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20 maio 2011

Seita dos EUA garante: amanhã é o fim do mundo

Para os que acreditam, o sábado será o Dia do Julgamento; para os outros, será momento de festa

20 de maio de 2011 | 16h 58
Agência Estado


Camping, de 89 anos, fundou igreja protestante e divulgou a 'segunda vinda de Cristo'

RALEIGH - Um movimento cristão espalhou, a partir dos Estados Unidos, a mensagem de que o mundo acabará neste sábado, 21. Para alguns, será o Dia do Julgamento. Para outros, é momento de festa.

Segundo o grupo, Jesus Cristo retornará à Terra para reunir os fiéis e levá-los ao paraíso. Enquanto as principais correntes do cristianismo não compram a história, muitos céticos debocham dela.

Festas

Diversas celebrações foram convocadas no Facebook ao redor dos Estados Unidos, com os "descrentes" programando festas para o sábado e garantindo que o mundo não acabará. A profecia também foi debochada pela tira de quadrinhos "Doonesbury".

Na cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte, a seção local da Associação Humanista Americana convocou uma festa de dois dias, com início na noite do sábado e continuação no domingo, quando ocorrerá um show de música. "Não queremos que ninguém se sinta insultado, todos podem vir, até os cristãos", disse o organizador, Geri Weaver.


Família do Estado de Maryland acredita no apocalipse neste sábado.

Igreja independente

A profecia começou com Harold Camping, um engenheiro civil aposentado de 89 anos de Oakland (Califórnia), que fundou a Family Radio Worldwide, uma igreja protestante independente que propagou sua profecia ao redor dos EUA e em muitos lugares do mundo.

A "segunda vinda de Cristo", uma crença de que Jesus voltará e levará os fiéis ao paraíso, após um período de tribulações na Terra que precederá o fim dos tempos, é uma noção relativamente nova no cristianismo e muitos ramos cristãos não acreditam nela. Mesmo os fiéis raramente tentam marcar uma data para o evento.

As profecias de Camping foram feitas a partir de cálculos numerológicos baseados na leitura que ele fez da Bíblia. Ele afirma que eventos mundiais, como a criação do Estado de Israel em 1948, confirmam suas previsões.


Nova-iorquino leva cartaz prevendo o fim do mundo. 'A Bíblia garante', diz

'Idade da Igreja'

Camping já foi ridicularizado por uma profecia de que o mundo iria acabar em 1994, mas seus seguidores afirmam que ele se referia apenas ao final de uma "idade da Igreja", uma época onde seres humanos poderiam ser salvos por igrejas organizadas. Agora, eles dizem, apenas os que estão fora das igrejas que eles consideram profundamente corruptas podem esperar ser levados aos céus.

"Sem sombra de dúvidas, 21 de maio será a data da segunda vinda e do Dia do Julgamento", disse Camping em janeiro deste ano. Essas profecias não são novas, mas a teoria mais recente de Camping foi propagada com entusiástico vigor - não apenas a Family Radio, mas vários outros grupos aderiram a ela.

Eles usaram o rádio, a TV via satélite, websites, propagandas em metrôs e sermões religiosos não só nos EUA, como em dezenas de cidades da América Latina à Ásia. "A profecia foi propagada em quase todos os países", afirma Chris McCann, que trabalha para o website eBible Fellowship, um dos grupos que propagam que o mundo acabará amanhã.

"Os únicos países onde não houve uma certa divulgação foram os da Ásia Central, os 'tãos': Afeganistão, Usbequistão", disse.


Dia do Juízo contou até com carro para divulgação

Propagandas intensivas

"Eu decidi passar os últimos dias com minha família e colegas de fé", disse Mary Exley, que deixou sua família no Colorado, no ano passado, para se juntar à Family Radio e passou a divulgar a mensagem do fim do mundo, inclusive em viagens ao Oriente Médio. Segundo ela, o grupo fez propagandas intensivas em Israel, Jordânia, Líbano e Iraque.

No Vietnã, a profecia levou a um tumulto que envolve milhares de membros da etnia Hmong, que se reuniram perto da fronteira com o Laos no começo deste mês, para esperar os eventos de 21 de maio. O governo, que possui uma longa história de desconfiança com minorias étnicas tribais, deteve um líder "extremista" dos Hmong e dispersou outros 5 mil que estavam reunidos.

Nos EUA vários grupos cristãos criticam a profecia. "É irresponsável entrar nesse tipo de especulações" disse o reverendo Daniel Akin, presidente do Seminário Batista em Wake Forest, Carolina do Norte. "Essa profecia pode prejudicar fiéis ingênuos e eles podem ser facilmente iludidos", afirmou.

As informações são da Associated Press

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,seita-nos-eua-espera-fim-do-mundo-para-amanha,721929,0.htm

30 março 2011

Calendário maia não profetiza fim do mundo, diz antropólogo

Pesquisador exibe peça para desmentir a interpretação de que os maias previram o fim do mundo em dezembro de 2012

René Alberto López/AFP Photo

Dezembro de 2012: calendário não diz que o mundo irá acabar nessa data

Dezembro de 2012: calendário não diz nada sobre o fim do mundo

O fim do mundo foi adiado mais uma vez. José Luis Romero, subdiretor do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, apresentou nesta terça-feira (29) em Tabasco, sudeste do México, os restos do calendário maia interpretado erroneamente como profecia de que o mundo vai acabar em dezembro de 2012.

Os rumores sobre o apocalipse maia tiveram início quando circulou a informação de que na peça, feita de pedra calcária e achada incompleta, está gravada a data de 23 de dezembro de 2012. A descoberta serviu de mote para o filme 2012, estrelado por John Cusack.

Mas Romero garante que a data não tem nada a ver com o fim do mundo. "Do pouco que podemos observar, em nenhum de seus lados está escrito isso", enfatizou. De acordo com ele, a data se refere ao fim de um ciclo de seu calendário e o início de uma nova era.

A civilização maia já existia no século 15 a.C. e chegou ao seu auge entre os anos 200 e 900 d.C. Floresceu onde hoje se localizam México, Belize e El Salvador e ocupou um território que chegou a mais de 300 mil quilômetros quadrados. Os maias se notabilizaram pelas grandes cidades, com pirâmides de até 45 metros de altura, palácios suntuosos, praças esportivas e banhos públicos, e pelos vastos conhecimentos de matemática e astronomia. Até 1582, tinham um calendário mais preciso que o europeu. Quando os espanhóis chegaram à América, a civilização já havia entrado em declínio por conta de disputas internas.