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28 janeiro 2012

Golpe de 1964 foi 'revolução' segundo Secretaria da Segurança de São Paulo

O site da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo na internet descreve o golpe de 1964, início da ditadura militar que durou até a eleição de Tancredo Neves, em 1985, como uma “revolução” que teve como objetivo se opor à política de esquerda do então presidente João Goulart.

“Em 31 de março de 1964 iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart”, diz o texto.

A informação faz parte da linha do tempo da página institucional da Secretaria. O texto é ilustrado por um desenho no qual um militar aparece em destaque, o símbolo comunista (foice e martelo) coberto por um “x” e uma faixa da marcha da família com Deus pela liberdade, manifestação organizada pela organização católica de extrema direita TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

MATÉRIA COMPLETA:
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/golpe-de-1964-foi-revolucao-segundo-secretaria-da-seguranca-de-s/n1597602782270.html

05 setembro 2011

Filho de João Goulart cobra mais transparência sobre período da ditadura militar

COMISSÕES / DIREITOS HUMANOS
05/09/2011 - 14h08


O filho do ex-presidente da República João Goulart, João Vicente Goulart, fez um apelo à sociedade brasileira para que aproveite o ano 2014, quando se completarão cinco décadas do Golpe de 64, para refletir e cobrar das autoridades mais transparência sobre o período.

João Vicente participou, nesta segunda-feira (5), da primeira audiência pública do Ciclo de Debates promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado sobre os 50 anos da Campanha da Legalidade. A audiência foi solicitada e presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
A Campanha da Legalidade foi um movimento liderado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, para assegurar que o vice-presidente João Goulart assumisse a Presidência após a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961.
Segundo João Vicente Goulart, apesar de 2014 ser um ano festivo por conta da Copa do Mundo, os brasileiros não podem deixar a data passar em branco.
- É preciso refletir sobre tantas tragédias, tantas mortes e tanto obscurantismo. Ainda há muito para se investigar e apurar. Cinquenta anos depois, ainda há resistência à liberação de muitos documentos e informações - afirmou.
Comissão da Verdade
João Vicente defendeu ainda a instituição da Comissão da Verdade, cujo projeto de criação está sendo examinado pela Câmara dos Deputados (PL 7376/2010).
- Essa comissão poderia, por exemplo, ter poderes para convocar generais e outras autoridades para prestarem depoimentos, ainda que fosse "sob vara" e facilitar a apuração de casos de violação de direitos humanos na época da ditadura [1964-1985] - opinou.
Morte de Jango
Indagado por Paim sobre a causa da morte de Jango, João Vicente disse haver evidências de que o pai tenha sido envenenado com cianureto de potássio e questionou a demora para autorização da exumação do corpo.Jango morreu após parada cardíaca, quando estava exilado na Argentina, em 1976, e a morte é atualmente investigada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, mas a família quer que a Procuradoria-Geral da República assuma o caso.
Resgate da Memória
João Vicente Goulart, o senador Paulo Paim e o secretário de Estado de Representação do Governo do Rio Grande do Sul, Ronaldo Teixeira da Silva, outro participante da audiência pública, foram unânimes na defesa da legitimidade e do direito de Jango assumir a presidência naquele ano de 1961, logo após a renúncia de Jânio Quadros. Eles destacaram ainda a importância histórica da campanha desencadeada por Brizola para garantir o cumprimento da Constituição.
- Naquela época o vice-presidente era eleito independentemente do presidente. E Jango recebeu mais votos até do que Jânio Quadros. Não tinha por que não assumir o comando do País. A legitimidade de Jango jamais poderia ter sido questionada - afirmou Ronaldo Teixeira da Silva, que representou o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.
Os convidados lembraram ainda o legado político de Leonel Brizola e a importância do trabalhismo para o Brasil. Também participaram da audiência o senador Wellington Dias (PT-PI) e o deputado federal Amauri Teixeira (PT-BA), que destacaram a importância da Campanha da Legalidade.
A próxima audiência pública do Ciclo de Debates sobre o tema será na primeira segunda-feira de outubro. Haverá ainda outro encontro em novembro (7) e o encerramento ocorrerá em dezembro (5), quando será exibido o documentário "Jango em 3 Atos", dirigido pelo jornalista da TV Senado Deraldo Goulart, que também participou da audiência desta segunda-feira (5).
Anderson Vieira / Agência Senado