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29 outubro 2011

Cerveja feita em casa


Infográfico mostra o preparo da versão caseira da bebida, que ganha cada vez mais adeptos e resgata hábito secular

Marina Fuentes, especial para o iG São Paulo | 21/10/2010 22:49

Recentemente, a cervejaria Petrópolis divulgou, junto com o lançamento de um novo rótulo, uma pesquisa sobre o crescimento das cervejas especiais no Brasil: 20% contra 4% do mercado das cervejas comuns. O interesse pelos produtos artesanais e de microcervejarias, que oferecem mais personalidade e tipos da bebida, cria um outro foco de atenção que corre em paralelo, o das cervejas caseiras.

Sem pesquisas e números oficiais para endossar, o aumento dos chamados ‘home brewers’ é notado pela movimentação dentro do universo cervejeiro. Em sites, redes sociais, confrarias e associações, é sensível o interesse cada vez maior do consumidor da cerveja premium de experimentar a sua própria produção ou degustar a de outros cervejeiros amadores.

Bom termômetro, a criação de uma associação voltada à cultura da cerveja caseira confirma o crescimento do nicho. A iniciativa partiu de uma comunidade da rede social Orkut, que foi ganhando mais adeptos e tornou-se oficial. A primeira a ser fundada, no Rio de Janeiro, cunhou a sigla Acerva (Associação de Cervejeiros Artesanais). Logo, São Paulo e outros sete estados seguiram o exemplo e aderiram ao nome. Cada Acerva funciona de maneira autônoma, algumas cobram mensalidade, outras não e cada uma tem seu estatuto. Mas o objetivo e as ações de todas são semelhantes: realizar cursos, promover encontros, produções coletivas e degustações.

“Começamos a abrir alguns encontros também para aqueles que ainda não produzem cerveja caseira, mas têm interesse no assunto. É uma forma de as pessoas conhecerem essa atividade”, conta Philip Zanello, um dos diretores da Acerva paulista.

O engenheiro Jaime Pereira Filho, proprietário do bar paulistano Píer 1327, localizado na Vila Mariana, está espantado com o brusco aumento da procura pelo curso de cerveja caseira que ministra no bar há pouco mais de dois anos. “É um curso rápido, que ensina todo o processo em duas aulas. Eu costumava ter uma turma por mês, agora é diário e há uma fila de espera de três meses para os interessados”, comenta. Um desses alunos foi o fotografo Leo Feltran, que registrou a sua produção caseira para ilustrar essa matéria.

Ainda que tenha ares de novidade, a produção das cervejas no quintal de casa é algo muito antigo, vem dos mosteiros seculares que já fabricavam a bebida bem antes de serem criadas as primeiras grandes cervejarias. Na Idade Media, cabia aos padres e às mulheres este preparo, que era parte da dieta cotidiana de proletários e burgueses.

Foto: Leo FeltranAmpliar

Malte: cerveja varia de acordo com os tipos e as proporções de maltes usados na receita

Hobby levado a sério

Quem é “convertido” ao universo da cerveja caseira leva a diversão a sério. Se produzir uma cerveja básica é questão de saber seguir a receita (veja o infográfico acima), criar bebidas com características peculiares e estabelecer algum padrão torna-se um grande desafio. Para quem quer seguir a lei de pureza alemã, que só permite o uso dos ingredientes básicos na composição (água, malte de cevada, lúpulo e fermento), é possível variar o resultado de acordo com o tipo de malte e lúpulo usado, além das quantidades utilizadas, que vão definir um sabor mais adocicado ou mais amargo, mais tostado ou mais frutado, entre outras características sensoriais.

Para quem quer dar um passo além, vale adicionar quase tudo à mistura, de anis à rapadura. “Um dos diretores da Acerva paulista criou uma cerveja com funghi seco e achei que ficou bem interessante. Recentemente eu fiz uma com chocolate que em cada tiragem recebia um outro componente para combinar: extrato de coco, amêndoas ou framboesa”, diz Zanello ao lembrar de rótulos inventivos. Tanta criatividade precisa ser deixada de lado nos concursos que começaram a fazer parte do calendário cervejeiro, onde só alguns estilos podem concorrer. A restrição facilita o trabalho dos jurados de comparar produtos semelhantes.

Um desses campeonatos ocorreu em julho, promovido pela Acerva Paulista e pela microcervejaria Bamberg, de Votorantim, interior de São Paulo. Na ocasião, 31 cervejeiros caseiros do estado competiram com suas receitas, restritas ao estilo inglês conhecido como ESB. Um juri de treze experts deu as notas que sagraram Guilherme Alberici Di Santi campeão. O prêmio? Ter sua cerveja produzida pela Bamberg durante um ano.

A Eisenbahn é outra que homenageia a produção caseira: pelo terceiro ano, o melhor mestre cervejeiro amador, segundo competição organizada pela microcervejaria, ganha uma linha especial produzida na fábrica. Em 2010, o rótulo São Sebá, uma Belgian Dubbel criada pelo paranaense Sandro Singer, chega ao mercado em novembro em uma série limitada de 3.000 garrafas.

Para além da diversão, o sucesso obtido com um rótulo caseiro pode significar uma mudança do hobby para uma possível profissão. O designer gaúcho Maurício Gonçalves vive exatamente essa situação. Ele e o irmão Lúcio começaram a produzir cerveja caseira por diversão no ano passado, mas a bebida foi fazendo sucesso com amigos, ganhou rótulo e caiu no boca a boca dos cervejeiros.

Hoje, o rótulo Goyoaga Euskal Garagardo (nome basco em homenagem às origens da família), uma pilsen sem clarificantes e não pasteurizada, é produzida de duas a cinco vezes por semana e vendida em bares da Cidade Baixa, região boêmia de Porto Alegre. “Já fornecemos até para um evento de lançamento de livro em junho deste ano, quando foram consumidos 60 litros”, conta Mauricio orgulhoso.

Foto: Leo FeltranAmpliar

Lúpulo: é responsável por conservar e definir o nível de amargor da cerveja

Para começar

Quem quer se aventurar pelo mundo das cervejas caseiras deve ter algum conhecimento e estrutura. O mais indicado é acompanhar o trabalho de algum conhecido que faça a cerveja para ver se a atividade realmente lhe atrai – é preciso lembrar que produzir cerveja caseira requer tempo, dedicação e investimento. Não se trata só de beber. Em seguida, um curso rápido dá a base necessária que só o tempo – leia-se erros e acertos – vão aprimorar a técnica de “mestre cervejeiro”.

Mas, para produzir sua própria cerveja é preciso montar uma nanocervejaria em casa. Jaime Pereira diz que o kit básico tem custo aproximado de 500 reais e ocupa o mesmo espaço que um botijão de gás. O “maquinário” consiste de duas panelas grandes de alumínio, uma balança, uma colher grande de polipropileno, um termômetro culinário, uma peneira, um fermentador (um balde hermeticamente fechado com saída de válvula e uma torneira para engarrafar), mangueiras de transferência, um densimetro, um dispositivo para fechar garrafas e um moedor de cereais.

Montada a “fábrica”, é preciso buscar os insumos, não tão fáceis de serem encontrados em todo o Brasil. “Não há lojas que vendam malte e lúpulo em São Paulo, por exemplo. Mas há fornecedores do Rio Grande do Sul que distribuem os produtos via internet”, sugere Jaime. O estado é onde a cultura da cerveja caseira se nota mais presente, certamente pela influência da comunidade alemã na região.

A dificuldade de encontrar malte, fermento e lúpulo não significa o custo alto do produto. “Gasta-se cerca de 50 reais em matéria prima para produzir 20 litros de cerveja caseira”, estima Jaime. Além de divertida, a produção é a forma de consumir uma cerveja não-pasteurizada, que permanece em transformação“. Os microorganismos ficam vivos na garrafa e continuam em ação. A cerveja fica maturando e vai mudar de características a cada semana que ficar armazenada”, conta Jaime.

Receita básica da cerveja caseira
Fonte: Jaime Pereira Filho. Fone: (11) 2597-7231

Ingredientes
- 35 litros de água mineral de boa procedência
- 6 quilos de malte claro e escuro
- 20 gramas de lúpulo
- 11,5 gramas de fermento

Confira o modo de preparo no infográfico acima


Links para consulta:
www.acervapaulista.com.br
www.cervejaartesanal.com.br
www.weconsultoria.com.br

O chope perfeito em nove passos

Aprenda a tirar o chope perfeito e descubra se o garçom está tapeando você

Renan Silva, iG São Paulo


Foto: David Santos Jr./Foto ArenaAmpliar

O copo, o ângulo, a higiene. Tudo faz diferença na hora de tirar o chope

Refrescante do começo ao fim, macio em todos os goles. O sabor? Aí, depende. A variedade é grande e vai além do fato de o líquido ser claro ou escuro. O que se pode cravar é que o chope perfeito é notado no primeiro gole. Para descobrir se a bebida sagrada do fim de expediente é servida com excelência, olho no garçom. O amigo de gravata borboleta deve seguir nove passos para servi-la de maneira equilibrada, com a dose exata de espuma e sem bolhas. É o que revela o americano Chris Meyers, campeão mundial de tiradores de chope em 2010, abaixo:

1. A escolha do copo

Esqueça o copo tulipa. Deixe de lado também a caneca do seu último Oktoberfest. É o cálice que irá garantir a qualidade do líquido. Sim, o cálice. Seu formato arredondado e levemente fechado na boca vai ressaltar o sabor, o aroma, a cor e a espuma do chope.

2. A limpeza do copo

Chope é coisa séria. Logo, higiene é fundamental. Certifique-se se o copo chegou até você livre de resíduos, inclusive sem marca de dedos. O ideal é que ele seja lavado com detergente neutro e seque naturalmente. Antes de receber o líquido, o cálice deve ser colocado em água gelada, para ficar na mesma temperatura do chope.

Clique aqui e conheça a representante do Brasil e o vencedor do campeonato 2011

3. O sacrifício

Preste atenção se o bartender jogou fora o primeiro jato da chopeira, ele não deve ser servido. E não é apenas uma questão de temperatura: o líquido parado estraga o sabor. Geralmente quando o chope está amargo demais é por que não houve o sacrifício. Como dizem os garçons, tem que fazer sangrar.

Foto: Renan SilvaAmpliar

O copo certo para o chope perfeito

4. O ângulo certo

Na hora de tirar o chope, o copo deve ficar inclinado em um ângulo de 45 graus. Isso nunca foi lenda, macete ou capricho. A explicação: quando a bebida atinge o cálice nessa posição e começa a circular, é criada a proporção ideal entre a espuma e líquido.

Clique aqui e confira a galeria de fotos com os noves passos do chope perfeito

5. A coroa

Pode parecer radical, mas se você gosta de chope com pouca espuma, você não gosta de chope. Mais do que um colarinho, o chope perfeito merece uma coroa, e de, no mínimos, dois dedos. Para fazê-la, basta botar o cálice em posição vertical quando ele estiver preenchido até a metade. A coroa evita que o líquido entre em contato com o ar, preservando seu sabor, aroma e temperatura. Uma coisa legal é experimentar a espuma como ela se fosse um sorvete. Faça isso e veja como o leve amargor e a textura cremosa proporcionam um bom gole.

6. O frescor e a torneira

Para minimizar os respingos, a torneira deve ser fechada rapidamente e o cálice retirado. Nada de mover o copo para cima e para baixo e tocar a torneira. Se fizer assim, esqueça o frescor.


7. Os excessos

Hora de retirar o excesso de espuma -- sem dúvida, a etapa mais charmosa de todo o processo. O truque é passar uma espátula especial, inclinada num ângulo de 45 graus, sobre o cálice apoiado no balcão e retirar as bolhas maiores. Isso fará o creme durar por mais tempo e dará ao chope uma sobrevida em sabor, aroma e temperatura. Depois de retirar o excesso de espuma, a espátula deve ser mergulhada em um copo com água limpa.

8. O pente fino

Agora é a vez do pente fino. Com o copo em mãos, deve-se analisar se há bolhas grandes demais e se a espuma mede, pelo menos, dois centímetros. Pode parecer perfeccionismo, mas há alguns bares onde isso é medido com régua. Batidas com o cálice na mesa, mania de alguns garçons, são desnecessárias.

Leia também: Chope em casa, sem apuros

9. O serviço

O momento é de mostrar destreza. O cálice deve ser mergulhado em água para retirar os resíduos externos, e o colarinho não pode cair no recipiente. E atenção: segurar o corpo do copo é um erro crasso, comum em alguns bares. Além de não ser higiênico, o calor das mãos rouba a temperatura gelada do chope.

Com o cálice em mãos, cheire o líquido antes de beber e tente perceber as propriedades do malte, que variam de acordo com o tipo de chope. Aprecie com (alguma) moderação.

08 setembro 2011

Barriga de chope é mito, segundo estudo médico espanhol

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,barriga-de-chope-e-mito-segundo-estudo-medico-espanhol,665208,0.htm


DA EFE

Um estudo do Colégio Oficial de Médicos de Astúrias revela que "a barriga de chope é um mito", pois um consumo moderado da bebida, de até meio litro diário, associado a uma dieta como a mediterrânea, não engorda e reduz o risco de diabetes e hipertensão.
O modelo de homens e mulheres com barriga grande é próprio da cultura anglo-saxã, onde se ingere grandes quantidades de cerveja e comida rica em gorduras saturadas com quase nenhuma atividade física, asseguraram nesta quarta-feira os autores do estudo.
O padrão alimentar dos consumidores moderados de cerveja na Espanha é mais próximo ao da dieta mediterrânea, segundo o trabalho elaborado por Hospital Clínic, Universidade de Barcelona e Instituto de Saúde Carlos III, que foi apresentado nesta quarta-feira no Colégio Oficial de Médicos de Astúrias.
Os médicos Ramón Estruch, do Serviço de Medicina Interna do Hospital Clínic, e Rosa Lamuela, do departamento de bromatologia e Nutrição da Universidade de Barcelona, asseguraram que o estudo demonstra que a cerveja bebida com moderação não provoca aumento da massa corporal nem acúmulo de gordura na cintura.
O teste, realizado em 1.249 participantes, homens e mulheres com mais de 57 anos, que pela idade têm um maior risco cardiovascular, confirmou que a cerveja é saudável, segundo os autores.
As pessoas que participaram do estudo se alimentando com uma dieta mediterrânea acompanhada de cerveja em quantidades entre um quarto e meio litro por dia, "não só não engordaram, mas, em alguns casos, perderam peso", indicaram os cientistas.
A dose recomendada pelos médicos é de dois copos diários para as mulheres e de três para os homens, com comidas equilibradas e sempre que as pessoas tiverem uma vida normal, praticando algum exercício.
A cerveja é uma bebida fermentada, que recebe as propriedades alimentares dos cereais com que é produzida, assim como o vinho da uva, ou a cidra da maçã, explicou a doutora Rosa.
A bebida fornece uma quantidade de ácido fólico, vitaminas, ferro e cálcio maior que outras, e provoca um efeito "protetor" sobre o sistema cardiovascular.
As pessoas que bebem quantidades "normais" de cerveja apresentam uma menor incidência de diabetes mellitus e hipertensão, e um índice de massa corporal inferior.
Além disso, estas pessoas "manifestaram consumir uma maior quantidade de verduras, legumes, pescado, cereais e azeite de oliva, e realizar uma maior atividade física", indicou Estruch.