03 outubro 2011
Recuperação na camada de ozônio pode aumentar aquecimento global
The New York Times
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/recuperacao+na+camada+de+ozonio+pode+aumentar+aquecimento+global/n1237592064486.html
Acontece que o buraco causava a formação de nuvens úmidas e claras que protegiam a região antártica do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa nas últimas duas décadas, pesquisadores afirmaram na última edição da revista Geophysical Research Letters.
A recuperação do buraco vai reverter esse fenômeno, diz Ken Carslaw, professor de ciência atmosférica na Universidade de Leeds e coautor do estudo. Em resumo, ela vai acelerar o aquecimento em determinadas partes do hemisfério sul.
O buraco na camada de ozônio, descoberto na Antártida em meados da década de 80, causou preocupação porque a camada desempenha um papel crucial na proteger os seres vivos do planeta contra a radiação ultravioleta.
Sua causa foi, em grande parte, pelo uso humano de clorofluorcarbonetos, compostos químicos usados em refrigeradores e latas aerossol que dissipam ozônio. A adoção de um protocolo internacional em 1987 fez com que muitos países abandonassem gradualmente essas substâncias, o que ajudou a camada a se reconstituir em cima da Antártida.
Para essa pesquisa, os autores do novo estudo se debruçaram sobre dados meteorológicos documentados entre 1980 e 2000, incluindo as velocidades mundiais de ventos, registradas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).
Os dados mostram que o buraco gerava ventos de alta velocidade que faziam com que sal marinho entrasse na atmosfera, formando nuvens mais úmidas. Essas nuvens refletem mais luz solar, o que ajudava a evitar o aquecimento na atmosfera antártica, dizem os cientistas. A dispersão de água do mar, causada por estes ventos, resultava num aumento nas gotículas de nuvens de cerca de 46% em algumas regiões do hemisfério sul, disse o Dr. Carslaw.
Mas Judith Perlwitz, professora da Universidade do Colorado e pesquisadora da NOAA (Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA) diz questionar os resultados do estudo, embora os dados empregados pareçam sólidos.
Mesmo com a recuperação da camada de ozônio, espera-se que as emissões de gases de efeito estufa aumentem, ela disse. Assim, a professora prevê que o aumento na temperatura deva causar os ventos a aumentar sua velocidade e ter o mesmo efeito formador de nuvens que o buraco hoje tem. A questão é ver se o vento está mais lento, o que eu duvido, disse.
O futuro não é determinado apenas pela recuperação da camada de ozônio, afirma. Nós também estamos aumentando nosso uso de gases de efeito estufa, o que aumenta a velocidade do vento ao longo do ano.
A professora também ressaltou que o buraco na camada de ozônio não deve se recuperar completamente antes de 2060, segundo o relatório mais recente da Organização Metereológica Mundial.
26 setembro 2011
É fácil estudar no jornal "The New York Times"
Uma das apostas do jornal "The New York Times", um dos mais influentes do mundo, é ser, além de uma redação, uma escola, oferecendo os mais diversos cursos, em parceria com universidades e envolvendo seus jornalistas. Há de tudo na lista de cursos (o detalhamento está no www.catracalivre.com.br).
Pode-se, a distância, estudar vinhos da Califórnia, neurociência, arquitetura, urbanismo, artes plásticas, ecologia, saúde. É uma espécie de universidade de conhecimentos gerais, aberta a qualquer um e em qualquer parte do mundo.
Os responsáveis pelos cursos do jornal me dizem que o projeto educacional só tende a crescer, já que eles estão apostando que vivemos (e com razão) na era da aprendizagem permanente e que as pessoas precisam de ajuda para contextualizar, com mais profundidade, tanta informação.
Por trás da escola desse jornal, há uma provocação interessante sobre o impacto das novas tecnologias no processo de aprendizagem: educação e comunicação podem gerar uma outra linguagem em comum.
Assim o leitor, além de leitor, vira também aluno. E uma redação também pode ser uma escola.
Gilberto Dimenstein, 54, integra o Conselho Editorial da Folha e vive nos Estados Unidos, onde foi convidado para desenvolver em Harvard projeto de comunicação para a cidadania.
02 abril 2011
Bill Gates investe em tecnologia para pequenas usinas
Numa conferência sobre energia limpa realizada em janeiro em Washington, Jon M. Huntsman Jr., então embaixador dos EUA na China, disse que tinha recentemente se reunido com Bill Gates naquele país. Gates é conhecido por investir num novo tipo de reator, parte de uma nova classe chamada de "pequenos reatores modulares", projetados para oferecer um custo mais baixo, operar em usinas menores e atender a necessidades que estejam na casa das centenas de megawatts, e não dos milhares de megawatts.
Gates investe em parceria com Nathan P. Myhrvold, ex-diretor de tecnologia da Microsoft, numa empresa chamada TerraPower, que desenvolveu o projeto de um modelo chamado "reator de onda viajante". Durante a maior parte do seu funcionamento, o reator produz seu próprio combustível. Isso significa que um país poderia desfrutar da energia nuclear sem ter de se importar com as usinas de enriquecimento, que são um dos caminhos para as armas nucleares.