, como uma tenda. As pessoas não conseguem entender isso. Depois de ter 20 milhões de votos, acham que você deve ir para uma torre, um palácio. Eu estou indo para uma tenda, uma coisa modesta."

MESSIANISMO

Após criticar todos os partidos no ato que marcou sua saída do PV, anteontem, Marina demonstrou incômodo com as críticas contra uma suposta tendência messiânica --que ela descreve como um "rótulo" a evitar.

Mas afirmou ter dificuldade em "administrar o carisma" com os seguidores.

"A coisa mais difícil que tem é administrar o carisma. Porque as lideranças carismáticas podem pensar que podem tudo. E isso é uma ilusão, não podem. A melhor forma é saber que o carisma não deve ser usado de qualquer forma", disse. "As lideranças carismáticas, messiânicas, talvez tenham cumprido um papel na História."

Em outro momento da entrevista, Marina, que foi a única presidenciável evangélica em 2010, citou lição de Jesus Cristo sobre o tema.

"Jesus nunca se deixou aprisionar pelas armadilhas nem do seu carisma nem do seu poder", afirmou.

A ex-senadora sugeriu que seu "sofrimento" por abandonar o PV foi menor do que o da saída do PT, em 2009. "Seria hipocrisia dizer que foi maior agora. São sofrimentos diferentes", disse.

Ao ser questionada sobre os novos capítulos do processo do mensalão, ela ficou com os olhos marejados e disse estar "triste" com o pedido de prisão para ex-colegas de sigla como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).

http://www1.folha.uol.com.br/poder/941192-marina-silva-busca-formula-para-nao-submergir.shtml

28 março 2011

Grupo de Marina Silva rebate ironia de presidente do PV

DE SÃO PAULO

O Movimento Transição Democrática, grupo do PV ligado a ex-candidata à Presidência Marina Silva, rebateu em nota as declarações do presidente do partido, José Luiz Penna.

Em bate-papo com internautas, Penna voltou a ironizar as criticas dos "marineiros". Ele disse que a atividade de dirigente partidário é "um saco", mas sugeriu que o grupo de Marina tem pouco tempo de filiação para cobiçar o comando da legenda.

Na internet, Penna ironiza novatos no PV

"Se os atuais dirigentes do partido realmente não têm apego a cargos, não há motivos para não atender a demanda de antecipar a convocação da convenção nacional", afirma o movimento, em texto distribuído pela assessoria de imprensa de Marina. A nota foi divulgada por causa de reportagem da Folha de hoje.

No vídeo, o presidente do diretório do PV em Osasco (SP), Carlos Marx Alves, diz a Penna que verdes recém-chegados pensam que vão levar a sigla "de bandeja".

"Entrou no ônibus e já quer ir para a janela, né?", responde Penna, rindo.

O Movimento Transição Democrática afirma lamentar as falas do dirigente. Ele lembra que Marina se filiou ao partido em 2009 com a promessa de que haveria uma revisão da "estrutura partidária".

"Infelizmente, Penna e seus seguidores tratam como uma mera disputa do poder pelo poder aquilo que deveria ser um processo de diálogo, capitaneado pela própria direção nacional do partido, que leve o PV a assumir seu protagonismo transformador na política brasileira", responde o grupo da ex-senadora na nota.

A nota diz que Marina tem dois importantes aliados no PV --Alfredo Sirkis e Fernando Gabeira-- e outros 100 dirigentes.

Na internet, Penna ironiza novatos no PV

Na internet, Penna ironiza novatos no PV

DE SÃO PAULO

Em bate-papo com internautas, o presidente do PV, José Luiz Penna, voltou a ironizar as críticas do grupo de Marina Silva, que entrou no partido em 2009.

Ele disse que a atividade de dirigente partidário é "um saco", mas sugeriu que os "marineiros" têm pouco tempo de filiação para cobiçar o comando da legenda.

No vídeo, o presidente do diretório do PV em Osasco (SP), Carlos Marx Alves, diz a Penna que verdes recém-chegados pensam que vão levar a sigla "de bandeja".

"Entrou no ônibus e já quer ir para a janela, né?", responde Penna, rindo.

Ao comentar a crise no partido, ele diz não ter apego ao cargo, mas avisa que é preciso ter "maioria consistente" para substituí-lo.

Apesar das provocações, diz desejar um "casamento profundo" com Marina, "com juras de amor eterno".

O vídeo foi ao ar quinta-feira passada. Num cenário de fundo psicodélico, o deputado chama um internauta de "bicho" e se confunde ao explicar que está no cargo desde 1999: "São dez anos incompletos".

Ele ainda critica a Folha: "A Folha nunca gostou nem do PV nem de mim pessoalmente." Alves diz que o jornal "gosta da elite". Penna concorda: "É lógico."

26 março 2011

Marina volta a criticar dirigentes do PV

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BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Em novo recado à direção do PV, a ex-presidenciável Marina Silva afirmou ontem que não teria se filiado ao partido sem a promessa de renovação em seu comando.

Ela disse que recusaria o convite se os dirigentes verdes tivessem demonstrado a intenção de barrar mudanças na sigla, presidida por José Luiz Penna desde 1999.

"Se alguém tivesse me dito, eu não teria entrado", afirmou à Folha. "O que foi dito é que havia problemas, mas que estava em curso um processo de mudança."

Marina reclamou de "dirigentes que querem manter suas posições no partido" e, segundo ela, recusam-se a cumprir o compromisso de "modernizar" a legenda.

Ela também rebateu críticas de aliados de Penna que, nos bastidores, a acusam de tentar derrubá-lo para assumir o controle da sigla.

"Só estou buscando ser coerente com as razões pelas quais eu me filiei", disse a ex-senadora. "Não dá para continuar falando em nova forma de fazer política se acharmos que está bom assim."

Desde a semana passada, verdes próximos a Marina falam abertamente na hipótese de sair do PV e criar um novo partido para abrigá-la se Penna continuar no poder.

Ela nega o plano em declarações públicas, mas fez uma ameaça velada anteontem, ao liderar ato pela "democratização" do PV em São Paulo.

Diante de uma plateia de "marineiros", a ex-presidenciável lembrou sua saída do Ministério do Meio Ambiente, em 2008, e a desfiliação do PT, no ano seguinte.

"Quando achei que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o governo, pedi para sair. Quando senti que não estava mais coerente com o que pensava e fazia o partido [PT], saí do partido."

Ontem, Marina voltou a negar a ideia de mudar de sigla. "Não estou cogitando essa história de sair do PV ou criar outro partido."

ESTRATÉGIA

Depois de receber o apoio público de verdes históricos, como Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, a ex-senadora dedicou o dia de ontem a uma série de entrevistas aos principais veículos do país, marcadas por sua iniciativa.

Em minoria na Executiva Nacional do PV, que prorrogou o mandato da direção por mais um ano, ela busca apoio da opinião pública para forçar o rival a recuar.

Integrantes das duas alas voltaram a trocar farpas ontem. Sirkis criticou o presidente da sigla por ter declarado à Folha que ficará no cargo enquanto tiver maioria: "Ele parece lutar pela presidência vitalícia."

Aliado de Penna, o líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), divulgou nota em que protesta contra supostas tentativas de "intrigá-lo" com Marina. "Sempre fui seu admirador", disse.