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05 outubro 2011

Camada de gelo do Ártico alcança o segundo menor nível, informa Nasa

Do UOL Ciência e Saúde

No mês passado, a extensão do gelo marinho que cobre o Oceano Ártico alcançou a segunda menor medida já registrada, segundo pesquisadores da Nasa (agência espacial americana) e da Universidade do Colorado.

A calota de gelo do Ártico cresce a cada inverno e encolhe a cada verão quando o sol nasce mais alto no céu do Norte. Todos os anos, o gelo do mar Ártico atinge seu ponto mínimo em setembro.Ele bateu um recorde de baixa em 2007 e, durante os dez primeiros dias do mês passado, o nível chegou a ficar ligeiramente inferior ao daquele ano.

Imagens do mês (outubro/2011)

Foto 10 de 10 - A extensão do gelo no Ártico alcançou o segundo menor nível já registrado no mês de setembro, informou a Nasa. Durante os dez primeiros dias do mês, o cenário chegou a ficar pior que o de 2007, ano em que o declínio foi recorde, como mostra a imagem. Cientistas atribuem o fenômeno ao aquecimento global Nasa

"As condições atmosféricas e oceânicas não foram tão favoráveis à perda de gelo este ano, mas o derretimento se aproximou dos níveis de 2007", relata o cientista Walt Meier, da Universidade do Colorado.

Joey Comiso, da Nasa, afirma que o nível baixo segue o padrão de declínio que os pesquisadores têm detectado ao longo das últimas três décadas, fenômeno atribuído ao aquecimento global. Desde 1979, a extensão do gelo marinho do Ártico medida em setembro tem diminuído 12% a cada década.

"O gelo do mar não só está em declínio, como o ritmo desse declínio está se tornando maisdrástico", diz Comiso. "A camada mais velha e grossa de gelo está diminuindo mais rápido do que o resto, tornando a cobertura perene mais vulnerável."

A extensão média do gelo marinho do Ártico em setembro foi de 4,61 milhões de quilômetros quadrados. A medida ficou 2,43 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média de 1979-2000.

Modelos climáticos sugerem que o Ártico poderia perder quase toda a sua cobertura de gelo no verão até 2100, mas nos últimos anos, a extensão de gelo diminuiu mais rápido do que os modelosprevistos.

03 outubro 2011

Buraco na camada de ozônio do Ártico é equivalente ao da Antártida

O buraco foi detectado durante vários meses no começo do ano e seu tamanho era cinco vezes o da Alemanha
BBC Brasil

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/buraco-na-camada-de-ozonio-do-artico-e-equivalente-ao-da-antartida/n1597253428212.html


Cientistas afirmaram que, pela primeira vez, registraram um buraco gigante na camada de ozônio na atmosfera superior acima da região do Ártico, parecido com o buraco encontrado regularmente sobre a Antártida, no sul.

Segundo os cientistas, o buraco foi detectado durante vários meses no começo do ano e seu tamanho era cinco vezes o tamanho da Alemanha. Os cientistas afirmaram ainda que, a cerca de 20 km acima da superfície terrestre, 80% do ozônio tinha desparecido.

Informações que já tinham sido publicadas pela revista especializada Nature, em abril, destacavam a destruição da camada de ozônio no Ártico, mas esta é a primeira vez que são publicados dados que já foram totalmente analisados pelos cientistas. A causa foi uma época longa de clima frio naquela altitude.

Em condições de frio, elementos químicos produzidos pelo homem e que destroem o ozônio são mais ativos. "O inverno na estratosfera ártica é muito variável, alguns são quentes, outros são frios", disse Michelle Santee, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a agência espacial americana. "Mas, nas últimas décadas, os invernos que são frios estão ficando ainda mais frios."

De acordo com a pesquisa publicada na Nature, atualmente é impossível prever se essas perdas na camada protetora de ozônio vão ocorrer novamente naquela região. A camada de ozônio impede a passagem dos raios ultravioleta do sol. Esses raios têm efeitos nocivos à saúde, podendo provocar câncer e outras doenças.

Protocolo de Montreal

Os compostos químicos que destroem a camada de ozônio têm origem em substâncias chamadas clorofluorcabonos (CFCs), que começaram a ser usados no século passado em vários produtos, incluindo refrigeradores.

Esses compostos químicos que aumentam o chamado "buraco" na camada de ozônio foram proibidos ou tiveram o uso limitado pelo Protocolo de Montreal das Nações Unidas, assinado em 1987, mas permanecem por tanto tempo na atmosfera que os especialistas esperam que os danos continuem por décadas.

Os efeitos destrutivos foram registrados pela primeira vez na Antártida, que atualmente registra uma grande queda no nível de ozônio em sua camada a cada inverno. As temperaturas da estratosfera na região do Ártico durante o inverno geralmente não caem tanto como as temperaturas no Polo Sul.

O Ártico não bateu nenhum recorde de baixas temperaturas em 2011, mas o ar permaneceu mais frio por um período extraordinariamente longo, cobrindo uma área maior do que o de costume. O tamanho e a posição do buraco na camada de ozônio mudou no decorrer do tempo. Algumas estações de monitoramento no norte da Europa e na Rússia registraram níveis maiores de penetração dos raios ultravioletas-B, mas ainda não se sabe se isto significa algum risco à saúde humana.

08 abril 2011

Novo estudo prevê fim das geleiras de verão no Ártico em 2016


Cientistas que haviam previsto que geleiras se derreteriam durante os verões no Ártico em 2013 agora projetam que isso talvez demore mais alguns anos, mas ainda deve ocorrer nesta década - provavelmente em 2016.

A previsão original, feita em estudo de 2007, rendeu uma onda de críticas ao autor, o cientista Wieslaw Maslowski. Agora, Maslowski e sua equipe trabalham com um novo modelo de computador - feito parcialmente por causa da onda de críticas - que identificou a data "estimada" como sendo 2016. Seu estudo foi apresentado no encontro anual da União Europeia de Geociências (EGU, na sigla em inglês).

O novo modelo foi projetado para reproduzir interações do mundo real, ou "cruzamentos", entre o oceano Ártico, a atmosfera, o gelo e os rios que deságuam no mar.

"No passado (...), estávamos projetando o futuro presumindo que tendências poderiam persistir, como foi observado em tempos recentes", disse Maslowski, que trabalha na Escola de Pós-Graduação Naval, em Monterey, na Califórnia.

"Agora, estamos tentando ser mais sistemáticos e desenvolvemos um modelo regional do clima do Ártico que é muito parecido com os modelos de mudança climática do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC)", disse à BBC News.

"Podemos fazer um modelo completo de cruzamentos para o passado e o presente e ver o que o modelo vai prever para o futuro quanto ao gelo do mar e o clima ártico."

E uma das projeções identificou que o derretimento de verão pode deixar os mares do Ártico sem a presença de gelo por volta de 2016, "com margem de erro de três anos a mais ou a menos".

Provas Um dos ingredientes mais importantes do novo modelo é a informação relativa à grossura do gelo que flutua no mar. Satélites são cada vez mais capazes de detectar essa grossura, geralmente a partir da medição de quão acima da superfície marítima está a geleira. A medição também indica a profundidade desse gelo.

A inclusão dessa estimativa no modelo de Maslowski foi um dos fatores que o forçou a rever a projeção de 2013, que levantou suspeitas e críticas quando foi anunciada em uma reunião ocorrida quatro anos atrás.

Desde um derretimento particularmente expressivo ocorrido em 2007, uma grande proporção do Ártico tem sido coberta por uma camada de gelo fino, que é formada durante uma única estação e é mais vulnerável a mudanças sutis de temperatura do que o gelo grosso.

Mesmo levando isso em consideração, a data projetada por Maslowski é anterior à prevista por outros cientistas. Mas um deles - Walt Meier, do Centro de Informações de Neve e Gelo dos EUA, no Colorado - diz que o comportamento do gelo marinho se torna menos previsível à medida que se torna mais fino.

"O modelo (de Maslowski) é bastante bom, tem bastante precisão e captura detalhes que estão perdidos em modelos climáticos globais", disse. "Mas 2019 é daqui a apenas oito anos. Há modelos mostrando que (as datas prováveis do derretimento são por volta de) 2040 ou 2050, e ainda tendo a acreditar nisso."

Ele agrega: "Ficaria muito surpreso (se o derretimento de verão) ocorresse em 2013. Menos surpreso se ocorresse em 2019".

Método O derretimento drástico de 2007 foi o maior já registrado pelos satélites, ainda que nos anos seguintes a perda de gelo foi inferior à média de longo prazo.

Mas alguns pesquisadores acreditam que o derretimento de 2010 foi tão marcante quanto o de 2007, já que as condições climáticas foram no ano passado mais favoráveis à durabilidade do gelo.

Ainda que muitos cientistas do clima e ambientalistas estejam seriamente preocupados com o futuro do gelo ártico, para outras partes da sociedade e dos governos o derretimento traz desafios e oportunidades.

Os governos da Rússia e do Canadá, por exemplo, estão de olho nas oportunidades de mineração que vão despontar no pólo Norte, e o Exército dos EUA expressou preocupação em perder parte de sua defesa na sua fronteira do norte durante uma parte do ano.

"Não estou tentando ser alarmista nem dizer que 'prevemos o futuro porque temos uma bola de cristal'", disse Maslowski. "Estamos tentando fazer os políticos e as pessoas perceberem que o gelo de verão (do Ártico) pode sumir até o fim da década."