Mostrando postagens com marcador HIV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HIV. Mostrar todas as postagens

26 outubro 2011

Vacina pode transformar ameaça de HIV em 'infecção menor'

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110930_aids_vacina_espanha_fn.shtml




Representação artística de partícula do vírus da Aids (SPL)

Várias vacinas contra o HIV estão sendo estudadas atualmente


Pesquisadores da Espanha testaram uma vacina contra o HIV e conseguiram limitar a ameaça do vírus à uma infecção de gravidade menor comparável a herpes em 90% dos voluntários que participaram da pesquisa.


A vacina desenvolvida pelo Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha se chama MVA-B e foi testada em 30 voluntários saudáveis, 24 receberam o tratamento com a vacina e outros seis receberam um placebo.


Os testes clínicos estão na primeira fase e, além dos 90% dos voluntários terem desenvolvido uma resposta imune ao vírus, 85% deles mantiveram esta resposta durante, pelo menos, um ano.


Os resultados da pesquisa foram publicados nas revistas especializadas Vaccine e Journal of Virology.


Treinamento


O sucesso do tratamento tem como base o fato de que o sistema imunológico pode ser treinado para responder a partículas do vírus e células infectadas.


Segundo o professor Mariano Esteban, o pesquisador responsável pelo desenvolvimento da vacina, o processo com a MVA-B funciona como "mostrar uma foto do HIV para que (o sistema imunológico) seja capaz de reconhecê-lo se o encontrá-lo no futuro".


As células principais desta experiência são os linfócitos T e B, os "soldados" encarregados de detectar substâncias estranhas no organismo e enviar os sinais necessários para destruí-las.


"Nosso organismo está repleto de linfócitos, cada um programado para lutar contra uma patogenia diferente", disse o cientista.


"É preciso submetê-los a um treinamento quando se trata de uma patogenia que não podem vencer naturalmente, como é o caso do HIV", acrescentou.


Os linfócitos B produzem os anticorpos que atacam o vírus antes que eles infectem as células. Os exames de sangue dos voluntários feitos na 48ª semana do tratamento revelaram que 72,7% dos voluntários tratados mantiveram os anticorpos específicos contra o HIV.


Os linfócitos T, por sua vez, são encarregados de detectar e destruir as células infectadas. Os exames de sangue realizados na 48ª semana do tratamento, 32 semanas depois da última aplicação da vacina, revelaram que 38,5% desenvolveram um tipo de linfócito T que luta contra o HIV, chamado CD4+. Outros 69,2% tinham desenvolvido outro tipo de linfócito T que luta contra o vírus, chamado CD8+.


Cautela e próximos passos


Os pesquisadores informaram que não ocorreu nenhum efeito adverso e a saúde dos voluntários no teste da vacina não foi afetada.


Mas, apesar do otimismo, os médicos envolvidos nos testes recomendam cautela.


"Os resultados precisam ser encarados com cautela, já que o tratamento só foi feito em 30 voluntários e, ainda que estimulem uma resposta potente na maioria dos casos, é cedo para prever se as defesas induzidas (pela vacina) vão evitar a infecção", disse o médico Felipe García, responsável pela equipe de pesquisa da vacina no Hospital Clínic, em Barcelona.


O próximo passo da pesquisa espanhola é verificar a eficácia da vacina em pessoas infectadas com o HIV, para verificar se ela realmente reduz a contagem viral.


O pesquisador Mariano Esteban demonstra otimismo com as próximas fases.


"A vacina MVA-B provou ser tão potente como qualquer outra vacina em estudo atualmente, ou ainda mais", afirmou.

03 outubro 2011

Governo quer fazer testes de HIV, hepatite e sífilis em todos os índios do país


Foto: Agência Brasil

Ação pretende examinar todos os índios brasileiros com mais de dez anos até o fim de 2012

O governo lança neste mês um programa destinado a realizar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C em todas as aldeias indígenas do Brasil.

A ação pretende examinar, até o fim de 2012, todos os índios brasileiros com mais de dez anos – idade média para o início da vida sexual no grupo – e encaminhar para o tratamento os que obtiverem resultados positivos.

Segundo o secretário especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, resultados de um projeto piloto do programa, aplicado em 46 mil indígenas do Amazonas e de Roraima, indicaram níveis "preocupantes" de HIV e sífilis.

A prevalência de sífilis na população indígena avaliada foi de 1,43%, inferior à média do resto do país (2,1%), ao passo que a de HIV foi de 0,1%, ante 0,6% da média nacional.

Para Souza, ainda que inferiores aos índices nacionais, ambos os dados exigem atenção por demonstrar que há transmissão dos vírus mesmo em populações isoladas, o que indica que seus integrantes mantêm contato com pessoas contagiadas fora das aldeias.

"Qualquer índio que obtenha resultado positivo numa aldeia é motivo de preocupação", disse o secretário à BBC Brasil.

Em gestantes indígenas, a prevalência de sífilis foi de 1,03%, mais baixa que as taxas encontradas em gestantes nos centros urbanos (1,6%). O índice de HIV em indígenas gestantes foi de 0,08%.

Segundo o IBGE (Instituto de Geografia Estatística), há cerca de 650 mil indígenas em aldeias no Brasil.

Resultados rápidos

De acordo com Souza, os kits para o teste garantem, com poucas gotas de sangue, a obtenção dos resultados em até 30 minutos e podem ser transportados mesmo em condições de calor e umidade, fator essencial para que sejam levados às aldeias mais remotas.

Antes, os indígenas precisavam ser removidos para as áreas urbanas para a coleta de sangue e posterior análise dos resultados, o que podia levar até 15 dias.

Os testes, que são voluntários, começam a ser aplicados em aldeias de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Mato Grosso nos dias 27 e 28 de agosto; nos meses seguintes, devem chegar aos demais Estados.

Souza explica que os aplicadores estão sendo treinados por cerca de 70 técnicos que participaram de um seminário em Brasília no mês passado.

Em caso de resultados positivos para sífilis, a equipe dará início imediato ao tratamento; já nos casos de HIV e hepatite, os indígenas serão convidados a realizar testes de confirmação no município mais próximo. Comprovada a doença, serão tratados em unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).

Para Souza, ao promover o encaminhamento à cidade somente dos indígenas diagnosticados, o programa garantirá a economia de recursos. Ele afirma ainda que uma das premissas do programa é garantir que os resultados dos exames fiquem sob sigilo, para evitar a discriminação dos infectados.

Segundo Souza, o programa também visa informar os indígenas sobre como as doenças se transmitem e os modos de prevenção. Para isso, explica que os agentes terão de levar em conta as características culturais locais.

"Sabemos que há culturas indígenas que não aceitam o uso de preservativos", afirma. "Teremos que trabalhar para que, se não usarem na aldeia, ao menos usem quando se deslocarem à área urbana, em caso de contato com pessoas de fora."

Ele diz que, em certos grupos, as mulheres costumam ser mais resistentes ao uso da camisinha, questão que também deve ser abordada nas campanhas educativas.

Tratamento de HIV

A médica e idealizadora do programa, Adele Benzaken, da Fundação Alfredo da Matta, diz que, no projeto piloto, quase 100% do público-alvo concordou em fazer o teste.

Ela afirma ainda que a acolhida aos tratamentos indicados para sífilis tem sido igualmente positiva. "A população indígena gosta de ser testada e acredita muito no tratamento injetável", disse ela à BBC Brasil.

O problema maior, segundo Benzaken, é convencê-los a se tratar em caso de HIV, pois diz que os indígenas costumam resistir à ideia de que devem passar o resto da vida ingerindo medicamentos para combater uma doença que, em muitos casos, demora a provocar sintomas.

Outra complicação é removê-lo para o município mais próximo. "Já vi indígena se negar porque quer fazer o tratamento com o pajé, e aí você não pode fazer nada", afirma.

A transferência para a cidade, segundo a médica, torna-se ainda mais improvável quando esses indígenas já tiveram decepções com o sistema de saúde.

09 maio 2011

É possível engravidar de portadores do HIV sem correr risco de infecção

Agência Aids

8 de maio de 2011 às 15:19h

Fábio Serrato e Lucas Bonanno

Entre os casais, um era composto pela assistente de recursos humanos Regina e pelo consultor de vendas Sérgio, que pediram para ter seus nomes trocados para evitar discriminação. Há cinco meses, quando faziam o exame pré-nupcional descobriram que ele é soropositivo. “Em nenhum momento passou pela minha cabeça que eu não pudesse realizar meu desejo de ser mãe. A medicina está muito avançada”, relata Regina, de 38 anos.

Assim como ela, outras 117 mulheres, juntamente com seus parceiros, procuraram pelo Ambulatório de Reprodução Assistida do CRT que completou um ano de existência nesta semana. Número abaixo do esperado, segundo Waldemar Pereira de Carvalho, ginecologista da unidade. “Poderíamos estar atendendo de 300 a 400 casais”, comenta.

Do total de casais participantes, 40 já começaram o processo de gravidez segura, ou seja, os homens tiveram seus espermatozóides “lavados” para retirar o HIV e inseminados artificialmente nas mulheres.

Até o momento, duas engravidaram. Uma gestação evoluiu para aborto e outra é considerada ótima pelos médicos. “Muito tempo se leva para a seleção e a orientação dos usuários. Por isso apenas duas mulheres engravidaram”, alega Waldemar.

A infectologista e coordenadora do Ambulatório, Rita Sarti, lembra que há um consenso medico com uma série de exigências para se fazer a inseminação. “É preciso ter boa adesão ao tratamento, analisar os antirretrovirais que estão sendo tomados para ver se não há risco para o feto e não ter doenças oportunistas”, explica.

Como funciona o método
No caso de casais em que ambos são soropositivos ou apenas o homem possui HIV, é feita a lavagem de esperma para que o material apresente carga viral indetectável. Em seguida é realizada a inseminação artificial.

Já quando ela é quem vive com HIV, o que precisa ser feita é a etapa da inseminação.
O tempo do tratamento varia de acordo com cada caso, mas sempre o procedimento deve ser realizado quando a carga viral do soropositivo estiver baixa ou indetectável.

Além disso, é preciso ter acompanhamento específico para evitar a transmissão vertical do HIV, que pode acontecer de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação.

A reprodução assistida é bastante segura e reduz a zero o risco de infecção ou reinfecção pelo HIV.

Expansão do serviço
De acordo com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o CRT de São Paulo é o único serviço a oferecer a reprodução assistida a soropositivos pelo SUS.

Para o médico Waldemar Pereira de Carvalho, cada Estado deveria ter um centro como esse. “Hoje as pessoas com HIV têm grande expectativa de vida e querem ter filhos”, afirma.