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27 março 2011

Canavial oferece risco ao aquífero Guarani, aponta estudo

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ADRIANA MATIUZO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE RIBEIRÃO PRETO

Técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) concluíram o primeiro estudo sobre as áreas de risco para o aquífero Guarani no Estado de São Paulo.

Hoje o maior vilão do aquífero são lixões desativados, segundo o responsável pelo estudo, José Luiz Albuquerque, pesquisador do departamento de hidrografia e avaliação socioambiental do IPT.

Apesar da rigidez atual com os aterros, o total de lixões antigos é desconhecido. O estudo também aponta que os canaviais são maioria entre as chamadas zonas de potencial de risco na região, devido ao uso de agrotóxicos e ao tipo de manejo.

O mapeamento, que traz uma série de recomendações para a ocupação sustentável do manancial, embasará um futuro projeto de lei.

O estudo dividiu em três categorias o solo dos 143 mil km2 do aquífero.

O mapa se divide em áreas de restrição à ocupação (172,9 km2 de áreas de preservação permanente e reservas legais), de ocupação dirigida (25,9 mil km2 considerados vulneráveis à contaminação) e de recuperação ambiental (degradadas por erosões, lixões ou favelas).


Silva Junior/Folhapress
Lagoa em Ribeirão, parte da área de recarga do aquífero Guarani; estudo mapeou regiões de risco ao manancial
Lagoa em Ribeirão, parte da área de recarga do aquífero Guarani; estudo mapeou regiões de risco ao manancial

Para as áreas de restrição, o estudo indica, entre outros, promover o manejo sustentável e projetos ambientais.

Já para as áreas de ocupação dirigida, as diretrizes do estudo indicam, por exemplo, a necessidade de barrar indústrias de alto risco ambiental, culturas agrícolas que usem agrotóxicos de grande mobilidade e até mesmo a ocupação onde há supressão de florestas.

Já nas áreas degradadas, as regras são peculiares e definidas caso a caso.

Segundo Albuquerque, o estudo será levado para discussão de comitês de bacias hidrográficas e, depois, deverá se tornar um projeto que proteja o aquífero.

Apesar de ter sido mapeado nos anos 70, até hoje o manancial não tem leis específicas que o protejam, de acordo com o pesquisador.

De acordo com ele, foram avaliados os graus de vulnerabilidade conforme a proximidade do solo com o manancial, a presença de mata nativa para protegê-lo e o tipo de atividade econômica.

Para o diretor do Daee Carlos Alencastre, o estudo é importante porque propõe uma série de ações para coibir empreendimentos que causem contaminação ao aquífero.

"Ainda tem muita discussão, porque o estudo esbarra em interesses particulares", afirmou ele.

O promotor Marcelo Pedroso Goulart disse acreditar que o processo será lento por depender do crivo da Assembleia Legislativa.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/894551-canavial-oferece-risco-ao-aquifero-guarani-aponta-estudo.shtml